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Junji Abe

Profissão: Produtor de orquídeas

Cidade: Mogi das Cruzes

Junji Abe, 75 anos, mogiano, produz e comercializa flores e plantas ornamentais, destacando-se entre os maiores produtores de orquídeas da Grande São Paulo, atua como consultor em gestão pública e empresarial, é líder rural, deputado federal suplente pelo PSD-SP e foi prefeito de Mogi das Cruzes por duas vezes seguidas (2001-2008), tendo encerrado a segunda gestão com 86% de aprovação popular, segundo pesquisas de opinião.

  • Antes de o sol raiar

    Começo um novo ano com a determinação de fazer dele um período ainda melhor e mais produtivo

    Postado dia 12 de janeiro de 2017 às 08h em Sociedade e Política

    sol

    Foto: Reprodução

    Nasci de parto natural pelas mãos da parteira dona Suenaga. Foi no dia 15 de dezembro de 1940. Era um menino franzino e não teria sobrevivido, se não fosse o leite de vaca trazido diariamente para complementar o leite materno. O produto vinha num caminhão que transportava toras de madeira da Fazenda de Adelino Torquato, amigo dos meus pais, para a área central de Mogi das Cruzes.

    Ao lado de quatro irmãos – Hatue, Hidekazu, Shizuyo e Hissae –, nasci e cresci no campo. Como outros meninos, joguei futebol, empinei pipa, fiz arte, levei bronca, sempre gostei de chocolate e de caqui. Como todo menino que vive na roça, aprendi a acordar com o canto do galo. Como muitos, ajudei a família na lavoura. Na época, energia elétrica era coisa do futuro onde eu vivia. Quando caía a noite, à luz de velas ou de um lampião, debruçávamos sobre um livro sorvendo as palavras, embarcando na magia proporcionada pela leitura, prazer que cultivo desde menino.

    Hoje, vejo maravilhado os avanços da tecnologia. A gente tem o mundo na palma da mão. Jamais imaginaria tudo isso enquanto criança. Adoro os benefícios do mundo cibernético! Graças às redes sociais, tive a felicidade de reencontrar dona Mariquinha. Ela está com 104 anos de idade, tem uma memória prodigiosa e impecável lucidez. Dona Maria de Jesus Siqueira, a Vovó Mariquinha, carregou no colo o menino que fui e ajudou a lidar com aquele moleque travesso.

    Ao completar 76 anos de idade, dirijo-me a Deus com uma imensa bagagem de gratidão pela família formidável – ancorada na minha magnífica esposa Elza –, pelos amigos verdadeiros e pelo contínuo aprendizado que me proporciona. Olho para trás e percebo o quanto os anos me fizeram bem. Ganhei mais, muito mais paciência. E redobrei minha capacidade de compreensão dos outros e da vida.

    Não quer dizer perder o entusiasmo nem a identidade. Significa controlar o ímpeto e depositar energia no entendimento. A gente ouve mais, fala menos e interage melhor. A idade traz algumas limitações. Para mim, entretanto, os obstáculos são minúsculos. Talvez, minha dieta rica em hortaliças e frutas, seguida desde criança, seja meu pote de ouro conquistado antes do fim do arco-íris.

    Se me permitem uma sugestão, não tenham medo de envelhecer. Rugas não ofuscam os tesouros que só um veterano consegue encontrar. O mais fantástico é que eles estão dentro da gente. Quando se conserva a alma jovem, a idade não pesa. Só agrega conhecimento, experiência e compreensão.

    Começo um novo ano com a determinação de fazer dele um período ainda melhor e mais produtivo. Que o Senhor me permita ter sempre novos desafios, porque eles alimentam minha alma. E que, acima de tudo, mantenha o meu privilégio de ter ao meu lado tantos seres especiais – humanos ou não – que são a razão para acordar todos os dias antes de o sol raiar.

     

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  • Os três J’s

    Escrevo essa linda história como testemunho de que os anjos existem. Neste ano que se inicia, desejo que vocês também reconheçam e valorizem seus anjos.

