Colunistas

avatar

Professor Carreiro

Profissão: Professor

Cidade: Mogi das Cruzes

Minha vida sempre foi dedicada a Educação, Catanduvense de nascimento e Mogiano de coração. Sou Educador, Professor por amor a profissão, graduado em Pedagogia, Geografia, Estudos Sociais, Bacharel em Ciências Jurídicas. Mestre em Semiótica, Tecnologias de Informação e Educação. Professor Universitário em cursos de graduação e pós-graduação. Sonho com Brasil Justo e perfeito, e trabalho para isso dia a dia.

  • Direito à educação à luz do Direito Educacional

    A educação que liberta é aquela que faz com que o aluno desenvolva uma consciência crítica e participe ativamente no processo de aprendizagem

    Postado dia 22 de agosto de 2016 às 09h em Educação e Cidadania

     

    educação

    Foto: Reprodução/Internet

    O direito à educação é um tema interdisciplinar que vem sendo discutido e estudado sistematicamente pela área das ciências pedagógica e outras. Mas, sobretudo, vem se tornando um tema fortalecido no campo das ciências jurídicas, apesar da carência de literatura educacional e jurídica. Contudo, é oportuno o estudo deste tema à luz do Direito Educacional, até porque direito à educação e o Direito Educacional são expressões que se equivalem.

    Educação, instrução e ensino significam a mesma coisa ou têm os mesmos objetivos? A Constituição de 1988 emprega o termo “educação” (caput do art. 205), mas utiliza frequentemente a expressão “ensino” nos arts. 206 e 208 (Educação escolarizada). Um pouco diferente, a lei ordinária de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.394/96) utiliza poucas vezes a expressão “ensino”, mas frequentemente emprega o termo “educação”.

    De um lado, a educação e do outro, a instrução. Esta dicotomia tem sua origem na educação grega. Nas pólis, ou cidades-estado, a educação cabia a um pedagogo e era ministrada no próprio lar, cujo objetivo primeiro era a formação do caráter e da integridade moral das crianças e dos adolescentes. Já a instrução cabia ao professor e englobava conhecimentos básicos de matemática, escrita, etc.. e ocupava lugar secundário.

    No caso brasileiro, a expressão “instrução” foi utilizada durante o Brasil colônia, o Brasil Império e, ainda, na república velha. Somente na década de 30 surge a expressão “educação”: o manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (Brasil, 1932) proclamava expressamente o direito de cada indivíduo à sua educação integral. Ali o Estado reconhece e proclama o dever de considerar a educação como uma função social e eminentemente pública, com a cooperação de todas as instituições sociais.

    A educação engloba a instrução, mas é muito mais ampla: abrange os aspectos materiais, imateriais e as atividades culturais, esportivas, lazer, envolvendo a família, o Estado e a sociedade (Art. 205 da Constituição Federal). Sua finalidade é tornar os seres humanos mais íntegros, a fim de que possam usar da técnica que receberam com sabedoria, aplicando-a disciplinadamente.

    Hoje, aquele que instrui também tem a responsabilidade de educar. Segundo Paulo Freire, a educação que liberta é aquela que faz com que o aluno desenvolva uma consciência crítica e participe ativamente no processo de aprendizagem, pois só assim a pessoa torna-se, efetivamente, livre.

    Continua o autor: “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou sua construção”. (2003, p. 22). Acrescenta Paulo Freire: “quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”.

    Compartilhar:

  • Práticas Pedagógicas

    A ciência tem evoluído com maior velocidade e as teorias nascem em intervalos menores de tempo.

    Postado dia 30 de maio de 2016 às 07h em Educação e Cidadania

    pedagogicas

    Foto: Reprodução/Internet

    O planejamento da rotina diária, o estabelecimento de regras de conduta para o grupo/classe, a disposição dos móveis e dos materiais visando construir um espaço de aprendizagem agradável e produtivo, a importância das interações sociais na construção do conhecimento, o papel da linguagem, as modalidades que melhor favorecem a construção do saber e os desafios a serem enfrentados para delas se tirar o melhor proveito devem ser sempre aplicados nas práticas pedagógicas.

