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Gustavo Iglesias

Profissão: Empresário

Cidade: São Paulo

Gourmand é aquele que tem prazer enorme em comer e beber bem, essa palavra realmente me representa. Formado em hotelaria, especializado em eventos, gastronomia e cerveja, trabalhei em diversos segmentos de A&B (alimentos e bebidas) nos últimos 20 anos, de restaurante a indústria de bebida, passando por hotéis e espaços de evento. Atualmente sócio da All In Drink Experiences e beer sommelier de plantão.

  • Cerveja como você nunca viu

    Que tal aproveitar a chegada do calor para conhecer novos estilos da bebida, com maior amplitude de aromas e sabores?

    Postado dia 27 de outubro de 2016 às 10h em Gastronomia e Receitas

    cerveja

    Foto: Reprodução

    Com a chegada do verão e desse calorão que tomou conta de praticamente todo país, não tem como não pensar numa cerva bem gelada e refrescante para dar uma aliviada, certo?  Que tal aproveitar esta estação para sair um pouco do trivial, das tradicionais e massivas american lagers e experimentar novos estilos com maior amplitude de aromas e sabores?

    Abaixo segue uma listagem com descrição de estilos para você identificar os que melhor se encaixam no seu perfil e dicas de rótulos que são bem fáceis de achar. Como não poderia deixar de ser, também seguem sugestões de acompanhamentos perfeitos para harmonizar com as cervejas escolhidas.

    Pilsen: Muitos chamam erroneamente as american lager (skol, bud´s e afins) de Pilsen, inclusive com algumas marcas colocando indiscriminadamente “tipo pilsen” no rótulo, mas que sequer lembram as originais. Existem dois tipos de Pilsen: a Bohemian Pilsner, que é originária da cidade de Plzen (na República Tcheca) e deu nome ao estilo, e a German Style Pils, a versão de origem alemã.

    São cervejas douradas brilhantes com amargor moderado, aroma e sabores balanceados entre lúpulos nobres com toques florais e maltes com leve dulçor, trazendo notas de fermentação de pão. São cervejas leves perfeitas para acompanhar churrasco, petiscos tradicionais de boteco, como bolinho de arroz e de bacalhau e todas aquelas deliciosas friturinhas de praia.

    • Bohemian: Pilsner Urquell, Budweiser Budvar (nada a ver com a bud americana);
    • German: Augustiner Pils, Brooklin Lager, Eisenbahn Pilsen, Invicta Hellbeirão, Madalena Pilsen

    pilsner

     

    Heffeweizen (Weiss): Famosas cervejas de origem alemã, normalmente feitas com ao menos 50% de trigo em combinação com o restante de cevada. É um estilo que o consumidor brasileiro já está mais familiarizado. Cor amarelo palha e quase sempre apresentando turbidez, tem espuma alta e cremosa e corpo igualmente sedoso, aromas e sabores advindo da fermentação, com destaque para banana e cravo bem presentes.

    Experimente acompanhar saladas, preparos com peixes e frutos do mar, culinária alemã e pratos mais leves de thai e indiana.

    • Erdinger, Paulaner, Weihenstephan, Scheneider Weisse Tap 7, Burgman Midnight Riders, Eisenbahn Weizenbier.

    pailaner

    Witbier – Também produzidas com utilização de trigo, este estilo de cerveja originário da Bélgica se caracteriza pela adição de sementes de coentro e cascas de laranja curaçao durante a produção. Suas notas cítricas e herbáceas, aliadas a uma leve acidez ao final, tornam essa cerveja uma excelente opção para acompanhar preparos de peixe e frutos do mar com base cítrica. Ficam ótimas com alimentos salgados como queijos, embutidos e omeletes. Mas a melhor pedida é combinar com culinária japonesa: não tem cerveja melhor para acompanhar a delicadeza de sushis e sashimis.

    • Hoegaarden, Vedett Extra White, Damm Estrella Inedit, Way Beer Witbier, Amazon Beer Taperebá.

    witbier

    Session IPA – Resumidamente, o termo “session beer” foi criado na Inglaterra e denomina cervejas de baixo teor alcoolico (max 5%), com lúpulo e malte bem equilibrados, feitas para que os trabalhadores pudessem beber em grandes quantidades no intervalo (sessions) das jornadas de trabalho sem se embebedarem muito. As Session IPA´s seguem a tradição de baixo teor alcoolico, porém trazendo as características de aroma e sabor das IPA´s americanas, sendo bem cítricas e resinosas, só que com amargor mais moderado.

    Seu amargor auxilia a cortar a gordura e limpar o palato. Portanto recomendo essa cerveja para acompanhar burgers, churrasco e comidas de boteco em geral.

