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Elton Parente

Profissão: Palestrante e empresário

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Doutorando em Administração na USP pesquisando Bem-estar Financeiro e Qualidade de Vida. MBA em Desenvolvimento Humano de Gestores pela FGV. Mestre e Bacharel em Administração pela Univ Federal de Rondônia. Formação Master Coach com Especialização em Coaching Financeiro. Master Practitioner em Programação Neurolinguística. Atuou por 8 anos como Gestor de Projetos e Consultor de Empresas no SEBRAE. Atua com negócios online há 4 anos. Empresário em Agência de Marketing Digital, Treinador e Coach

  • Suas decisões financeiras são realmente racionais?

    Sabe aquela compra que você sabia que não deveria fazer, mas fez, ou aquele investimento, ou mesmo a retirada de um capital na hora errada?

    Postado dia 4 de abril de 2017 às 10h em Negócios e Economia

     

    finanças

    Foto: Reprodução

    Apesar de pesquisas tradicionais de finanças considerarem que as decisões são tomadas de forma racional, assumindo que você e eu usamos todas as informações que temos disponíveis para aumentar nossos resultados, na prática mesmo isso está para a exceção do que para a regra. Quer dizer, somos muito menos racionais nas decisões financeiras do que pensamos ser.

    Kahneman, que é Prêmio Nobel em economia, ao estudar finanças comportamentais adota como ideias orientadoras: (i) que a maioria dos julgamentos e a maioria das escolhas são feitas intuitivamente; (ii) que as regras que governam intuição são geralmente semelhantes às regras de percepção. O autor discute as regras de julgamentos intuitivos e escolhas utilizando analogias visuais. Apresentando os três sistemas cognitivos:

    Fonte: KAHNEMAN, Daniel. Maps of bounded rationality: psychology for behavioral economics. American Economic Review, v. 93, n. 5, p. 1449-75, dec. 2003.

    Fonte: KAHNEMAN, Daniel. Maps of bounded rationality: psychology for behavioral economics. American Economic Review, v. 93, n. 5, p. 1449-75, dec. 2003.

    Para Kahneman, o sistema cognitivo composto é um dispositivo computacional impressionante. É bem adaptado ao seu ambiente e tem duas maneiras de se ajustar às mudanças: um processo de curto prazo que é flexível e dinâmico, e um processo de longo prazo de aquisição de habilidades que, eventualmente, produz respostas altamente eficazes de baixo custo. O sistema tende a ver o que ele espera ver – uma forma de adaptação Bayesiana – e também é capaz de responder de forma eficaz a surpresas. No entanto, esta criação difere em aspectos importantes de um outro paradigma, o agente racional assumido na teoria econômica.

    Esse estudo aborda o efeito heurística, considerando que os sentimentos que se tornam salientes em um processo de julgamento ou tomada de decisões dependem das características do indivíduo e da tarefa, bem como a interação entre eles. Assim, os indivíduos diferem na forma como eles reagem afetivamente, e em sua tendência a confiar em pensamento experimental.

    Colocando de outra forma, esse efeito heurística envolve formulações mentais que fazemos para simplificar o processo de tomada de decisão, e são formadas a partir das nossas experiências e sentimentos, nos fazendo repetir padrões, digamos, “previsivelmente irracionais”.

    Sabe aquela compra que você sabia que não deveria fazer, mas fez, ou aquele investimento, ou mesmo a retirada de um capital ou encerramento de um projeto na hora errada? Pois é, pode ser seu Sistema 1 intuitivo assumindo o controle e aplicando heurísticas para tomar uma decisão rápida, e que nem sempre é a melhor no momento.

    O que fica de lição nestes conceitos é que racionalidade não é apenas produto da mente nossa mente analítica, mas também da mente experiencial que envolve a formação de nossas crenças, valores e regras que são pano de fundo na nossa tomada de decisões.

