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Bruno Caetano

Profissão: Superitendente do Sebrae - SP

Cidade: São Paulo

Formado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo, é mestre e doutorando em Ciência Política pela mesma universidade. Na academia desenvolve pesquisas na área da Ciência Política dedicada ao tema da governabilidade e equilíbrio de poderes nas esferas sub-nacionais. Em 2011, assume como diretor superintendente do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo (Sebrae-SP), cargo que exerce até hoje.

  • Mais facilidade para empreender

    Os micro e pequenos negócios respondem por 52% dos empregos com carteira assinada no Brasil. Ao incentivá-los, impulsiona-se a criação de postos de trabalho, que gera renda, consumo e investimentos.

    Postado dia 3 de maio de 2017 às 09h em Empreendedorismo e Gestão

    ideia

    Foto: Reprodução

    O sucesso de um negócio depende de uma série de fatores. Entre eles estão a qualidade do produto ou serviço, preço, gestão competente, diferencial, localização, atendimento, estratégias de comunicação e marketing. Além disso, há fatores conjunturais que podem simplificar, dificultar ou até inviabilizar a vida da empresa. Os aspectos negativos tornam-se fontes de angústia porque fogem do controle do empreendedor. Como exemplos é possível citar crises econômicas, legislação desfavorável e carga tributária injusta.

    Além dos entraves mencionados, as micro e pequenas empresas têm de conviver com a burocracia, um problema tão sério que induz a erros, atrapalha a regularização do negócio e coloca o Brasil em desvantagem em comparação com outras nações.

    No levantamento Doing Business, feito anualmente pelo Banco Mundial, ocupamos a 123ª posição em um ranking de 190 países no que se refere à facilidade para se fazer negócios. Quanto à abertura de empresas, ocupamos o 175º posto, ou seja, nesse quesito estamos ainda piores.

    Contudo, no município de São Paulo a situação começa a melhorar com o recém-lançado programa Empreenda Fácil. A iniciativa da prefeitura paulistana conta com parceria do Sebrae e visa diminuir de 100 para sete dias o tempo gasto para abertura de empresas na cidade. Em uma etapa posterior, esse prazo será reduzido para dois dias.

    Pelo programa, o processo passa a ser feito basicamente pela internet e o empreendedor fica desobrigado de se dirigir a vários órgãos públicos. No primeiro momento, serão beneficiados os empreendimentos classificados como de baixo risco, isto é, que estão em edificações com área construída inferior a 1.500 metros quadrados ou localizados em área de até 500 metros quadrados e que não precisam de licenciamento específico. Segundo a SP Negócios, 80% das atividades econômicas do município de São Paulo são de responsabilidade de empresas de baixo risco.

    O SEBRAE está investindo R$ 200 milhões em modernização de sistemas, como o usado no Empreenda Fácil, em um trabalho conjunto com a Receita Federal.

    São Paulo passa, portanto, a engrossar o grupo dos municípios que facilitam a abertura de empresas. Quanto mais cidades tomarem medidas nesse sentido, mais forte será o empreendedorismo e, como consequência, melhor para a economia como um todo.

    Os micro e pequenos negócios respondem por 52% dos empregos com carteira assinada no Brasil. Ao incentivá-los, impulsiona-se a criação de postos de trabalho, que gera renda, consumo e investimentos. Exatamente o que o Brasil precisa para fazer sua engrenagem voltar a girar e sair da crise.

     

    Leia mais sobre Empreendedorismo: 

    Os negócios que prometem

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  • Os negócios que prometem

    Em 2017, vale a pena investir em alimentação, vestuário, higiene e reparação

    Postado dia 6 de março de 2017 às 10h em SEBRAE

    negócios

    Foto: Reprodução

    Quando alguém pensa em montar uma empresa, a primeira pergunta para decidir onde investir é: “o que dá dinheiro?” Claro que esse não deve ser o único critério para se optar por um ramo ou outro, mas é um dos que mais pesam. Para ajudar na resposta, o SEBRAE realizou uma pesquisa que aponta os negócios mais promissores para 2017. São eles: alimentação, vestuário, higiene e reparação.

    Por mais crítica que seja a situação econômica, o mercado de gêneros de primeira necessidade costuma ser mais resistente. Daí alimentação permanecer como uma possibilidade atrativa. Estão nesse grupo restaurantes populares, lanchonetes, preparação de alimentos, produtos de panificação, para citar alguns. Em tempos de dificuldade financeira, a população compra menos e troca itens mais caros por mais baratos, mas não há uma diminuição tão radical na demanda a ponto de inviabilizar a iniciativa. O mesmo se dá com os segmentos de roupas (confecção, acessórios, bijuterias) e higiene.