    • Dádiva Venice Beach, Mikeller Session IPA, Tupiniquim Session IPA, Blondine Horny Pig, Wall Session Citra.

    dadiva

    Ordinary Bitter e Special Bitter – Os estilos ingleses se destacam por seu equilíbrio e não é diferente com estes escolhidos, com lúpulos herbáceos e terrosos combinados com notas levemente adocicadas de toffee e casca de pão. Variam em graduação alcoolica e intensidade de amargor, embora bem sutis. Experimente com o tradicional fish n´chips, frango assado ou filés na chapa, deixando aquela casquinha meio torrada característica, mas sem utilizar molhos intensos.

    • Fullers London Pride, Young´s Bitter, Baden Baden Bitter Ale, Baldhead English Bitter Pale Ale, Spitifire Kentish Ale.

    special

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  • Cursos cervejeiros

    Se você tem interesse em beber melhor, fabricar sua própria cerveja ou se tornar cervejeiro profissional, conheça entidades sérias e os cursos que elas oferecem

    Postado dia 16 de agosto de 2016 às 07h em Gastronomia e Receitas

    cervejeiro

    Foto: Reprodução/Internet

    O mercado de cervejas artesanais não para de crescer em todos os sentidos, desde o número de cervejarias, cervejas e bares, passando por eventos e festas e, é claro, a reverberação do assunto nos principais veículos de comunicação e redes sociais. O assunto está na moda e não há nenhum indício de que sairá dos holofotes tão cedo, já que o volume de conteúdo gerado sobre o assunto cresce exponencialmente.

    fradeSimultaneamente a esse crescimento, há uma quantidade enorme de novos consumidores ávidos por novos conhecimentos e com os mais diferentes objetivos. Alguns querem apenas aprender a degustar e entender suas preferências para poder fazer melhores escolhas, outros querem aprender a produzir sua própria cerveja e outros ainda querem conhecer mais sobre o mercado para se tornarem possíveis investidores ou futuros profissionais. Da mesma forma, também temos uma grande gama de profissionais do ramo buscando complementação de seus conhecimentos e especializações técnicas em diversos assuntos.

    Como toda necessidade gera uma oportunidade, começaram a surgir cursos, workshops e palestras por todos os lados e com todo tipo de informação e especialidade. Se você tem interesse em conhecer mais do assunto, beber melhor, fabricar sua própria cerveja ou se tornar um cervejeiro profissional, segue uma listagem de entidades sérias, com breve descritivos dos cursos oferecidos.

     

    Instituto da Cerveja – www.institutodacerveja.com.br

    Com sede em São Paulo e turmas em diversas outras cidades, o ICB tem parceria com a ABS (Associação Brasileira de Sommeliers) e a Universidade de Weihenstephan (Munique). É uma das referências nacionais na capacitação de profissionais para o mercado cervejeiro. Entre os cursos, destaco:

    • Curso profissional de sommelier de cervejas – Em parceria com a ABS, oferece uma visão geral, abordando temas como história da cerveja, processos de produção, características das escolas cervejeiras e seus estilos, introdução a harmonização e muito mais. Curso livre, indicado para todos que desejam conhecer sobre cerveja com ou sem intuito de profissionalização.
    • Especialista em harmonização – Como o próprio nome já diz, é um curso para quem quer se aprofundar no universo da gastronomia relacionada à cerveja. É necessário ter feito o curso de sommelier e é recomendado para profissionais de hoteis, bares, restaurantes e amantes da gastronomia em geral.
    • Mestre em estilos – Também tem como pré-requisito a formação de sommelier profissional e é dedicado ao conhecimento minucioso de cada estilo. Recomendado para profissionais e cervejeiros com mais rodagem.
    • Curso avançado de tecnologia cervejeira – Chancelado pela Universidade de Weihenstephan e focado nos processos de produção, é recomendado apenas para quem realmente pretende iniciar uma carreira profissional em cervejarias de todos os portes, ou para cervejeiros caseiros em busca de atualização.

     

    Academia Barbante de Cervejawww.academiabarbante.com.br

    Com sedes em São Paulo e Belo Horizonte, esta academia representa no Brasil a WBA (World Brewing Academy). Formada por duas das escolas mais respeitadas mundialmente quando o assunto é cerveja, a Doemens Academie de Munique e a Siebel Institute of Technology de Chicago.

