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João Anatalino

Profissão: Escritor

Cidade: Mogi das Cruzes

João Anatalino Rodrigues é bacharel em Direito e Economia e Mestre em Direito Tributário. Auditor da Receita Federal (aposentado), Professor da Escola de Administração Fazendária. É consultor empresarial na área de tributação. É Mestre Practitioner em PNL. Fundador da Associação Mogiana Oficina dos Aprendizes, ONG sediada em Mogi das Cruzes, que promove a capacitação e a inserção de jovens carentes no mercado formal de trabalho. Tem 10 livros publicados pelas Editoras Madras e Scortecci

  • Ponto de vista

    A teoria da relatividade trabalha com essa perspectiva. Fisicamente nós sabemos que a cada vez que mudamos o nosso ângulo de observação, um mundo diferente aparece aos nossos olhos.

    Postado dia 26 de setembro de 2016 às 10h em Causos e Coisas

    vista

    Foto: Reprodução/Internet

    Minha filha está morando em Sidney, na Austrália. Só depois de dois anos morando lá é que as autoridades australianas deixaram que ela começasse o procedimento para tirar carta de motorista. Na época eu pensei que era exagero das autoridades australianas, pois  a menina já dirigia a mais dez anos. Ela morou quatro anos em São Paulo, cidade que tem um dos trânsitos mais malucos do mundo. Quem dirige em São Paulo, pensava eu, tem condição para dirigir em qualquer lugar do mundo. É como a canção do Frank Sinatra que fala de New York. Quem faz em New York, faz em qualquer parte.

    Eu pensava assim até que fui visitá-la na Austrália e ver que os carros lá têm a direção do lado direito. E que lá se anda pelo lado esquerdo da rua. É igual na Inglaterra e  outros países de tradição inglesa. Quer dizer: o lado certo da rua para eles é o lado errado para nós. Para dirigir um carro na Austrália ou na Inglaterra é preciso mudar a orientação geográfica do nosso cérebro e aprender a enxergar a direita na esquerda e a esquerda na direita. Cara, é um baita exercício! Isso me deu o que pensar. Será que não é por isso que temos tanta dificuldade para entendermos uns aos outros?

    Foto: Reprodução/Internet

    Explico: veja a figura ao lado:  Imagine-se entrando nessa imagem. Coloque-se nessa figura. O que aconteceu? Seu olho direito não se tornou o esquerdo, e o esquerdo o direito?

    Quando falamos diretamente com uma pessoa, frente a frente, o lado direito dela é o nosso esquerdo e vice-versa. Dai a nossa percepção fica prejudicada porque há um desajuste de posição nesse sentido. O que ela está vendo em você está do lado contrário do que você vê nela. Teste essa proposição um dia. Verifique se você consegue entender melhor uma pessoa quando conversa com ela de lado, ou de frente para ela. Você vai ter uma surpresa.

    Essa é apenas uma curiosidade neurolinguística. O importante disso tudo é o questionamento que pode ser deduzido dela. Se, no processo de comunicação, o lado esquerdo das pessoas é o lado direito para nós e vice versa, é lícito pensar que o nosso cérebro, antes de decodificar a mensagem que vem do nosso interlocutor, precisa fazer um ajuste geográfico na fonte dessa mensagem. E ele faz isso sempre, senão a nossa comunicação seria um verdadeiro caos. Seria como chegar hoje na Inglaterra ou na Austrália, pegar um carro e sair dirigindo. Você pode imaginar o que aconteceria.

    Há outra questão importante aí. Se o lado certo dos ingleses e australianos é o errado para nós, e vice-versa, o que acontece com os conceitos de certo e errado? Não serão também questões de ponto de vista? E quantas coisas mais, pelas quais matamos e morremos, não seriam igualmente apenas pontos de vista? Einstein disse que era. A teoria da relatividade trabalha com essa perspectiva. Fisicamente nós sabemos que a cada vez que mudamos o nosso ângulo de observação, um mundo diferente aparece aos nossos olhos. Mas na prática temos muita dificuldade para entender e aceitar isso. Por isso é tão difícil calçar o sapato alheio. Principalmente quando ele não nos serve. E assim vamos continuar eternamente brigando por causa dos nossos pontos de vista.

