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Antonio Carlos

Profissão: Empresário

Cidade: Mogi das Cruzes

Antonio Carlos é Bacharel em Tecnologia da Informação, Mestre em Economia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), Doutor em Economia também pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). Possui três ós-Graduações: Analíse de Sistemas pela Fundação Sto. André, Estatística Econômica pela U.S.P. e Psicobiofísica UNESP (97/98). Além de ter sido professor universitário, é autor de livros voltados para o âmbito filosófico e espiritual.

  • A Busca pela Senda Espiritual

    O caminho espiritual pode ser trilhado de diferentes maneiras, seja através das múltiplas religiões existentes, seja pela escolha individual sem vincular qualquer orientação religiosa...

    Postado dia 3 de maio de 2017 às 08h em Ciências e Espiritualidade

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    Foto: Reprodução/Internet

    Todos nós, crentes da existência de um ser superior a nós, buscamos na espiritualidade um caminho que nos leva a dimensões diferenciadas para o aprimoramento de nossas vidas. Como já afirmou certa vez Teilhard de Chardin “não somos seres humanos vivendo uma experiência espiritual, mas sim, seres espirituais vivendo uma experiência humana”.

    ugbuO caminho espiritual pode ser trilhado de diferentes maneiras, seja através das múltiplas religiões existentes, seja pela escolha individual sem vincular qualquer orientação religiosa, na busca de uma visão holística espiritual do ser humano. Nesse caminhar, confere ao seu interlocutor, a busca da liberdade de recorrer as mais diversas fontes do conhecimento e nutrir-se de seus ensinamentos, à medida que começa a enxergar a universalidade e a convergência das trilhas religiosas que levam para a evolução espiritual da humanidade.

    Ao analisarmos a evolução da humanidade, observamos que houve a necessidade de guardar o “conhecimento” oculto através do “Caminho dos Mistérios”, através da qual permitiu a humanidade acelerar a sua evolução por meio de iniciações conferidas pelos grandes sacerdotes (Hierofantes), Adeptos e Mestres. Dessa forma, os “Mistérios Ocultos” foram aparecendo gradativamente em diferentes partes da Terra, como por exemplo, no Antigo Egito, na Grécia, Índia e etc. Dentre esses “mistérios” podemos destacar os Mistérios de Elêusis, e os Mistérios Órficos na antiga Grécia. Esses caminhos estavam abertos para todos, homens e inclusive para as mulheres, no entanto, os candidatos à Iniciação deveriam reunir qualificações éticas e morais, exigidas para a admissão nos seus diferentes rituais secretos. Embora fosse permitido a todos os interessados, esse caminho espiritual, a princípio, estava reservado para aqueles que buscavam o autoconhecimento e o domínio de si mesmo, ou seja, pela busca do cadinho alquímico espiritual de transformação interior. Esse caminho, como já disse certa vez o místico e mestre espiritual armênio George Gurdjeiff, “é necessário trabalhar incessantemente sobre si mesmo, para eliminar de sua personalidade-alma, os aspectos negativos que adquiriu no decorrer de suas vidas”.

    fffEsse “caminho”, como metáfora, deve ser trilhado para o autoconhecimento, mesmo porque, para toda transformação interior, deve-se começar de dentro para fora, em busca de uma tomada de consciência. Dentro desse princípio, o buscador deve tornar-se o próprio caminho, na medida em que o seu mundo exterior torna-se reflexo do seu mundo interno, pois já disse alguém, “O Mestre irá ao seu encontro quando você já estiver preparado…”.

    A palavra “caminho” significa trilha, estrada, rota, senda, travessia, via, vereda, etc. No sentido metafórico significa também, a conduta moral de uma pessoa ao fazer a opção pelo bem ou pelo mal, o curso da vida ou mesmo um meio de alcançar um resultado, como pode ser o caminho para o sucesso, para a paz ou para a felicidade. Na literatura esotérica, porém, tem um significado mais profundo e espiritual, direcionando aos objetivos delineados no início desse difícil trabalho de aprimoramento da personalidade-ego e evolução espiritual, sendo muitas vezes também chamado de Caminho da Santidade, Caminho do Adeptado, Caminho do Fio da Navalha, ou ainda, Caminho Reto e Estreito para levar à Senda das Iniciações.

    A doutrina esotérica nos ensina que a libertação ou bem-aventurança do Nirvana, pode ser alcançada por dois caminhos paralelos e distintos: O Caminho Místico e o Caminho da Ciência Secreta (Gupta Vidya).

    O Caminho Místico, descrito no livro de Annie Besant (Do Recinto Externo ao Santuário Interno) corresponde ao caminho normal, trilhado de forma lenta, gradual, e segura pela maioria das pessoas. Já o Caminho da Ciência Secreta, considerado como o verdadeiro caminho oculto, é pela via direta que conduz, de maneira mais rápida, ao objetivo desejado, sendo, por isso, considerado um caminho mais íngreme e escarpado…

    No livro A Voz do Silêncio (Ed. Pensamento) da madame H. P. Blavatsky,  esses dois caminhos são mencionados como Caminho Aberto e Caminho Secreto, sendo o primeiro caminho, considerado ao caminhar em espiral, portanto mais vagaroso, enquanto o segundo caminho, considerado como mais acelerado, aperfeiçoa-se através de uma série de Iniciações e conduz ao auto sacrifício, caminho este escolhido pelos Budas da Compaixão que renunciam à felicidade do Nirvana. Esse caminhar é considerado também como o caminho da renúncia porque o despertar da percepção espiritual do discípulo mostra-lhe a escuridão espiritual em que os homens, em sua maioria, vivem…

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    Foto: Reprodução

    Portanto; ao ingressar no Sendeiro Probatório, uma das etapas que precede o Sendeiro do Discipulado, o buscador converte-se em discípulo em período de prova, e como consequência, afasta-se do caminho comum da evolução trilhado pela grande maioria da humanidade.

    Esse caminho, difícil e árduo, e pode ser encontrada nas alegorias dos antigos gnósticos, como no caso do Hino da Pérola, também conhecido como Hino da Veste de Glória, assim como em muitas obras de caráter esotérico. Esse é o drama de redenção de Sophia narrado em Pistis Sophia, texto esse gnóstico descoberto na segunda metade do século XVIII. Pistis Sophia simboliza a alma precipitada na matéria, caída do Pleroma (totalidade dos poderes divinos…), que após sucessivos apelos a Cristo terá que refazer o caminho de volta à totalidade.

    Num sentido mais estrito, é utilizado para indicar o trajeto que leva ao discipulado de um Mestre de Sabedoria e às grandes Iniciações, culminando com a realização do Adepto, o que se supõe uma gama de provas e múltiplos desafios que precisarão ser superados até que se chegue à meta suprema da completa realização, representada como seu símbolo maior, nas ordens da cavalaria medieval pelo Santo Graal, ou o Cálice Sagrado. É por isso que o “caminho” espiritual é muitas vezes representado como uma guerra travada entre a “natureza espiritual e material do homem…”

    uhComo afirmou certa vez, um dos mais respeitados teósofos de todos os tempos, Geoffey Hodson, existe uma guerra perpétua, travada silenciosamente no interior, representada na mitologia egípcia pela luta entre Set (representando o Caos) e Osíris (a Luz).

