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José Iwabe

Profissão: Professor

Cidade: Anápolis

Professor, Palestrante, Consultor de Empresa, Blogueiro e Comerciant.
Formação Superior em Direito e História, pela USP

  • A farsa da democracia no Brasil

    A atual democracia brasileira é uma farsa, que só interessa aos oportunistas, inescrupulosos e corruptos

    Postado dia 2 de maio de 2017 às 09h em Sociedade e Política

    democracia

    Foto: Reprodução

    O voto dos analfabetos

    Pode um analfabeto, por si só, encontrar uma rua pelas placas? Encontrar um produto no supermercado pelo nome? Encontrar um remédio pela receita? Em todas essas situações como em muitas outras, sempre dependerá de terceiros, alfabetizados, para encontrar o que procura. Como, então, supor que seja ele capaz de encontrar um presidente, um governador, um senador, etc., adequados para as necessidades do País?

    O direito de voto conferido ao analfabeto é quase o mesmo que dar o direito de conduzir veículos a quem nunca aprendeu a dirigir. As consequências certamente são desastrosas, como tem sido o nosso caso.

    Se se admite que um cidadão só o é plenamente quando capaz de ler e escrever, só uma visão distorcida de democracia – a demagógica – pode conceder direito de voto a  analfabeto.

    Almejar uma verdadeira democracia é universalizar a educação – e não o voto – pois desta forma todos os brasileiros terão as condições mínimas para exercer o voto, isto é, com consciência.

    O direito de voto

    Um direito só merece este nome quando nos é facultado exercê-lo ou não. Se formos obrigados a isso, deixa de ser um direito para ser um dever.

    Nos países desenvolvidos em que as liberdades individuais são respeitadas, o voto é inteiramente facultativo e aqueles que vão às urnas geralmente são motivados por propostas convincentes ou razões ideológicas, portanto melhor atendendo aos pressupostos de uma eleição consistente. Aqueles indivíduos pouco interessados ou ignorantes do que possa ser melhor para o país não comparecem, deixando a disputa apenas para os que têm uma posição a defender e propugnar. Bom para a democracia!

    Nos outros países, em que o voto é obrigatório, a multidão dos que são desligados da política ou ignorantes sobre o tema, facilmente se tornam cativos do sistema “toma lá, dá cá”, fazendo do voto moeda de troca, apenas visando alguma vantagem imediata e pessoal, em proveito de candidatos corruptores e, portanto, corruptos se eleitos.

    Fundo partidário

    democracia3Tributos, enquanto finalidade, são pagos pelos contribuintes na expectativa de que sejam retornados como benefícios sociais, na saúde, na educação, na segurança pública, etc. Você não veria problema se tais recursos fossem também gastos com entidades assistenciais (de crianças carentes, asilo de idosos, amparo a deficientes, etc.). Mas se soubesse que o seu suado imposto fosse prodigamente distribuído para entidades classistas, aqueles que congregam profissionais, seria natural o seu protesto indignado: “Isso não!”

    Entretanto é justamente o que ocorre. A classe política, a mais bem remunerada entre os brasileiros, através dos partidos a que pertencem, recebem generosas contribuições do erário público, para manter suas atividades.

    Fossem os políticos indivíduos desinteressados que, só por amor à pátria, exercessem suas funções, quem sabe apenas recebendo verbas indenizatórias, aplaudiríamos que os partidos a que pertencem fossem mantidos por recursos públicos.

    A realidade, porém, é bem outra. A política é vista, pelos políticos, como carreira em que se busca o sucesso pessoal, sendo, de vereador à presidência da república, a escada a galgar, dentro do possível.

    Isto posto, deveriam ser os partidos mantidos apenas por seus filiados e, principalmente, pelos eleitos, da mesma forma que as outras associações classistas ou de interesses setoriais.

    Sistema eleitoral

    democracia 1Convém que alguém enfermo busque um médico notoriamente competente, capaz de diagnosticar com precisão sua enfermidade e conhecedor dos princípios ativos mais eficazes para receitar-lhe os remédios.

    O mesmo raciocínio devia-se aplicar para a escolha de um candidato. Conhecer aquele que seja o mais qualificado, quem conheça as necessidades sociais daqueles eleitores e seja capaz de adotar as medidas oportunas para as circunstâncias. Isso só o voto distrital proporciona. Se os candidatos são da vizinhança dos eleitores, não só aqueles são cientes das carências e desejos destes, bem como estes saberão melhor quais os mais capacitados entre aqueles.

    Ainda, o voto distrital puro é o que mais contribui para uma escolha objetiva, de acordo com o apreço dos eleitores, já que o misto sempre trará de cambulhada candidatos sem votos, a critério dos partidos, não do eleitorado.

    democracia 2

    Sistema político

    O atual em vigor é conhecido, na esfera federal, como presidencialista, ou melhor, de presidencialismo de coalizão, com quatro anos de mandato e com a possibilidade de reeleição para mais quatro.