    Postado dia 5 de janeiro de 2017 às 08h em Sociedade e Política

    junji

    Foto: Reprodução

    Ele é um adolescente como muitos. Tem 15 anos, mora em Mogi das Cruzes, é inteligente, comunicativo, gosta de futebol e de Carnaval. Como alguns, tem um irmão chamado Johnny. Como raros, é alguém sem ascendência nipônica que ganhou um nome japonês. Como só ele, personifica uma homenagem que cala fundo na minha alma. Chama-se Junji Antunes de Almeida Lopes.

    Junji é filho de Alessandra Antunes de Almeida e de João Soares Lopes. Nasceu no dia da Independência do Brasil, em 2001, ano de estreia da minha gestão como prefeito de Mogi. O que muita gente não sabe sobre a história singular do adolescente é o tanto de vida pulsante na relação entre mim e seu pai. João é meu amigo-irmão, meu parceiro de jornada, fiel escudeiro, meu anjo negro, como costumo dizer pelo que ele representa na minha própria história e em alusão a sua ascendência africana.

    João trabalha comigo há 25 anos. Ele chegou em 1995 para ser meu motorista na Assembleia Legislativa. Exercia o segundo mandato como deputado estadual. De cara, gostei do rapaz simples e alto astral, sempre solícito. De quebra, tinha na bagagem a experiência de haver desempenhado a mesma função para o ex-governador paulista Paulo Egydio Martins.

    Juntos, percorremos cerca de 500 cidades do Estado. Embora João seja de um profissionalismo irretocável, nossa relação nunca ficou restrita a de patrão e funcionário. Em pouco tempo, ele já havia sido acolhido como membro da minha família.

    Encerramos o ciclo no Legislativo paulista. Ele continuou meu motorista na Prefeitura e ainda é. Lá, tinha a missão adicional de identificar problemas, como buracos e vazamentos de água ou esgoto. Como dirigia e não podia anotar, gravava. Os áudios eram encaminhados para providências. Ele fazia isso não como encargo, mas com o prazer de quem ajuda o amigo a administrar melhor a Cidade.

    Foi o João quem me brindou com um dos momentos mais comoventes dos meus 76 anos de vida. Ele entrou na minha sala trazendo a certidão de nascimento do filho. Quando vi o nome do registro, não contive as lágrimas. Meu jovem xará representa um manifesto de amizade e de amor.

    Escrevo essa linda história como testemunho de que os anjos existem. Neste ano que se inicia, desejo que vocês também reconheçam e valorizem seus anjos. São eles que nos amparam, nos protegem, nos defendem e nos guiam também nos momentos mais difíceis. São eles que nos estendem a mão quando outras se esconderam. São eles que nos acendem a luz quando todas as outras se apagaram. São eles que entoam uma canção quando o mundo se cala. São eles que dizem presente quando tudo é ausência. São eles a prova cotidiana do amor de Deus por nós. João é um dos meus anjos. Juntos, somos os três J’s: João, o pai; Junji, o filho; e Junji eu.

     

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  • O Natal é você

    Sejamos, cada um de nós, o verdadeiro Natal. Façamos neste mundo o que viemos fazer, sem desvios nem quedas.

    Postado dia 23 de dezembro de 2016 às 10h em Especial de Natal

    natal

    Foto: Reprodução

    “Natal é você, quando se dispõe, todos os dias, a renascer e deixar que Deus penetre em sua alma.

    O pinheiro de Natal é você quando, com sua força, resiste aos ventos e dificuldades da vida.

    Você é a decoração de Natal, quando suas virtudes são cores que enfeitam sua vida.

    Você é o sino de Natal quando chama, congrega, reúne.

    A luz de Natal é você quando, com uma vida de bondade, paciência, alegria e generosidade, consegue ser luz a iluminar o caminho dos outros.

    Você é o anjo do Natal quando consegue entoar e cantar sua mensagem de paz, justiça e de amor.

    A estrela-guia do Natal é você quando consegue levar alguém ao encontro do Senhor.

    Você será os Reis Magos quando conseguir dar, de presente, o melhor de si, indistintamente, a todos.