    Dessa forma, a batalha alegórica entre os anjos da Luz e das Trevas é, para o praticante, uma alusão ao duelo interior travado consigo mesmo e aos conflitos que precisam ser estudados e harmonizados no seu enorme universo interior… Esse é um dos significados do Armagedhon bíblico descrito no livro do Apocalipse. É interessante observar também, que esse mesmo significado é retratado no Bhagavad Gita, ou seja, a luta interior do ser humano e relata como Arjuna (símbolo da alma individual ou da mônada humana em evolução), deve enfrentar a si mesmo, superando os obstáculos mentais que podem bloquear o “caminho”. Nesse aspecto, Arjuna também simboliza o discípulo perfeito, aquele que consegue compreender com clareza, os sábios ensinamentos do seu mestre (Krishna).

    A grande escritora teosófica, Mabel Collins em seu famoso livro Luz no Caminho (Ed. Pensamento), utiliza-se desse simbolismo ao comparar o discípulo ao guerreiro que se mantém imperturbável diante dos desafios que terá de enfrentar dentro de si mesmo, e, embora seja chamado a lutar no campo de batalha, paradoxalmente deve manter-se alheio a batalha, deixando que o guerreiro lute através dele, permitindo, em outras palavras, que o “Mestre” aja por seu intermédio…

    Outra alegoria muito utilizada pelos místicos é a Luz, porquanto o buscador pode ser comparado aquela pessoa cuja alma se encontra imersa em trevas e deseja ardentemente aproximar-se da Luz Maior, aquela luz que dissipa as trevas da ignorância, “a luz que conduz a vida”, parafraseando as palavras do apóstolo João.

    aaaNa época dos Antigos Mistérios, o aspirante deveria passar os umbrais das Iniciações para receber as sublimes lições dos Hierofantes…, ou seja; precisa eliminar quaisquer vestígios da ignorância pelo prisma da sabedoria espiritual, assim como fez o prisioneiro do famoso conto de Platão, em seu livro A República, que conta na Alegoria da Caverna, que ao se libertar dos grilhões que o prendem, é atraido pelos raios do sol e consegue encontrar a luz.

    Assim como a meta do caminho espiritual pode ser comparada ao topo de uma montanha que precisa ser escalada, as etapas da ascese espiritual assemelham-se aos degraus de uma longa escada que precisam ser superados degraus por degraus, representando assim, os sucessivos estágios da Senda Espiritual e o gradativo desenvolvimento dos sentidos internos, a medida que a alma vai se depurando de suas imperfeições, para elevar-se gradativamente para outros planos (degraus) superiores.

    É justamente isso que a Maçonaria nos ensina em suas fabulosas Instruções de grau, a evolução humana, passando gradativamente do reino mineral ao reino angelical, aprimorando e controlando os 04 elementos (terra, ar, água e fogo) até chegar a quintessência, o homem perfeito, o Homem Vitruviano, o Bom Pastor, como definiu muito bem, um irmão da maçonaria…

    Na filosofia budista, por exemplo, nos ensina Os Nobres Caminhos das Oito Virtudes, que conduz o praticante à iluminação da consciência. O Cristianismo também realça o cultivo das virtudes e a prática do amor fraternal.

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  • Hoje eu me lembrei…

    ... que não vim de férias para o mundo. Vim para aprender e trabalhar (e também para vencer a mim mesmo)

     

    Postado dia 31 de março de 2017 às 08h em Ciências e Espiritualidade

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    Foto: Reprodução

    Hoje eu me lembrei…

    Que não sou branco, negro, amarelo ou vermelho.

    Eu sou um cidadão do universo, no momento, estagiando como ser humano na escola terrestre.

     

    Hoje eu me lembrei…

    Que não sou homem ou mulher, nem alto ou baixo.

    Eu sou uma consciência oriunda do plano extrafísico, uma centelha vital do Todo que está em tudo!

     

    Hoje eu me lembrei…

    Que tenho a cor da Luz, pois vim lá das estrelas.

    E eu sei que o meu tempo aqui na Terra é valioso para minha evolução.

     

    Hoje eu me lembrei…

    Que não há nenhuma religião acima da verdade.

    E que o Divino pode se manifestar em miríades de formas diferentes.

     

    Hoje eu me lembrei…

    Que só se escuta a música das esferas com o coração.

    E que nada pode me separar do “Amor Maior Que Governa a Existência”.

     

    Hoje eu me lembrei…

    Que espiritualidade não é um lugar, ou grupo ou doutrina.

    Na verdade, é um estado de consciência do Ser.

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    Hoje eu me lembrei…

    Que ninguém compra Discernimento ou Amor.

    E que não há progresso consciencial verdadeiro se não houver esforço na jornada de cada um.

     

    Hoje eu me lembrei…

    Que o dia em que nasci não foi feriado na Terra.

    E no dia em que eu partir, também não será!

     

    Hoje eu me lembrei…

    Que tudo aquilo que eu penso e sinto se reflete na minha aura.

    E que minhas energias me revelam por inteiro (logo, preciso crescer muito, para melhorar a Luz em mim).

     

    Hoje eu me lembrei…

    Que não vim de férias para o mundo.

    Na verdade, vim para aprender e trabalhar (e também para vencer a mim mesmo nas lides da vida).

     

    Hoje eu me lembrei…

    Que não sou o centro do universo e que, sem a Luz, eu não sou nada!

    Sem Amor, o meu coração fica seco… e sem a espiritualidade, o meu viver perde o sentido.

     

    Hoje eu me lembrei…

    Que os guias espirituais não são minhas babás extrafísicas.

    Eles são meus amigos de fé e trabalho… e, sem eles, eu estaria frito!

     

    Hoje eu me lembrei…

    Que ninguém sabe tudo e que conhecimento não é sabedoria.

    Todos nós somos professores e alunos uns dos outros (e, acima de tudo, o Mestre de todos, o Grande Arquiteto Do Universo).

     

    Hoje eu me lembrei…

    Que não nasço nem morro, só entro e saio dos corpos perecíveis ao longo da evolução.

    Não posso ser enterrado ou cremado, pois sou um espírito (ah, eu sou sim!).

     

    Hoje eu me lembrei…

    Que viver não é só para comer, beber, dormir, copular e morrer sem sentido algum.

    Viver é muito mais: é também pensar, sentir e viajar de estrela em estrela, sempre aprendendo.

     

    Hoje eu me lembrei…

    Que de nada vale a uma pessoa ganhar o mundo se ela perder sua alma.

    E que o mal que me faz mal, não é o mal que me fazem, mas, sim, o mal que eu acalento em meu coração.

     

    Hoje eu me lembrei…

    Que eu sou mestre de nada e discípulo de coisa alguma.

    E que eu, o apresentador desse programa, e vocês, os ouvintes dessa viagem espiritual, somos todos um!

     

    Hoje eu me lembrei…

    Que, sem Amor, ninguém segue.

    E que o meu mantra se resume numa só palavra: Gratidão!

     

     

    Autor desconhecido

    Leia quantas vezes achar necessário!

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  • A Sabedoria do Arqueiro Zen

    A arte e o segredo para sempre acertar o alvo com precisão

    Postado dia 9 de janeiro de 2017 às 08h em Ciências e Espiritualidade

    zen

    Foto: Reprodução

     

    “Nunca ande pelo caminho já traçado,

    pois ele conduz somente até onde os outros já foram…”

    Graham Bell

    Na maçonaria aprendemos, em nossas ricas e belas instruções de graus, que necessitamos, constantemente, lapidar nosso V?I?T?R?I?O?L? para vencer as impurezas dos vícios, paixões e emoções que estão enraizadas em nossas ações e corações, levantando templos à virtude para aquelas que conseguimos realizar.