    Os serviços de reparação se destacam por ter havido um expressivo aumento das vendas de eletrodomésticos, eletrônicos, automóveis etc. durante anos, antes do início da recessão em 2014. Com a crise, avanço do desemprego e queda na renda, as famílias se viram sem condições de adquirir produtos novos quando os seus ficaram velhos ou apresentaram defeito. A solução foi mandar para o conserto e tentar reaproveitar o que seria descartado em época de vacas gordas.

    Isso significa que todo mundo deve correr para essas áreas? Depende. Se o interessado conhece o segmento, tem experiência ou se capacitou para tanto, ótimo. É o encontro da oportunidade com a preparação.

    No entanto, por mais que seja instigante atuar com o que aponta melhores retornos, mergulhar em um setor sem o devido preparo, apenas pela possibilidade de lucro, não é recomendável. O empreendedor competente sabe onde está pisando porque ele se informa previamente, busca orientação e só corre riscos calculados. Cair de paraquedas num negócio pouco ou nada familiar dificilmente vai bons resultados. A possibilidade de erro cresce e a falta de identificação com o negócio pode trazer insatisfações e frustrações, prejudicando o desempenho e até abreviando a vida da empresa.

    É bom ter em mente que, além de perspectiva positiva e simpatia com a área, o empreendimento só vai prosperar se houver planejamento, gestão bem-feita, capacidade de inovar, entre outros requisitos.

    Saber quais são os setores promissores é uma ajuda muito bem-vinda. Afinal, quem sai de casa com GPS não se perde no caminho.

     

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  • Capacitar-se para não quebrar

    Dados levantados pelo Sebrae-SP mostram um aumento no índice de mortalidade das micro e pequenas empresas

    Postado dia 6 de fevereiro de 2017 às 08h em SEBRAE

    quebrar

    Foto: Reprodução

    Ao longo do ano passado, falamos inúmeras vezes sobre como o empreendedorismo poderia ser uma alternativa para quem perdeu o emprego em decorrência da crise. Com os devidos cuidados no planejamento, abrir um pequeno negócio ou oferecer serviços por conta própria se tornou para muita gente um caminho para gerar renda e ocupação, com a satisfação de saber que está na condução de sua vida profissional. O problema é que nem tudo são flores no mundo do empreendedorismo.

    Dados levantados pelo Sebrae-SP mostram um aumento no índice de mortalidade das micro e pequenas empresas. Em 2012, de cada 100 negócios desse porte abertos, 24 não chegavam ao fim de dois anos. Já em 2014, esse número cresceu 37%: de cada 100 novas empresas, 33 não sobreviveram até 2016. Colocando em números absolutos, dos 1,8 milhões de novos pequenos negócios, 600 mil fecharam as portas no período. Outros números recentes, estes do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostram que o volume de pessoal ocupado em trabalhos por conta própria caiu 1,7% no período de julho a outubro de 2016 em comparação ao mesmo período de 2015. É a primeira queda nessa categoria desde 2013.

    Essas informações são preocupantes, ainda mais ao analisar os motivos alegados pelos empresários para fecharem as portas: carga tributária alta, muitas taxas e falta de crédito. Infelizmente, esse cenário não é novo no Brasil, e o empreendedor precisa estar bem preparado para lidar com essas dificuldades. Isso envolve planejamento financeiro adequado, uma análise atenta do mercado e uma boa preparação em marketing, entre outros itens. Quem chega “cru” ao mundo do empreendedorismo, movido apenas pela necessidade, tem grandes chances de quebrar, especialmente em um momento de recessão e concorrência acirrada.

    Estamos acompanhando muitos casos de profissionais demitidos que receberam suas verbas rescisórias e investiram em um negócio próprio, às vezes envolvendo também as economias da família. Pouco tempo depois, foram obrigados a fechar as portas. Vejo isso como uma nova fase da crise econômica que atinge o país: as pessoas estão perdendo seu trabalho pela segunda vez. Por isso, em 2017, estaremos atentos a esse público empreendedor mais vulnerável, que apostou em um negócio próprio “no susto” e agiu por necessidade. Quem está pensando em investir suas reservas em uma empresa precisa ter isso em mente: o primeiro passo é se capacitar, sob o risco de engrossar as estatísticas negativas. Estou certo, porém, de que vamos reverter esse cenário. Conte sempre com o Sebrae-SP!