    A reeleição, da maneira como são postas as coisas por aqui, quase que é automática, pois é sabido que quem está no poder dispõe da máquina, de influência (para persuadir ou coagir), de manobrar os interesses e de acesso à mídia.

    Entre os vários aspectos negativos do sistema vigente, o pior é a impossibilidade de apear do poder quem seja comprovadamente incompetente ou danoso para a nação, só podendo sofrer impeachment quando violar objetivamente as leis no exercício do mandato. É um absurdo já que em qualquer outra atividade um dirigente incapaz é sumariamente demitido de seu cargo.

    Dentre os sistemas existentes aquele que melhor tem atendido os preceitos democráticos é o sistema parlamentarista.

    O ideal, portanto, seria a adoção desse sistema, com a eleição por apenas uma única vez do presidente, sendo o governo conduzido por um primeiro ministro, ficando ao presidente o poder de veto e o de representar o País no concerto das nações.

    O primeiro ministro, eleito por seus pares, perderia o cargo quando sofresse moção de censura por 2/3 dos parlamentares do Congresso.

    Acredito que Brasil só poderá ufanar-se de ter uma autêntica democracia se, entre outras medidas mais, as acima enunciadas forem postas em prática. Até então estaremos convivendo com uma farsa, que só interessa aos oportunistas, inescrupulosos e corruptos.

    Ainda voltaremos ao tema.

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  • O criminoso é um “mal educado”?

    Muitos não trilhariam a senda do mal se afastados fossem das circunstâncias que propiciam ocasião ao crime

    Postado dia 11 de abril de 2017 às 11h em Sociedade e Política

    criminoso

    Foto: Reprodução

    Já em diversas postagens tratei da tragédia em que se tornou o nosso quotidiano pela criminalidade imperante em solo pátrio.

    Tentarei, desta feita, discorrer sobre as suas possíveis causas e a inércia reinante para evitar a sua progressão.

    Alguém escolher entre ser ou bom, ou mau é decorrência do livre arbítrio e desde Caim – que matou seu irmão Abel – o mundo sempre conviveu com a maldade, com a criminalidade.

    Ocorre que todas as sociedades organizadas sempre foram ciosas em impor barreiras e dificultar as práticas criminosas, adotando costumes que exaltavam a virtude, princípios e valores morais, bem como estabelecendo regras, normas e leis para balizar o comportamento humano e punir seus infratores.

    O processo civilizatório atingiu culminâncias em nações que souberam inculcar a noção de dever como gerador de direitos, através de uma educação, tanto familiar como formal, às suas novas gerações, numa sucessão contínua, privilegiando a prática da virtude, a qual deveria ser vista como a meta de cada cidadão, em prol de uma sociedade harmônica, solidária e mais justa. Essa concepção da existência vivificou a Europa medieval e ainda deixou marcas profundas em muitos países até nos dias de hoje.

    O Brasil, a partir da segunda metade do século XX, vem perdendo gradualmente essa perspectiva e as instituições têm seus alicerces deteriorados, boa parte por complacência – por que não dizer cumplicidade – de significativa parcela da sociedade. Desde a promulgação da Constituição de 1988, em extremo dedicada a exaltar os direitos do cidadão, sem destacar a necessária contrapartida dos deveres, foi gerando uma mentalidade egocêntrica e voltada à busca de toda sorte de vantagens materiais, relegando os princípios morais e valores culturais a um segundo plano.

    A entrada ao século XXI parece ter coincidido com a degeneração nefanda e presente em todos os níveis da política nacional, criando um ambiente fecundo para a disseminação da criminalidade sem freios em quase todos os setores da sociedade, especialmente aqueles com estreitos vínculos com entes governamentais. Num clima de vale tudo e leniência das leis e da Justiça, os crimes comuns também se tornaram uma epidemia e agridem a sociedade quase que impunemente.

    Basta olhar ao redor para constatar o desvario que toma conta de cada aspecto de nossas vidas. Como pudemos chegar a isso?

    Porque faz-se de tudo para escantear uma das noções essenciais para haver ordem, limites, parâmetros numa sociedade: a do bem e do mal, do certo e do errado, da verdade e da mentira. O “politicamente correto” não aceita essas limitações e proclama a liberdade irrestrita de escolha, o que enevoa, esfumaça, embaça a correta concepção de vida. Tal é a cegueira que reina sobre o povo brasileiro que, enquanto a grande maioria reage com quase indiferença frente à gravidade do momento que vivemos, uma simples escolha de quem será eliminada num programe em que a baixaria é a protagonista – o BBB da Globo – motiva 107 milhões de ligações de pessoas ávidas em dar pitaco na artificial vida criada por um estúdio de televisão.