    • Sommelier de Cervejas: Certificado pela Doemens Academie, tem basicamente o mesmo conteúdo e carga horária do ICB, ambos contando com excelentes professores. Os dias e horários diferem do ICB, o que ajuda o aluno a escolher o que melhor se adapta a sua rotina.
    • Intensivo em Tecnologia Cervejeira: Chancelado pela WBA, é destinado para profissionais que queiram ingressar no mercado cervejeiro atuando diretamente na produção, ou mesmo para quem busca mais conhecimento sobre processos. É desejável, ainda que não obrigatório, ter algum conhecimento de química e biologia.
    • Gestão Sensorial: É um curso de especialização no qual o aluno irá aprender a identificar e descrever os atributos sensoriais das cervejas, bem como a identificar problemas da produção. Indicado para alunos que já tenham bom conhecimento dos estilos de cerveja e processos de produção, cervejeiros caseiros e profissionais da indústria.

    mestrecervejeiro

    Senac – www.sp.senac.br

    Famoso por seus cursos técnicos e de especialização, o Senac não poderia ficar de fora desta tendência e acabou criando cursos voltados aos profissionais de alimentos e bebidas que buscam ampliar seus conhecimentos.

    • Básico em cervejas: Com apenas 18 horas de carga horária, é um curso realmente introdutório, altamente indicado para leigos que pretendem ter um contato inicial com cervejas especiais, sem pretensão de se tornarem especialistas.
    • Harmonização gastronômica com cervejas especiais – Embora não exija nenhuma formação anterior, não é recomendável para quem não tenha uma boa base de conhecimento gastronômico e cervejeiro. Recomendo para profissionais de bares e restaurante que queiram ampliar seu horizonte com novos conhecimentos.
    • Sommelier de cervejas – Assim como os demais cursos de sommelier, é voltado aqueles que buscam especialização e capacitação profissional, tudo isso com o pedigree de uma escola reconhecida pela excelência na formação de profissionais de alimentos e bebidas.

     

    Escola Superior de Cerveja e Malte – www.cervejaemalte.com.br

    Localizada em Blumenau e com uma estrutura física impressionante, incluindo diversos laboratórios, salas de aula, biblioteca, brew pub e biegarten, oferece a maior gama de cursos cervejeiros no Brasil. Só entrando no site para entender o tamanho da listagem dos cursos. Cito abaixo apenas alguns para o leitor ter noção da diversidade de assuntos abordados. A melhor notícia é que a maioria dos cursos têm sua versão EAD (ensino a distância).

    • Cervejeiro Artesanal – Home Brewer
    • Como montar sua cervejaria
    • Elaboração de receita
    • Maltes especiais e especiarias
    • Sustentabilidade das cervejarias

    E muito mais.

     

    Sinnatrah Cervejaria Escola – www.sinnatrah.com.br

    Totalmente dedicada ao ensino das técnicas de produção, desde cursos básicos aos mais avançados. Seus cursos são bastante práticos e também possuem uma loja de materiais e insumos para a produção de cerveja, onde o staff presta valiosa assessoria para a escolha dos produtos certos e orientação da produção em si.

    • Cursos de produção: Níveis Básico / Intermediário / Avançado
    • Utilização avançada de softwares cervejeiros
    • Técnicas de carbonatação

     

    São muitas as instituições e os locais reconhecidamente sérios. Portanto, a listagem não tem a mínima pretensão de ser definitiva ou encerrar o assunto. Mas tome cuidado: como todo mercado, este também tem um tanto de oportunistas. Então pesquise e se informe antes de fazer sua escolha.

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  • Cervejas para o inverno

    Neste frio, conheça deliciosas opções para tornar esta estação mais agradável e sofisticada

    Postado dia 24 de junho de 2016 às 07h em Gastronomia e Receitas

    Foto: Reprodução/Internet

    Foto: Reprodução/Internet

    Estamos passando por um período de frio como há muito tempo não se via, e olha que oficialmente o inverno está apenas começando. Essa mudança na temperatura faz com que alteremos também nossos hábitos, desde as roupas escolhidas para o dia-a-dia até os hábitos de consumo.

    Uma das primeiras coisas que nos vem à cabeça é abrir um bom vinho tinto para ajudar a aquecer as noites frias e acompanhar comidas deliciosas. Bom, na minha cabeça é claro que o vinho está presente. Mas, em primeiríssimo lugar, penso em deliciosas cervejas encorpadas e alcoólicas que funcionam no mínimo tão bem quanto um vinho, em boa parte das vezes melhor ainda!

    Duvida? Então prove alguma das cervejas abaixo juntamente com as sugestões de harmonização e espante o frio em grande estilo.

    OBS – A seleção de cervejas sugeridas foi feita levando em consideração seu custo benefício e a facilidade em encontrar tanto online quanto em empórios especializados e supermercados.

