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Fabio Barbosa

Profissão: Turismólogo

Cidade: São Paulo

Consultor em Turismo pela THG Consultoria e Turismo. Turismólogo pela UNIP . Mestre em turismo pela Iberoamericana. Mercadólogo pela ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing.

  • Agentes de Viagens: Criatividade e Inovação

    O que as pequenas e grandes agências de viagem estão precisando no momento é diversificar seus produtos

    Postado dia 26 de fevereiro de 2016 às 07h em Viagens e Turismo

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    Foto: Divulgação/Internet

    É em momentos de crise que muitas vezes arranjamos alternativas, muitas vezes por necessidades e não oportunidades, para salvar nossos negócios. É notório que São Paulo é o maior receptor e emissor de turistas do Brasil e neste momento a atividade turística para os agentes de viagens tem dado uma grande reviravolta que vem afetando os agentes de viagens de forma bastante agressiva. Seja pelo aumento do dólar americano que afetou as viagens dos brasileiros para o exterior ou pela tecnologia que vem facilitando muito a compra direta pelo consumidor.

    Mas também há aspectos positivos que devem ser elencados, como por exemplo, a maior facilidade de conhecer nosso país em relação a preços e principalmente por atrativos incríveis que temos. Recentemente tive a oportunidade, a convite da Associação Brasileira de Agências e Viagens e São Paulo – ABAV SP, de participar da 61° Fórum Executivo, onde um dos temas abordados foi o cenário econômico e tendências para agentes de viagens. O tema foi muito relevante aos cerca de duzentos agentes que estavam presente e sem dúvida era a grande preocupação das agências de turismo de pequeno porte que estão vendo suas receitas baixarem com o cenário econômico atual. O recado dado foi que todas as empresas precisam ser criativas e inovarem em algum momento, independente de crise econômica. Segundo estudo feito pelo professor Richard Foster na Universidade de Yale nos Estados Unidos da América, as grandes empresas tinham uma vida útil de sessenta anos na década de sessenta e no cenário atual é de quinze anos. Os motivos são diversos, seja por fechamento, fusões, novas aquisições ou até mesmo mudança de mercado.

    O que as pequenas e grandes agências estão precisando no momento é diversificar seus produtos. Uma dica que posso deixar aos colegas é observar o que vem acontecendo no Estado de São Paulo. Há muitas cidades que estão oferecendo diversas atividades que tem atraído um grande público para o interior. Seja pelo turismo rural, aventura, cicloturismo, ferroviário, entre outros segmentos. Considerando a grande São Paulo, posso dar algumas dicas de cidades que vem aumentando seu fluxo de visitantes nos últimos anos. Cidades com menos de 70 km de São Paulo como Mogi das Cruzes, São Roque, Guararema, Juquitiba, Jundiaí, Embu das Artes, tem oferecido diversos serviços aos turistas, seja turismo de um dia ou final de semana. Posso dizer que alguns desses lugares não perdem em nada para lugares já consolidados. Excursões rodoviárias, ferroviárias com Expresso turístico de um dia ou mais, podem ser mais um serviço que deve ser explorado, pois essas cidades têm recebido muitas pessoas de São Paulo que organizam suas viagens de forma individual e em pequenos grupos, mas sem uma assessoria de agentes de viagens. Entrem em contato com as prefeituras e questionem sobre a demanda e oferta.

    Criem seu próprio produto e inove em sua empresa com novos serviços nesse momento oportuno e latente. Não deixe a necessidade bater a sua porta.

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  • Camping, uma alternativa de hospedagem

    O camping é uma forma alternativa e bem bacana para aventuras familiares

    Postado dia 8 de fevereiro de 2016 às 00h em Viagens e Turismo

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    Foto: Divulgação/ Internet

    Você já acampou? Tai uma alternativa bacana e aventureira, e não estou falando de mochileiros de pouco dinheiro no bolso, mas sim de alternativas para muitas famílias. Farei uma pequena comparação no aspecto estrutural dos campings entre Itália e Brasil. Não farei aqui comparações pejorativas ou minimizar um ou outro local e sim mostrar experiências que pude vivenciar.