    Inicialmente, deve-se prestar atenção na forma como os professores e alunos se olham mutuamente, construindo, uns dos outros, imagens que passam a dirigir a maneira como se tratam em sala de aula. A depender desse olhar, se ele é positivo ou negativo, decorrem as grandezas ou misérias da interação daqueles que atuam na escola esse estado de ânimo.

    Vários fatores fazem uma escola se tornar especial; os alunos não só vão para ela felizes, como mantêm este estado de ânimo. Na verdade, isso acontece porque eles sabem que vão aprender coisas interessantes e descobrir novidades todo dia. As professoras sentem prazer em ensinar e em interagir com os alunos e sabem que as crianças, porque aumentaram seus conhecimentos, conseguirão acompanhar com facilidade os anos seguintes. Há regras flexíveis, mas que devem ser cumpridas. O espaço é bem organizado e o tempo dedicado às várias tarefas é cuidadosamente planejado.

    Uma professora do “Vale do Jequitinhonha costuma dizer” que precisamos de escolas que dêm às crianças “passaporte para viajar pelo mundo e também para escorregar nos anéis de Saturno, com Emília, Narizinho e Visconde, que lhes apresente Alice, e que sabe o caminho do “País das Maravilhas”, e os transforme em desbravadores das infinitas terras do conhecimento”. Para ela, uma escola assim certamente faz muita diferença na vida de seus alunos.

    A essência de uma escola assim está no gestor, na equipe pedagógica, nos funcionários, nos alunos; todos deverão estar envolvidos com o conhecimento, o que contagia os educandos, faz com que eles se apaixonem por aprender, construir novas ideias, enfrentar desafios e buscar soluções.

    Todos que trabalham nessa escola sabem que as crianças precisam aprender e que não podem perder tempo, a chamada não ocupa metade do período, a classe nunca fica à toa, esperando o professor preparar a aula ou corrigir os cadernos dos alunos. Todo o período escolar é usado em prol da aprendizagem, fazendo-a de maneiras diferentes e interessantes.

    Nestas escolas, já se espera que haja certo ruído, típico dos diálogos, da troca de ideias, dos debates e do arrastar de móveis, para permitir trabalhos em grupo. Da mesma forma, nestas escolas há muitos materiais pedagógicos, muitos jogos, muitos livros, que podem ser encontrados na própria sala de aula ou guardados em locais de fácil acesso.

    O uso da multimídia traz aos professores e aos alunos um leque enorme de possibilidades de trabalhos que devem ser pesquisados através dos sites educacionais nas salas de informática das escolas, orientado pelos educadores.

    A ciência tem evoluído com maior velocidade e as teorias nascem em intervalos menores de tempo. De Comenius a Herbart a teoria esperou por quatrocentos anos para uma mudança paradigmática. Entretanto neste século as mudanças ocorrem de forma muito veloz. Comportamentalistas, cognitivistas e humanistas apresentam novas formas de ensinar e buscaram explicar, cada um a seu modo, como se dá a aprendizagem,

    As equipes escolares que fazem diferença são aquelas que trabalham de forma integrada, articulada, planejada, a rotina escolar deve ser usada em proveio dos alunos e professores.

     

    Compartilhar:

  • Conhecendo um pouco sobre Didática!

    Comênio escreveu uma obra importantíssima e marcante para a história da Didática: a “Didática Magna”, que possuía um caráter revolucionário e pautava-se por ideais ético-religiosos

    Postado dia 16 de maio de 2016 às 07h em Educação e Cidadania

    didática

    Foto: Reprodução/Internet

    Como surgiu a Didática?

    O significado de Didática como teoria do ensino ganhou força a partir do século XVII, com a obra Didática Magna, do pastor protestante João Amós Comênio (1592-1670), publicada pela primeira vez em fins de 1657. A obra de Comênio fundamenta-se na formulação de um método de ensino, universal ou geral, cuja aplicação garanta a aprendizagem visada.