    IMPERIAL STOUT

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    Foto: Cerveja Imperial Stout

    Cervejas complexas com aromas e sabores equilibrados entre o dulçor do malte puxando para caramelo toffee, amargor de lupulos e notas intensas de frutas negras como ameixa e passas, por vezes também com notas de cacau e chocolate. Podendo chegar a potentes 12% de álcool (às vezes até mais!), este estilo da escola inglesa é o acompanhamento perfeito para doces e sobremesas em geral. Experimente com appfelstrudel, brownie, creme brulee, chocolates em todas suas versões… Enfim, qualquer que seja o seu doce preferido, esta será sua melhor amiga em noites frias. Quero ver conseguir combinar um vinho tinto com um fondoue de chocolate, mas pegue um bom exemplar desta cerveja e com certeza seu inverno será inesquecível!

    Alguns rótulos recomendados: Brooklyn Black Chocolate Stout (Estados Unidos), Fullers Imperial Stout (Inglaterra), Bierland Russian Imperial Stout (Brasil) , Schornstein Imperial Stout (Brasil).

    TRIPPEL

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    A escola belga é reconhecida por produzir cervejas alcoólicas com perfil aromático bem abrangente e grande complexidade no paladar. Além disso, a culinária belga incorporou as cervejas não apenas em suas harmonizações mas especialmente utilizando as mesmas nos preparos de seus pratos. O estilo Tripel tem graduação alcoólica compreendida entre 7,1 a 10,1% e, apesar da percepção alcoólica ser bastante presente, ela passa longe de ser agressiva ao paladar. Aromas e sabores condimentados, herbáceos e cítricos dominam os exemplares fieis ao estilo, que combinarão perfeitamente com preparos que tenham essas mesmas características, desde frutos do mar em preparos mais oleosos, passando por risotos e massas, aves de caça, vitela e preparos como cassoulet. Experimente adicionar a própria cerveja para a produção de molhos encorpados e você será recompensado.

    Alguns rótulos recomendados: La Trappe Tripel (Bélgica), Tripel Karmeliet (Bélgica), Wäls Tripel (Brasil).

    DOPPELBOCK

    doppel

    Cerveja da escola alemã bastante maltada, com aromas e sabores levemente tostados com notas de caramelo bem presentes em segundo plano. Seu teor alcoólico varia entre 6,6 a 7,9% e é uma excelente opção para acompanhar queijos como ementhal, brie e camembert – este último ficará especialmente bom se levemente derretido e coberto com mel silvestre ou compotas adocicadas. Ossobuco e carnes com molhos encorpados também serão excelentes companhias para almoços longos e descompromissados, brunchs e finais de tarde.

    Alguns rótulos recomendados – Paulaner Salvator (Alemanha), Tupiniquim Thor (Brasil), Bambergerator Doppelbock (Brasil).

    BARLEY WINE

    barley

    De origem inglesa, esta cerveja robusta com teor alcoólico alcançando até 15% tem uma alta sensação de aquecimento – por vezes lembrando os vinhos de Jerez moderadamente doces, com aroma e sabor de malte bem presentes e baixa carbonatação. São cervejas complexas e elegantes, feitas pera pequenos goles de apreciação duradoura. Apesar de serem excelentes sozinhas em momentos de reflexão e longas conversas, também acompanham muito bem comidas fortes e robustas. Foie gras, pato confit e carnes de caça são bem vindos, mas nada se compara à companhia de queijos fortes, pungentes e maturados. Quanto mais melhor!

    Alguns rótulos recomendados – J.W. Lees Vintage Harvest Ale (Inglaterra) , Dieu du Ciel Solstice D´Hiver (Canadá), Invicta Triple Trouble (Brasil).

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  • 7 livros sobre cerveja

    O número de cervejarias cresce vertiginosamente em todo mundo, na mesma medida que uma profusão de variedades de cervejas chega aos bares e mercados.

    Postado dia 19 de maio de 2016 às 08h em Gastronomia e Receitas

    cerveja

    Foto: Reprodução/Internet

    O universo da cerveja artesanal é riquíssimo e está em constante evolução, sua história continua sendo escrita diariamente e estamos vivenciando um momento absolutamente mágico para quem aprecia este precioso líquido.

    O número de cervejarias cresce vertiginosamente em todo mundo, na mesma medida que uma profusão de variedades de cervejas chega aos bares e mercados.

    Acompanhando este movimento há também uma vasta literatura de apoio para aqueles que desejam aprofundar seu conhecimento sobre o pão líquido, sua história, seus estilos, principais cervejarias, harmonizações, técnicas de produção e várias outras informações.

    Abaixo seguem algumas dicas comentadas de livros, para iniciantes e iniciados.


    cerva1A mesa do mestre cervejeiro – Garret Oliver, mestre cervejeiro da cervejaria Brooklin, é provavelmente o maior entusiasta da harmonização de alimentos com cerveja e esta é sua obra prima sobre o assunto. Contando um pouco da sua própria história e mesclando com a história das principais cervejarias e cervejas do mundo, ele discorre sobre as melhores combinações possíveis para cada estilo de cerveja e ocasiões. É literalmente de dar água na boca e impossível não ter vontade de provar absolutamente todas suas sugestões.