    Se quisermos consertar o País e tentar repô-lo nos trilhos é preciso restaurar essa noção de bem e mal, fazer de nossa Educação uma prioridades, desde a familiar até a formal, estabelecer o período integral na grade curricular, ou então permitir a volta do instituto da aprendizagem a partir dos 14 anos em qualquer área de atividade econômica, dando ocupação aos adolescentes; criminalizar o consumo de drogas; punir os pais comprovadamente relapsos pelos crimes cometidos pelos seus filhos inimputáveis, ou substituir a regra da maioridade penal e estabelecer que psicólogos habilitados sejam convocados para determinar se o infrator menor tem consciência suficiente do que é certo ou errado, tenha a idade que tiver.

    Enfim, muitos não trilhariam a senda do mal se afastados fossem das circunstâncias que propiciam ocasião ao crime. Quando isso não é feito, nesse caso, e só nesse caso pode se afirmar que o criminoso o é porque é “mal educado”.

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  • Preconceito

    O preconceito é filho bastardo de generalizações


    Postado dia 3 de abril de 2017 às 09h em Sociedade e Política

    preconceito

    Foto: Reprodução – Campanha publicitária “united collors of benetton”

    Sou um cara de mente aberta, não sei o que é preconceito!

    Muitos pensam poder fazer esta afirmação, mas com frequência se enganam. A maioria não gosta de admitir, porém não poucas vezes acaba por julgar as pessoas por sua aparência, idade, cor, sexo, país de origem, status social ou econômico.

    Em aparente tom de brincadeira certas expressões já se tornaram até bordões: “É preto, o que você queria?”, “Só tinha que ser mulher no volante”, “Velho só atrapalha”, “Eita português burro!”, “Todo baiano é preguiçoso”, “Nasceu pobre, vira bandido”, “Todo rico é explorador”, “Gordo só ocupa espaço”, etc.

    O preconceito é filho bastardo de generalizações.

    Porque muitos quarentões já não têm a mesma agilidade física ou mental, ou por supor que tenham menos ambições, desembaraço ou facilidade para o aprendizado que os mais jovens, são automaticamente preteridos nas contratações pelas empresas.

    Também há “preconceitos a favor”, que são tão enganosos quanto: “É alemão, logo muito organizado e sistemático!”, “Todo japonês é trabalhador”, “Os evangélicos são muito religiosos”, “Ecologistas são amantes da paz”. Se você prestar atenção perceberá que nem todo alemão é disciplinado, que há japoneses vagabundos, evangélicos hipócritas e ecologistas dados à violência.

    Estereotipar as pessoas – consequência das ideias preconcebidas – traz danos aos relacionamentos, pois induz a julgamento ou ação fundada em falsas premissas.

    O primeiro passo para superar tal comportamento é reconhecer que podemos estar sob a influência de algum tipo de preconceito. Em seguida evitar julgar precipitadamente. Buscar informações, observar detalhes e formar um padrão baseado em sua conduta, conhecendo melhor aquela pessoa.

    Os publicitários são conscientes dessa tendência a generalizações e produzem peças de propaganda artificiosas: “O mais vendido em sua categoria”, “É a preferência nacional”, “Todo mundo quer, todo mundo usa”, etc. Como poucos se dão ao trabalho de pesquisar o real valor daquele produto anunciado, fica a ideia de que a maioria deve estar com a razão e não se dá conta que talvez só venda bem porque é o mais propagandeado.

    Esse tema é de suma importância, dado que o julgamento precede habitualmente uma decisão: na compra de um bem, na escolha de uma escola, na contratação de um funcionário, na eleição de um candidato, para determinar uma amizade, ao se comprometer num laço afetivo, etc., o acerto ou equívoco em ajuizar sobre algo ou alguém pode trazer consequências duradouras, para o bem ou para o mal.

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  • Capitalismo e “capitalismos”

    O verdadeiro sistema capitalista é aquele sem amarras burocráticas do Estado (e sem papelão na carne)

    Postado dia 20 de março de 2017 às 09h em Sociedade e Política

    carne

    Foto: Reprodução

    Desde Adam Smith (1723/1790) o mundo aprendeu que a melhor forma de a economia funcionar é obedecendo às leis naturais do mercado; da oferta e da procura. A necessidade, tanto a real quanto as artificialmente criadas, precisa de quem a supra, em produtos e serviços. Nessa operação de troca de interesses a medida da qualidade do ofertado depende do grau de exigência dos adquirentes. Portanto, quanto melhor o nível cultural de um povo, mais qualidade e melhores preços se obtém dos produtores.