    As primeiras ideias a respeito da Didática surgiram em países da Europa Central. Dois nomes se destacam como os mais importantes educadores dessa época: Ratíquio e Comênio.

    Segundo Comênio, o método de ensino deve seguir alguns passos importantes:

    • Ensinar tudo o que se deve saber;
    • Mostrar a aplicação prática de tudo o que é ensinado;
    • Explicar de maneira direta e clara;
    • Ensinar a verdadeira natureza das coisas, partindo de suas causas;
    • Explicar primeiro os princípios gerais;
    • Ensinar as coisas em seu devido tempo;
    • Persistir em um assunto até sua perfeita compreensão;
    • Dar a devida importância às diferenças que existem entre as coisas.

    Comênio escreveu uma obra importantíssima e marcante para a história da Didática: a “Didática Magna”, que possuía um caráter revolucionário e pautava-se por ideais ético-religiosos.

    Neste documento, foi desenvolvido um método único para ensinar tudo a todos. Comênio preocupava-se especialmente com o ato de ler e de escrever, começando pela língua materna, em uma época em que predominava o latim. Esse ensino deveria ser destinado a todos, sem a intervenção da Igreja Católica que, a esta altura, já tinha instalado seu projeto educacional para a educação de jovens e adultos, por intermédio da Companhia de Jesus, com a obra Ratio atque Institutioni Studiorum (Método Pedagógico dos Jesuítas).

    Embora as propostas  de didáticas (piagetianas, rogeriana ou ainda da didática baseada no enfoque sistêmico  da instrução), se diferenciem no que se refere aos temas que enfatizam, em todas a Didática é concebida como uma tecnologia, pois trata da aplicação de conceitos e princípios de outras áreas do conhecimento ao processo de ensino. Como tecnologia, a Didática consolida seu caráter prescritivo de um conjunto de regras, agora não mais apenas sobre como desenvolver um dado método de ensino, mas também sobre, por exemplo, planejar aulas e como avaliá-las, como o professor deve se relacionar com os alunos, como elaborar objetivos.

    Indicação de leitura:

    OLIVEIRA, Maria Rita Neto Sales. (Org.) Didática: ruptura, compromisso e pesquisa. 4. Ed. Campinas: Papirus, 2003.

    PIMENTA, Selma Garrido. Didática e formação de professores: percursos e perspectiva no Brasil e em Portugal. 6. ed. São Paulo: Cortez, 2011.

    Compartilhar:

  • Alfabetização e letramento

    O letramento, ou literacy, é dominar a leitura e a escrita

    Postado dia 18 de abril de 2016 às 07h em Educação e Cidadania

    ler

    Foto: Reprodução/Internet

    Segundo Magda Becker Soares em Dicionário Crítico da Educação, Letramento é a palavra introduzida no vocabulário da Educação e das Ciências Linguísticas na segunda metade dos anos 1980; há pouco mais de 20 anos, portanto, que ela está presente nos textos e pesquisas dos especialistas dessas áreas. Uma das primeiras ocorrências está em livro de Mary Kato, de 1986 (No mundo da escrita: uma perspectiva psicolinguística. São Paulo: Ática): a autora, logo no início do livro, p.7), diz acreditar que a língua falada culta “é consequência do letramento”. Dois anos mais tarde, em livro de 1988 (Adultos não alfabetizados: o avesso do avesso. São Paulo: Pontes), Leda Verdiani, no capítulo introdutório, distingue alfabetização de letramento: talvez seja esse o momento em que letramento ganha estatuto de termo técnico no léxico dos campos de Educação e das Ciências linguísticas. Desde então, a palavra tornou-se cada vez mais frequente  no discurso escrito e falado de especialistas, de tal forma que, em 1995, já figura em título de livro organizado por Ângela Kleiman: Os significados do letramento:um nova perspectiva sobre a prática social da escrita.

    alfabetização  ou illitaracy consiste no aprendizado do alfabeto e de sua utilização como código de comunicação.

    O letramento, ou literacy é dominar a leitura e a escrita. Neste sentido, uma pessoa letrada é aquela que as domina e utiliza com competência em seu meio social, pois só assim o indivíduo se tornará alfabetizado e letrado.