     

    cerva 2A revolução da cerveja artesanal – Steve Hindy conta a história do renascimento da indústria das microcervejarias nos Estados Unidos a partir dos anos 60. Em uma leitura leve e divertida, daquelas que não dá vontade de parar até acabar o livro, ele escreve sobre os visionários e precursores do movimento, da briga com as grandes cervejarias e distribuidores, seus perrengues, a criação das associações, história das principais cervejarias e cervejeiros norte americanos e de como o mercado chegou ao crescimento atual. Imperdível.

     

    cerva 3Cerveja em casa – Christina Perozzi e Hallie Beaune explicam de maneira prática e objetiva como produzir cerveja em casa. Trazem dicas de equipamentos e utensílios necessários, métodos de produção e receituário de diversos estilos que agradarão aos mais diversos paladares. Apesar do assunto ser destinado para quem já tem algum conhecimento, a abordagem didática faz com que mesmo o mais leigo tenha condição de absorver seu conteúdo e se arriscar nas panelas.

     

    cerva4Brasil Beer, O guia de cervejas brasileiras – Henrique Oliveira e Helcio Drumond analisam mais de 450 cervejas brasileiras e contam um pouco da história de algumas cervejarias de norte a sul do país. Claro que muitas ficaram de fora mas é um ponto de partida bem bacana para quem quer conhecer mais sobre o universo da cerveja artesanal no Brasil e utilizar como um bom guia de compras. Também apresenta uma lista de locais onde é possível beber e apreciar uma boa cerveja.

     

    cerva5Vinhos versus Cervejas – Dr. Charles Bamforth, cientista Phd em fabricação de cerveja, compara essas duas bebidas enfatizando a maior complexidade da cerveja em comparação ao vinho. Ele prova por A mais B de uma maneira bem clara e didática que esta complexidade acontece em vários níveis, das técnicas de produção a amplitude aromática e sua maior versatilidade de harmonização com alimentos. Sim, pode acreditar, mais que isso tire a sua prova e faça as comparações de maneira empírica que é mais gostoso.

     

    cerva7The Oxford Companion to Beer – Garret Oliver novamente, desta vez escrevendo o que é considerada a enciclopédia da cerveja em mais de 900 páginas de informações detalhadas sobre história, escolas cervejeiras, estilos, técnicas de produção, análise sensorial, harmonizações. Enfim, é o livro de cabeceira obrigatório para quem realmente pretende se aprofundar no assunto. Infelizmente não há uma edição traduzida e portanto fica restrito a quem tem completo domínio da língua inglesa.

     

    cerva7The New World Guide to Beer – Michael Jackson, o autor e não o cantor, é considerado o papa da cerveja artesanal pela grande maioria dos cervejeiros da atualidade. Escreveu inúmeros livros mas a primeira edição deste (1977) é um marco na literatura cervejeira, sendo a primeira publicação que reconhecidamente compilou conteúdo sobre cervejas de todo o mundo contando também a história dos principais produtores. Um clássico, talvez o maior deles, que vem sendo atualizado a cada edição mais recente. Novamente apenas em inglês.

     

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  • Cerveja, uma história americana – Parte 2

    Continuamos com a saga da cerveja nos Estados Unidos

    Postado dia 12 de abril de 2016 às 08h em Gastronomia e Receitas

    cerveja

    Foto: Reprodução/Internet

    No post anterior (http://sociedadepublica.com.br/cerveja-na-america/) contei a história da chegada da cerveja aos EUA e a enorme influência dos imigrantes alemães na construção deste mercado. Também contei que foi esta dominância alemã que fortaleceu o movimento pela lei seca, mesmo tendo como argumento principal que o álcool afastava os homens dos valores cristãos e de suas famílias.

    Se havia alguma chance de reverter esse quadro a I Guerra Mundial colocou tudo a perder quando opôs EUA X Alemanha no front.

    Em 17 de janeiro de 1920 foi instaurada a lei Volstead que proibia a produção, venda, transporte e consumo de qualquer bebida contendo mais de 0,5% de álcool. Várias cervejarias fecharam enquanto outras começaram a produzir “cervejas” quase sem álcool, e que obviamente também fecharam rapidamente. Outras ainda mudaram seu foco na tentativa de salvar suas finanças e produziram desde derivados de leite, pão e chocolate até barcos.