    A percepção e integração de sentimentos afetivos, parece ser o tipo de processo de maximização de alto nível postulada pelas teorias econômicas. Estes sentimentos formam o neural e substrato psicológico de utilidade para decisões mais conscientes, equilibradas e consistentes.

    Pois é… Racional pero no mucho.

     

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  • Sobre investimentos ou sobre a vida?

    Nas finanças ou em outras áreas da vida, segue-se uma lógica comportamental que tendemos a manter investimentos perdedores enquanto saímos muito rápido de ativos ganhadores. Curioso, não é?

    Postado dia 18 de novembro de 2016 às 09h em Negócios e Economia

    investimentos

    Foto: Reprodução

    VOCÊ PERDEU E CONTINUA MANTENDO…

    Nas finanças ou em outras áreas da vida, segue-se uma lógica comportamental que tendemos a manter investimentos perdedores enquanto saímos muito rápido de ativos ganhadores. Curioso, não é?

    Para pensar em tudo que você já fez na sua vida, quantas vezes você ganhou algo um pouco acima do previsto e ficou feliz da vida, contando vitória aos quatro ventos, ou aquele amigo que no primeiro mês de salário do novo emprego comemora trocando de carro.

    Agora pensa, nos momentos que surgiu no cenário da sua vida uma perda e você se ressentindo daquilo, resolveu manter o investimento, o negócio ou a sociedade que você tinha confiando que você ia recuperar o investimento, mas essa recuperação não veio, e a perda na verdade acabou aumentando.

    Estudando finanças comportamentais aqui no doutorado que estou fazendo, os pesquisadores chamam isso de efeito disposição, onde o investidor tende a manter investimentos perdedores enquanto vende com maior brevidade os ganhadores, e abordando a tendência de muitos investidores operarem seus investimentos ativamente.

    Segundo os autores, portanto, o efeito disposição é a propensão dos investidores para vender ações “vencedoras” (que obtiveram ganhos) e manter os papéis que perderam valor. A denominação é atribuída a Shefrin e Statman (1985), que explicam o efeito disposição por duas características da Teoria dos Prospectos: a ideia que as pessoas estimam ganhos e perdas a partir de um ponto de referência (o preço inicial de compra das ações), e a tendência à exposição ao risco quando um certo ganho for possível.

    No contexto do efeito disposição, o viés do status quo aparece no momento em que as pessoas decidem não vender (ou seja, “não fazer nada”) suas ações perdedoras, acreditando que em algum momento no futuro os preços irão retornar ao ponto de referência que eles guardam como resultado de uma contabilidade mental.

    O efeito disposição está fundado em um modelo que se sustenta em quatro grandes elementos: a teoria do prospecto (prospect theory), contabilidade mental (mental accounting), aversão ao arrependimento (regret aversion) e autocontrole (self-control). A teoria do prospecto prevê uma disposição para vender vencedoras e manter perdedoras quando os rendimentos obtidos são mantidos, ao invés de entrar em uma nova aposta. O investidor ao acreditar que recuperará as perdas, acaba por assumir um risco ainda maior e potencializar as chances de elevar suas perdas ainda mais.

    Sobre a contabilidade mental, se trata de um sistema de controle interno utilizado pelos indivíduos para avaliar, regular e realizar seus processos pessoais. Os tomadores de decisões se valeriam dela para fins de configuração de seus pontos de referência para os valores que determinam ganhos e perdas. Relacionando os fundamentos da teoria do prospecto sobre ganhos e perdas com a contabilidade mental, os pesquisadores destacam que os tomadores de decisões muitas vezes deixam de considerar as interações existentes entre as diversas apostas ou investimentos, podendo elevar as chances de ocorrência do efeito disposição.