    Na Itália, acampar é algo costumeiro entre famílias, que além de usarem a tradicional barraca, também utilizam trailers  e motorhomes (casa motorizada) em praias, montanha, cidades históricas e em muitas outras localidades.

    A experiência que tive foi em Florença, região da Toscana, que além de uma cidade incrível cheia de historia e arte, há pessoas hospitaleiras que sempre procuram lhe ajudar. O espaço que tive oportunidade de visitar foi o Camping Michelangelo, um espaço com muita estrutura para barracas, trailers, motorhome e até barracas-chalé, como se fossem barracas de campanha do exército. Cada barraca dessa era equipada com camas ou beliches. Além de contar com esta estrutura para alojamento, havia no local um pequeno mercado, restaurante, banheiros, piscina e espaço para caminhada. O que mais me chamou a atenção foi a quantidade de Motorhomes vindo de diversas localidades da Europa. Sua localização ficava a cerca de um quilometro do centro, mas muito próximo de diversos atrativos históricos. A quantidade de famílias era grande, mas o numero de jovens mochileiros fazendo turismo pela Europa era destacado.

    No Brasil também não é muito diferente, a começar pela hospitalidade. Tive a oportunidade conhecer diversos campings, desde um acampamento rústico que muito participei quando era escoteiro, onde tínhamos que montar nossa própria cozinha e latrina, como em campings de praia ou campo.

    Recentemente conheci o Camping do Siri, na cidade de Marataízes, litoral sul do estado do Espírito Santo. Conhecido como camping “pé na areia”, por estar em frente à praia, é um lugar muito aconchegante, não muito diferente de outros no Brasil. Diferente do camping de Florença onde havia muitos motorhomes, o camping do Siri tem uma estrutura enorme para receber familiares acampados em suas próprias barracas e montam salas ou área de convivência com apoio de lonas. Nem por isso ficou a desejar com a estrutura para motorhomes e trailers. Além disso, também conta com bar, restaurante, barracas de hortifruti, atividades recreativas para crianças e adultos e claro a bela praia quase desértica em frente ao camping. Mas uma coisa também me chamou a atenção, algo que não acontece na maioria dos campings, inclusive na Itália: A limpeza dos banheiros. Sempre havia um funcionário cuidando do espaço como se fosse o banheiro de sua própria casa.

    Por mais que o camping seja na praia, a área de camping era quase toda coberta por árvores nativas que dava uma sombra muito agradável e um frescor a noite, não deixando aquela sensação de corpo suado e pegajoso.

    Estamos no ano dos jogos Olímpicos no Rio e a previsão é de que muitos turistas estrangeiros virão ao Brasil. Ainda que a maioria dos jogos acontecem na cidade do Rio de Janeiro, há outras capitais, como São Paulo, que receberá o futebol masculino e feminino, e entendo que todas as cidades deverão estar preparadas para receber os turistas, e uma grande fatia de mochileiros e aventureiros que gastam pouco em hospedagem, mas nem por isso querem ficar em lugares despreparados, virão sedentos para conhecerem nosso país. Não podemos esquecer dos países vizinhos como a Argentina, que na Copa do Mundo de futebol em 2014, vieram em grande número para o Brasil de carro e muitos com motorhomes.

    Chamo atenção também, à pouca informação sobre os campings no Brasil, observei diversas sites e algumas entidades que parecem não se comunicarem,e poucas informações com notícias do dia a dia dos campings no Brasil. Acredito que seja interessante ter uma associação forte do que muitas sem expressão. Temos um país maravilhoso e acredito ser necessário melhorar e explorar mais este segmento de camping.

    Portanto, precisamos estar preparados para receber esse tipo de turista que quer diversão, hospitalidade e bom preço.