    A música de Natal é você quando consegue também sua harmonia interior.

    O presente de Natal é você, quando consegue comportar-se como verdadeiro amigo e irmão de qualquer ser humano.

    O cartão de Natal é você quando a bondade está escrita no gesto de amor de suas mãos.

    Você será os ‘votos de Feliz Natal’ quando perdoar, restabelecendo de novo a paz, mesmo a custo de seu próprio sacrifício.

    A ceia de Natal é você quando sacia de pão e esperança qualquer carente ao seu lado.

    Você é a noite de Natal quando consciente, humilde, longe de ruídos e de grandes celebrações, em silêncio, recebe o Salvador do Mundo.”

    Com trechos dessa mensagem do Papa Francisco, compartilho o sentimento de festejar de verdade o Menino Deus. É tempo de refletir, de agradecer, de perdoar e de orar. Façamos uma corrente de preces pela paz mundial, pelo futuro do planeta, pelo fim das desigualdades sociais, pela união da família, pelo resgate do ser humano como gente do bem.

    Em meio às luzes dos piscas e ceias fartas, lembremo-nos daqueles que sequer tem um pedaço de pão para comer. Estão distantes das bolas coloridas e dos presentes. Peçamos a Deus alívio para as dores dos que sofrem, alimentos para quem tem fome, abrigo para os sem-teto, conforto espiritual para os desconsolados, paciência para os afoitos, equilíbrio para os radicais, fé para os incrédulos e bondade na alma de gente ruim.

    Sejamos, cada um de nós, o verdadeiro Natal. Façamos neste mundo o que viemos fazer, sem desvios nem quedas. Que tenhamos amor e solidariedade de sobra para acalentar dores e frustrações. Acima de tudo, que o Criador nos conduza na divina jornada da vida e nos ensine a praticar as lições de Jesus de viver bem e agir melhor. Com toda fé, amor, paz e gratidão! Assim, o Menino Deus renascerá sempre em cada um. Feliz Natal!

     

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  • Derrubando muralhas

    Por muito tempo, os prefeitos se esconderam sob o argumento de que a segurança pública cabe ao governo estadual

    Postado dia 12 de dezembro de 2016 às 08h em Sociedade e Política

    segurança

    Foto: Reprodução

    A falta de segurança sempre desponta entre as questões que concentram o maior clamor popular por solução. Em Mogi das Cruzes, não é diferente. O que mudou foi a maneira de lidar com o problema. Por muito tempo, os prefeitos se esconderam sob o argumento de que a segurança pública cabe ao governo estadual. De fato, é uma atribuição de competência do Estado. Mas, o combate à violência exige a conjugação de esforços do poder público, nas três esferas, e da sociedade.

    Assim que assumimos a Prefeitura, em 2001, tratamos de combater a violência trabalhando com duas frentes básicas e simultâneas: programas sociais e segurança pública. A primeira abrangia políticas ativas de inclusão social pautadas pelo incentivo à cidadania, estímulo à cultura e aos esportes, geração de emprego e renda e assistência social. A segunda incluiu uma série de investimentos. Numa iniciativa inédita na história da Cidade, criamos a Central Integrada de Emergências Públicas (Ciemp), com câmeras de monitoramento que operam em locais estratégicos e, a partir da atuação integrada com as polícias, contribuem para reduzir a criminalidade.

    Já havíamos criado a Guarda Municipal, dotada de viaturas e motos, além de investir pesado em iluminação pública e implantar a Lei Seca, que proíbe a venda de bebidas alcoólicas após a meia-noite, com repercussão direta na redução de crimes, contribuindo até para diminuir conflitos domésticos.

    A Prefeitura respondeu, por exemplo, pelas novas instalações da Delegacia de Defesa da Mulher. Também atuou para implantar o CPAM-12 e a Delegacia do Idoso. Além disso, banca gratificação mensal para policiais civis e militares, assim como locações, telefones, energia elétrica, combustível, reformas prediais e manutenção de viaturas dos órgãos de segurança.