    Não demorou nada até aparecerem cervejarias e bares clandestinos, assim como produtores caseiros, e muitas das antigas cervejarias começaram a produzir e vender xarope de malte juntamente com lúpulo e leveduras. É óbvio que o país de maior cultura cervejeira daquela época não aceitaria calmamente essa imposição contra uma cultura enraizada no povo e fundamental na construção da nação, dando início a milhares de protestos e rachando o país.

    A lei seca foi provavelmente um dos maiores tiros no pé que os EUA deram em toda sua história, já que a proibição fez a venda clandestina crescer rapidamente e demandou uma organização cada vez maior dos contrabandistas. O estrago estava feito e o nascimento do crime organizado – a máfia – praticamente deu início a uma guerra nas ruas das principais capitais com reflexo em todo território, amplamente amparado por um sistema altamente corrupto.

    O problema maior é que isso foi apenas o começo e mesmo com o fim da lei seca o crime organizado jamais deixou de existir e causa estragos ainda hoje. Os focos mudaram com o passar dos anos, mas continuam tendo como característica principal a evasão de divisas e o mercado negro, como exemplo o comércio de drogas e remédios, armas, bebidas falsificadas, artes, pessoas e muito mais.

    Com o tempo ficou óbvio que a lei seca trouxe muito mais problemas que benefícios e não demoraria até a ser revogada. O principal motivo foi a ascensão do crime organizado e a necessidade de cortar sua principal atividade. Outros fortíssimos pontos foram a geração de emprego e arrecadação de impostos, que seriam altamente positivos para economia americana que adentrava no período conhecido como “a grande depressão”.

    Em 07 de abril de 1933 finalmente a lei foi revogada por Franklin Roosevelt e a cerveja pode voltar a ser consumida. O caminho era longo mas em breve os EUA retornariam a dominar o mercado internacional de cervejas com uma indústria ainda mais poderosa, é que mudou o perfil da cerveja em todo o mundo, mas isso é história para o próximo post.

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  • A cerveja na América

    Leia aqui a primeira parte da história dessa grande paixão mundial

    Postado dia 17 de março de 2016 às 00h em Gastronomia e Receitas

    cerveja

    Foto: Divulgação/Internet

    No mundo moderno é difícil pensar em algum produto de consumo em escala mundial que não seja influenciado pelo mercado norte americano, e com a cerveja não é diferente. Para compreender melhor o panorama atual do mercado é preciso viajar ao passado para entender todo o processo até os dias atuais, para tanto dividirei em três posts para não me estender demais.

    Nessa primeira parte escrevo sobre a história desde a chegada do primeiro carregamento até a lei seca, num segundo momento escreverei sobre a retomada da indústria e o aparecimento das gigantes mundiais e finalizando com o ressurgimento das ditas cervejas artesanais.

    No início temos uma óbvia influência inglesa na construção das primeiras cervejarias e dos estilos fabricados, sendo que os primeiros registros da chegada da cerveja aos EUA datam de 1628, quando o navio Arbella desembarcou com 40 mil litros em Nova Amsterdã (atual Nova York), vindo da Inglaterra. Rapidamente foram surgindo tabernas e cervejarias e, segundo dados históricos, é estimado que em 1638 um quarto de toda Nova Amsterdã consistia de estabelecimentos onde se vendia o precioso líquido. Como o nome da cidade já entrega, temos também uma fortíssima presença holandesa nesse período e a primeira grande cervejaria a se estabelecer por lá foi a famosa Companhia Holandesa das Índias Ocidentais.

    Em 1664, na já rebatizada Nova York, o seu primeiro Duque lança um pacote de leis que procurava regulamentar a fabricação da cerveja: “De hoje em diante, ninguém exercerá a atividade de fabricar cerveja para venda senão pessoas reconhecidas como tendo habilidade e conhecimento suficientes da arte e mistério de um cervejeiro”.

    Para se ter uma ideia do quanto a cerveja era importante é só vermos o caso da universidade de Harvard, fundada em 1636, que começou a fabricar cerveja para seus alunos a partir de 1639 e que teve seu primeiro presidente destituído do cargo por não servir cerveja o suficiente no campus. A cultura era tão forte que as despesas dos alunos com alojamentos eram pagas em sua maioria com malte de cevada para abastecer a fábrica.

    Pulando uma época de guerras e de um crescimento um pouco mais lento chegamos a 1810, quando havia 140 cervejarias fabricando 30 milhões de litros por ano, sendo 48 na Pensilvânia e 42 em Nova York. Esse panorama mudaria rapidamente na década de 30, com uma intensa imigração vinda da Alemanha, então mergulhada numa grave crise econômica. Como todo bom alemão, a primeira coisa que eles fizeram ao chegar foi montar suas próprias cervejarias, introduzindo o estilo Lager no país que até então só conhecia as do tipo Ale.