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  • Nada é igual ao que já foi

    Não é verdade que em time que está ganhando não se mexe. Isso só seria verdadeiro se o adversário fosse sempre o mesmo

    Postado dia 20 de setembro de 2016 às 08h em Causos e Coisas

     

    nada

    Foto: Reprodução/Internet

    Um jogo é apenas um jogo.
    E o que importa é o resultado.
    Mas seja qual for esse resultado,
    Ele será sempre e apenas o resultado daquele jogo.

    Não serve para o próximo jogo.

    No jogo seguinte o adversário é outro.
    Se ele jogar diferente do adversário anterior.
    Então será preciso mudar de tática,
    Ou até trocar alguns jogadores do time,
    Por gente com talentos diferentes.

    Não é verdade que em time
    Que está ganhando não se mexe.
    Isso só seria verdadeiro
    Se o adversário fosse sempre o mesmo,
    E também o campo, a torcida e os jogadores.

    Se alguém mudou alguma coisa
    No ambiente em que vivemos,
    Ou nos planos e nos projetos que trabalhamos
    Nós também temos que estar preparados para mudar
    Porque toda mudança força nosso ponto de equilíbrio.

    A vida é como um trem lotado.
    A cada estação sobe mais e mais gente.
    Ele sacode e nós somos empurrados.
    A cada estação uma pessoa diferente
    Entra no raio da nossa sensibilidade.

    É novo cheiro, nova cor, novo tom de voz.
    As palavras que se ouvem já são as mesmas.
    A paisagem lá fora também já mudou.
    E já não estaremos no mesmo espaço,
    Tudo ficou diferente, nada é igual ao que já foi.

    Não são as mudanças que nos desequilibram,
    Mas a nossa resistência em aceitar a novidade.
    Mas o mundo gira e com ele vai-se o tempo,
    E ciência prova que não existe a inércia absoluta.
    Só apodrecem as coisas que ficaram estagnadas.

    Fique onde está se tudo que está acontecendo lhe agrada.
    Ame tudo que conquistou, mas não se apegue a elas,
    A ponto de não saber mais viver, quando elas não mais existirem.
    Prepare-se para fazer tudo outra vez, se for preciso.
    Você pode ser você mesmo sem precisar ser o mesmo para sempre.

    O universo é um corpo em movimento
    E nós somos corpos em movimento dentro dele.
    As coisas vêm ao nosso encontro e nós vamos ao encontro delas
    A nossa relação com coisas e pessoas acontecem
    Num ponto único da vida do universo, e num breve momento de tempo.

    Cada momento é um acontecimento novo no tempo da nossa vida.
    Cada encontro é uma relação nova no espaço da nossa existência.
    Respeite a experiência, mas não faça dela sua única poupança
    Pois a vida é extremamente inflacionária,
    E num único dia tudo pode perder o seu valor.

    Não confunda determinação com teimosia
    Nem permita que sua fé se transforme em fanatismo.
    Você pode ser prudente, mas não precisa ser covarde.
    Você pode ser conservador, mas não precisa ser dogmático.
    Você pode ser lento em seu movimento, mas não precisa ser estático.

    O mundo gira, acompanhe-o o quanto possa,
    Pois se você ficar para trás, ele não vai parar para esperá-lo.

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  • Carpe diem

    Viva o dia. Trace objetivos para longo, médio e curto prazo, mas principalmente, trace objetivos que possam ser alcançados diariamente

    Postado dia 7 de setembro de 2016 às 09h em Causos e Coisas

     

    carpe diem

    Foto: Reprodução/Internet

    Felicidade e infelicidade são termos que definem um processo interno de bem estar ou mal neurológico. Em PNL (programação neurolinguística), nós chamamos esses processos de nominalizações.