    Apesar de o policiamento ser uma obrigação do Estado, a Prefeitura não pode e nem deve se furtar da responsabilidade de atuar na prevenção da violência. Foi assim que a população deu a ordem geral para a derrubada da muralha de atribuições em prol do interesse comum.

    Todas essas iniciativas foram cultivadas e ampliadas, assim como inspiraram outras ações, nas gestões do meu sucessor Marco Bertaiolli (PSD). E é assim que deve ser. Portanto, o trabalho deve continuar evoluindo a partir de 2017, sob a batuta do prefeito Marcus Melo (PSDB).

    O bem-estar coletivo extrapola os limites dos espaços públicos para semear o convívio harmonioso nos lares. É preciso cultivar esse conceito em cada indivíduo. Aí reside o dever das políticas públicas. Assim, de ponto a ponto, de lar em lar, a sociedade evoluirá em qualidade de convívio, com sensação de segurança e segurança de verdade.

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  • Foco e fé

    Quem vive o drama do desemprego precisa se desdobrar para vencer o desalento. Com fé, vêm o ânimo, as oportunidades e até as boas ideias

    Postado dia 7 de dezembro de 2016 às 08h em Sociedade e Política

     

    fé

    Foto: Reprodução/Internet

    Esta época do ano costumava ser uma espécie de salvaguarda para quem estava desempregado. Bastava percorrer o centro comercial para conseguir uma das muitas vagas de trabalho temporário oferecidas pela maciça maioria das lojas. Quem se destacava ao fazer o “bico” ainda tinha a oportunidade de ser efetivado. Igual procedimento valia para muitas atividades no campo. Produtores de flores e frutas, por exemplo, admitiam mão de obra extra para dar conta do expressivo aumento de vendas. Bons tempos…

    O cenário atual é bem diferente. Grandes redes de varejo já informavam, em setembro, que não contratariam temporários. Em lojas menores, o contexto é ainda pior. Muitas fecharam as portas. No campo, também não há perspectivas de contratações. Aliás, está mais que difícil manter o atual quadro de funcionários. Falo com a experiência de quem produz flores. E não vai admitir pessoal extra neste ano. Infelizmente.

    De agosto a outubro último, a taxa de desemprego foi de 11,8%. São 12,042 milhões de desempregados. O mais grave, entretanto, está em outro fato apurado pelo IBGE: a desesperança. O desalento por não conseguir uma vaga vem fazendo os brasileiros desistirem da busca. No último ano, 1,462 milhão de pessoas deixaram o mercado de trabalho. Quer dizer que não estavam nem trabalhando e nem procurando emprego.

    O martírio de precisar sustentar a família e não conseguir emprego é uma cruz gigantesca. Detona a mente da pessoa; fere de morte sua alma. Enquanto ela ainda tenta, apesar das frustrações, existe esperança. Pior é quando ela para de tentar. Aí, é o fim. Significa jogar a toalha.

    Por mais sombrio e gélido que esteja o dia a dia, não se pode perder a fé. A vida é efêmera. Bons e maus momentos também são passageiros. Desistir não é uma opção. Apenas mascara a dor e agrava os problemas. Quem vive o drama do desemprego precisa se desdobrar para vencer o desalento. Com fé, vêm o ânimo, as oportunidades e até as boas ideias. Pode ser que o caminho da recuperação não esteja numa contratação no mercado de trabalho. Conheço gente que ficou desempregada e não conseguia trabalho. Mas fez um dos cursos gratuitos de qualificação profissional oferecidos, por exemplo, pela Prefeitura de Mogi das Cruzes (como parte de um programa que fortalecemos enquanto prefeito e que evolui na atual gestão). Hoje, mantém o próprio negócio. E manda muito bem.

    Apesar das más notícias, especialistas apostam na reação do emprego em 2017. Gosto de pensar que, se a gente tem um sonho e luta por ele com todas as forças, o universo conspira para que seja realizado. Ou, como acreditam os cristãos, Deus proverá. Então, apelo para que não desistam. Acima de tudo, foco e fé!