    Portanto, não basta apenas saber ler e escrever, é preciso também saber fazer uso do ler e do escrever, saber responder às exigências de leitura e de escrita.

    Compartilhar:

  • Teoria crítico reprodutivistas

    No final da década de 70, surge no cenário educacional um corpo de teorias, aqui denominadas crítico reprodutivistas, mas também conhecidas como pessimismo pedagógico ou pessimismo ingênuo na Educação.

    Postado dia 21 de março de 2016 às 12h em Educação e Cidadania

    educação

    Foto: Divulgação/Interner

    No final da década de 70, surge no cenário educacional um corpo de teorias, aqui denominadas crítico reprodutivistas, mas também conhecidas como pessimismo pedagógico ou pessimismo ingênuo na Educação. Têm como baliza a percepção de que a Educação, ao contrário do que pensam as teorias não críticas, sempre reproduz o sistema social onde se insere, sempre reproduz as desigualdades sociais.

    O nome, crítico reprodutivista, advém do fato de, apesar de perceberem a determinação social da educação (críticas), consideram que a educação mantém com a sociedade uma relação de dependência total (reprodutivista).

    Para os crítico reprodutivistas, a Educação legitima a marginalização, reproduzindo a marginalidade social através da produção da marginalidade cultural, advindo daí o caráter seletivo da escola. Não é, portanto, possível compreender a Educação, senão a partir dos seus determinantes sociais.

    Diferentemente das teorias não críticas, as crítico reprodutivistas não possuem uma proposta pedagógica; limitam se às análises profundas da determinação social da Educação.
    Por isso, iremos apenas listá-las, bem como a seus representantes: Teoria do sistema de ensino enquanto violência simbólica, de Bourdieu e Passeron; Teoria da escola enquanto aparelho ideológico do Estado, de Althusser, e Teoria da escola dualista, de C. Baudelot e R. Establet.

    Como vimos, neste breve recorte histórico, a questão da marginalidade permanece.

    TEORIA CRÍTICA

    A partir do início dos anos 80, alguns educadores têm se colocado como questão: é possível ter se uma visão crítica da Educação, ou seja, perceber os determinantes sociais da Educação e, ao mesmo tempo, entendê-la como um instrumento capaz de superar o problema da marginalidade?

    No sentido de dar resposta a esta questão, uma nova teoria vem sendo gestada: a teoria crítico social dos conteúdos. Admite ser a Educação determinada pela sociedade onde está situada, mas admite também que as instituições sociais apresentam uma natureza contraditória, daí a possibilidade de mudanças.

    Assim é que a Educação pode sim reproduzir as injustiças, mas tem também o poder de provocar mudanças.

    Dentro desta perspectiva teórica, estamos num movimento que busca resgatar os aspectos positivos das teorias firmadas no cotidiano escolar (as teorias não críticas), articulando os na direção de uma transformação social. Assim, da Pedagogia Tradicional, resgata se a importância da dimensão do saber, da Escola Nova, a dimensão do saber ser, e da Pedagogia Tecnicista, a dimensão do saber fazer.

    Seguintes princípios:

    • O caráter do processo educativo é essencialmente reflexivo, implica constante ato de desvelamento da realidade. Funda se na criatividade, estimula a reflexão e ação dos alunos sobre a realidade;
    • A a relação professor/aluno é democrática, baseada no diálogo. Ao professor cabe o exercício da autoridade competente. A teoria dialógica da ação afirma a autoridade e a liberdade. Não há liberdade sem autoridade;
    • O ensino parte das percepções e experiências do aluno, considerando o como sujeito situado num determinado contexto social;
    • A educação deve buscar ampliar a capacidade do aluno para detectar problemas reais e propôr lhes soluções originais e criativas. Objetiva também desenvolver a capacidade do aluno de fazer perguntas relevantes em qualquer situação e desenvolver habilidades intelectuais como a observação, análise, avaliação, compreensão e generalização. Para tanto, estimula a curiosidade e a atitude investigadora do aluno;
    • O conteúdo parte da situação presente, concreta. Valoriza se o ensino competente e crítico de conteúdos como meio para instrumentalizar os alunos para uma prática social transformadora.
    • A educação é entendida como processo de criação e recriação de conhecimentos. Professor e aluno são considerados sujeitos do processo ensino aprendizagem. A apropriação do conhecimento processo que demanda trabalho e disciplina.
    • Valoriza se a problematização, o que implica uma análise crítica sobre a realidade problema, desvelando a. É ir além das aparências e entender o real significado dos fatos.
      Ao concluirmos convidamos os educadores-leitores a refletirem sobre o significado e o sentido de nossas ações para a vida de nossos alunos e para a sociedade em geral.