    O desbastar das asperezas de nossa pedra bruta, com foco na tão sonhada pedra polida, é nossa missão que o G?A?D??U?nos ensina nas reuniões maçônicas que frequentamos.

    Aprendemos também, parafraseando os ensinamentos de Sidartha Gautama, o Buda, a dirigir nossos passos sempre pelo “caminho do meio”, conforme nosso mestre nos ensinou, na Senda pelas Óctuplas Verdades!

    Partindo desse enfoque, e reverenciando a doutrina da filosofia Zen Budista, é que nos faz lembrar, como diz a Sabedoria Oriental, do arquétipo milenar representado pelo mito da imagem do Arqueiro Zen, que sempre acerta o alvo com precisão milimétrica, porque é capaz de manter a paz e a serenidade interior.

    E isso só é alcançado quando já atingimos um grau de evolução a ponto de manter a paz e a serenidade em quaisquer circunstâncias das nossas vidas.

    Quando o acertar ou errar for a mesma coisa, a ponto de não alterar a nossa serenidade interior, poderemos sempre acertar com precisão o alvo.

    Antes de vencer na vida, ou vencer os adversários, ou ainda, vencer os desafios, é preciso primeiro aprender a vencer nós mesmos; livrando-nos de todo e qualquer medo que possa tirar a nossa paz, tranquilidade e a serenidade interior que habita no mais sublime e sagrado do nosso ser, o habitat interior do nosso coração, ou seja; do nosso Sanctum Santorum. O medo atua como se fosse uma oração ao contrário, gerando insegurança e minando nossas forças e energias mais sutis. Livrar-se do medo é uma grande fonte de energia interior muito maior do que se possa imaginar a primeira vista!

    O medo de errar pode tirar a paz interior! Quando perdemos a paz interior, ficamos mais fracos tanto física como intelectualmente. E são nos momentos mais difíceis da vida que precisamos estar no nosso maior vigor físico, mental e intelectual.

    Um homem de pouco conhecimento torna-se logo arrogante e vaidoso ao ser elogiado. Isto apenas estimula a inveja e a intriga. E o castigo pelo abuso da vaidade e o orgulho não costuma tardar…

    O preço da vaidade e do orgulho tem sido a causa do fracasso de muitos líderes inteligentes, mas que têm pouca ou nenhuma sabedoria…

    O arqueiro Zen não deve se envergonhar quando errar o alvo, e nem se vangloriar quando o acertar. Deve-se livrar de toda e qualquer demonstração de vaidade e orgulho. A simplicidade e a modéstia são sintomas de evolução e sabedoria…

    É preciso compreender que acertar o alvo não é uma conquista externa, mas sim apenas um sintoma externo de uma conquista interior muito maior do espírito e da mente, diante dos desafios que enfrentamos em nossas vidas.

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    Segundo a Tradição, com os ensinamentos dos mestres Zen, é possível estirar o arco de forma espiritual; ou seja, vencer a resistência do arco sem nenhum esforço físico.

    Não pelo espírito da força, mas pela força do espírito…

    Esse estágio somente é alcançado quando a mente estiver trabalhando em atrito zero, isto é; quando se transcende a força física pelos grandes poderes da força espiritual.

    Pela sabedoria da ética dos samurais, resolver uma disputa de forma diplomática e ao mesmo tempo ensinar alguma sabedoria ao adversário, torna a vitória ainda mais esplendida e mutuamente proveitosa!

    Não basta vencer o adversário, é preciso também levá-lo a evolução. Mas, para tal, primeiro é necessário vencer a si próprio.

    Vencer a si mesmo e de si mesmo, esse terrível axioma hermético nos indaga a navegar pelas brumas do desconhecido, libertando as amarras do cotidiano para podermos despertar o grande mestre invencível que existe em nosso interior… E esse mestre invencível, a que mormente chamamos do nosso Eu Superior, é o que habita no templo mais suntuoso e sagrado do nosso corpo, que é nosso coração (Sanctum Santorum).

    Dessa forma, e somente assim então estaremos mais aptos a contribuirmos para a construção de uma sociedade mais justa e perfeita, e de um mundo melhor do que encontramos no outrora ao nascer.

    Normalmente, os adversários a que me refiro são apenas projeções das nossas fraquezas internas e inferiores, tais como o medo, o orgulho a vaidade, a falta de diplomacia, a falta do bom senso e da sabedoria… Nem por isso significa que podemos resolver todos os problemas e questões sem o uso da força! Mas quando mais sábios nos tornamos, menos precisaremos fazer o uso dela. Entretanto, quando um mestre chega a lançar mão do uso da força, se torna invencível…

    Segundo a Tradição, um dos primeiros sintomas da evolução para se tornar um mestre é se descobrir um eterno aprendiz, como nos é ensinado nas belíssimas instruções de graus. Todo mestre Zen também deve ser um grande educador. Essas duas condições são inseparáveis no Oriente, tanto para os Arqueiros como para os samurais. O grande mestre é simples, reservado, sereno, tranquilo e desprovido de todo e qualquer orgulho ou vaidade. Mas está consciente do seu próprio poder interior e da grande missão de semeador da sabedoria e filosofia.

    O mestre consegue mostrar ao discípulo, uma nova percepção da mesma realidade, mas só que de maneira diferente.

    O grande mestre é capaz de ensinar até mesmo através do silêncio. Desencadeando no discípulo um processo de profundas transformações alquímicas do nosso Eu Interior e de uma maior sensibilidade e compreensão das leis que regem a força da poderosa e misteriosa energia que emana da mente-espírito.

    O mestre observa o crescimento interior do discípulo em silêncio e de forma espiritual, ajuda-o no processo do lento, mas necessário desabrochar do seu despertar espiritual.

    O mestre transmite com clareza e simplicidade, a essência da sabedoria e da filosofia “de coração para coração”, para que o discípulo se prepare para a grande e difícil caminhada que o levará à Iluminação.

    Até onde o discípulo seguirá no caminho da evolução não é preocupação do mestre.

    Cabe apenas ao mestre ensinar o caminho que leva à iluminação. O restante, compete ao próprio discípulo, deixando que ele opte pelo caminho do livre arbítrio, a percorrer tal caminho sem pressioná-lo, detê-lo, mas apenas e tão somente apenas facilitando suas escolhas para a sua longa caminhada.

    É preciso que o discípulo descubra de per si, que a grande Obra Interior que ele deve realizar, somente ele deve escutar a voz que o seu Eu Interior lhe falar… Ele deve prosseguir na sua busca (Obra Interior) se quiser ser o artífice do seu próprio destino.

    A capacidade de realizar grandezas no mundo externo, depende fundamentalmente do nosso crescimento interior, da sabedoria e filosofia que imprimimos em nossas vidas. De uma maneira ou de outra, todos os grandes cientistas, artistas ou estadistas são místicos de forma consciente ou inconsciente, de seus poderes paranormais de intuição, vidências, premonições e da alta sensibilidade capaz de ouvir no “barulho do silêncio”, a voz do mestre que clama intensamente em seu Sanctum Santorum.