    A influência foi tão grande que por volta de 1890 nove a cada dez cervejas consumidas nos Estados Unidos eram fabricadas no Brooklyn, um bairro que dominou o país. O problema é que os alemães tomaram conta de todo o mercado, chegando ao ponto da associação norte-americana dos mestres cervejeiros terem suas atas escritas em alemão. Mais tarde isso se tornaria o foco principal para o estabelecimento da lei seca.

    Desde 1893 já existia uma Liga Anti Saloon criada primeiramente para acabar com os bares e tabernas que afastavam os homens de suas famílias, indo contra o que pregava o cristianismo. Recebiam grandes quantias de dinheiro de igrejas e outras indústrias, que viram uma oportunidade de melhorar seus negócios se o povo parasse de gastar seu dinheiro com o consumo de bebidas. Rockfeller foi o grande financiador deste movimento. Em 1911 eram consumidos 100 milhões de hectolitros em todo território nacional, tornando o país o maior fabricante e consumidor do mundo a época, mas essa prosperidade estava prestes a acabar.

    Após 1914 vários estados mais conservadores adotaram a lei seca e o movimento ganhava cada vez mais força com os altos investimentos, além de contar com a simpatia de uma parcela significativa da população. Simpatia em boa parte devido ao mercado ser essencialmente explorado por estrangeiros em detrimento da população local.

    O início da I Guerra Mundial foi fatal para aniquilar qualquer esperança do mercado cervejeiro. Em pouco tempo a lei seca tomaria conta de todo o país.

    Mas isso fica para o próximo post. Aguardem!

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  • Cerveja é momento

    A cerveja entre todas suas variações, é uma bebida que deve ser apreciada. Confira nesse post as 5 melhores cervejas do mundo

    Postado dia 11 de fevereiro de 2016 às 00h em Gastronomia e Receitas

    cerveja

    Foto: Divulgação/Internet

    Às vésperas do carnaval e bem no meio das minhas férias me deparo com a tarefa de escrever mais um post sobre cerveja. Confesso que a princípio a ideia de abrir meu notebook aqui em Paúba não soou tão boa assim, abri uma latinha para ver se mudava o humor e funcionou tão perfeitamente que na hora me veio o tema desta coluna: Cerveja é momento!!

    Até bem pouco tempo atrás aqui no Brasil dispunhamos de apenas um estilo em 99,9% das prateleiras de mercados e bares, American Lagers, as ditas mainstream ou populares. Esse panorama não mudou tanto já que ainda correspondem a 99,5% , embora tenhamos hoje um grande número de cervejas artesanais brasileiras e importadas disponíveis no mercado.

    Para quem já tem um pouco mais de intimidade com as cervejas artesanais fica mais fácil escolher dentre os inúmeros estilos e rótulos, seja para consumo em bares ou em casa. Já para quem está apenas começando a se aventurar e conhecer um pouco mais sobre esse novo mundo , o momento da compra pode não ser tão fácil assim e invariavelmente a experiência estará sujeita ao insucesso.

    Cada estilo tem suas caracteristicas bem definidas e apesar de um ou outro terem semelhanças, boa parte deles são tão discrepantes que é óbvio que uns se sairão melhor em determinadas circunstâncias que outros. Vamos dar como exemplo meu momento atual;

    Estou na casa de praia e está um sol absurdo, resolvi então beber uma cerveja. Entre as opções havia uma Imperial Stout bastante alcoolica, encorpada, com aromas e sabores tendendo a chocolate e café expresso com notas tostadas, e também havia uma Americam Pale Ale (APA) de leve teor, aromas cítricos e florais com amargor médio bastante refrescante. Qual você escolheria? Se escolhesse a primeira é bem provável que sua experiência não fosse tão agradável quanto se a guardasse para uma noite mais fresca acompanhada de pedaços de um bom chocolate suíço.

    E para o churrasco do final da tarde, para uma noite em campos do jordão, um happy hour da firma, um jantar romântico, no carnaval de rua etc. Será que um único mesmo estilo serve para todas ocasiões? Com certeza não e vários fatores devem ser levados em conta, inclusive a conta! Você vai para a folia de carnaval com cervejas que custam R$ 30,00 e te deixam muito bêbados rapidamente podendo queimar a largada ou vai devagar e sempre na mainstream de sua preferência? Você leva sua namorada para jantar num bom restaurante que dispoem de carta de cervejas e pede uma Skol?

    Há uma corrente de cervejochatos que decidiram que estas cervejas que beberam a vida inteira agora são porcaria e não valem nada, fazem uma cruzada contra as mesmas. Mas calma lá, to saindo do meu sagrado futebol de terça a noite e não vou beber uma cervejinha com meus amigos porque só tem original? Essa não é uma original qualquer, é a melhor original do mundo simplesmente porque estou confraternizando com meus melhores amigos após praticar o esporte que tanto amo e ela está geladíssima. Quer momento melhor para uma original?