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  • Tite, Temer e o Brasil

    Personalidades responsáveis e eficientes, como o técnico da seleção, devem aplicar políticas públicas pautadas pela austeridade e pelo amor ao Brasil

    Postado dia 22 de novembro de 2016 às 08h em Sociedade e Política

     

    tite

    Foto: Reprodução/Internet

    Faz sentido sermos pentacampeões do mundo e continuarmos essa vitoriosa caminhada. Temos a riqueza inesgotável de jogadores que só precisam de aprimoramento e comando. Porém, ciclicamente, entramos em parafuso. Chegamos ao ápice da desclassificação na Copa do Mundo de 2014, em pleno Estádio do Maracanã. E pior, humilhados com a derrota fragorosa de 7 a 1 para Alemanha.

    Somos uma potência incomparável em recursos naturais, com gente fraterna e obreira que constituiu uma sociedade multirracial e multicultural. Ocorre que vivemos o mesmo parafuso enfrentado pela seleção canarinho.

    Mas estamos no limiar de transformações extremamente positivas. Vejamos o futebol. Há cartolas corruptos presos ou prestes a ajustar contas com a Justiça. Após a desastrosa era Felipão e o ineficiente comando técnico de Dunga, com a seleção ameaçada de exclusão da Copa 2018, eis que, finalmente, vem a luz: Tite chega para dirigir a seleção.

    Desde que assumiu, foram seis jogos e seis vitórias. O Brasil alcançou o 1º lugar. Faltando ainda seis jogos, só precisa de um empate para a classificação para a Copa 2018.

    Esse gaúcho de 55 anos ralou muito para chegar à posição de técnico vencedor. Além de extraordinário conhecimento técnico, determinação e humildade, Tite domina a tarefa mais complexa que é o relacionamento humano. Sabe se colocar diante dos cartolas e, principalmente, junto aos jogadores.

    Embora tenhamos gênios da bola, como o excepcional Neymar, Tite constrói uma seleção não dependente de um guerreiro. Prima pelo jogo coletivo e solidário.

    O técnico enaltece o desempenho e a importância de cada membro da sua comissão técnica. Sem vaidade, com espontânea demonstração de senso coletivo, divide os louros das vitórias. Não à toa, o povo ovaciona: “Tite, Tite, Tite!”

    Guardadas as proporções, pode-se comparar a situação com os campos público e privado da nação. Embora tênue, há luz no fundo do túnel.  Com a Operação Lava Jato, dezenas de autoridades e empresários são presos. As pedaladas fiscais levam ao impeachment da presidente Dilma Rousseff e a consequente posse de Michel Temer. Apesar das dificuldades advindas do carcomido sistema político-partidário e administrativo, ele trabalha pela superação da crise.

    Com compreensão, solidariedade, união e efetiva participação do povo, haveremos de resgatar o bem-estar a que temos direito. Oremos para que personalidades responsáveis e eficientes, como o nosso Tite, apliquem políticas públicas pautadas pela austeridade e pelo amor ao Brasil e a nossa gente. Sem vaidades nem idolatria. Apenas com competência, sensibilidade e dedicação.

    Assim, quem sabe, como no futebol, voltemos a ovacionar não alguém, mas o nosso Brasil.

     

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  • Essência humana

    É possível sair do zero e progredir em prol da causa animal. Basta vontade política, com a imprescindível participação popular.

    Postado dia 14 de novembro de 2016 às 09h em Sociedade e Política

    Foto: Reprodução

    Foto: Reprodução

    Ainda falta muito para garantir políticas públicas direcionadas ao tratamento digno dos animais. Mas, quando vejo as ações desenvolvidas em Mogi das Cruzes, sinto orgulho dos avanços. No ano 2000, com a ajuda da população, preparávamos o PGP (Plano de Governo Participativo). Elencamos a implantação de um local apropriado para atendimento de cães e gatos abandonados na lista de compromissos a serem honrados.