    Existe no interior de cada um de nós uma semente de sabedoria (Eu Interior) aguardando as circunstâncias mais adequadas para poder germinar e florescer no bosque irradiante de Luz, a grande sabedoria capaz de permitir que cada um de nós possa construir uma vida melhor, mais justa, perfeita e verdadeira…

    Mas cuidado para não se preocupar apenas em atingir os objetivos ou terminar rapidamente a caminhada…

    O caminho é tão ou até mais importante que a própria caminhada!

    A conquista interna é mais importante do que a conquista externa. A busca da conquista externa é que nos faz caminhar.

    Pense nisso…

    A conquista do mundo externo é mais importante apenas como símbolo da maior conquista que é o crescimento interior, pois o crescimento ao longo do caminho é tão ou mais importante que a chegada.

    Vencer as paixões e emoções, isto é; vencer a si mesmo e de si mesmo é a essência do segredo para desabrochar o grande mestre oculto que existe no mais recôndito lugar do nosso interior mais profundo… E um dos primeiros passos desse caminho, é a simplicidade ao livrar-se da vaidade e do orgulho.

    Pense nisso…

    De qualquer forma, de nada adianta chegar ao fim da caminhada, se não tivermos evoluído ao longo do próprio caminho, porque a vida vai invariavelmente nos testar, caso não tenhamos evoluído em nossa eterna caminhada, e retirar o que recém acabamos de conquistar.

    A conquista externa sempre será apenas um sintoma de uma conquista interior ainda maior do que o espírito e da mente.

    arqueiro-zen-2CONTRA CAPA

    “Sentei-me numa almofada, diante do mestre que, em silêncio, me ofereceu chá. Permanecemos assim durante longos momentos. O único ruído que se ouvia era o do vapor da água fervendo na chaleira. Por fim, o mestre se levantou e fez sinal para que eu o acompanhasse. O local dos exercícios estava feericamente iluminado. O mestre me pediu para fixar uma haste de incenso, longa e delgada como uma agulha de tricotar, na areia diante do alvo. Porém, o local onde ele se encontrava não estava iluminado pelas lâmpadas elétricas, mas pela pálida incandescência da vela delgada, que lhe mostrava apenas os contornos. O mestre dançou a cerimônia. Sua primeira flecha partiu da intensa claridade em direção da noite profunda. Pelo ruído do impacto, percebi que atingira o alvo, o que também ocorreu com o segundo tiro. Quando acendi a lâmpada que iluminava o alvo constatei, estupefato, que não só a primeira flecha acertara o centro do alvo, como a segunda também o havia atingido, tão rente à primeira, que lhe cortara um pedaço, no sentido do comprimento.”

    Trazendo o fantástico para o nível do real, esta é uma página deste livro surpreendente, no qual o filósofo alemão Eugen Herrigel conta a sua extraordinária experiência como discípulo de um mestre Zen, com quem aprendeu a arte de atirar com arco, durante os anos em que viveu no Japão como professor da Universidade de Tohoku.

    Sem dúvida — como afirma na introdução o professor D. T. Suzuki — um livro maravilhoso que, graças à limpidez de seu estilo, ajudará o leitor do Ocidente a “penetrar na essência dessa experiência oriental, até agora tão pouco acessível aos ocidentais”.

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  • O homem que inventou Cristo

    A maioria pensa apenas em presentes, comilanças, bebedeiras intermináveis, esquecendo sempre do PRINCIPAL...

    Postado dia 24 de dezembro de 2016 às 15h em Especial de Natal

    Cristo

    Foto: Reprodução

    Falar sobre Natal, é falar de Jesus, o Cristo!

    Pena que muitos esquecem essa data tão importante e com significado extremamente forte, de cujo religioso, místico e espiritual.

    A maioria pensa apenas em presentes, comilanças, bebedeiras intermináveis, esquecendo sempre do PRINCIPAL…

    Por acreditar que o Natal representa a ESPERANÇA, a GRATIDÃO, o AMOR, a FRATERNIDADE, o RENASCIMENTO de uma vida melhor no interior de cada pessoa, é que gostaria de contribuir com um texto, que se chama:

    “O homem que inventou Cristo” 

    Clique para fazer o Download

    Por essa razão que acho oportuno compartilhar com vocês, essa “atmosfera” tão especial que é o NATAL!

    A todos os leitores, FELIZ NATAL no coração de cada um de vocês!

     

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  • A Pedra Fundamental

    O uso é antiquíssimo, desde a era romana, tendo sido usado por Tacitus na reconstrução do Capitólio, fato do qual há descrição histórica

    Postado dia 17 de novembro de 2016 às 08h em Ciências e Espiritualidade

    Foto: Reprodução

    Foto: Reprodução

    Aposição em que a Pedra Fundamental de qualquer edifício onde esteja presente a Maçonaria, é no CANTO NORDESTE do prédio, ou seja, em um local que fica ENTRE o Norte e o Leste (Oriente), porque isso tem um significado simbólico. No entanto, a literatura é pródiga em exemplos onde isso não foi possível, porque nem sempre o canto nordeste é o local mais favorável para a cerimônia pública, com muitas pessoas presentes, clima de festa, etc. Mas isso seria o tradicionalmente correto, desde épocas muito remotas. O uso é antiquíssimo, desde a era romana, tendo sido usado por Tacitus na reconstrução do Capitólio, fato do qual há descrição histórica.

    Nos EEUU, um País considerado praticamente constituído pela Maçonaria, e o que é amplamente reconhecido pelo público em geral, é extremamente comum que o lançamento da pedra fundamental de grandes edifícios públicos se faça sob a condução de Maçons, até para tornar o ato extremamente solene. E para isso há um ritual específico, de grande beleza simbólica. O ritual é riquíssimo em simbologia, especificando a forma da pedra, dimensões, sua localização exata no prédio, falas sua permanência no local e sua consagração. A pedra tem que conter, ou ser ela própria, um cubo PERFEITAMENTE ESQUADREJADO, onde esse esquadrejamento simboliza a MORALIDADE e a forma cúbica significa a VERDADE.

    pedra2Sua posição deve ficar entre o Norte e o Leste (Nordeste), para simbolizar a ESCURIDÃO DO NORTE e a LUMINOSIDADE DO ORIENTE, para simbolizar o progresso dos Maçons das trevas da ignorância para a luz dos conhecimento. Aliás, nunca é demais lembrar que essa simbologia é exatamente a mesma que está considerada no telhamento praticado nos EEUU entre desconhecidos, que corresponderia à nossa pergunta comum: “Sois M.?”. Lá a pergunta envolve a figura de um viajante e a frase (linda), explica exatamente essa questão. A pedra deve ser preparada a partir de uma rocha que leve em conta a permanência, ou a durabilidade prevista do edifício. Ou seja, não pode ser feita de um material que tenha durabilidade inferior à do material do prédio, pois isso simboliza o TRIUNFO DO ESPÍRITO SOBRE A MATÉRIA. No momento do assentamento da pedra, o ritual inclui que ela seja CUIDADOSA e RITUALISTICAMENTE verificada pelo condutor da cerimônia, que faz as verificações usando um ESQUADRO, um NÍVEL e um PRUMO. Cada uma dessas medidas tem o seu significado, que todos conhecem bem. Finda a verificação, ela é declarada de boa forma, verdadeira e confiável (talvez “segura”, não consegui sentir que termo seria melhor na tradução deste trecho). A pedra é então içada com o auxílio de uma carretilha, nos moldes da antiguidade MESMO, e depositada no seu local definitivo. Na consagração é utilizado um punhado de grãos, de vinho e de óleo, cada qual com o seu significado simbólico, que não difere dos nossos costumes.