    Estes dias li um texto que listou as 5 melhores cervejas do mundo, e eu que nunca concordei com nenhuma dessas listas pois gosto não se discute acabei dando o braço a torcer e assinaria embaixo se eu achasse novamente. São elas;

    1. A que você está bebendo agora, aproveite!
    2. A próxima, pra acabar com a ansiedade!
    3. A sua preferida de todos os tempos, por motivos óbvios!
    4. A de graça, sempre bem vinda!
    5. A que você fez, beba orgulhosamente!

    E para você, qual sua cerveja e seu momento preferido ?

     

     

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  • A descoberta da Cerveja

    Um ponto chave para a evolução da Humanidade

    Postado dia 22 de janeiro de 2016 às 00h em Gastronomia e Receitas

    cerveja

    Até cerca de 10 mil anos atrás as sociedades da época, mais para agrupados que sociedades, viviam em regime coletor/caçador com características nômades. Se estabeleciam num local que os provia de água e comida, acabavam com os recursos deste local e seguiam em busca de outro que fosse adequado para um novo período de subsistência.

    A adoção de um sistema agricultor foi o ponto chave para que estes grupos abandonassem a vida nômade e se fixassem num mesmo local, reorganizando a partir daí todos os seus costumes e formando as bases da sociedade como a conhecemos hoje. Além de cultivarem seus próprios alimentos estes povos se organizaram melhor dividindo tarefas, construindo moradias e transformando seu entorno no intuito de melhorar a qualidade de vida do grupo.

    Registros arqueológicos evidenciam que os primeiros tipos de alimentos cultivados foram grãos, dentre eles vários tipos de cevada e trigo, e o primeiro povo que começou a cultivar estes grãos foram os Sumérios (Mesopotâmia).

    Acontece que em algum momento antes de largarem essa vida nômade alguma Sumeriana* descuidada provavelmente deixou alguns grãos ao relento, choveu, molharam os grãos e quando ela foi pegar novamente havia um mingau de sementes germinadas. Como não podiam se dar ao luxo de jogar comida fora tentaram cozinhar o líquido e ver no que ia dar essa gororoba. Esse aquecimento ativou enzimas que transformaram o amido em açúcar seguido de fermentação espontânea e voilà, estava pronta a primeira cerveja! Bem diferente de como a conhecemos hoje, com 2 a 3% de teor alcóolico no máximo, cor escura, baixíssima carbonatação e um sabor bem rudimentar, adocicada e azeda ao mesmo tempo.

    Descobriram também que esse mingau rendia mais que o pão, fornecia os mesmos nutrientes, não ficava duro, demorava para perecer, e ainda por cima deixava todo mundo mais alegre. Para melhorar o sabor começaram a acrescentar mel, tâmaras, damasco, especiarias e outros ingredientes que também tinham seu tempo de conserva potencializados nesta mistura.

    Outro fato percebido instintivamente foi que era muito melhor beber cerveja do que água já que seu aquecimento matava muitos dos micro organismos presentes na água que invariavelmente faziam mal a todo o grupo. Dá para imaginar que com a precariedade da medicina de 10 mil anos atrás um surto de disenteria poderia matar muita gente.

    E esse foi o ponto chave para a transformação da sociedade.

    A partir do momento que descobriram um alimento preparado com grãos abundantes na região, facilmente cultiváveis, que podiam ser guardados por bastante tempo, conservavam outros alimentos quando misturados, deixava as pessoas felizes e era melhor pra saúde que água eles tiveram a brilhante ideia de parar de andar e se mudar para terem uma vida mais calma, organizada e segura.

    E digo alimento pois era essa a função primordial do “pão líquido”, como era e é chamada até hoje a cerveja nossa de cada dia.

    Um brinde aos Sumérios!!

    *As mulheres eram responsáveis pela guarda e preparo dos alimentos enquanto os homens tinham a função da busca e coleta dos mesmos. Portanto é mais que certo que a cerveja é uma descoberta feita pelas mulheres, e por muitos e muitos séculos toda a evolução do preparo foi de inteira responsabilidade delas…mas isso já é outra história, para outro post. Então fica aqui registrado o meu mais efusivo e sincero agradecimento as mulheres por esta descoberta. Love u sooo much!
    Os Sumérios tinham até uma Deusa da Cerveja, Ninkasi, e a oração ou “Hino a Ninkasi” é basicamente uma receita de como fazer cerveja. É a receita mais antiga descoberta até hoje!

     

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