    Segundo Brad Barber e Terrance Odean, pesquisadores de finanças comportamentais, o efeito disposição pode, portanto, ocorrer em função do estabelecimento de pontos de referência, baseado no preço pago pelo investidor no ato da compra da ação, apontando para um viés de ancoragem, comum em decisões de investimento. Os investidores tendem a ser influenciados pelo viés da ancoragem quando operam com compra e venda de ações, uma vez que o preço de referência que viram no passado ou que já operaram anteriormente tende a ficar em sua mente, podendo influenciar suas decisões posteriores. Esse processo de ancoragem pode ser utilizado também para estabelecer limites de ganhos e perdas, estabelecendo metas que o investidor deseja alcançar, de modo a definir pontos de compra e venda de ações e suas estratégias operacionais.

    Mas será que isso além de ações também não acontece com os seus investimentos em diferentes áreas da vida? Conta aqui nos comentários o que acha disso.

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  • Três razões para falar de bem-estar financeiro nas empresas

    Quando os colaboradores não têm uma compreensão de suas circunstâncias financeiras, os empregadores sofrem as consequências

    Postado dia 1 de setembro de 2016 às 09h em Negócios e Economia

     

    financeiro

    Foto: Reprodução/Internet

    Falar de educação financeira ou bem-estar financeiro nas empresas em forma de programas não é tão comum como planos de aposentadoria ou a cobertura de seguro de vida em grupo no local de trabalho, mas pesquisa recente revela por que os empregadores podem querer considerar incluir educação financeira como uma prioridade dentro do local de trabalho.

    Acontece que, quando os colaboradores não têm compreensão de suas circunstâncias financeiras ou de como gerir eficazmente as mudanças em suas vidas econômicas, os empregadores sofrem as consequências. Vamos dar uma olhada nas três razões para incluir, com urgência, o bem-estar financeiro na pauta dos programas de orientação e treinamentos.

     

    1. As finanças são os maiores estressores da pessoa

    De acordo com os resultados da investigação por PwC, menos funcionários estão encontrando dificuldades para satisfazer as suas obrigações financeiras de cada mês, com redução de uma alarmante 49% em 2012 para 33% no estudo mais recente de 2015. Infelizmente, as preocupações permanecem constantes em termos de bem-estar financeiro geral.

    O estudo da PwC revela que 45% dos adultos que trabalham sentem que lidar com suas finanças é um esforço estressante – isso numa economia como a americana, imagina no Brasil.

    Adicionando combustível ao fogo, um relatório realizado pela American Psychological Association (APA) concluiu que 72% dos adultos se sentem estressados sobre o dinheiro pelo menos uma parte do tempo, enquanto que 22% vivem experiência de estresse financeiro extremo.

    A preocupação mais comum que continua a assolar o bem-estar financeiro dos trabalhadores é a falta de poupança de emergência, que deveria ser preparada para despesas inesperadas – um aspecto fundamental de ser financeiramente estável.

    Da mesma forma, os entrevistados informam não serem capazes de se aposentar com uma certa idade, nem se manterem sem dívidas. Por isso, a possibilidade de ser despedido do trabalho é uma grande preocupação, que adiciona estresse financeiro no trabalho, especialmente quando não há um programa de bem-estar financeiro no local para dar uma mão.

     

    1. Gestão financeira leva tempo

    Além de aumentar a carga de estresse dos funcionários, o gerenciamento de suas finanças é muitas vezes um processo demorado. A pesquisa PwC afirma que 37% dos entrevistados dizem que, por semana, eles passam três ou mais horas no trabalho pensando sobre sua situação financeira.

    Entre os profissionais de recursos humanos entrevistados, 37% indicaram que uma emergência financeira foi a causa de perder funcionários. Quando os colaboradores ficam muito tempo longe do trabalho para gerenciar suas finanças pessoais, os empregadores, em última análise, arcam com o ônus. A eficiência sofre, atividades ficam inacabadas ou atrasadas, e a moral geral despenca.

    Na verdade, um estudo publicado pela Rand.org descobriu que as preocupações financeiras, juntamente com a falta de sono e o trabalho de cuidar de membros da família, têm um impacto negativo direto sobre a produtividade dos funcionários. Quando um colaborador passa muito tempo longe do trabalho ou fica pensando muito sobre as preocupações financeiras, acaba tendo sérias implicações para os empregadores.