    Quando chegamos à Prefeitura, sabíamos que os animais recolhidos eram levados para o tal do “barracão” – um depósito de materiais da Prefeitura. A realidade era bem pior. Não bastassem as instalações absurdamente precárias, não havia pessoal especializado. Ou seja, nem um único médico veterinário. Os bichinhos apreendidos eram mandados para laboratórios de pesquisas. Viravam cobaias. Eram tirados das ruas para serem torturados em testes dos mais diversos.

    Saber da barbaridade que se passava a alguns metros do prédio-sede da Prefeitura me arrasou. Interrompi as remessas para laboratórios, contratei veterinários e comecei a cruzada para viabilizar a implantação de um Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). Em 2006, inauguramos o espaço, dotado de tecnologia de ponta e classificado como um dos mais modernos do País. A estrutura possibilitou, por exemplo, a inédita campanha de esterilização gratuita de cães e gatos e a vacinação antirrábica em massa, além de ações de conscientização para a posse responsável. Tudo, sob a supervisão de veterinários da Prefeitura.

    Nosso sucessor, Marco Bertaiolli, deu continuidade ao processo. Lançou o Petmóvel que leva aos bairros o serviço de castração de cães e gatos. O Centro de Bem-Estar Animal coloca Mogi no rol dos raros municípios dotados de um hospital veterinário gratuito, voltado às famílias mogianas desprovidas de recursos para cuidar dos animais de estimação. A unidade também eleva os índices de castração animal. ONGs estimam que haja 25 mil bichinhos perambulando pelas ruas.

    Como se vê, é possível sair do zero e progredir em prol da causa animal. Basta vontade política, com a imprescindível participação popular. Contudo, isso não elimina a necessidade de a população agir, com responsabilidade, na relação com os animais domésticos. Adotá-los significa inseri-los em sua família. Isso exige alimentação, vacinas, cuidados e amor. Castrar também é um ato de amor, porque reduz a incidência de câncer. Lembre-se ainda de que, por mais monstruoso que seja, há gente abandonando ninhadas de filhotes no lixo. Temos a grande oportunidade de colaborar para resgatar valores perdidos em meio à violência cotidiana. E, principalmente, de preservar a essência humana, em nós mesmos e nas gerações futuras.

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  • Crime abominável

    A segurança pública requer maior qualificação dos profissionais. Também é imprescindível ampliar penas para estuprador, sem aliviar menor de idade

    Postado dia 3 de novembro de 2016 às 08h em Sociedade e Política

    Foto: Reprodução

    Foto: Reprodução

    Calcula-se uma mulher estuprada por minuto no Brasil. O corpo é um templo e sua violação desfere golpe mortal contra qualquer mente sã. Ainda que sobreviva ao ataque, a vítima carrega sequelas até a morte. O que dizer, então, dos casos em que o algoz vive dentro de casa e os abusos se repetem?

    Faltam-me palavras para expressar o inominável horror que tenho de estuprador. Não me interessa se é menor de idade, se sofreu abuso na infância, se praticou o crime sob efeito de drogas, se sofre de distúrbio mental, se é flagelado do desemprego, se está revoltado com a vida, estuprador é estuprador. Ponto.

    Tão grave quanto a impunidade é a cultura do estupro. Sinto que voltamos à Idade Média quando leio comentários de que a vítima sofreu violência sexual por causa das roupas que usava. Ou porque frequentava locais de baixa reputação. Ou ainda porque era extrovertida demais. Façam à sociedade o favor de calar!  A mulher usa o que quer, frequenta o lugar que deseja e se expressa da forma que julga melhor. É direito dela. Não é inspiração e muito menos motivo para vagabundo nenhum estuprá-la. O crime abominável do estupro não tem justificativa.

    O ranço de machismo impera até nos organismos de segurança pública e é um dos fatores para subnotificações desse crime. A mulher que sofreu abuso fica com medo de denunciar e ser tarjada de culpada.

    Não há fórmulas de efeito imediato para conter os crimes de estupro. Porém, há medidas que precisam ser implantadas agora para resultados futuros. É vital combater todas as drogas. Defendo o fim da proibição do emprego para menores de 16 anos. O ideal seria a escola de tempo integral. Mas, como essa realidade está distante, é viável que o jovem estude num período e trabalhe no outro para não ficar na oficina do capeta.