    Artigo replicado da autora Ausônia F. Donato

     

    Compartilhar:

  • Tendências Pedagógicas na Educação – Parte 2

    Leia o segundo texto que explicará sobre a Pedagogia Nova e entenda esta importante fase da pedagogia

    Postado dia 14 de março de 2016 às 07h em Educação e Cidadania

    pedagogia

    Foto: Divulgação/Internet

    Educadores, já na primeira metade deste século, ancorados nessas ideias, se põem veementemente a criticar essa Escola, a partir daí denominada Tradicional, considerando-a totalmente inadequada. Segundo esses críticos, a Pedagogia Tradicional não alcançou sua meta principal, ou seja, nem todos os indivíduos tiveram acesso a ela e nem todos que nela ingressaram foram bem sucedidos. E, além disso, nem todos que foram bem sucedidos nessa escola se ajustaram à sociedade que se queria consolidar. Dito de outro modo, esta escola falhou! Há que se mudá-la!

    Surge um grande movimento, cuja expressão maior foi o chamado Escolanovismo ou Escola Nova. Trata-se, dito de forma bem simplificada, de mudar toda a lógica da Pedagogia Tradicional. Inicialmente o escolanovismo é implantado no âmbito de escolas experimentais.

    Segundo a Pedagogia Nova, o marginalizado deixa de ser visto como o ignorante. Passa a ser o rejeitado.

    É interessante registrar que as primeiras manifestações desse movimento se deram com crianças excepcionais, fora da instituição escolar. Lembremos, por exemplo, da pediatra Montessori. A partir dessas experiências, generalizam-se os procedimentos pedagógicos para todo o sistema educacional.

    Queremos salientar, também, a grande influência da Psicologia para a Escola Nova, através do uso intensivo de testes de inteligência, de personalidade, dentre outros.

    A educação atingirá seu objetivo – corrigir o desvio da marginalidade, se incutir nos alunos o sentido de aceitação dos demais e pelos demais. Contribui assim para construir uma sociedade em que seus membros se aceitem e se respeitem em suas diferenças.

    Esta nova forma de entender a Educação, como já dissemos, leva necessariamente a uma mudança, por contraposição à Pedagogia Tradicional, nos elementos constitutivos da prática pedagógica.

    O professor deixa de ser o centro do processo, dando o lugar ao aluno. O professor deixa de ser o transmissor dos conteúdos, passando a facilitador da aprendizagem. Os conteúdos programáticos passam a ser selecionados a partir dos interesses dos alunos. As técnicas pedagógicas da exposição, marca principal da Pedagogia Tradicional, cedem lugar aos trabalhos em grupos, dinâmicas de grupo, pesquisa, jogos de criatividade.

    A avaliação deixa de valorizar os aspectos cognitivos com ênfase na memorização, passando a valorizar os aspectos afetivos (atitudes) com ênfase em autoavaliação.

    É preciso assinalar que este tipo de Escola, além de não cumprir o objetivo a que se propunha – tornar aceitos os indivíduos rejeitados -, devido ao afrouxamento de disciplina e a negligência com a transmissão de conteúdos, prejudicou os alunos das camadas populares que têm na escola o único canal de acesso ao conhecimento sistematizado. Acentuou-se o problema da marginalidade.

    Artigo replicado da autora Ausônia F. Donato

     Link para o primeiro artigo

    Compartilhar:

  • Tendências pedagógicas na educação

    Professor Carreiro apresenta um estudo sobre a educação escolar em três artigos semanais. Veja o primeiro.