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  • A cultura sem luz

    O que está acontecendo com nossos museus, memoriais, centros de cultura em São Paulo?

    Postado dia 11 de janeiro de 2016 às 00h em Viagens e Turismo

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    Foto: Divulgação/Internet – Pinacoteca de SP no bairro da Luz

    Há diversos segmentos do turismo que vem contribuindo com o desenvolvimento turístico e muitos outros que estão surgindo, conforme a oportunidade de cada espaço. Os mais popularmente conhecidos são o turismo de lazer, ecológico, rural, religioso e o cultural. No entanto, há muito que fazer para melhorar o receptivo e novidades em cada segmento.

    Mas vamos analisar o aspecto cultural do turismo e seus atrativos, onde venho observando uma grande mudança em diversos equipamentos culturais, no que diz respeito a museus, teatros, centros culturais. Há muitos espaços culturais sendo entregues à população para desfrutarem das atividades dos espaços. Mas a que preço quando se trata de espaços administrados pelo poder púbico? Tenho observado que os gestores públicos gostam de pronunciar a palavra turismo em todo o Brasil, dizendo que se trata do segmento que mais cresce no mundo, que é a salvação da economia de muitas cidades, entre outras ladainhas que não vale a pena repetir. A verdade é que quando precisam investir, um dos primeiros segmentos a serem cortados é o turismo e cultura.

    Entendo que para uma cidade ser turística, ela precisa envolver sua população e o poder público buscar forma de estimular que a população conheça e valorize seu próprio espaço e assim poder indicar às pessoas que as visitam. Isso sim gera circulação de divisas na cidade. Mas o que dizer do poder público que fecham seus museus aos finais de semana? As desculpas são sempre as mesmas: não tem funcionário, não paga-se hora extra, etc. Então para que abrir um atrativo turístico, se no dia que as pessoas têm tempo para praticar seu lazer, é interrompido por respostas como estas?! No entanto, muitos espaços privados passam pelo mesmo problema e precisam se reinventar.

    O que está acontecendo com nossos museus, memoriais, centros de cultura em São Paulo? O MASP passou por um problema grave de gestão financeira, o Museu do Ipiranga entrou em um processo de restauro de nove anos e será que precisava tanto tempo se tivesse manutenção constante, o Museu da Imigração pelo mesmo problema de manutenção ficou fechado por mais de três anos, parte do Memorial da América Latina pegou fogo. Todos passaram e passam processos de recuperação e/ou reorganização que ao meu entender não precisavam se realizassem manutenção preventiva e se tivessem gestores capacitados.

    Após todas essas observações o que dizer da Estação da Luz, prédio histórico tombado pelos órgãos de preservação do município, estado e federação, ícone da memória ferroviária brasileira, um dos maiores pontos de visitação turística do estado, símbolo da arquitetura britânica no Brasil. São muitos os adjetivos para esse espaço que foi acometido de mais um problema de manutenção causando um grande incêndio.

    Só pela questão histórica de sua implantação, já vale um belo roteiro turístico no bairro da Luz. A estação passou por quatro fases para se chegar até ao atual prédio. Primeiro em 1867 com a inauguração da Sao Paulo Railway Company – SPR, ou popularmente conhecida como a ferrovia dos ingleses, que a administraram por noventa anos. Depois uma segunda estação construída no mesmo local da primeira em 1880 e a terceira em 1901 quando oficialmente foi entregue o prédio com a torre do relógio que conhecemos. Porém, classifico aqui uma quarta fase, quando em 06 de novembro de 1946 a estação pegou fogo na face leste e com a reconstrução e restauro ganhou mais um andar.

    O mais incrível é a similaridade da causa do incêndio. Veja o que foi publicado em 07 de novembro de 1946 no jornal O CORREIO PAULISTANO, a seguir: “O fogo ao que parece, foi provocado por um curto-circuito nas instalações elétricas do terceiro andar do edifício e se alastrou com incrível rapidez às dependências…”.