    A segurança pública requer maior qualificação dos profissionais. Também é imprescindível ampliar penas para estuprador, sem aliviar menor de idade. Ainda que cumpra detenção em instituições específicas, estuprou, responde como gente grande. No ensino, é fundamental incluir no currículo temas que forcem a assimilação do respeito à mulher. É preciso motivar as campanhas populares permanentes contra crimes sexuais, evitando que fiquem limitadas ao período pós-divulgação de barbáries, como os casos de estupro coletivo.

    Ao mesmo tempo, é indispensável a educação no lar. Os pais têm de assumir sua responsabilidade na missão de aniquilar a cultura do estupro. Não podem criar o conceito equivocado de que algumas mulheres merecem apreço e outras agressão ou desprezo. Outro ponto importante é enraizar o entendimento de que se a pessoa disse não, significa não. Cultivemos adultos melhores!

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  • Longe da solidão

    A população idosa no Brasil chega a 12,3%, com a expectativa de representar 30% em 2050. No mundo, serão 2,06 bilhões de idosos.

    Postado dia 24 de outubro de 2016 às 09h em Sociedade e Política

     

    idosos

    Foto: Reperodução

    O casal de idosos canadenses Anita e Wolfram Gottschalk emocionou o mundo em setembro. Circulou na internet uma foto em que eles apareciam se despedindo antes de serem internados em casas de repouso diferentes, por falta de vagas numa mesma clínica. Uma intervenção divina mudou o curso da história.  “Eles agora podem ficar sob o mesmo teto nos anos que lhes restam e não poderíamos estar mais gratos”, escreveu a neta Ashley Bartyik, ao postar imagens do casal juntinho – e feliz – outra vez.

    Foto do casal canadense Wolfram e Anita Gottschalk

    Foto do casal canadense Wolfram e Anita Gottschalk

    Uma das maiores conquistas culturais de um povo e prova da sua evolução social é garantir o envelhecimento com qualidade de vida. Enquanto prefeito de Mogi das Cruzes (2001 a 2008), contei com o apoio da Câmara Municipal para implantar políticas públicas pioneiras em prol da terceira idade. Instalamos o Conselho Municipal do Idoso e, na sequência, desencadeamos uma bateria de ações. De programas de medicina preventiva até o Promeg (Programa de Medicamento Gratuito), passando por consultas médicas domiciliares.

    No rol das ações para terceira idade, destaco o inédito Pró-Hiper. Com médicos, assistentes sociais e profissionais de educação física, reúne atividades de recreação, sala de ginástica e fisioterapia com modernos equipamentos, piscina aquecida, sauna, vestiário, jardim, quiosques, áreas para jogos, dança e música, além de laboratório de informática, dotado de computadores com acesso à internet.

    Mais tarde, enquanto deputado federal, tive a satisfação de apresentar projetos em prol da terceira idade. Para ilustrar, cito a proposta (7189/2014) de aumentar para pelo menos 5% a cota de moradias dos programas habitacionais populares reservada a quem tem mais de 65 anos. Ou outra (5048/2013) que isenta da obrigatoriedade da entrega da declaração de Imposto de Renda quem tem mais de 70 anos, sobrevive só com proventos da aposentadoria e possui baixo patrimônio. Ou aquela (7850/2014) que obriga o poder público a garantir às pessoas com 60 anos de idade ou mais o direito de acesso às universidades abertas.

    A população idosa no Brasil chega a 12,3%, com a expectativa de representar 30% em 2050. No mundo, serão 2,06 bilhões de idosos. Daí o alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS) para um trabalho diuturno voltado à terceira idade. Mas, não basta. A presença familiar, com atenção e afeto, é imprescindível. Cuidar do idoso não significa tolhê-lo de sua individualidade e autonomia nem fazê-lo crer que deixou de ser útil. Cuidar é amar. É preciso mantê-lo longe da solidão, porque ela é mortal. Possamos, nós também, trabalhar por um final feliz dos nossos veteranos, inspirados no casal canadense.

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