    O verdadeiro sistema capitalista é aquele sem amarras burocráticas do Estado, onde as partes interessadas têm toda a liberdade para negociar, as empresas tendo empenho em bem servir e o público consumidor de prestigiar as que lhe servem bem.

    O capitalismo de Estado é o que desvirtua a sua natureza por intervir na livre negociação entre as partes, desequilibrando a balança com a ingerência governamental, ou favorecendo um lado ou o outro, de acordo com as conveniências do Estado, através de seus órgãos reguladores.

    O Brasil jamais pode desfrutar do capitalismo posto que, em nossa breve história, o poder político sempre esteve umbilicalmente ligado ao poder econômico. Desde a proclamação da república até 1964 nós vivenciamos a era do coronelismo, quando a economia dependia exclusivamente de produtos primários, que estavam em mãos de fazendeiros-políticos. Nas duas décadas do período militar, quando ocorreu uma ampla industrialização, esta foi conduzida por rígido planejamento governamental, com a criação de inúmeras empresas estatais. Apesar dos 15% de crescimento do PIB durante o governo Médici, o endividamento do país subiu à estratosfera e a desigualdade de renda chegou ao auge.

    Vimos, durante o governo Sarney, eclodir as consequências do desequilíbrio fiscal e graças ao seu estabanado Plano Cruzado, a inflação disparou a níveis nunca vistos, empobrecendo o país.

    O Plano Collor foi  intervenção drástica na circulação da moeda, mas teve como fator positivo a abertura do mercado, o que trouxe um verniz de capitalismo à nossa economia.

    Fernando Henrique conseguiu colocar o cabresto no dragão inflacionário ao implantar o Plano Real, mas não deixou de dar o seu pitaco intervencionista ao criar as diversas Agências Reguladoras.

    Com a ascensão do PT surgiu um modelo ainda inédito de capitalismo: o de compadrio. Um banco cuja finalidade era o desenvolvimento econômico e social (BNDES) foi cooptado para ser o financiador de um grupo seleto (de compadres): Oi, Eike Batista, OAS, Odebrecht, JBS/Friboi e outros, de maneira fulgurante tornaram-se grandes estrelas do mundo empresarial e mega doadores de partidos políticos, principalmente do PT e de seus aliados. Claro, o grão-sacerdote da seita que abençoava essa união tão profícua (governo/empresas), Lula, muito bem recompensado.

    Por mais que Emilio Odebrecht afirme que essa vinculação promíscua entre governantes e empresas sempre houve, é absolutamente escandaloso o nível de sofisticação e amplitude a que se chegou durante os governos petistas, obrigando a empreiteira a ter um departamento completo especializado em gerir o propinoduto.

    Com as investigações em curso da “Operação Carne Fresca”, o grau de maldade que impregna as falcatruas realizadas sob as asas protetoras do bando de urubus petistas é chocante. Para JBS/Friboi não bastou beneficiar-se do dinheiro subtraído dos impostos, pegos a juros favorecidíssimos do BNDES, mas era preciso também lucrar com produtos deteriorados, contaminados, vencidos, forjados, pouco se importando com a saúde dos consumidores.

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  • Operação Lava-a-seco!

    Como era de se esperar a campanha  “Resgatem o Molusco” teve início. É preciso impedir que ele se afogue na lama em que chafurdou.

    Postado dia 17 de março de 2017 às 09h em Sociedade e Política

    Foto: Reprodução

    Foto: Reprodução

    Demonstrar que o lodaçal que o cobre em nada difere daquele que encharca e imprime fedentina aos demais políticos. Assim, tanto o PMDB, PSDB, PP, PTB, PDT, etc., são da mesma estampa que o PT no que se refere à corruptibilidade. Por isso Lula e seus sequazes só repetiram o que é comum a todos. Com isso, entre mortos e feridos, todos estão igualmente absolvidos.

    Entre ontem e hoje a farsa tomou corpo e ameaça, outra vez, fazer do povo brasileiro o otário de sempre, aplainando o caminho para nova candidatura do Molusco em 2018.

    O depoimento a que foi intimado o denunciado Lula, na 10ª. Vara da Justiça Federal, acabou por transformar-se num palanque político, aos complacentes ouvidos do juiz Ricardo Augusto Leite, que se prestou ao simples e triste papel de entrevistador de talk-show, fazendo perguntas banais, mais um convite para que o depoente se apresentasse como orador e não como suspeito de um crime (de obstrução da justiça). Nenhum questionamento mais incisivo lhe foi feito, como seria praxe num tribunal, e Lula aproveitou seus 50 minutos para caprichar em cínico papel de quem nunca sabe de nada e de ser a alma mais pura do planeta.

    lava jato

    Rodrigo Janot, Procurador Geral da República, encaminhou ao STF mais 83 nomes oriundos das delações da Odebrecht, para que sejam tomadas as providências cabíveis, com a mídia dando destaque aos cinco ministros em exercício e aos dois presidentes do Congresso citados e,  apenas de passagem, faz constar que Lula e Dilma também estão presentes na lista. Pois é, todos são igualmente suspeitos e, aparentemente, o fato de haver sido Lula considerado, em setembro passado por Deltan Dallagnol, como o comandante máximo da maior organização criminosa da história do País, pouca importância teve para a PGR e a imprensa.