    Nominalizações são, portanto, processos complexos que envolvem toda uma estrutura neurológica que integra pensamento, sensibilidade e linguagem, resultando em um sentimento que pode ser de bem estar ou mal estar. Quando digo que estou feliz ou infeliz, ou que estou decepcionado ou satisfeito, alegre ou triste, estou nominalizando, ou seja, resumindo em um termo linguístico um complexo processo interno de sensibilidade que integra um conjunto enorme de informações.

    Há quem diga que felicidade e infelicidade são uma questão de ponto de vista. Que basta a pessoa pensar que é feliz para que, efetivamente, ela fique feliz. E que a infelicidade pode ser afastada com uma simples mudança na forma de pensar.

    Isso não é verdade. Não basta mudar a forma de pensar para que a gente se sinta mais feliz. Isso porque felicidade é um estado de ser e não apenas um resultado da atividade psíquica. Felicidade é uma consequência do resultado que obtemos na vida em relação aos objetivos que a gente elege, valoriza e busca.

    É, portanto, um processo neurológico complexo. Não pode simplesmente ser resumido em uma fórmula tão simples, como “pense diferente”, por exemplo.

    Se felicidade fosse apenas uma forma de pensar, bastaria nos internarmos em um mosteiro e passar o resto da vida sonhando com o paraíso. Claro que existe gente que faz isso e é feliz. Mas essas pessoas elegeram esse objetivo como resultado para suas vidas. Eles transformaram isso em uma crença e passaram a viver em função dela.

    Assim, podemos dizer: felicidade é estar contente com os resultados que a gente obtém na vida. Destarte, a primeira coisa para ser feliz é definir o que queremos conquistar. E depois traçar uma estratégia para conseguir.

    Porém, logo perceberemos que, se colocarmos objetivos que estão além da nossa atual capacidade de ação, a frustração logo virá. E frustração é sinônimo de infelicidade. E se colocarmos objetivos medíocres, que estão aquém da nossa capacidade de conquista, também logo virá a insatisfação.

    Esta, igualmente, é sinônimo de infelicidade. E o nosso sistema neurológico se constrói pela superposição de objetivos. A cada conquista feita ele vai exigindo a realização de objetivos maiores. E a nossa capacidade de ação é sempre atualizada. A cada dia aumenta ou diminui conforme os resultados que alcançamos.

    A melhor forma de ser feliz ainda é a antiga fórmula contida na expressão latina: Carpe Diem. Viva o dia. Trace objetivos para longo, médio e curto prazo, mas principalmente, trace objetivos que possam ser alcançados diariamente. Até porque só podemos viver um dia de cada vez. No longo prazo estaremos todos mortos.

    No médio prazo as coisas poderão ter mudado e nada do que queremos agora poderá estar valendo muito. O curto prazo pode ser um ano, uma semana ou um dia. Não importa. A felicidade se mede pela soma dos dias felizes que a gente passa na vida. Um suspiro de satisfação, quando deitamos na cama, á noite, é o melhor presente que podemos dar ao nosso sistema neurológico. Com certeza ele nos retribuirá amanhã com uma performance ainda melhor do que a de hoje.

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  • O monge e o barqueiro

    Todo conhecimento é útil. Depende de onde você vive e para que você precisa dele

    Postado dia 9 de agosto de 2016 às 08h em Causos e Coisas

    monge

    Foto: Reprodução/Internet

    Era uma vez um monge que passara a maior parte da sua vida estudando em um mosteiro. Aprendeu tudo sobre astronomia, matemática, geologia, física, botânica, química. Com isso tornou-se um respeitado intelectual, além de um grande filósofo. Um dia ele resolveu deixar o mosteiro onde vivia e se dedicar a ensinar tudo que aprendeu. Conhecimento que não se aplica, dizia o seu mestre, é sabedoria inútil. Mais que isso, é puro pedantismo. E ele queria mudar o mundo com sua sabedoria.