    Um outro fato interessante que achei na literatura, e foi por acaso, mas é curioso, diz respeito à chamada Pedra de Annapolis. De acordo com o relato, o Geólogo Charles T. Jackson, de Boston, descobriu essa pedra em 1827, em Annapolis, Nova Escócia. Não era uma pedra fundamental, mas era uma pedra com o formato de uma lage plana, tendo inscrita (também não dá para definir na tradução se seria esculpida, mas este termo pareceria mais adequado) um ESQUADRO, um COMPASSO, e atenção: A DATA DE 1606. (Notaram bem a data? Notaram que nessa época o máximo que poderiam ser admitidas seriam as “lojas” operativas? Notaram que isso foi mais de um século antes da fundação da primeira Grande Loja, a de Londres? NOTARAM QUE A NOVA ESCÓCIA é uma província DO CANADÁ? Notaram que nessa época os Estados Unidos nem existia ainda como País?) Bem, o Geólogo deu essa pedra de presente para Justice T. C. Haliburton, que depois a devolveu para o filho do primeiro, que por sua vez a doou para o Instituto Canadense, localizado em Toronto, para integrar uma das paredes, como parte de uma cerimônia pública, mais ou menos como um marco. No entanto, por uma bobagem qualquer, um empregado temporário REBOCOU a parede durante as obras, ninguém se deu conta e NUNCA MAIS FOI POSSÍVEL LOCALIZÁ-LA. Apenas há o registro de que ela está em uma das paredes do edifício…

    pedra4A teoria mais aceita pelos estudiosos é de que essa pedra fora inicialmente preparada para uma obra na Inglaterra ou na Escócia, na época em que era usual que cada canteiro marcasse as suas pedras, mas que ela tenha acabado vendida para remessa à Nova Escócia, juntamente com outras. E comprova que MAÇONS ESTIVERAM NA AMÉRICA antes da fundação de Jamestown, por exemplo, ou do início da colonização de Plimouth. Porém, como uma pedra desse tamanho (e sabendo-se que na antiguidade as pedras das construções utilizadas eram realmente grandes), era afixada por aquele único pino no topo da pedra, e depois era erguida com uma corrente e colocada em seu lugar, sem que o pino se soltasse e a pedra despencasse? Afinal, se essa pedra cúbica medisse uma jarda de lado, pesaria pelo menos umas 3 toneladas (dependendo do material, é claro). A pergunta parece tola, mas realmente não é. A solução é uma das que comprovam (havia muitas outras questões do mesmo gênero) que os pedreiros da idade média tinham mesmo razão em guardar seus segredos, pois isso é o que lhes permitia ostentar o excelente status de que gozavam, a ponto de serem considerados “pedreiros-livres”, ou seja, tinham autorização para livremente transitar entre as comunidades independentes de então, sem serem molestados, quando se dirigiam para novas obras, por exemplo. Eram até disputados.

    Então, em primeiro lugar, uma solução engenhosa era mesmo necessária, porque não seria possível fazer um furo passante com uma porca ou um pino de trava do outro lado, por exemplo, porque no assentamento da pedra, dependendo do seu local definitivo, não haveria como tirar essa porca ou pino de trava do lado de baixo, porque a pedra despencaria FORA DO LUGAR, e seria bem mais difícil recolocá-la alinhada. Obviamente, pelo mesmo motivo não se poderia passar a corrente por baixo pedra: não daria para tirá-la depois que a pedra ficasse sobre ela. A solução encontrada: foi fazer um furo QUADRADO, ou RETANGULAR no topo da pedra, com um ponteiro e um maço normal de cantaria, mas furo esse que ia se alargando na medida em que se aprofundava na pedra, ficando com uma forma trapezoidal, se visto de lado, quadrado, ou retangular, se visto de cima e retangular se visto da outra lateral.Agora, reparem o que vai colocado dentro desse furo: são TRÊS peça de metal: a do centro tem a forma de uma PLACA com todos os lados em ângulo reto (noventa graus).

    Mas duas laterais, que são iguais, vão se alargando no fundo, uma para a direita e outra para a esquerda. Essas peças eram bem justas e tinham um furo na parte que ficava por fora da pedra. Então, para colocar as placas, colocava-se primeiro uma lateral e empurrava-se a mesma até ela se encaixar no alargamento do fundo. Depois colocava-se a outra lateral, a qual era empurrada para o lado oposto, até também se encaixar no alargamento do fundo, do seu lado. Assim sobrava o vão no centro, onde era encaixada verticalmente a terceira peça, com o formato de placa, que descia reta no seu lugar e ali ficava. Sua função era só manter as outras duas afastadas entre si, para ficarem presas na pedra. Isso feito, era colocada a peça de metal em “U” invertido, ou seja, em forma de estribo, de forma que as três placas ficassem dentro do “U” e os cinco furos (dois do estribo e mais um de cada uma das três placas) ficassem alinhados.

    pedra3Por último, passava-se um pino de metal pelos cinco orifícios (do estribo e das três placas alinhadas), pino esse que tinha uma cabeça de um lado e era travado com um contra-pino passando na ponta que saia do outro lado das três placas. Pronto: agora a pedra estava pronta, com uma alça no topo, que não tinha como se soltar, a menos que se tirasse a trava, o pino, o estribo, a placa central e por último as duas placas laterais, uma de cada vez, tudo nessa ordem. Aí era só encaixar o gancho da corrente, passar a corrente pela carretilha, prender a carretilha em um suporte (geralmente um tripé de troncos resistentes ou algo assim), colocar o tripé sobre o local exato onde a pedra seria depositada, içar a pedra vagarosamente e com força braçal ajustá-la e descê-la até seu local definitivo, aí retirando-se todas a parafernália. rudimentar, mas altamenteprática. Bem, agora vem a parte MAÇÔNICA: esse dispositivo recebeu um nome original em inglês, vindo do latim (porque o expediente já era usado pelos romanos) e por corruptelas, acabou resultando no nome “LEWIS”. E foi levado como um dos ornamentos das lojas inglesas e escocesas, com seu simbolismo próprio, como todas as demais ferramentas e instrumentos dos pedreiros.

    Essa miniatura, inclusive com o tripé, fica (ou ficava, porque o costume é só no Reino Unido e por aqui pouquíssimas lojas o tinham) no canto NORDESTE DO TEMPLO, perto do Prim. Diác. Quanto ao simbolismo, o nome LEWIS serve também para designar o que equivaleria aos nossos Lowtons. E o significado simbólico, então, em alusão àquele grampo de metal que sustenta o peso da pedra e permite conduzi-la ao seu correto destino, seria o de FIRMEZA, APOIO AOS MAIS NOVOS, SEGURANÇA, DIRECIONAMENTO, por aí.

    Aos Aprendizes, em especial, muito cuidado para não confundir estes dois temas de que tratamos sob o título de Pedra Fundamental e Lewis, com a Pedra Cúbica que todas as lojas normalmente possuem na decoração, muito menos com a outra pedra, denominada Pedra Cúbico-Piramidal, Pedra Pontiaguda, Perfeito Silhar e outros nomes, que algumas lojas ainda mantém no lugar da prancheta de traçar, que tem significado, simbolismo e uso totalmente diferente e algumas lojas ainda mantém (do tempo das Lojas Capitulares, hoje extintas no Simbolismo. Isso ficou mal resolvido quando as Lojas Capitulares foram extintas, e a prova está aí: os rituais que ainda não foram mutilados, bem como toda a literatura de bom nível, falam que toda loja tem três jóias fixas e três móveis, que fazem parte dos equipamentos para que ela possa funcionar. E todos, ou pelo menos os mais antigos, devem lembrar-se de que as três jóias móveis são a Pedra Bruta, a Pedra cúbica e a Prancheta de Traçar.