    Com a CUT no comando operacional e arregimentação de massa de manobra entre militantes do PT, MST, MTST, UNE, PSol, PC do B, sindicatos e associações de classe, realizou-se, em um bom número de cidades, manifestações contra a reforma da previdência, a reforma trabalhista, a reforma do ensino médio e da adoção da terceirização no trabalho. Por “manifestação” entenda-se bloqueios no trânsito, piquetes e obstáculos para dificultar o funcionamento do transporte público, interrupção de aulas em escolas e de atendimento em repartições públicas.

    Os dirigentes desse movimento tiram proveito da insatisfação que grassa na sociedade, notadamente entre os funcionários públicos municipais e estaduais, posto que seus mantenedores, estados e municípios, devido à grave crise econômica, estão quebrados e têm dificuldades de cumprir com seus compromissos, tanto com os servidores como com seus fornecedores.

    lulaQuando digo “fazer do povo brasileiro o otário de sempre” refiro-me à impressionante cegueira daqueles que emprestam suas vozes para protestos contra o governo Temer, em sua intenção de fazer reformas que são essenciais para tirar o País do buraco. Tais reformas ainda estão em fase de discussão, nada estando definido, e é preciso que a sociedade participe no sentido de propor medidas que as tornem adequadas e não simplesmente dizendo NÃO às reformas. Vejo nas redes sociais muitos que clamavam pelo impeachment de Dilma, pediam a prisão de Lula, louvavam a Lava Jato e, agora, embaídos pela falsa argumentação justamente daqueles que levaram o País ao abismo, tornaram-se marionetes opositores das medidas que podem reestruturas a nossa economia. Não percebem que o objetivo dos “manifestantes” é o quanto pior melhor, pois é na escuridão e no caos que os ratos se dão bem.

    Lula, já que o grosso dos manifestantes é composto de plateia amestrada, aproveitará a ocasião para voltar a praticar o seu ilusionismo em que é mestre, vociferando contra qualquer medida que possa, de algum modo, por o País nos eixos.

    Volto, então, a perguntar: Senhor Doutor Juiz Sérgio Moro, o que ou quem lhe impede de prender Lula?

    Muitos já começam a alimentar a desconfiança de que a Lava Jato está sendo transformada em Lava-a-seco, ou seja, tem apenas o objetivo de desidratar a lama, fazendo desaparecer seu aspecto lodacento e permitir que seus principais protagonistas saiam ilesos.

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  • Ter pena de si é o começo da derrota

    As disputas não se limitavam às polêmicas ideológicas e os radicais de esquerda... Partiam para a violência.

    Postado dia 13 de março de 2017 às 09h em Sociedade e Política

    militar

    Foto: Reprodução

    Década de 70, época mais severa do regime militar. Para coibir a insurgência de ideologias esquerdizantes, a imprensa, as artes, a cultura eram rigorosamente censuradas. A economia, conduzida às rédeas curtas, dentro de um planejamento centralizado pelo governo.

    Do outro lado os terroristas articulando, maquinando, cometendo atentados, assaltos, tudo em nome de uma ideologia – a comunista- que os anos posteriores comprovariam como falaciosa e danosa às nações que por ela foram subjugadas.

    Pairava um clima de apreensão e insegurança.

    Jovem idealista, detestando conviver num cenário onde as liberdades individuais eram cerceadas e, consciente de que a opção socialista propugnada pelos que combatiam – de arma em punho – os militares eram uma farsa, pois visavam, não a democracia, mas implantação de uma ditadura muito pior, a do proletariado, ingressei na Faculdade de Direito da USP, já que lá era o foco de expansão das ideologias defensoras de ditaduras, seja a militar, seja a comunista, para o meio universitário  e intelectual. Era preciso posicionar-se contra uma e outra, ter a coragem de apresentar outra proposta que levantasse a bandeira da liberdade, com absoluta rejeição do comuno-socialismo.

    Ocorre que as disputas não se limitavam às polêmicas ideológicas e os radicais de esquerda… Partiam para a violência.

    Foi assim que conheci a frase que encabeça esta página. Para não ser intimidado pelas possíveis agressões físicas, passei a frequentar uma academia de artes marciais e encontrei na faixa que compõe o kimono a exortação cheia de significado a quem se propõe ser um lutador.