    Em sua viagem para o local onde pensava fundar sua escola, ele precisou atravessar um rio caudaloso, largo e profundo. O barqueiro que o levava para o outro lado era um sujeito forte, mas muito bronco. Falava tudo errado e praguejava como um bárbaro. O monge resolveu passar para ele um pouco da sua sabedoria.

    Mostrou como poderia calcular a largura do rio pelo número de remadas que dava; a saber as horas do dia pelo movimento do sol; como poderia se cansar menos na travessia do rio aproveitando a correnteza; como poderia se tornar mais simpático com as pessoas usando melhor a sua linguagem. E por aí afora.

    Vendo que o barqueiro não dava a menor importância para a sua aula, mas ficava simplesmente remando e resmungando, o monge calou-se. Não antes de xingar o barqueiro e dizer que ele era um ignorante que desperdiçara a vida inteira vivendo daquela forma bárbara, sem aprender nada na vida.

    Estavam bem no meio do rio quando uma grande tora de madeira chocou-se contra a barca e ela virou. Os dois caíram na água. O barqueiro começou imediatamente a nadar para a margem mais próxima. O monge, por seu turno, começou a se debater.

    – Nade para a margem– gritou o barqueiro.

    – Eu não sei nadar – respondeu o monge.

    – Que pena – respondeu o barqueiro. – Parece que quem desperdiçou a vida inteira aprendendo coisas inúteis foi o senhor.

    Moral da história: todo conhecimento é útil. Depende de onde você vive e para o que você precisa dele.

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  • Uma antiga filosofia

    Toda vez que emitimos conceitos estamos “recortando” figuras no horizonte da nossa mente. Mas as figuras que recortamos são apenas imagens dos nossos próprios desejos

    Postado dia 21 de julho de 2016 às 08h em Causos e Coisas

    bem

    Foto: Reprodução/Internet

    A antiga filosofia chinesa do Taoísmo diz que nada que seja separado do seu contexto pode ser entendido de verdade, porque o ser só existe na sua integridade relacional. Uma rosa separada do seu caule ainda é uma rosa? Uma tartaruga sem seu casco ainda é uma tartaruga? Uma faca que nada tenha para cortar ainda é uma faca? Uma casa onde ninguém habita ainda é uma casa? Uma pessoa sem um propósito a cumprir ainda é uma pessoa?

    O que são o bem e o mal, o feio e o bonito, o exato e o falso, o ínfimo e o imenso? Apenas conceitos que obtemos, destacando certos atributos que colamos ás coisas e às pessoas. Quando algo é bom ou ruim? Quando nos atende, ou desatende, em algum aspecto. Quando uma coisa, ou pessoa, é bonita ou feia? Quando agrada, ou não agrada os nossos olhos. Mas se percorrermos toda a linha que vai de um a outro conceito, ou seja, toda a linha do horizonte que vai do bem ao mal, do feio ao bonito, do verdadeiro ao falso, veremos que essa dualidade é, na verdade, um círculo que começa e termina em qualquer ponto da linha que o demarca, e é impossível determinar onde começa um e o outro termina.

    A Vênus de Milo é bela. Isso é consenso geral. Mas uma criança, ou alguém que a visse pela primeira vez, poderia dizer que é apenas a estátua de uma mulher mutilada. Se pensarmos nela como uma criatura de carne e osso, ela seria apenas uma mulher sem braços. Continuaria a nos dar uma impressão de beleza?

    Toda vez que emitimos conceitos estamos “recortando” figuras no horizonte da nossa mente. Mas as figuras que recortamos não são o horizonte. São apenas imagens dos nossos próprios desejos que projetamos contra esse fundo.

    Assim, o bem que pensamos estar fazendo aos outros é apenas o nosso conceito de bem. Por isso não nos parece boa a filosofia que diz que devemos fazer aos outros aquilo que gostaríamos que fosse feito conosco. Quem nos garante que o que é bom para nós o é também para os outros? Nós não somos os outros.