     

    1. Os colaboradores querem educação financeira

    Apesar da clara necessidade de programas de bem-estar financeiro patrocinados pelo empregador, a maioria das organizações estão aquém. Quase 81% dos profissionais de RH afirmam que o planejamento da aposentadoria é oferecido aos empregados, mas a maioria admite que não existe uma iniciativa adicional educação financeira disponíveis, tais como monitoramento de pontuação de crédito ou de formação de finanças pessoais. Ainda mais premente é o fato de que, de acordo com uma pesquisa 2015 conduzida pela Harris Poll, 86% dos empregados acha que é importante que os empregadores ofereçam programas de bem-estar financeiro.

    Fica claro que os funcionários têm um forte desejo de receber educação financeira, e os empregadores têm a oportunidade de proporcionar um meio para facilitar o aumento de bem-estar financeiro. Neste cenário, tanto empregados quanto empregadores poderiam se beneficiar de uma força de trabalho mais financeiramente estável. Como o estresse é reduzido, a produtividade e o tempo no trabalho é maior, e os benefícios significativos que os funcionários realmente querem são fornecidos.

     

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  • Como anda sua saúde financeira?

    Em 2016, chegou o momento de acerto de contas. Observamos decisões políticas de restrição de consumo e ampla busca para o consumidor ajustar suas finanças

    Postado dia 3 de agosto de 2016 às 08h em Negócios e Economia

    financeira

    Foto: Reprodução/Internet

    O aumento na oferta de crédito nos últimos anos, que em 2014 e 2015 só vem sofrendo recuo, permite suprir boa parte da população com recursos para solucionarem um problema histórico de demanda reprimida no Brasil. Isso vale tanto no crédito para o consumo quanto para a aquisição do primeiro imóvel. Os contextos educacional e comportamental local podem trazer um efeito indesejável, que é o endividamento exacerbado, conhecido como superendividamento ou sobre-endividamento.

    Agora, em 2016, chegou o momento de acerto de contas. Observamos decisões políticas de restrição de consumo e ampla busca para o consumidor ajustar suas finanças.

    Sobre este tipo de cenário, a Associação Americana de Psicologia (APA) faz uma pesquisa anual sobre estresse e o assunto “dinheiro” é citado como a causa mais importante para o estresse dos americanos nos últimos anos. Nas últimas cinco pesquisas disponíveis na página desta associação, mais de 70% dos pesquisados citam essa causa para seu estresse, índice que supera os temas “Trabalho”, “Saúde” e “Crianças” (APA, 2015). Trata-se, portanto, de um estudo relevante e de impacto na população como um todo.

    A ausência de saúde financeira acarreta também impactos sobre a qualidade de vida dos consumidores, haja vista que dívidas geram estresse, insônia, depressão, problemas familiares e outros desequilíbrios sociais. Sobretudo o trabalho é afetado: pessoas endividadas tendem a produzir menos. Essa questão foi trabalhada por Hissa (2009), segundo o qual o bem-estar das pessoas está diretamente ligado a sua saúde financeira.

    A falta de controle financeiro e o endividamento das famílias em decorrência dos padrões elevados de consumo afeta não só a saúde financeira pessoal mas o desenvolvimento das economias e sua sustentabilidade no longo prazo. Nesse sentido, Portilho (2005) pondera que: “[…] o consumo está ganhando centralidade no debate ambiental internacional, tornando-se uma das principais vertentes na busca da sustentabilidade. Assim, controlar o consumo representa, além de tudo, um ato de cidadania e de solidariedade para com as gerações futuras”.

    E você, como está sua saúde financeira? O que você acha destes dados? Faz sentido na sua vida financeira e da sua família?

    Comente abaixo e nos próximos artigos, vamos explorar mais este tema e responder suas dúvidas e questões.

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