    Piedade, compaixão, comiseração são nobres sentimentos quando os nutrimos em relação a outros. Quando alimentados em relação a si próprio  abrimos o portal da covardia.

    Quando temos pena de nós mesmos estamos admitindo que as nossas fragilidades e deficiências estão no comando de nossa personalidade. Daí,  nos incapacitamos para os embates do quotidiano e só saberemos lamentar pelos revezes que a vida nos traz. Sentar e chorar à beira da estrada não nos leva a lugar nenhum.

    Ter um ombro amigo onde descansar a cabeça e expor nossas mágoas é muito bom. Mas, o melhor mesmo é ter um peito carregado de ânimo, coragem e destemor que nos incite a olhar para as dificuldades da vida como companheiras de viagem, que nos tornam mais firmes e briosos, a cada confronto.

    Muitos são os que se postam diante de um espelho e se dedicam a corrigir imperfeições de sua imagem. Poucos são, entretanto, os que contemplam a própria alma e se dão ao trabalho de corrigir as imperfeições de personalidade, caráter ou temperamento, em busca de uma pessoa melhor, mais bonita e aprimorada enquanto ser humano.

    É comum ouvir-se a frase: “- Eu sou quem sou e que os outros me aceitem como sou!”. Parece a proclamação de uma independência pessoal. Na realidade apenas a confissão negativista e acovardada de alguém subjugado por seus defeitos e impotente para eliminá-los. Uma pobre criatura que tem pena de si mesma e sente-se, sem querer admitir, que está derrotada.

    Certa vez vi a foto de um pequeno pinheiro que se atreveu a fincar suas raízes no alto de um penhasco. Açoitado pelo vento e intempéries, tinha seus galhos retorcidos, o seu tronco ressequido, emergindo em meio a pedras e a sua mirrada folhagem castigada pelo ambiente hostil. Mas firme e sobranceira! Pude então compreender o que é a beleza que surge e resplandece de uma heroica resistência. Se pudesse pensar aquele pinheiro jamais teria pena de si. Teria, isto sim, ufania e orgulho por ser quem é: um bravo!

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  • Construindo ou destruindo reputações

    “Um demolidor num só dia consegue mais que cem pedreiros em um mês” (P. Chevrin)

    Postado dia 24 de fevereiro de 2017 às 09h em Sociedade e Política

    reputações

    Foto: Reprodução

    Um engenheiro especialista, após análise da estrutura de prédio e suas atuais condições, calcula a quantidade e os locais onde devem ser colocados os explosivos. Instala as dinamites, toma distância e por controle remoto aciona o equipamento. Após um grande estampido, no fragor de poeiras em turbilhão subindo como nuvem sinistra, aquela construção desaba em poucos segundos.

    Recuemos no tempo. Cinquenta ou mais anos atrás via-se a azáfama de arquitetos, engenheiros, técnicos e centenas de operários, ao longo de meses, erguendo do chão aquele prédio de dezenas de andares. Desde a elaboração minuciosa do projeto de arquitetura, de estrutura e de engenharia civil, foram muitas etapas vencidas para que o prédio fosse concluído.

    Para destruí-lo pouca gente, pouco tempo, pouco esforço.

    Que outras coisas construímos ou destruímos, além de edifícios, durante a vida?

    Foto: Reprodução

    Foto: Reprodução

    Levam-se anos para consolidar um tesouro inestimável que todos sabemos ser de capital importância, tanto para uma pessoa, uma família, uma empresa, uma instituição social, uma cidade, um estado ou país: a reputação.

    Ao procurar um emprego pedem o seu “curriculum vitae” e, através dele pesquisam seu passado profissional. Avaliam e formam um conceito sobre você, o que será decisivo para a sua contratação ou não.

    Você vai às compras. Quer financiamento. Consultam o SPC, Serasa e outras instituições protetoras de crédito. Querem saber se você goza de bom conceito, isto é, se não é inadimplente de outras compras e se é bom pagador.

    Uma empresa lança um produto novo. Se a sua imagem perante o público consumidor é boa, a aceitação desse produto promete ser promissora. Se não, fracasso nas vendas.

    Uma cidade convida investidores a aplicarem seus recursos naquele município. Se  dotado de boa infraestrutura, educação de qualidade, fartura de mão-de-obra, boa localização, pode receber a anuência dos empresários. Depende, pois, mais uma vez, do conceito que a cidade possa gerar em aspectos positivos.

    fofoca

    Um país recorre ao FMI e a bancos internacionais solicitando empréstimo. Avaliarão a sua estrutura econômica, política e social para deferirem ou não o empréstimo. As instituições de avaliação de riscos (Standart & Poor’s, Fitch e Moody’s) tem papel relevante para os investidores do mundo inteiro, pois através de suas análises eles definem quais países, quais empresas gozam de boa reputação para decidirem de aplicam ou não seus recursos.  Nas bolsas de valores  investidores também se baseiam nas reputações das empresas, que é uma das razões para as oscilações no valor das ações.