    Postado dia 26 de fevereiro de 2016 às 08h em Educação e Cidadania

    pedagogias

    Foto: Divulgação/Internet

    TEORIAS NÃO CRÍTICAS

    As teorias não críticas, por alguns denominadas de concepção redentora da educação ou de otimismo pedagógico ou, ainda, otimismo ingênuo, percebem a Educação com grande margem de autonomia em relação à sociedade e, portanto, procuram entender a educação por ela mesma. Percebem a sociedade como um todo harmonioso e que pode apresentar alguns desvios. Desvios estes que podem e devem ser corrigidos pela Educação. Assim é que a marginalidade é percebida como um desses desvios.

    A Escola surge então, dentro desta perspectiva, para “redimir” os marginais, para equalizar as oportunidades sociais, para, enfim, resolver os problemas da sociedade.
    A Educação tem aqui um caráter supra social, isto é, não está ligada a nenhuma classe social específica, mas serve a todas indistintamente.

    São três as Pedagogias ou Escolas que contemplam as teorias não críticas: Pedagogia Tradicional; Pedagogia Nova e a Pedagogia Tecnicista.
    A seguir, exporemos muito resumidamente as características mais significativas de cada uma.

    Pedagogia Tradicional.No início do século passado, têm início os sistemas nacionais de ensino. Esses sistemas foram originalmente constituídos sob o seguinte princípio orientador: A Educação é direito de todos e dever do Estado.
    Com a Revolução Francesa, a burguesia, ao assumir o poder e com a intenção de neste se consolidar, defende a constituição de uma sociedade democrática, isto é, a consolidação da democracia burguesa.

    Para ascender a um tipo de sociedade fundada nos princípios da igualdade, fraternidade e liberdade entre os indivíduos, era imprescindível vencer a barreira da ignorância. Somente assim, seria possível transformar os súditos em cidadãos, isto é, em indivíduos livres porque esclarecidos. Tal tarefa só pode ser realizada através da escola.
    Como se pode apreender, nesta perspectiva a marginalidade é identificada com a ignorância, ou seja, o marginal, na nova sociedade burguesa, é o ignorante.

    A escola é vista, portanto, como o instrumento para resolver o problema da marginalidade. Dentro deste quadro, o papel da escola é o de transmitir os conhecimentos acumulados pela humanidade. A escola tem a intenção de conduzir o aluno até o contato com as grandes realizações da humanidade aquisições científicas, obras primas da literatura e da arte, raciocínio e demonstrações plenamente elaborados. Esta escola enfatiza os modelos em todos os campos do saber.

    O professor é o responsável pela transmissão dos conteúdos, é o centro do processo educativo. Deve, portanto, ter domínio dos conteúdos fundamentais e ser bem preparado para a transmissão do acervo cultural.
    A experiência relevante que o aluno deve vivenciar é a de ter acesso democrático às informações, conhecimento e ideias, podendo, assim, conhecer o mundo físico e social.

    A escola é o lugar por excelência onde se raciocina e o ambiente deve necessariamente ser austero para o aluno não se dispersar.
    O professor tem poder decisório quanto à metodologia, conteúdo e avaliação. Procura a retenção das informações e conceitos através da repetição de exercícios sistemáticos (tarefas).
    Há a tendência de tratar a todos os alunos igualmente: todos deverão seguir o mesmo ritmo de trabalho, estudar os mesmos livros texto, no mesmo material didático e adquirir os mesmos conhecimentos.

    Em resumo, pode se afirmar que nesta pedagogia há uma redução do processo educativo a, exclusivamente, uma de suas dimensões: a dimensão do saber.
    Retomemos as duas ideias principais desta pedagogia: a vocação de oportunizar a todos o acesso à escola, no sentido de transformar marginais (sinônimo de ignorantes) em cidadãos e a total autonomia da educação em relação à sociedade.

    Artigo replicado da autora Ausônia F. Donato
    Compartilhar:

Página 1 de 11