     

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  • Dias melhores virão

    Para o Brasil se recuperar, precisa se livrar dos juros e da burocracia

    Postado dia 18 de janeiro de 2017 às 08h em SEBRAE

    O que estava ruim ficou pior. Infelizmente, parece que 2016 pode ser descrito dessa forma por boa parte dos donos de micro e pequenas empresas (MPEs) quando comparado a 2015. Segundo pesquisa do Sebrae, 59,9% deles afirmam que, no ano, o desempenho de seus negócios se deteriorou ante o anterior.

    O atual ciclo recessivo brasileiro começou no segundo trimestre de 2014. De lá para cá, foram só quedas no faturamento das MPEs. Escândalos de corrupção, turbulência política e uma economia na UTI são motivos suficientes para derrubar o ânimo de qualquer um. Contudo, dentro desse furacão, a maioria (62,6%) dos empreendedores acredita na melhora da situação de seus negócios em 2017 em relação a 2016. Ao mesmo tempo, estão receosos quanto a que atitudes tomar, já que 51,6% deles afirmam que não farão investimentos em 2017 ante 41,6% que dizem sim a tal possibilidade.

    De qualquer forma, é positivo saber que, mesmo numa conjuntura desfavorável, quase metade dos empresários vai direcionar esforços para investimentos. Antes assim do que vê-los considerar a hipótese de fechar as portas. Entre os que projetam investir, o foco da maior parcela (43,6%) é a modernização do negócio.

    A pesquisa também revela que 59,1% dos empreendedores pretendem tomar medidas para estimular as vendas em 2017 e, dentro desse movimento, a principal escolha é por propaganda e marketing, opção de 33,9% deles. Um sinal de que os empresários estão conscientes de que destinar recursos para essa finalidade não é supérfluo, mas necessário. O único setor com outra prioridade é a indústria, que pretende aumentar a variedade de seus produtos.

    A conclusão que podemos ter quando olhamos a pesquisa é que, no geral, se prevê um 2017 menos desastroso do que 2016. É um passo, já que a confiança é a base para a economia andar para frente. Só há investimentos, geração de empregos e renda quando se acredita em um futuro positivo.

    Porém, só isso não basta. O Brasil depende de uma combinação de fatores para se recuperar. Um deles é a queda dos juros, cujas altas taxas foram apontadas por 23,1% dos entrevistados como complicador para os negócios. Sem acesso a crédito, as empresas se veem amarradas para colocar em prática planos de expansão e aprimoramento. Outro complicador é a burocracia, que permanece minando o desenvolvimento das MPEs, impondo exigências demais e desestimulando a regularização.

    O Sebrae-SP vai continuar na sua luta diária por um ambiente mais favorável às MPEs. Ainda há muito a se fazer, mas o empreendedor pode estar certo de que tem um parceiro para ajudá-lo a encontrar o sucesso.

    Bruno Caetano é diretor superintendente do Sebrae-SP

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  • Novidades no cardápio em 2017

    A conveniência e a comodidade estarão em alta: desde opções de comida congelada e de preparo mais prático até o desenvolvimento de aplicativos de delivery

    Postado dia 11 de janeiro de 2017 às 08h em Empreendedorismo e Gestão

    cardápio

    Foto: Reprodução

    A virada de ano é um momento de tomada de decisões. Muitas pessoas fazem promessas para o ano que chega – parar de fumar, praticar exercícios físicos, aprender uma língua – mas poucas conseguem cumprir. Esse é também um momento de reflexão sobre a vida profissional: estou satisfeito com meu trabalho? É possível ter uma vida menos estressante? Como posso ganhar mais? Percebo que a resposta para muitas dessas perguntas envolve abrir um negócio próprio, ainda que a vida de empreendedor não garanta necessariamente menos estresse e mais dinheiro. O que há, isso sim, é a perspectiva de trabalhar com o que gosta e de ser diretamente responsável pelo rumo do seu negócio.

    Uma das áreas mais procuradas entre aqueles que querem trabalhar por conta própria é a da alimentação fora do lar. Geralmente, o empreendimento nesse setor começa a partir de um hobby, como cozinhar para os amigos e ter uma “mão boa” para bolo, ou a partir de uma necessidade: é o caso da mãe que descobre que o filho tem uma intolerância alimentar e, a partir daí, encontra um nicho de mercado de comida especial para alérgicos. Todas essas são histórias reais que vemos no dia-a-dia.