    Bem, aonde foi parar a Prancheta de Traçar das lojas? Acho que ela SUMIU da maioria das Lojas, e o máximo que se encontra é um símbolo no Painel do Grau. Só que ela aparece no Painel do Gr. 1, no Painel do Gr. 2 mas NÃO APARECE NO PAINEL DO GRAU 3. Não vou conferir em todos os ritos, mas garanto de cabeça que no painel do REAA não aparece… Então, onde foi parar essa JÓIA MÓVEL, que nas instruções nós vivemos repetindo que está lá na Loja? Bem, nos idos tempos, ela deveria mesmo estar ali pelo NORDESTE DA LOJA, eu acho. Depois foi parar no Perfeito Silhar, ou Pedra Cúbico-Piramidal, ou Pontiaguda, até sumir de praticamente todas as lojas (ainda existem algumas) e, no máximo, tem um resquício de desenho nas painéis citados.

     

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  • O Misticismo da Ceia de Endoenças

    Anualmente, em nossos Templos  Maçônicos, são realizados uma profunda cerimônia mística, que transcende a ritualística, com características de cunho puramente espiritual, filosófica e meditativa.

    Postado dia 18 de outubro de 2016 às 09h em Ciências e Espiritualidade

    Foto: Reprodução/Internet

    Foto: Reprodução/Internet

    Trata-se da Cerimônia de Endoenças, a qual é compartilhada com os irmãos integrantes dos graus filosóficos maçônicos da uma Loja Rosacruz (grau 18).

    A Quinta-feira Santa, ou Quinta-feira de dores e temores (daí o nome de Endoenças), é a quinta-feira imediatamente anterior à Sexta-feira da Paixão da Semana Santa.

    Essa data marca o fim da Quaresma e início do Tríduo Pascal (festa com 03 dias consecutivos religiosos) de, na celebração, que busca resgatar do nosso Inconsciente Coletivo (arquivos akashicos), a última Ceia Mística do Senhor Jesus, o Cristo, com os seus 12 (doze) Apóstolos.

    ceia2Dentro dos ofícios do dia, adquire-se uma importância especial, simbólica e mística, o famoso “lava-pés”, realizado pelo sacerdote, no qual nos faz refletir a importância do gesto realizado pelo Senhor Jesus.

    A “chamada última ceia” de Jesus, com os seus “shaberim” (em hebraico, os membros escolhidos para a sua ceia), foi um “kidush” (da raiz kodesh = santo, sagrado), que também é a origem da eucaristia.

    kidush era realizado na véspera de uma festa religiosa, ou na véspera do shabbat (sábado, o dia santificado), para realçar a santificação do dia, que precedeu a “Pessach” Passagem, Páscoa, lembrando a saída do Egito — todavia, como a sexta-feira era dia de preparar os alimentos que seriam consumidos no sêder (jantar da Páscoa) e de queimar hametz (alimentos impuros, proibidos durante a Páscoa), o kidush era recuado para a quinta-feira.

    Como a maçonaria é baseada nos princípios fundamentalmente hebraicos, e para aqueles que desejarem saber mais detalhes sobre os usos e costumes hebraicos, tais como a cobertura da cabeça desde a brit-milá (circuncisão), o chapéu negro ou kipá, também conhecido como solidéu (do latim soli Deo = só a Deus) que é obrigatório nas cerimônias litúrgicas, os maçons também utilizam chapéus (a partir do grau de mestre maçom), sendo o Presidente de Loja deve obrigatoriamente utilizá-la em todas as sessões e graus ministrados, recomendo a leitura de um excelente livro “A Maçonaria e sua Herança Hebraica” – Editora A Trolha – José Castellani – 1.993.

    A Maçonaria, geralmente, assim como no judaísmo, a cobertura da cabeça, além de mostrar que, acima da cabeça do Homem, existe algo mais transcendental, Onisciente, Onividente e Onipresente, que é Deus, assim também chamado e conhecido na Arte Real, como Grande Arquiteto do Universo, pois nos faz enveredar na pequenez humana e a prostração do Homem perante Deus, pois sendo a cabeça, a sede da mente e do conhecimento, estando ela assim coberta, demonstra a incapacidade humana de ousar entender a divindade, o que é, praticamente, uma afirmação agnóstica.

    ceia1Em última análise, a prova da submissão do Homem à Deus!

    Os referidos ofícios da Semana Santa chegam à sua máxima relevância litúrgica na Quinta-feira de Endoenças (do latim: indulgentias), quando começa o chamado tríduo pascal, culminante na vigília que celebra, na Noite de Sábado de Aleluia, a ressurreição de Jesus Cristo no Domingo.

    Na Missa dos Óleos (Santos Óleos) ou Missa do Crisma, a Igreja celebra a instituição do Sacramento da Ordem e a benção dos santos óleos usados nos sacramentos do Batismo, do Crisma e da Unção dos Enfermos, onde os sacerdotes renovam as suas promessas!

    Assim como no paganismo, e também em outras  culturas deistas e teístas, era necessário para aplacar a “ira” dos deuses, oferecer animais e mulheres vestais (virgens) para sacrificar através da oferenda do fogo, e em outras religiões, aos elementos do ar e a água e a terra (com os seus Seres Elementais Salamandra – Fogo; Ondinas – Água, Elfos – Ar e Gnomos  – Terra) a purificar e pedir o perdão pelos pecados dos seus povos, na Antiguidade.

    Acredito ser oportuno lembrar e relembrar para alguns, porque a Igreja Católica em suas homilias e cerimônias litúrgicas afirma que Cristo é o “Cordeiro de Deus” e que veio à Terra para “tirar os pecados do mundo (humanidade)”.

    Na Quinta-feira de Endoenças, Cristo ceou com os seus apóstolos, seguindo a tradição judaica do “Sêder de Pessach” (conforme anteriormente explicado) já que segundo esta deveria cear-se um cordeiro puro; com seu sangue, deveria ser marcada a porta em sinal de purificação; caso contrário, o anjo exterminador entraria na casa e mataria o primogênito dessa família (décima praga), segundo o relato que consta no livro de Êxodo.

    maconariaNesse livro, pode-se ler que não houve uma única família de egípcios na qual não tenha morrido o primogênito, pelo que o faraó permitiu que os judeus abandonassem o Egito, e eles correram o mais rápido possível à sua liberdade; o faraó rapidamente, arrependeu-se de tê-los deixado sair, e mandou o seu exército persegui-los, mas Deus não permitiu e, depois que os judeus tinham passado o Mar Vermelho, fechou o canal que tinha criado, afogando as tropas egípcias.

