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Betinho Músico

Profissão: Músico

Cidade: Mogi das Cruzes

Meu nome é Adalberto Vieira da Costa Junior, mas sou conhecido por todos como Betinho Músico. Produtor musical e audiovisual, atualmente sou diretor musical da banda Band It, e atuo no ramo de producao musical e producao artistica nos estudios e com bandas da regiao.
Fiz parte de diveros projetos e bandas como Zanz Banda, Banda Saint Paul, Banda Jailbreak, Djane e Os Camaradas, executando diversos shows pelo Brasil e acompanhando diversos cantores solo.

  • O que é ser músico

    Músico: profissão e ponto final!

    Postado dia 21 de janeiro de 2016 às 00h em Cultura e Lazer

    Louis-Armstrong-Trumpet

    Eu sou músico. Definitivamente músico! Mas espere um pouco, que tipo de músico eu sou?

    Hoje em dia, o preconceito com a “profissão” músico ainda existe e é evidentemente um dos maiores problemas para a classe. Mas ao que se deve essa situação? Muitas pessoas que se relacionam com a música, sejam elas em caráter profissional ou amador, exercendo alguma função no campo de música, como a de tocar um instrumento musical, cantando, escrevendo arranjos, compondo, regendo, ou dirigindo um grupo coral ou algum grupo de músicos, como orquestras, bandas, big band de jazz, ou ainda lecionando, trabalhando no campo de educação ou em terapia musical, tocando com sua banda de garagem, tocando seu violão nas horas vagas, cantando com os amigos em finais de semana, sim, são músicos.

    Mas, deve-se tomar cuidado ao se dizer “Eu sou músico”, pois como todas as outras, ser músico em sua excelência, é seguir uma profissão onde há responsabilidades, deveres e direitos como em todas as outras. Nesse ponto, separam-se os músicos de profissão, os de hobbie e os de ilusão. Ilusão? Sim, ilusão! Pessoas que não se dedicam a profissão, que acordam as 13:00 hs todos os dias, que não praticam seus instrumentos, que denigrem a imagem do músico de verdade, com bebedeiras, irresponsabilidades com horários, cobrando cachês muito abaixo do que o mercado sugere (entende-se cachê como o salário do músico) seguindo a velha premissa do “Sexo, drogas e rock and roll”. Pronto, estou mais calmo agora (risos).

    Chegamos à fronteira do músico por hobbie, que é aquele que faz a sua aula semanal, para fugir do stress do trabalho, ou pelo simples sonho de tocar um instrumento, onde na maioria das vezes tem como profissão outra área que não seja a música. Finalmente aterrissamos no mundo dos músicos profissionais. Estudo, dedicação, metas, são fatores cruciais na vida de quem ter a música como profissão. Anos de estudo, horas de ensaio, comprometimento com as pessoas envolvidas, responsabilidade acima de tudo. Infelizmente em nosso país umas das profissões mais desvalorizadas é a música (não estamos falando de bandas, duplas ou grupos com cachês exorbitantes da indústria fonográfica brasileira), fato contrário pelo mundo, onde o músico brasileiro é visto como um dos melhores e mais conceituado. O músico por profissão trabalha de dia, seja em escola de música, estúdio, projeto social ou outros meios, estuda pela tarde, ensaia pela noite e toca (trabalha) pela madrugada. Acorda cedo, corre atrás de suas metas, se dedica, e no final disso tudo a satisfação do dever cumprido e a alegria de poder ver a felicidade estampada no rosto das pessoas proporcionada pela nossa música compensam todo o cansaço, correria e tempo dedicado até o resultado final.

    Portanto, se você quer ser um músico de profissão dedique-se, corra atrás, estude, empenhe-se e acima de tudo, seja humilde, não passe por cima de ninguém, pois há espaço para todos em nosso meio, seja responsável e seus sonhos e metas, e a frase “eu vivo de música” poderá ser entoada com orgulho e prazer.

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  • O brasileiro e a desintegração da musica popular

    De tchere tche tche em tchere tche tche a indústria musical cada vez mais nos decepciona

    Postado dia 18 de dezembro de 2015 às 00h em Cultura e Lazer

    ears

    “A música brasileira definitivamente está acabando”

    Ouve–se muito disso por ai. Refine o gênero, e as frases continuarão a fazer sentido para muitas pessoas. O funk, o sertanejo, o forró, o pop, todas as músicas consumidas pelas massas estão sendo feitas de uma maneira em que o ouvinte é submetido a canções de temática fácil, na maioria das vezes ligadas à busca de uma felicidade igualmente fácil. Sendo assim estamos criando um sistema de racionalização não do gosto musical, mas sim de necessidade das massas.