    Hoje o que a imprensa tem publicado foi que com a troca de uma lâmpada houve um curto circuito e iniciou o fogo. Será que o problema repetiu-se 69 anos depois, com toda tecnologia e sistemas de segurança tão modernos? A certeza é que a mesma face leste queimou-se pela segunda vez.

    Até quando veremos nossa memória ser destruída por parte da classe política que muitas vezes indicam gestores para determinadas pastas que não são de sua competência? Até quando teremos que ensinar parte da população a respeitar os espaços públicos? Quem sabe se um dia poderemos aprender com os britânicos que, para entrar na maioria dos museus do Reino Unido, não pagam valor algum, mas é sugerido aos visitantes que doem voluntariamente algumas libras que ajudará na preservação e manutenção. E o poder público incentiva e apoia as ações culturais implantada naqueles países.

    Importante lembrar que o bairro da Luz é um grande núcleo turístico de São Paulo, pois lá há diversos atrativos turísticos culturais como a Pinacoteca do Estado, o centenário Jardim da Luz, Museu de Arte Sacra, Mosteiro da Luz, Igreja de São Cristovão, Vila Inglesa, Estação Pinacoteca (antigo prédio da Sorocabana que virou Dops) e Estação Júlio Prestes que abriga a Sala São Paulo. São muitos os atrativos a serem visitados. Fica a dica.

    Então vamos refletir sobre os atrativos turísticos históricos de nosso país, fazer a nossa parte e cobrar de quem nós elegemos. Tenho certeza que o Museu da Língua Portuguesa voltará para o espaço onde nasceu, e a Estação da Luz ressurgirá com sua imponência e seu brilho secular, pois sempre há luz no fim do túnel.

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  • Educação em turismo

    Diversas cidades têm implementado o turismo em disciplinas do ensino fundamental, não como matéria, mas agregando os atrativos e potencialidades da região

    Postado dia 7 de dezembro de 2015 às 00h em Viagens e Turismo

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    business plane parked at the airport

    Tenho observado a crescente preocupação do poder público e da iniciativa privada em investimentos cada vez maiores na atividade turística. Recentemente, escrevi um texto sobre a resiliência do turismo neste mesmo site, onde abordava o movimento oportuno que o turismo tem em se readaptar em problemas diversos, como o da economia do país nesse momento. Enquanto está ruim para alguns setores econômicos, para o turismo pode ser bom.

    Segundo a ABAV (Associação Brasileira de Agências de Viagens), há uma expectativa de crescimento de 5% no turismo interno para 2015. Com a alta do dólar, o Brasil ficou mais atrativo para o turismo interno. Há investimentos em diversos setores do turismo, como os Resorts e companhias aéreas que tem investido fortemente em promoção para captar esse público que tinha planos para o exterior e tem a possibilidade de conhecer melhor o Brasil com um custo mais acessível.

    Outra situação positiva é a criação dos Municípios de Interesse Turístico, aprovada recentemente pela Assembleia Legislativa de São Paulo e sancionada pelo governador. No Estado já existem 70 Estâncias Turísticas e agora passarão a ser 140 municípios de interesse turístico. Em ambas as situações, as cidades receberão recursos do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento de Estâncias – DADE. Há diversas regras que passarão a vigorar a partir de 2016 e será uma disputa interessante, se não virar “município de interesse político”.

    Com tudo isso, eu me pergunto: onde está a mão de obra preparada? Qual a formação desse pessoal? Por que somente nesses momentos de crise parte do empresariado e poder público se preocupam em preparar seus espaços? Em meu ponto de vista, isto deveria ser uma constante.

    Mas e a educação em turismo, como está? Temos gente suficiente preparada para atender o mercado? O mercado valoriza esses formandos no setor de turismo? São muitas perguntas que gostaria de deixar aqui para reflexão. Mas vou deixar algumas considerações do que tenho observado no setor.