    Para a religião católica, o cordeiro pascoal, a partir dessa história, passou a ser o próprio Jesus, o Cristo, ser referência imaculada dessa oferenda, que entregue em sacrifício pelos pecados da humanidade, e dado como “alimento espiritual”, através da hóstia banhada em seu sangue (vinho) possa redimir os pecados de toda a Humanidade…

    Na Maçonaria, a cerimônia celebrada na Quinta-Feira Santa, possui entre os muitos significados esotéricos, a mística cerimonial da encenação, tal como Jesus, o Cristo, compartilha seu corpo e sangue com seus apóstolos, o Presidente da Sessão Maçônica, também compartilha o pão no vinho consagrado, comungando com seu Eu Interior, seu Sanctus Santorum, com todos os IIr.’. presentes, divulgando na sua fala: “aprendei e ensinai…” distribuindo a “nutrição”, que simboliza o sangue e corpo de todos os Cavaleiros presentes, para que as “forças” da  Vida sejam aumentadas; a inteligência seja sã e sincera entre todos, e que a Verdade possa ser encontrada no âmago de cada irmão, para que as aspirações individuais possam ressoar em uníssono energético com o nosso Grande Arquiteto do Universo!

     

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  • A iniciação maçônica, uma reflexão filosófica

    “A falsa ciência gera ateus, a verdadeira ciência leva  os homens a curvarem-se diante da Divindade”. Voltaire

    Postado dia 9 de setembro de 2016 às 09h em Ciências e Espiritualidade

    maçônica

    Foto: Reprodução/Internet

    Muitas vezes deparamos sobre o que está envolto, em seu misterioso processo alquímico, o processo de transformação do ser, na sua essência espiritual (Eu Interior) em pleno século XXI.

    No mundo materialista que vivemos, caracterizado pela busca incessante de sempre querer e se apropriar cada vez mais de bens, serviços e reconhecimento pessoal, como fonte de alimento insaciável para um viver melhor, buscamos alternativas para nos encontrar, achar o nosso ponto de equilíbrio, como já disse certa vez o famoso escritor Umberto Eco, em seu livro O Pêndulo de Focault. Entre essas alternativas, está o ingresso nas Escolas Iniciáticas (a Maçonaria é uma delas…), por muitos tida como a tábua de salvação para um novo amanhã!

    Ao ingressarmos na Arte Real, passamos por uma Iniciação, processo este que misteriosamente transforma o indivíduo recém-chegado, ou profano, em um novo renascer…

    O termo Iniciação, como consta nos dicionários, é definido como ato ou efeito de iniciar-se, ou o começo de qualquer coisa.

    Poderíamos entender como o começo, ou o recebimento preliminar de qualquer coisa, misteriosa ou ainda desconhecida; seja para os ocultistas, ou iniciar-se em uma atividade humana de qualquer espécie (esportiva, profissional, intelectual, etc.).

    Deve-se entender, neste contexto, que a Iniciação é ampla. Ou seja, Maçônica, Escolas Esotéricas e Iniciáticas, seitas das mais diferentes correntes e tendências do pensamento, religiões, entidades filosóficas, movimentos políticos cuja admissão, muitas vezes, é feita com iniciação, e até mesmo nas Escolas Satânicas espalhadas em várias regiões do nosso planeta.

    Dessa forma, podemos (e devemos) excluir desse cenário os Grandes Iluminados de outrora, pois já nasceram com a mente aberta, cósmica e privilegiada. Afinal, a harmonia e a perfeita combinação de seus genes já trouxeram do ventre materno tais características que os tornaram serem especiais. Exemplos disso, apenas para citar alguns, são Leonardo da Vinci, Einstein, Pitágoras, Platão, Sócrates, Apolônio de Tiana.

    Na Iniciação Maçônica, se realizada com primor e eficácia, acredita-se que o neófito conseguirá mergulhar nas profundezas e nos mistérios da mente e do Universo.

    No complemento dessa Iniciação, o adepto continuará o seu trabalho no auto-desenvolvimento de seu aprimoramento psíquico-espiritual, no desbastar de suas asperezas interiores – que só ele, e mais ninguém, sabe quais são…

    O aprofundamento das instruções recebidas do seu grau, com muito estudo, meditação e dedicação, irá conduzi-lo nas brumas do seu Eu Interior, para a consagração do seu Eu Superior (centelha divina que todos nós possuímos em nossa Alma-Espírito). Para isso, torna-se necessário o desapego pelo materialismo exacerbado em que vivemos, progredindo paulatinamente na ascensão espiritual de sua Iniciação Total, apesar de saber que nenhum de nós conseguirá atingir a Iniciação completa, pois sempre terá algo a acrescentar para chegar no cume da senda espiritual!

    Nestes tempos em que vivemos, de evolução constante da tecnologia, e, consequentemente, de avanço da ciência em sua plenitude, o homem moderno está, cada vez mais, desmistificando as religiões tradicionais, como também já não aceita as inúmeras seitas e religiões que surgem a cada dia, com o pretexto de ser melhor que as demais, com o bastão da pseudo-verdade, em busca do seu eterno caminho na busca divina.

    Incrível, mas infelizmente essas neo-religiões buscam apenas arrecadar mais dinheiro de seus seguidores, que inocentemente são domesticados pela falsa fé, manipulados por dogmas e idolatrias de seus pregadores que, em nome de Deus, falam, em seus sermões, para aqueles menos avisados ou inocentes pela crença no Ente Superior…

    O homem moderno que busca as verdades ocultas sabe da necessidade em pesquisar as tradições; sabe inquirir, deduzir e avaliar, dentro da sua escala de valores, o que é correto e adequado para sua evolução. Procura nas várias correntes do pensamento, as Escolas Iniciáticas, entre elas a Maçonaria, para viver e presenciar novas experiências, novas nuances, e novas respostas do seu mar de dúvidas que possui em seu mais íntimo ser!

    Como sabiamente disse certa vez Sócrates, o mais difícil é Conhecer a si próprio; esse auto-conhecimento, do fundo de suas profundezas, parodiando o Mito das Cavernas de Platão, e que certa vez fez Zaratustra, por meio da meditação ou por ascese, ou metodicamente auxiliado pela autocrítica, após muito esforço, estudo e desprendimento, chegar um dia, a sua iluminação interior.

    O sonho de todo maçom é chegar mais ou menos perto desse autoconhecimento, que é justamente o que a Verdadeira Maçonaria, que é a Escola da Vida, espera desse neófito no decorrer de sua vida maçônica.

    Entretanto, essa sensibilização é própria e particular para cada indivíduo, já que somos seres humanos, e necessitamos tais mudanças, pois existem dentro de nós, inúmeros fantasmas que precisam da Luz Maior para seguirem os seus caminhos.

    O caminho de todo homem possui três aspectos essenciais: sua vida pessoal, seu relacionamento com o mundo em que vive, e sua vida cultural.

    É justamente nesse terceiro aspecto que o homem moderno entra em suas eternas buscas, no conflito entre a sua espiritualidade e as regras que a sociedade de consumo e as religiões em que vivencia lhe impõe. É necessário navegar nesse emaranhado de pensamentos e teorias, pois o mar revolto se apresenta em condições desfavoráveis para a navegação.

    Analogamente ao labirinto de Creta, a busca dessas condições representa o símbolo muito usado pelos antigos de outrora ao traçar os caminhos, isto é; um do Centro e outro caminho tortuoso, repleto de obstáculos, perigos e tentações, que deverá ser percorrido pelo iniciado, com sabedoria, prudência e paciência, para conseguir atingir a meta desse labirinto (que é o Centro), pois a Iniciação ocorrerá por toda a sua vida, sendo eterna a sua busca desse Centro…

    Esse Centro seria o “estado de ser”, o nosso verdadeiro Eu, aspecto duplo de nossa personalidade. Essa seria então a finalidade da Iniciação Maçônica, quando o adepto tenderá, simbólica e espiritualmente, chegar cada vez mais perto desse Centro.