    Destarte, não se adiante, fazendo ao próximo aquilo que gostaria que ele fizesse por você. Espere que ele diga o que quer. Ele sabe do que precisa, o que é bom para ele. Você não. Você só sabe o que você mesmo precisa.

    No horizonte das nossas almas não existem pontos extremos. Nós é que os colocamos lá para evitar que nos percamos no infinito de nós mesmos.

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  • A linguagem dos olhos

    Em PNL nós costumamos dizer que mais importante do que as palavras são as coisas que a pessoa faz com o corpo

    Postado dia 28 de junho de 2016 às 08h em Causos e Coisas

     

    pnl

    Foto: Reprodução/Internet

    Um ladrão estava fugindo dos policiais que o perseguiam. Correu para uma floresta procurando um lugar para se esconder. Ao encontrar um lenhador, pediu a ele que o escondesse em sua cabana. O lenhador concordou. Quando os policiais perguntaram ao lenhador se ele vira passar um sujeito assim e assado, ele disse que não, mas apontou para sua cabana com um movimento de olhos. Os policiais entenderam e se prepararam para invadi-la. Mas, antes que os policiais invadissem a cabana, o ladrão fugiu e se escondeu na floresta. Os policiais não conseguiram encontrá-lo. Depois que a polícia desistiu de caçá-lo, ele voltou à cabana do lenhador e deu-lhe a maior surra.

    ” Por que me bate?”, queixou-se o lenhador.” Eu não o escondi em minha cabana? Que mal agradecido você é.”

    ” Eu ouvi o que você disse” respondeu o ladrão. “Mas também vi o que você fez”.
    ***
    Em PNL nós costumamos dizer que mais importante que as palavras são as coisas que a pessoa faz com o corpo. Comportamentos são mais importantes que palavras. Especialmente aqueles que as pessoas fazem com os olhos. Para quem sabe observar, olhos falam mais que a boca. Observe os olhos das pessoas que estão falando com você. Aprenda a identificar para que lado eles vão quando a pessoa fala. Você poderá ter algumas surpresas interessantes. Veja no diagrama abaixo como interpretar os movimentos oculares das pessoas.

    VC- Visual construído. Olhos para cima e para a esquerda – a pessoa está construindo imagens visuais.

    VR- Visual recordado. Olhos para cima e para a direita. A pessoa está lembrando coisas que viu.

    AC- Auditivo construído. Olhos para esquerda, em direção ao ouvido esquerdo. A pessoa está construindo sons.

    AR- Auditivo recordado. Olhos para a direita, em direção ao ouvido direito. A pessoa está lembrando sons que já ouviu.

    C- Cinestésico. Olhos para baixo e para a esquerda. A pessoa está recordando coisas que  sentiu.

    A- Auditivo digital. Olhos para baixo e para a direita. A pessoa está construindo diálogos internos, ou seja, “falando” consigo mesma.

    Esses movimentos são inconscientes e representam uma tendência observada em pessoas destras. Pessoas canhotas poderão apresentar pistas em sentido inverso. É claro que se uma pessoa souber que está sendo observada, ela poderá tentar “controlar” esses movimentos. Mas tenha certeza de uma coisa. Isso será muito difícil e ela se trairá na maior parte do tempo. Tente fazer esse exercício. Você aprenderá coisas muito interessantes com isso. Principalmente que observar é mais importante que falar e apenas ouvir.

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  • O discípulo esperto

    Os estóicos suportavam todos os sofrimentos. Em tudo que acontecia, eles procuravam observar o significado em termos de evolução e aperfeiçoamento espiritual

    Postado dia 13 de junho de 2016 às 07h em Causos e Coisas

    estoico

    Foto: Reprodução/Internet

    O estoicismo é uma escola de pensamento fundada em Atenas por Zeno, também chamado Zenão de Cítio, no início do século III a.C. Sua filosofia era essencialmente naturalista. Ensinava que todo bem e todo mal são apenas uma consequência da forma como interpretamos os acontecimentos. Os estoicos suportavam todos os sofrimentos. Em tudo o que acontecia, eles procuravam observar o significado em termos de evolução e aperfeiçoamento espiritual. Estudiosos sustentam que o cristianismo, em sua mais original concepção, na sua pureza primitiva, pregada por Jesus, é uma forma de estoicismo.