    No estado de São Paulo há cerca de 77 cursos de turismo e hotelaria, mas pouco desses formandos são aproveitados para trabalhar no setor. Os cursos de hotelaria são os que melhor têm sido aproveitados pelo setor de hospedagem, o que tem melhorado muito a qualidade de serviços do segmento. Mas quando se trata de remuneração, a reclamação é grande, pois se trata de profissionais que muitas vezes são exigidos qualificações especiais e principalmente uma segunda e/ou terceira língua. Aliás, quanto custa um curso de línguas? Valorizar é preciso.

    Quanto ao poder público no estado de São Paulo, em relação aos Municípios de Interesse Turístico, há uma grande corrida para as cidades se adequarem para receber o título de Interesse Turístico. O que me preocupa é que muitas cidades não têm sequer um turismólogo na gestão do turismo municipal, que não quer dizer que tenha que ser o gestor. Muitas não têm uma instituição técnica de turismo e hotelaria para criar mão de obra.

    Há cidades que tem implementado o turismo em diversas disciplinas do ensino fundamental, não como matéria, mas agregando os atrativos e potencialidades da região. Acredito que isso sim é uma forma de incutir na cabeça dos jovens a importância que seu espaço tem para a economia local. Em Mogi das Cruzes a Secretaria de Educação e a Coordenadoria de Turismo programam visitas das escolas em diversos atrativos, como atividade complementar. Não está necessariamente inserida nas disciplinas, mas já é um bom caminho para despertar a curiosidade das crianças sobre o que existe de turístico na cidade.

    Há alguns anos venho escutando essa forma de inserção de educação para o turismo nas escolas, mas pouco tem sido feito pelo poder público. Acredito que mesmo antes de criar ações junto às instituições de ensino, ainda temos uma longa batalha de “catequizar” os políticos e alguns empresários sobre a importância que o turismo tem para o desenvolvimento local.

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  • Turismo rural e meio ambiente

    A oportunidade que a atividade rural está tendo tem que ser trabalhada por grupos que a represente e exigir do poder publico um olhar mais crítico e cuidadoso.

    Postado dia 20 de novembro de 2015 às 00h em Viagens e Turismo

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    Com a nova Lei do Turismo Rural em vigor, cria-se a oportunidade de regularização de muitas propriedades que já trabalham com turismo nas áreas rurais. Até então, a maior dificuldade desses espaços estava na prestação de contas dos serviços realizados por terceiros, como agentes de viagens que precisam de notas fiscais, mas nem por isso deixavam de levar turistas para as propriedades. Muitas vezes, quando os serviços eram prestados, as notas fiscais eram emitidas como produtores rurais, outros sequer tinham notas.

    A informalidade era e ainda é muito grande nesse segmento, mas agora as propriedades terão a oportunidade de se regularizarem e se enquadrarem na lei. No entanto, acredito que será uma luta, pois mais do que justo, é necessário superar a informalidade e criar mecanismos de fiscalização nessas propriedades e cobrar do poder publico ações que valorizem esses espaços. Se existirão novos impostos para o município, gerados pelos espaços rurais classificados na nova lei, parte desses recursos tem de ter retorno.

    Pode parecer utópico, pois sabemos que quase todo recurso gerado pela atividade turística, sejam por meios de hospedagem, alimentação e eventos, por exemplo, pouco se traduz em investimento de retorno. Basta observar os orçamentos do turismo de cada município, que recebem os tributos em seus caixas e pouco ou nada é reinvestido na área.

    A oportunidade que a atividade rural está tendo tem que ser trabalhada por grupos que a represente e exigir do poder publico um olhar mais crítico e cuidadoso. Ter uma aproximação dos órgãos públicos competentes de turismo e agricultura acredito ser de fundamental importância.

    Importante ressaltar que a realização de toda atividade econômica envolve recursos e que o entorno envolvido é afetado, seja positiva ou negativamente. Considerando turismo em áreas rurais, há uma interferência direta no meio ambiente. Por este ponto de vista, cada propriedade tem de conhecer seus limites na capacidade de recepção e preparar sua mão de obra visando as questões ambientais. O poder público pode orientar através de seus órgãos ambientais.