    Os dados do segmento são bastante positivos. Todos os dias, 65% dos brasileiros comem fora de casa. A participação da alimentação fora do lar no gasto das famílias passou de 24,1% em 2002 para 33,3% em 2014. E, embora o ano de 2016 não tenha sido muito animador, a forte concorrência do setor em 2017 vai premiar aqueles que se prepararam melhor. Por isso eu costumo dizer: saber fazer um ótimo bolo não significa que você vai ser um bom vendedor de bolos.

    Além de aprender a trabalhar com controle financeiro, composição de preços, marketing e tudo que envolve a gestão, é preciso estar muito atento às tendências do setor. Depois de um período de expansão dos food trucks, essa modalidade começa a dar sinais de saturação. É preciso fazer uma análise aprofundada do mercado para ver se vale a pena insistir. Para 2017, o Sebrae-SP identificou que a área de comida saudável estará em evidência: isso inclui alimentos orgânicos e com origem sustentável, preocupação com o meio ambiente e opções vegetarianas e veganas.

    A conveniência e a comodidade estarão em alta: desde opções de comida congelada e de preparo mais prático até o desenvolvimento de aplicativos de delivery para o consumidor que não quer enfrentar fila fora de casa. Ganha espaço o conceito de “loja dentro da loja”, ou seja, um novo ponto de venda se instala dentro de um negócio já existente, aproveitando a sinergia de produtos e consumidores – uma cafeteria dentro de uma livraria, por exemplo, ou mesmo uma sorveteria dentro de um mercado. Com planejamento e criatividade, quem sabe o novo ano não reserva uma virada na sua vida profissional? E se esta for sua decisão, conte com o Sebrae-SP.

     

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  • Apareça para o seu cliente

    Esteja presente no dia-a-dia do consumidor para, quando ele decidir gastar, pensar em você primeiro

    Postado dia 9 de janeiro de 2017 às 08h em SEBRAE

     

    clientes

    Foto: Reprodução/Internet

    Um colega do Sebrae-SP contou que recentemente fez uma emocionante visita ao colégio onde estudou na adolescência. A escola fechou em 2005 e, para a tristeza dos ex-alunos e dos próprios moradores do bairro, o prédio em que esteve instalada por décadas ficou abandonado até o ano passado. Foi quando outra instituição de ensino, sem ligação com a que ele frequentou, adquiriu e reformou o imóvel, passando a funcionar ali no início de 2016.

    Segundo o colega, a visita foi sugestão de um ex-aluno dono de um jornal que circula na região. A direção do novo colégio abraçou a ideia e abriu as portas para que cerca de 300 pessoas, entre ex-estudantes, ex-funcionários e diretores da antiga escola, pudessem retornar ao local que marcou suas vidas. Foram momentos de reencontro de amigos, lembranças e histórias. A divulgação do evento foi feita no jornal do autor da ideia e nas redes sociais.

    Por que conto isso? Para mostrar como uma ação simples pode ser simpática com o público e útil para uma empresa. Ao promover a visita, o colégio deu um passo relevante para construir uma imagem positiva. Mesmo não tendo origem como estratégia de marketing, não há como negar tal efeito.

    O marketing ajuda a fortalecer uma marca, atrai clientes e eleva o faturamento. Provavelmente haverá ex-alunos que considerarão colocar seus filhos nessa escola, indicá-la ou, no mínimo, vão falar bem dela.

    O caso também lembra que marketing pode ser feito com gastos pequenos ou nenhum e não se resume a propaganda, mas é um conjunto de práticas que inclui – além da propaganda – promoções, estratégias no ponto de venda, descontos, entre outras. O importante é definir como fazer e se empenhar em menos ações (facilitando a mensuração de resultados) do que tomar diversas iniciativas e dispersar esforços.

    Marketing engloba a política de preços. Podemos pensar em descontos quando o consumidor levar um kit de itens pré-determinados (calça e camisa; suco e salgado, por exemplo) ou quando adquire uma segunda ou terceira unidade. Promoções com brindes e cartão de fidelidade são opções.

    Parcerias também dão resultado. Estimular o cliente do outro a ir até a sua loja para adquirir algo complementar pode ser uma boa estratégia.

    Vale também reforçar o relacionamento com o público por meio das redes sociais, e-mails, telefonemas, folders, WhatsApp, visitas a condomínios e empresas. Que tal participar e apoiar eventos da comunidade? Veja o colégio…

    Quem não aparece não vende. Por isso, esteja presente no dia-a-dia do consumidor para, quando ele decidir gastar, pensar em você primeiro.

