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José Ribamar Lins

Profissão: Publicitário

Cidade: Mogi das Cruzes

Sou antes de mais nada cidadão do mundo, casado, três filhos, nascido em São Paulo, criado em Marília e vivendo em Mogi das Cruzes há 30 anos. Publicitário e designer gráfico, sócio-proprietário, junto com Sandra Pissatto, minha esposa da agência de propaganda A Fábrica Comunicação. Pretendo escrever aqui quinzenalmente sobre acontecimentos importantes, sobre nosso papel como habitantes desse planeta e debater sobre o que podemos ser e fazer pra nossa existência tenha sentido.

  • A sustentabilidade está na alma

    A sustentabilidade nasceu na necessidade e cresceu na usabilidade.

    Postado dia 4 de março de 2016 às 07h em Causos e Coisas

    sustentabilidade

    Foto: Divulgação/Internet

    Estes dias, a propósito de um projeto que estou desenvolvendo junto com outras pessoas e observando fotos de casas sustentáveis na Suíça, levantei a questão que sustentabilidade em arquitetura é coisa de gente rica. Aquelas belas casas, enormes, envidraçadas, foram construídas por pessoas endinheiradas e que não tem mais onde enfiar dinheiro. Levei dois puxões de orelha, um na mesma hora, pois como me disseram, existem projetos sustentáveis de arquitetura aqui no Brasil em bairros desfavorecidos, projetos de recuperação urbana e ambiental feitos por arquitetos conscientes. O outro puxão de orelha veio horas depois quando li uma matéria na internet sobre uma pequena casa construída na Vila Matilde, São Paulo, que venceu um concurso internacional, o “Building of the year” do site ArchDaily. O imóvel custou 150 mil reais para ser erguido, tem 92 metros quadrados e, além de moderno, é altamente sustentável em suas funções e em seu custo/benefício.

    Destaca-se das demais casas da vizinhança, não por seu porte ou ostentação. Vista de fora, difere das outras apenas pelas linhas retas e pelo que já se pode vislumbrar de inteligente em termos de iluminação e bom aproveitamento do espaço. Vê-se que se trata de um projeto pensado e elaborado dentro dos recursos disponíveis, porém utilizando –se sensibilidade e bom senso, fatores fundamentais para que se compreenda e se criem coisas sustentáveis. A casa tem luz natural suficiente em suas várias e amplas janelas, áreas externas de lazer, tanto no corredor lateral todo gramado quanto sobre a própria laje onde foi criado um terraço, mais sala, lavabo, banheiro, dois quartos, tudo isso em sua pequena área.

    A sustentabilidade nasceu na necessidade e cresceu na usabilidade. A dona da casa, empregada doméstica, tão consciente quanto seus construtores, foi e é responsável por esse projeto que se mostra na verdade como uma revolução de costumes. Uma quebra necessária de paradigma, nesses dias em que parece que tudo o que importa, é ostentar e mostrar o que se tem. A época do “quanto maior melhor”. Na verdade, quem pensa assim, presta um desserviço aos que lhe copiam e dá um péssimo exemplo à sociedade, porque ao se posicionar voltado apenas para si mesmo, prega exatamente o contrário, pois a falta de razão não se sustenta em si mesma. (sobre a casa, veja em: http://zip.net/bxsWrY )

     

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  • Usando filtros nos ouvidos, nos olhos e na alma

    O que é mais medíocre que a mentira? É leva-la adiante como se fosse verdade, de acordo com seus interesses mesquinhos

    Postado dia 28 de janeiro de 2016 às 00h em Causos e Coisas

    filtro

    Foto: Divulgação/Internet

    Uma prática que antes era comum no boca-a-boca das rodinhas sociais e que hoje é largamente utilizada nas redes sociais, transformou-se num fenômeno de grandes proporções. A boataria sem limites é justificada pelos fins quase sempre sem argumentos, cheias de ironia e maldade, geralmente calcadas em preconceitos e falta de conhecimento, e pior, relevando princípios éticos e passando por cima do bom senso, quase sempre permeadas por falsas informações provenientes da mídia e de gente que não tem o que fazer.

    A nova mania nacional tem suas bases na má formação intelectual incentivada pela mídia televisiva, radiofônica e digital que vomita diariamente mensagens negativas e direcionadas a causar comoção e conquistar audiência custe o que custar. Um mundo pintado de cinza e retocado constantemente com pinceladas de medo, opressão e baixo astral. Dificilmente são tecidos incentivos, muito pelo contrário, busca-se na crítica negativa conduzir os fatos de maneira a induzir cada vez mais diferenças de todos os tipos, mergulhando os desavisados na incerteza previamente construída de forma a tornar fácil o convencimento de inverdades.