    Então, a reputação é o conceito que os demais têm a seu respeito. Isto se constrói através de seu passado, presente e potencial para o futuro, configurando uma imagem integral, gerando louvores ou críticas, aprovação ou reprovação. Mas basta um desvio de conduta, um comportamento inadequado para que tudo desabe, numa implosão fatal. É como encontrar uma, apenas uma mosca na sua sopa e você jamais retornará àquele restaurante.

    Para destruir uma reputação talvez nem seja necessária uma falha para miná-la. Basta que um terceiro tenha influência suficiente para induzir outros a crerem em difamações, calúnias e fofocas, abalando a solidez de um bom conceito. Voltaire, filósofo francês que muito contribuiu para a derrubada da monarquia em seu país dizia: “- Menti e menti sempre, alguma coisa sempre fica”.

    Existem muitos que movidos pela inveja, vingança, cobiça, fazem circular informações ou boatos desabonadores sobre pessoas, famílias, instituições, empresas e até nações, acabando por solapar as suas reputações.

    Cuidemos, então, quando formos emitir um juízo sobre terceiros, de não sermos vítimas de maquinações de boateiros mal intencionados e só externar nossas convicções fundamentadas em certezas.

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  • A Lei de Gérson

    Uma infeliz frase criada para que o campeão da Copa de 1970, Gérson, a usasse para a propaganda de cigarros, tornou-se um clichê que enquadrou uma tendência latente em boa parcela de nossa população: “eu gosto de levar vantagem em tudo!”

    Postado dia 13 de fevereiro de 2017 às 09h em Sociedade e Política

    Gérson

    Foto: Reprodução

    Nada há de errado em procurar defender os próprios interesses, mas quando essa intenção é à revelia de tudo e de todos, passa a violar o interesse de terceiros.

    Um aficionado da “lei de Gérson” desconsidera colegas de trabalho, amigos e até pessoas da família, quando corre atrás de vantagens. Ele é crítico e invejoso do sucesso alheio. Jamais dá ou faz algo por outrem de maneira desprendida. Sempre visa uma reciprocidade em que saia no lucro. Considera piegas a compaixão, é egoísta, mesquinho e sua relação com os demais é habitualmente em nível de competição.

    gerson

    Foto: Antiga propaganda do cigarro Vila Rica, onde o ex-jogador Gerson protagonizou uma grande polêmica

    Quem vive em função de tirar vantagem raramente se apercebe quão egoísta é, pelo contrário, se julga esperto e essa inclinação malévola lhe parece algo positivo.

    Escrevi acima “uma tendência latente em boa parcela de nossa população”. Efetivamente um dos traços que mais dificultam o desenvolvimento de nosso País, desde a mais remota época de nossa História, é o excessivo individualismo, a nossa crônica dificuldade em interagir com os demais, de sermos cooperativos. Não há em nós o gosto, o prazer, a humildade de querer servir. É isso evidente naqueles que ocupam funções no serviço público. A consciência de que estão ali para oferecer os seus préstimos ao público é sufocada pela embriaguez de ocupar um cargo que lhe significa relevância e julgam mais ser uma autoridade do que um servidor. Daí a arrogância e o ar de superioridade com que (mal)tratam quem deles depende nas inúmeras repartições governamentais.

    Um país depende, para que exista e possa progredir, de instituições sólidas e confiáveis. Ele não é fruto apenas do ajuntamento de muitas pessoas, mesmo que sejam muitos milhões.

    O homem é uma miniatura perfeita da sociedade. Trilhões de células distribuídas com funções específicas nos diversos órgãos e membros do corpo, que necessitam de um sólido esqueleto que os sustente. Assim, uma nação é constituída de milhões de pessoas, cada qual com o seu papel, fazendo parte de organismos setoriais, de atividades, classes econômicas, os quais são equilibrados por instituições dotados de amplo leque de atribuições. Se este “esqueleto” é sadio, consciente do mister fundamental de estruturar e sustentar a legalidade e a legitimidade, o país tem as condições necessárias para o seu pleno desenvolvimento.

    gerson3Lamentavelmente a mesma “lei de Gérson” que contamina boa porção da nossa sociedade é também a que regula a conduta da maioria de nossos políticos, congressistas e magistrados. Isto ocorre pela venalidade que caracteriza o processo eletivo, seja pela rotina de compra e venda de votos praticados nos certames, seja pelo conluio de interesses que envolvem as indicações de nomes para os cargos não eletivos. O “toma lá, dá cá” é apenas o exercício mais mefistofélico da “lei de Gérson”, que está na essência de toda a corrupção que toma conta do Brasil.