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  • Os desafios de empreender no Brasil

    O País recuou da 121ª para a 123ª posição na classificação global

    Postado dia 26 de dezembro de 2016 às 08h em SEBRAE

    empreender

    Foto: Reprodução

    Os desafios de empreender no Brasil

    Se empreender já é uma tarefa cheia de desafios, numa crise econômica, como a atual, mais ainda. Mas o pior é ver problemas que deveriam estar resolvidos, ou pelo menos caminhando para uma solução, irem na direção contrária, aumentando as dificuldades de quem tem empresa.  É isso o que mostra a pesquisa Doing Business, do Banco Mundial, no que se refere ao Brasil.

    No estudo, o Banco Mundial analisa o ambiente de negócios em 190 países com base em aspectos como facilidade para abertura de empresas, pagamento de impostos, obtenção de alvarás de construção, entre outros. Segundo o levantamento deste ano, o Brasil andou para trás em sete de dez quesitos.

    O País recuou da 121ª para a 123ª posição na classificação global. A maior queda foi no item “obtenção de eletricidade” (de 39º para 47º), que mede procedimentos, tempo e custo necessários para se “obter uma conexão permanente de eletricidade e a confiabilidade do fornecimento de energia, transparência das tarifas e preço da eletricidade”. A pesquisa não é feita em rincões brasileiros sem infraestrutura, mas em São Paulo e Rio de Janeiro. Fica evidente que os desmandos na condução do setor nos últimos anos desequilibraram a área.

    O segundo maior tombo ocorreu no tópico “resolução de insolvência”, no qual são identificadas as “deficiências na lei de falências e os principais gargalos processuais e administrativos no processo de insolvência”. O País desceu de 60º para 67º. Conclui-se que a Lei de Recuperação Judicial, de 2005, promoveu avanços, mas ainda há muito a melhorar.

    No item “obtenção de crédito” passamos do 97º posto para o 101º. Neste ponto, a Doing Business avalia “a solidez dos sistemas de informação de crédito e a eficácia das leis de garantias e falências no sentido de facilitar os empréstimos”. Vê-se que crédito continua sendo uma questão sensível.

    Quanto à “abertura de empresas”, recuamos da 174ª colocação para 175ª. Melhoramos em “registro de propriedades”, “comércio internacional” e “execução de contratos”.

    Aparecer em 123º lugar em um ranking de 190 participantes é preocupante. Verificar que regredimos na maioria dos quesitos só indica quão crítica é a situação. Estamos atrás de pares latinos como Argentina (116º), Paraguai (106º), Chile (57º) e México (47º). Entre os Brics, só superamos a Índia (130º). Até a Grécia, que quebrou há poucos anos, está na frente, em 61º lugar.

    Aqui, empreender tem dose extra de dificuldade. E um ambiente mais simpático aos pequenos negócios (99% das empresas do País) seria capaz de reforçar a musculatura da economia como um todo. É para isso que o Sebrae-SP trabalha incansavelmente. Que seja um passo de cada vez, mas é preciso dá-los.

     

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  • Black Friday sem erro

    Os comerciantes precisam tomar alguns cuidados – por exemplo, nunca crie promoções falsas ou conceda descontos irrisórios

    Postado dia 25 de novembro de 2016 às 08h em Empreendedorismo e Gestão

     

    black

    Foto: Reprodução

    A última sexta-feira de novembro já se consolidou como uma data especial no comércio brasileiro. É o dia em que as lojas promovem a Black Friday, uma tradição que veio dos Estados Unidos e que por aqui se fortaleceu com as empresas de e-commerce. Como toda novidade, ela precisa de um tempo para ser absorvida. Isso porque, embora a Black Friday seja realmente uma oportunidade para economizar nas compras, não faltam reclamações. Em anos anteriores, vimos gente chamando a data de “Black Fraude” ou dizendo que a promoções eram todas “pela metade do dobro”.

    Temos que analisar essas questões com calma. De fato há gente mal-intencionada no mercado, mas eu acredito que a maioria dos equívocos ocorre devido à falta de preparação adequada dos lojistas para uma data com volume de vendas alto. Além dos bons preços, os consumidores esperam um bom atendimento e entrega pontual. E estão dispostos a gastar na data, que neste ano será realizada no dia 25 de novembro.