    Uma lenda conta que Zeno costumava ensinar seus discípulos com exemplos vivos de comportamento estoico. Ele usava a chamada estratégia peripatética para transmitir sabedoria. Essa técnica exigia que as aulas fossem dadas em movimento. Assim, Zeno e os discípulos saíam a caminhar pelos campos, muitos quilômetros por dia, no decorrer dos quais ele ia mostrando como a natureza atua para gerar, desenvolver e manter a vida.

    Certa vez ele saiu com seus discípulos para uma dessas caminhadas. Ao iniciá-la, pediu para cada um deles pegar um grande e pesado tronco de madeira para carregar nos ombros durante o percurso todo. Ele mesmo pegou um deles e saiu. Aquele tronco, disse ele, simbolizava o peso da vida, que todos somos obrigados a carregar.

    E assim saíram, arrastando seus fardos pelos campos pedregosos, com um sol escaldante a queimá-los. Um dos discípulos, achando insuportável o peso, na primeira parada que fizeram para descansar, se afastou do grupo, e sem que ninguém o visse, cortou com sua espada um pedaço do tronco, tornando-o mais leve. Na segunda parada, e na terceira, cortou mais dois pedaços, fazendo com que ele ficasse bem pequeno e leve. Orgulhoso da sua esperteza misturou-se aos demais discípulos, zombando intimamente deles, ao ver suas costas dilaceradas. “Bando de tolos”, disse para si mesmo. .

    Era quase noite quando chegaram á margem de um rio. Logo avistaram, do outro lado, um magnífico jardim, que aos olhos de todos pareceu o lugar mais lindo da terra. Ali reinava a mais perfeita paz e a mais sublime felicidade.

    “Do outro lado deste rio” disse Zenão, “estão os Campos Elísios (o paraíso grego). “ É para lá que eu os estou conduzindo. O paraíso é o prêmio dado a todos aqueles que aprenderam a carregar o fardo da vida com sabedoria. Todos vocês podem passar para o outro lado e ganhar o prêmio que conquistaram. Mas cada um só pode atravessar o rio usando como ponte o seu próprio tronco.”

    Todos conseguiram atravessar, menos o discípulo esperto, porque seu tronco não deu para cobrir o vão até a outra margem do rio.

     

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  • Comerciantes azarados

    Três animais tentaram fazer negócio...

    Postado dia 31 de maio de 2016 às 07h em Causos e Coisas

    coruja

    Foto: Reprodução/Internet

    Uma gaivota, um morcego e uma coruja se associaram para montar uma empresa. O ramo escolhido foi o comércio. Mercadorias importadas da China, tipo loja $ 1,99. Depois de cumpridas as formalidades (abertura de firma, registro na Junta Comercial, tirar CNPJ, IE, Inscrição Municipal, alvará da prefeitura) etc. eles distribuíram as tarefas.

    O morcego sabia sugar o sangue dos outros como ninguém, por isso ficou com a parte financeira. Sua primeira medida foi correr a um banco e arrancar um empréstimo a juros baixos para financiar o capital de giro da empresa.

    À gaivota, frequentadora assídua do cais do porto, coube o encargo de despachar as mercadorias na alfândega. Ela sabia que para se dar bem com fiscais aduaneiros a pessoa precisa ser “avião” e conhecer bem o ambiente do porto.

    Quanto à coruja, todos sabem que é a mais sábia dos pássaros. Nunca dorme. Está sempre alerta e vigilante, de olho aberto. E como negócio nenhum anda sem o olho do dono, à ela foi competida a tarefa de administrar a loja e cuidar da segurança.