    Muitas vezes, em nome do desenvolvimento, a atividade turística é aplicada em muitos espaços de forma equivocada, não respeitando o entorno e a capacidade de adaptação dos ecossistemas.

    A busca de alternativas ao turismo tradicional tem levado diversos turistas a procurar novos lugares e muitas vezes próximos a grandes conglomerados urbanos, pois as pessoas parecem estar percebendo que muitas vezes não é necessário fazer viagens de três ou quatro horas para praticar o turismo rural, sendo que a menos de uma hora é possível visitar lugares incríveis.

    Com isso, já há uma grande contribuição com o meio ambiente andando menos de carro, melhor qualidade de vida em suas viagens e contribuindo com o desenvolvimento da atividade turística de novos espaços rurais.

     

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  • Trem da cerveja belga em Mogi das Cruzes

    Engana-se quem pensa que é preciso estar na Europa para viajar sobre os trilhos. O Brasil tem hoje vários trens turísticos e temáticos em operação. Um deles, o Trem da Cerveja Belga, virá a Mogi das Cruzes neste mês

    Postado dia 4 de novembro de 2015 às 12h em Viagens e Turismo

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    Na Europa as viagens de trem são bem comuns entre a população e turistas, sendo uma forma rápida de conhecer diversas regiões. No Brasil o cenário também é muito atrativo. Viajar nos trens nacionais de passeios pode garantir uma experiência incrível e diferente. Por ele você percorre roteiros que levam para diferentes regiões, onde há cachoeiras, vales, montanhas, mirantes, e pequenos vilarejos, que mais parecem cidades paradas no tempo.

    É o caso de Sabaúna, um distrito de Mogi das Cruzes, que despontou na história durante o século XVII por ação dos padres carmelitas, que estabeleceram o seu convento na vila OLYMPUS DIGITAL CAMERAde Santana de Mogi Mirim. Seus primeiros pedaços de terras adquiridos datam de 1627, doadas pelo Capitão-mór da Capitania de São Vicente, Álvaro Luiz do Valle e, já no ano seguinte, davam início à edificação de seu convento.

    Sabaúna, que fica no meio do caminho entre Mogi das Cruzes e Guararema, foi fundada em 1889, e elevada à distrito de Mogi das Cruzes em 1920. A linha ferroviária cruza a região desde 1876, mas a localidade só veio a ganhar sua estação em 1893, sendo que o atual prédio é a maior atração turística do distrito, sede da Associação Nacional de Preservação Ferroviária onde também funciona um museu ferroviário. Os trens de passageiros serviam ao distrito até 1986, ano em que foi encerrado o serviço de trens entre Mogi das Cruzes e São José dos Campos.

    IMG_6811Sabaúna ganhou fama nacional em 1954, quando na estação ocorreu o famoso episódio do assalto ao trem pagador, sendo o maior assalto ocorrido no país até então. O distrito tem na agricultura a sua base, mas vai desenvolvendo bastante a sua vocação turística, com as inúmeras fazendas e belezas naturais da região. Possui uma única indústria que emprega boa parte de sua população, a indústria de materiais elétricos Fame.

    No próximo mês, o tradicional Expresso Turístico da CPTM fará uma viagem especial para Sabaúna. Batizado de Trem da Cerveja Belga, um trem temático que dará ao passageiro direito a open bar, na estação Sabaúna, de consagradas cervejas da Bélgica entre outras nacionalidades.

    O Trem da Cerveja Belga parte no próximo dia 14 de novembro da Estação da Luz com destino a Sabaúna (Mogi das Cruzes – SP). Trata-se de uma versão paulistana do Beer Train de Curitiba, criado em 2012 pelo empresário Samuel Cavalcanti, fundador da cervejaria Bodebrown.