    Será que algum dia mudará? O Brasil chegará um dia a ser um país civilizado? Desde que haja uma radical transformação da mentalidade vigente, que valorizemos a integridade e compreendamos que ela é a maior vantagem que nós é dado usufruir, então seremos coerentes com o lema “Ordem e Progresso”. Se não, o abismo que nós mesmos estamos cavando está com a sua bocarra aberta, a nossa espera, pois é para ele que estamos caminhando, como estúpido rebanho rumo ao matadouro.

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  • Quem elegeu Trump? Obama!

    Por que será que o povo escolheu Donald Trump e não quis permanecer com os democratas?

    Postado dia 30 de janeiro de 2017 às 09h em Sociedade e Política

    Foto: Reprodução - Barack Obama e Donald Trump

    Foto: Reprodução – Barack Obama e Donald Trump

    Dia 20 de janeiro Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos da América. Obama fez seu discurso de despedida em que pouco pôde falar de suas realizações, limitando-se a generalidades e dando  forte toque emocional.

    A verdade, porém, é que Trump não foi o escolhido por suas qualidades, mas mais pelo seu exotismo histriônico, tendo Obama sido o móvito real do resultado das eleições. Foi o voto protesto que decidiu o pleito.

    Sean Hannity, jornalista da prestigiosa FOX NEWS, faz uma radiografia contundente do legado deixado por Obama, pela sua pífia governança em seus oito anos de mandato.

    O ObamaCare, a “garota propaganda” (populista) de sua administração, custou aos americanos 1 trilhão de dólares em impostos, extorquidos de empresas e da classe média (esta arcando com 377 bilhões).

    Na área educacional houve um aumento no débito estudantil (da ordem de 98%), já que os estudantes acumulam uma dívida de 690 bilhões, e o custo nas escolas públicas cresceu em 28% e, nas privadas, 23%.

    Num país que sempre foi essencialmente empreendedor, Obama foi o responsável pela criação de 2998 novas regulamentações, principalmente sob o pretexto de controle ambiental e de energia limpa, o que significou um custo adicional para as empresas de 583 milhões de horas mais de trabalho e 870,3 bilhões de dólares, só para atender às novas demandas na burocracia e, para o cidadão comum, aumento de 11 a 14% nas contas de energia.

    A média do crescimento do PIB durante os seus 8 anos de mandato, girou em torno de apenas 2% (dos menores em décadas), gerando uma perda salaria de 20 centavos de dólar por hora para os americanos, fazendo recuar em 5% o número dos que se dizem pertencer à classe média e reduzindo em 4% o número de proprietários de casa própria.

    O mais impressionante, entretanto, na área econômica, foi o recorde conseguido por Obama, no que se refere à dívida pública. Desde a independência dos Estados Unidos a dívida veio num crescendo constante e somava 10,7 trilhões de dólares quando Obama assumiu seu primeiro mandato. O incrível é que, em apenas 8 anos, ele conseguiu aumentar em 87% o montante da dívida, que chegou ao patamar de 19,9 trilhões, ou seja, só com os seus dois mandatos ele quase igualou a dívidacontraída por TODOS os presidentes americanos!

    Os Estados Unidos, durante décadas, foi a nação com o maior saldo positivo no comércio exterior, mas Obama alcançou o prodígio de deixar um déficit de 750 bilhões só em 2016, tendo tido, nas transações com a China, a média de 99 bilhões anuais de déficit.

    Tudo isso teve reflexo negativo na esfera política e o Partido de Obama, o Democrata, perdeu 717 deputados estaduais, 231 senadores estaduais, 12 governadores de estado, 63 deputados federais e 12 senadores federais. Com isso Trump assume a presidência com o total domínio no Congresso e na maioria dos estados da federação. Ressalte-se que, no último escrutínio, nenhum candidato defensor do legado de Obama logrou ganhar um cargo.

    O grande tratado, de iniciativa de Obama, o Trans Pacific, se entrar em operação, extinguirá cerca de 2 milhões de empregos, pela debandada de empresas para o sudeste asiático.

    Faço notar que nem a mídia americana e nem, principalmente, a mídia brasileira fazem menção a esses números, pois sempre foram ciosas em exaltar a conduta “politicamente correta” de Obama.

    Em suma, apesar das lágrimas por Michelle durante o seu discurso de despedida, teria sido melhor que as gotas salgadas tivessem sido derramadas pelo reconhecimento de que foram um fiasco os anos passados na Casa Branca, de que foi uma figura pequena demais e que não esteve à altura da grandeza do cargo que ocupou.

    E Trump?

    Uma grande incógnita, num panorama tenebroso…! Para o bem dos EUA e do mundo, espero que nos surpreenda, como o fez Ronald Regan.

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