    Distribuídos os cargos e cumpridas as formalidades legais, a GAMORCO Comércio e Representações Ltda, iniciou as atividades importando dois contêineres de 40 pés, de mercadorias chinesas. Tinha de tudo. Bijuterias, materiais escolares, artigos de cama e mesa, de escritório, papelaria, canetas, enfim, tudo que se imagina encontrar numa loja tipo $ 1,99.

    O navio estava entrando ao canal do porto. A gaivota, que não parara de sobrevoar a orla, já o havia avistado. Excitada, avisou os sócios: – Nossa carga está chegando! Deve atracar amanhã cedo – disse ela.

    Os três abriram uma garrafa de champanhe para comemorar, com direito a tira gosto apropriado para cada um deles: peixe cru para a gaivota, chouriço para o morcego e  insetos para a coruja.

    Mas o navio não chegou a atracar. Naquela noite, uma tempestade se abateu sobre o porto e afundou várias embarcações. Uma delas foi o navio que trazia a carga da GAMORCO. As mercadorias foram parar no fundo do canal. Na euforia de abrir e começar logo a vender os produtos, eles esqueceram de fazer um seguro. A GAMORCO fechou antes de começar.

    Hoje a gaivota vive sobrevoando a orla marítima sempre com os olhos fitos no mar, como a esperar por um navio que nunca chega. O morcego internou-se em sua caverna e só sai à noite para não ser cobrado pelos credores e a coruja nunca mais dormiu à noite, sempre temerosa que alguém venha cobrar alguma coisa dela.

    Todos nós sofremos acidentes na vida que nos trazem maus resultados. O que não podemos é ficar eternamente presos ao passado, como se aquilo que já aconteceu fosse acontecer todo dia.

     

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  • Quem são os pobres?

    Quem é rico e quem é pobre? Como definir o valor da verdadeira riqueza?

    Postado dia 16 de maio de 2016 às 08h em Causos e Coisas

     

    pobre

    Foto: Reprodução/Internet

    Era uma vez um abastado comerciante. Seu maior desejo era que seu único filho seguisse o seu caminho e se tornasse também um homem muito rico, continuando a tradição da família. Por isso, achou que a melhor forma de passar seus valores para o filho era fazer com que ele vivesse as próprias experiências, para aprender a distinguir o que era bom e o que era ruim. Como o menino sempre fora rico e tinha tudo que queria, o comerciante pensou que seria bom que o menino experimentasse viver, por uns tempos, uma vida de privação. Dessa forma aprenderia a dar valor ao conforto e ao bem estar que o dinheiro proporciona. Foi assim que ele mandou o menino passar uns tempos com um primo que ele tinha no interior. Esse era um homem muito pobre, que morava num sítio afastado da cidade, numa casinha, limpa e agradável, mas muito simples. Durante três meses o garoto viveu com essa família. Trabalhou na roça com os primos, nadou no rio, andou a cavalo pelos campos, aprendeu a tocar viola e a cantar, e muitas outras coisas. Quando voltou para a cidade, seu pai lhe perguntou:

    – E aí filho? Gostou da experiência? O que você achou da vida de pobre?

    – Ah! pai, não sei– respondeu o garoto.

    – Como não sabe? – respondeu, perplexo, o comerciante. – Você não viu as dificuldades que seus primos passam, pelo fato de serem pobres?

    – Bom – disse o menino. – Eu vi que lá eles têm quatro cachorros e nós só temos um. Que eles vão a cavalo para todos os lados e não precisam parar em sinais, nem ficam presos horas e horas no trânsito. Que eles têm um rio enorme, que dá de vinte a zero nessa nossa piscina. Que não precisam comprar CD’s, discos e Ipods para ouvir música. Eles mesmos fazem e cantam as próprias músicas. Que à noite, ao invés de ficar assistindo TV, ouvindo notícias ruins e vendo falsas histórias contadas em telenovelas, eles contam suas próprias experiências uns para os outros e criam suas próprias histórias.

    – E o que você aprendeu com tudo isso? – perguntou, preocupado, o comerciante.

    – Que os verdadeiros pobres, na verdade, somos nós– disse o garoto.

     

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