    Hoje em dia, as canções de maior sucesso, mais visualizações no YouTube ®, não trazem mais conteúdo relativamente significante para quem ouve, mas sim, mensagens chulas, de cunho muitas vezes sexual, ou por outras vezes contendo frases que rimam “coração” com “carrão” ou pior ainda rimando “igreja” com “cerveja”. Infelizmente, a maioria das músicas prega que a felicidade está no meio da vida fácil, das festas e isso definitivamente não é a realidade do povo brasileiro, que aceita esse tipo de produto definitivamente pela necessidade de fugir dessa vida difícil, funcionando então como uma “válvula de escape”.

    Hoje cria-se uma música não com o objetivo de imortalizá–la, ou produzir uma pérola como de antigamente, mas sim com a certeza de que será mais uma concorrente desse mercado pobre e competitivo cheio de “tche tches, pararas, tchus e tchas”. Salvação ou solução para isso? Nossos bons home studios, bandas de garagem, os novos talentos da MPB chamados de “Lado B”, que lutam ferrenhamente para conseguir um lugar ao sol, ou traduzindo para o contexto, conseguir uma luz no enorme palco do mercado musical.

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  • A arte de ensinar musica

    "Você realizou um sonho meu e serei eternamente grato por isso!"

    Postado dia 24 de novembro de 2015 às 00h em Cultura e Lazer

    Oito horas da manhã. A escola está aberta e os primeiros alunos sentados no sofá. No cantinho está Dona Helena, uma senhora de 74 anos esperando ansiosamente por sua primeira aula de piano.

    Embora seja uma senhora de idade, bem vivida, é evidente o seu nervosismo exalado por suas mãos trêmulas e seu desconforto ao sentar no piano. Partimos para a primeira lição: notas musicais, tempos, um dó aqui, um sol acolá, e Dona Helena já demonstra certo relaxamento em estar aprendendo o tão sonhado instrumento. Ao passar da aula, a primeira melodia vai aparecendo: Ode à Alegria (da 9a Sinfonia de Beethoven).

    Minuto final de aula, e Dona Helena toca mesmo que com certa dificuldade e, apenas com sua mão direita sua primeira música no piano, ato tão esperado durante seus 75 anos.

    Ato que inconscientemente faz escorrer uma lágrima pelo canto dos olhos, lágrima que representa a satisfação que é poder transmitir nossos conhecimentos para pessoas que sempre sonharam em aprender música, mas não tiveram chance, sendo porque não tinham condições, ou porque o pai não considerava isso uma profissão ou coisa de gente decente (frase dita por mais de 75% das pessoas que aprendem música depois dos 40).

    Seja por hobby, por profissão, por indicação médica, a ARTE DE ENSINAR MÚSICA é uma via de mão dupla onde realizamos sonhos, vontades, caprichos, promessas e ao mesmo tempo, aprendemos com as historias e gostos musicais de nossos alunos, pois quanto mais se transmite nosso conhecimento, mais precisamos conhecer e aprender pra saciar tudo e a todos — acho que me entenderam –. E no final das contas, a música que “É a arte de expressar os sentimentos de nossa alma”, acaba envolvendo professor e aluno. Portanto, se você tem vontade de aprender, ensinar ou apenas conhecer um pouco sobre música, vá atrás, seja por hobbie ou por necessidade, pois tanto o professor quanto o aluno, serão eternamente gratos por isso.

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  • A música e o mar de estilos que banham a vida de um músico

    Como passar por todos esses estilos, sem tropeçar em cada execução?

    Postado dia 10 de novembro de 2015 às 12h em Cultura e Lazer

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    “Não! Não vou tocar essa música…”

    É uma frase que, por mais incrível que pareça, já ouvi de um “pseudo” professor de música em uma “pseudo escola” da vida. Mas, a negação se deve ao estilo musical, preconceito ou a capacidade de execução?

    Muitas vezes nos pegamos, nós, músicos de oficio, em um mar de estilos musicais, especialmente músicos de baile e eventos, que navegam em águas calmas das ilhas Frank Sinatra, passando pelo mar tropical de Luis Miguel, deslizando sobre as ondas de Tom Jobim, tentando passar pelo maremoto do Rock and Roll, chegando finalmente depois de muitos mares e oceano no fervor dos sambas, axés e coisas mais do gênero.

    Agora, como passar por todos esses estilos, sem tropeçar em cada execução? Sem pensar de uma maneira preconceituosa musicalmente falando?

    Precisamos entender então a LINGUAGEM MUSICAL, que nada mais é do que a maneira com que executamos cada estilo musical, em sua peculiaridade, sua divisão rítmica, dinâmica e outros itens mais.

    Entender a linguagem musical é a melhor maneira de enriquecer nosso conhecimento, deixando de lado gênero ou tipo, mas pensando na música como música, como som, como emoção, como aprendizado, e mudando o velho e ultrapassado discurso preconceituoso, absorvendo o que cada estilo musical tem a nos oferecer, e modificando a frase citada no começo desse texto para “Sim, vou tocar essa música” ou então “Sim, eu posso tocar essa música!!!”.

     

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