    Uma pesquisa realizada pela Ebit, especializada em informações do comércio eletrônico, mostra que o faturamento da Black Friday deve alcançar R$ 2,1 bilhões, um acréscimo de 30% em relação às vendas da data em 2015. Os comerciantes também devem ficar atentos a outra informação: 44% das compras devem ser feitas com o objetivo de antecipar as compras de Natal. Ou seja, todo cuidado é pouco.

    Para o comerciante que pretende aproveitar a onda da Black Friday, ainda há alguns dias para fazer ajustes. O primeiro passo é estabelecer uma estimativa de quanto você pretende vender: quais os produtos mais procurados e o que o seu público-alvo necessita?

    Diante desses dados, o desafio é controlar o estoque. Conhecer a chamada Curva ABC é fundamental. Os itens A são os mais vendidos, aqueles que representam a maior fatia do faturamento. Os itens B vendem bem, mas não tanto quanto os A. Já os produtos C saem pouco mesmo com promoções. A estratégia é conseguir encontrar um equilíbrio sem parecer que você está “empurrando” produtos encalhados.

    Nunca crie promoções falsas ou conceda descontos irrisórios. Isso vai queimar sua imagem com o cliente. Relacione-se com seus clientes pelas redes sociais e avise que a loja fará parte da promoção. Prepare-se para o grande volume de entregas, se for o caso, e procure dar atenção total às reclamações e dúvidas dos clientes.

    A Black Friday acontece uma vez por ano, mas tenho certeza de que uma boa impressão pode conquistar novos clientes e trazer reflexos positivos nos meses seguintes. Para uma consultoria completa nesse assunto, não deixe de procurar o Sebrae-SP. Boas vendas!

     

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  • Fiado só amanhã

    Em tempos de crise, a prática do fiado está voltando. É um erro: existem maneiras mais seguras de não perder nenhuma venda

    Postado dia 9 de novembro de 2016 às 08h em SEBRAE

     

    FIADO

    Foto: Reprodução

    O tempo passa, comportamentos mudam, a tecnologia evolui e transforma as transações financeiras, mas alguns costumes resistem. Ainda encontramos estabelecimentos de micro e pequeno porte e vendedores porta a porta que fazem uso da velha prática de vender fiado, ou seja, o consumidor fica com o produto e em troca deixa a promessa de quitar a dívida depois.

    Com faturamento em baixa por conta da crise econômica, é compreensível que o empreendedor se apegue ainda mais a essa estratégia. Ele está ciente da possibilidade de tomar calote, porém contra-argumenta que o crédito só é concedido para quem é conhecido e confiável, reduzindo o risco. No entanto, outro problema vem a reboque: o lojista não tem nenhum controle de quando receberá, já que depende exclusivamente da boa vontade de o cliente voltar, incerteza prejudicial ao fluxo de caixa.

    Além disso, o comerciante acaba numa saia justa, pois geralmente fica desconfortável quanto tem de cobrar o devedor, que, por sua vez, pode se sentir incomodado e fazer um boca-a-boca negativo da empresa.

    A prática tem atenuantes quando o público é fidelizado e compra com constância. Mas será que em pleno 2016 realmente há necessidade de se utilizar esse expediente? A resposta é não; existem alternativas.

    São minoria, mas nos deparamos com estabelecimentos comerciais que não usam máquina de cartão. Fica claro que a primeira medida é oferecer essa opção para o consumidor fazer o pagamento no débito ou crédito, à vista ou parcelado, e, dessa forma, não perder a venda caso o cliente esteja sem dinheiro vivo no bolso naquele momento.

    Também é interessante colocar à disposição boletos ou serviços digitais. Aceitar cheque, apesar da queda no uso, deve ser considerado. Os serviços de proteção ao crédito estão aí para serem consultados e dar maior segurança.

    Em termos de marketing, uma boa pedida é conceder vantagens para quem pagar à vista, como brindes ou descontos em compra futura.

    Se a natureza do produto permitir, por que não oferecer porções menores com preços mais baixos e facilitar a concretização do negócio?

    Se mesmo assim, o empresário não quiser abandonar a prática, é bom tomar algumas precauções como anotar tudo, fazer um cadastro das preferências dos clientes, suas referências e estabelecer uma rotina de cobrança. Organização é indispensável.

    Vender fiado é não ter garantias, já que não há um documento legal capaz de comprovar que houve a operação comercial. Se o consumidor não cumprir sua parte no acordo, é prejuízo na certa. É apostar para ver.

    Como promessa não paga conta, muitos empreendedores não querem nem pensar na possibilidade; para eles vale a máxima: “fiado só amanhã”.

     

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