    O Trem da Cerveja Belga é fruto de parceria entre a Coordenadoria de Turismo, ANPF (Associação Nacional de Preservação Ferroviária), o Delirium Café, e a operadora de turismo BWT, com o apoio do Belgian Club, Câmara de Comércio e Indústria Belgo-Luxemburguesa Brasileira no Brasil (Belgalux) e o Consulado Geral da Bélgica em São Paulo.

    O passeio (R$ 314 por pessoa) inclui passagem de ida e volta de São Paulo a Sabaúna, almoço, degustação de cervejas, kit com três rótulos diferentes de cerveja, caneca de vidro, seguros de viagem e serviço de bordo.

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  • A resiliência do turismo

    Há muitos recursos a serem aproveitados para a atividade turística. O poder público e a iniciativa privada precisam observar os espaços com olhar de empreendedor

    Postado dia 9 de outubro de 2015 às 23h em Viagens e Turismo

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    Temos acompanhado que a situação da economia não tem sido favorável para diversos setores da economia. São muitos os números negativos na produção industrial e no comércio, com demissões em massa em diversos setores. Ainda com pouco crescimento, o setor de serviços tem parecido ser um dos setores a dar certo fôlego à economia. Um dos segmentos deste setor que tem procurado fazer a diferença é o turismo, que tem esta capacidade de se reinventar em momentos de crise.

    Com aumento do dólar, houve uma queda nas viagens internacionais. No entanto, a procura por roteiros nacionais tem aumentado, o que favorece o turismo nacional e maiores investimentos dos polos receptores, gerando oportunidades de renda e trabalho para muitas pessoas.

    Diversos países que tem o turismo desenvolvido, como França, Espanha e Estados Unidos, procuram aproveitar o máximo de seus recursos existentes e prepará-los para a atividade turística. Os americanos são conhecidos pela criatividade de inventarem atividades que geram grandes deslocamentos de pessoas, o que contribui com a cadeia produtiva do turismo, como bares, restaurantes, meios de hospedagem, atrativos turísticos, entre outros.

    Com experiência de 25 anos na atividade turística, como professor, consultor, e muitas viagens pelo Brasil e exterior, tenho observado muitos exemplos de desenvolvimento turístico em diversas locais, inclusive no Brasil.

    Há muitos recursos a serem aproveitados para atividade turística e que o poder público e a iniciativa privada precisam observar com olhar de empreendedor, estruturando esses espaços. Posso citar aqui exemplos que vivenciei e que tem saído do papel. Exemplos como da Estância Turística de São Roque, Botucatu, Estância Turística de Presidente Epitácio, Guararema e União da Vitória, que têm acreditado no desenvolvimento turístico através das linhas férreas, na maioria dos casos estão subutilizadas, e trabalhado na implantação de trens turísticos em trechos que variam de cinco a trinta quilômetros. Os estudos mostram que as comunidades lindeiras serão diretamente beneficiadas, pois será necessários criar receptivos que envolvem gastronomia, artesanato, hospedagem, entre outros serviços que gerarão mão de obra. A matemática não é difícil, basta começar a investir.

    Em Mogi das Cruzes, a Associação Nacional de Preservação Ferroviária vem realizando um projeto de desenvolvimento turístico ferroviário no Distrito de Sabaúna e, com apoio da Prefeitura de Mogi, tem trabalhado para o projeto sair do papel. Mesmo não funcionando de forma regular, o trem turístico anualmente transporta turistas no trem até o Distrito, como forma de sensibilizar a iniciativa privada e o poder publico para o potencial existente. A tematização de trens foi uma inovação para a região como forma de estimular a atividade turística. Este ano terá o Trem da Cerveja Belga, em 14 de novembro, e o Trem de Natal, em 12 de dezembro.

    A resiliência é isto, criar, se readaptar e aproveitar oportunidades em momentos difíceis. E o turismo tem essa capacidade de se reinventar.

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