    Desaprendemos sobre a importância do diálogo, de analisarmos os fatos antes de pré-julgarmos, de pensarmos as diferenças e respeitá-las antes de sermos convencidos por interesses que na maioria das vezes, são ditados por vozes contrárias à compreensão e ao entendimento. E assim vamos espalhando o que há de pior. Se houvesse consciência, buscaríamos valorizar o belo, o respeito, a paz, o melhor antes do pior, o otimismo, a solução muito mais do que o problema e talvez assim, passaríamos a dar ouvido ao que vale a pena e ao que realmente edifica. Analise as manchetes dos jornais, as capas das revistas, a fala do apresentador galã na TV e do repórter que estimula a violência. Analise e repense o mundo usando a razão e a sensibilidade, dando um voto de confiança ao bem, porque se for pra espalhar notícias, que seja para ajudar, ensinar e incentivar, afinal, quem sairá ganhando seremos nós mesmos.

     

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  • Sobre o Natal e o presente

    O que significa o Natal para você?

    Postado dia 23 de dezembro de 2015 às 23h em Especial de Natal

     

    tightrope

    Sobre o Natal, nesse momento penso apenas na data. A data comercial que enche shoppings, a data menos sagrada do Papai Noel com suas vestes europeizadas quentes para o nosso verão e a data sagrada do nascimento de Jesus.

    Penso na data pois estou escrevendo antes do tempo (hoje é dia 22 de dezembro), ou seja, estou escrevendo sobre o futuro. Na verdade só saberei o que realmente vai significar o dia de Natal quando eu estiver com meus familiares, na casa de meus pais, com meus filhos e minha mulher daqui alguns dias. Nesse momento apenas a minha imaginação projeta o que vai ser. Acredito que será bem agradável, como sempre foi.

    O que posso afirmar é que algo nessa data faz com que as pessoas se tornem mais amigáveis, mais amorosas e unidas, seja por que se reúnem à mesa da ceia, seja porque festejam e festividades são sempre bem vindas. Talvez a esperança do entendimento e da troca de carinhos com presentes ou não, nos tornem mais felizes, nos aproximem do ideal que todos buscamos, de amarmos uns aos outros nem que seja por um momento, aquele momento que só acontece no presente, no qual paramos por um tempo mesmo que curto, de pensar no passado e ansiarmos pelo futuro.

    Na noite de Natal, um conselho, mais vale estar realmente presente que os presentes. Curta o momento.

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  • Um causo planetário

    Cabe uma análise individual e coletiva, pois que, como já se disse sabiamente, o homem diferencia-se dos animais pela sua capacidade de se ver no outro

    Postado dia 9 de dezembro de 2015 às 00h em Causos e Coisas

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    O primeiro “causo” que escrevo é um causo planetário, que envolve a mim, a você, a todos nós. A raça humana chegou a uma encruzilhada, onde precisa optar pela construção ou pelo contrário. É sobre a escolha que fizemos até aqui e o que escolheremos daqui para diante.

    Em Assim Falava Zaratustra, Nietzsche descrevia o homem como um ser pendurado em uma corda em que, de um lado pendia um animal e do outro o além homem. Retrata exatamente nossa situação desde sempre, só que agora num momento crítico em quase todos os sentidos, onde até o nosso planeta corre risco de desabar diante de tantos maus tratos.

    Cabe uma análise individual e coletiva, pois que, como já se disse sabiamente, o homem diferencia-se dos animais pela sua capacidade de se ver no outro. Trata-se de respeito, de onde nasce a compreensão e o entendimento. Em tempos de divisões, de egoísmo e preconceitos, parte-se facilmente a linha fina entre o amor e o ódio e aí, lá estamos nós de novo, confusos entre o animal e aquele que realmente faria a diferença em nossa existência.

    Quando conseguirmos entender que nenhuma crença, ideologia ou interesse está acima do valor que tem a vida, então talvez possamos ter um mundo sem divisões ou fronteiras, sem apartheids de qualquer forma e só assim haverá consenso de que vivemos numa esfera com limites, generosa, porém finita e frágil. Ban Ki-moon, secretário da ONU, disse a poucos dias que não há opção, não há escolha a não ser despertarmos para a realidade de nossa existência enquanto habitantes do planeta. Não há plano B.

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