    Apesar desse rico artifício que a Maçonaria oferece da mais pura espiritualidade (Iniciação), é de se lamentar que muitos maçons ignoram todo esse potencial, ou o substituem por outros valores de menor importância. Muitos se vangloriam que foram iniciados em tal Loja, que são maçons há muitos anos, relatando a sua passagem pela Iniciação, mas narram sem a espiritualidade que a Maçonaria espera desses irmãos… A maioria desses (irmãos) apenas corre atrás dos graus, acreditando que esses (graus) lhe darão maior sabedoria, importância e status em nossa Ordem, acreditando que atingiram a sua Iluminação!

    A verdadeira Iniciação ocorre não no seu dia em que ingressou na Arte Real, mas sim sendo o início de uma longa jornada em que acabou de dar o seu primeiro passo…

    Muitos também acreditam que a Maçonaria tem como objetivo principal a filantropia, voltada para a benemerência, e esquecem que suas atitudes nunca resolverão os problemas sociais que afetam a comunidade.

    Outros pensam que a nossa Ordem deve ter a sua participação na política, como se as suas Lojas fossem a extensão dos partidos políticos a que pertencem.

    A Maçonaria é muito mais que isso; ela é verdadeiramente, como sempre digo, uma Universidade da Vida. Ela tem como objetivo, preparar os seus membros, ensinando-os a ser maçons na acepção da palavra, ou seja; homens com menos defeitos, mostrando-lhes o caminho a seguir.

    Se algum irmão tiver alguma inclinação para a política ou para a filantropia, ou outra atividade qualquer, então a nossa Ordem guiará com seus princípios para que os irmãos atuem como verdadeiros construtores sociais, atuando como líder desses projetos em que tiver engajado. A Maçonaria apenas prepara o maçom, não age diretamente, pois esse será a missão do verdadeiro maçom.

    Para ser verdadeiramente maçom, não basta usar o avental uma vez por semana, ostentar o distintivo na lapela do esquadro e compasso, ou ainda, apresentar o Grau 33 e não saber como um Mestre deve se comportar…

    Feliz daquele que, ao adentrar em um Templo Maçônico, sinta o poder espiritual contido nos símbolos decorados em uma Loja e enxergue nesses ideogramas a mais pura expressão divina e humana, com todos seu conteúdo e significado transcendental.

    Quem puder sentir a beleza emanada de um Ritual, quando bem executado, pressentir e sentir o momento mágico da liturgia em acender as luzes emanadas dos candelabros místicos do Livro da Lei, do Venerável Mestre e seus Vigilantes, e sentir a presença da Divindade manifestada, quem puder perceber o Pavimento Mosaico com as suas  dualidades existentes na Lei dos Opostos, de sentir a profunda força espiritual irradiada no Olho que Tudo Vê, na presença do Delta Sagrado com a inicial do Tetragrama Sagrado do G?A?D??U?  (IOD HE VAU HE).

    Quem conseguir adentrar em uma Loja e sentir-se com a mente totalmente aberta, quem puder, após muitos estudos, perceber que se modificou e amalgamou os ensinamentos obtidos pelas diversas Instruções de seus diferentes graus, e que agora percebe realmente, a presença divina do G.’. A.’. D.’. U.’., sentindo-se mais abrangente, mais humano, sem rancores, muito provavelmente estará chegando no cume da Senda Espiritual, transformando-o na sua Iniciação Simbólica para a Iniciação Real, transcendendo o mundo da materialidade e atingindo o que a Maçonaria espera de cada um de nós, encontrar verdadeiramente o

    “Caminho de volta à Casa do Pai…”

     

     

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  • A importância da prática do ritual

    O ritual é um processo que disciplina e regulamenta nossos atos, fases e atitudes, destinados a promover e desenvolver, gradativamente, os acontecimentos da Natureza, em comunhão com as atividades do ser humano

    Postado dia 5 de agosto de 2016 às 09h em Ciências e Espiritualidade

    ritual

    Foto: Reprodução/Internet

    Em toda cerimônia se faz necessário o uso ou a prática de um ritual. Quer queira nas atividades sociais, (festa de debutantes, formatura, aniversário, etc.), religiosas (casamento, bodas de casamento, ordenação de religiosos, sessões fúnebres, etc.), ele (ritual) é um processo que disciplina e regulamenta nossos atos, fases e atitudes, destinados a promover e desenvolver, gradativamente, os acontecimentos da Natureza, em comunhão com as atividades do ser humano.

    Não se trata de um acontecimento aleatório ou supersticioso, mas um processo técnico em todos os fatos, ou marcos importantes em nossas vidas.

    Nos processos esotéricos, místicos e de ordens iniciáticas, como são os praticados na Maçonaria, Rosa Cruz, e outras ordens, o ritual nada tem de crendices e mistérios, pois ele representa a ordem dos processos, determina ao praticante que faça a atração das forças a serem mobilizadas; depois deverá concentrá-las e, em seguida, de maneira gradativa, dinamizar e direcioná-las para o objetivo escolhido.

    Se analisarmos com maior detalhe e perspicácia, realizamos rituais diariamente, ao acordarmos de manhã, ao fazermos cotidianamente os mesmos atos regularmente, e quando deixamos de fazê-lo, por um motivo ou outro, nos sentimos mal o dia todo, como se estivéssemos fora de sintonia.

    Se analisarmos com maior detalhe, diariamente somos todos sacerdotes em nossas vidas. Um dos atributos do ritual é que ele tem como característica a repetição, sem falhas dos gestos, palavras e ações, que, quando são feitos com concentração e motivação alegre, ligam-nos com arquétipos e energias sutis, mas benéficas às nossas vidas. Ainda mais importante, é a atuação de cada um dentro do ritual, destinado a nos ligar às energias superiores, ou mesmo significações filosóficas em prol não apenas de quem exerce, mas também de algo maior e muito mais valioso.

    O ritual praticado em cerimônias místicas e esotéricas se constitui de um meio poderoso para fazer com que todos aqueles que efetivamente dele participam atinjam um clímax, um estágio superior de consciência, que através da repetição disciplinada e constante, com os requintes e detalhes que lhe são peculiares, com extrema atenção e correção, com suavidade e obediência em um ritmo acertado, gera equilíbrio psicoemocional, com uma paz interior difícil de descrever, além de colocar cada um em um estado de atenção.

    Para aqueles que são mais atenciosos e perspicazes, percebem de imediato, quando o Venerável de uma Loja está indisposto, ou desconcentrado, cansado ou nervoso, preocupado ou perturbado por emoções e/ou energias estranhas, ocorre, desde o início do ritual da abertura de uma sessão, uma “quebra” na prática do mesmo. As falas e dizeres dos manuais saem erradas, pulam-se partes dos dizeres constantes dos manuscritos, e por conseguinte, do ritual, no que se refere a sua sequência, ficando claro e evidente a todos os participantes, a falta de sintonia da reunião realizada.

    Os erros do Venerável são logo acompanhados pelos seus Oficiais, e por fim, por todos os demais membros da reunião, criando dessa forma, uma completa desarmonia e desconforto para aqueles que participam.

    Normalmente, antes do início de uma reunião, é realizada uma meditação, que serve entre outros, para acalmar e serenar os espíritos e ânimos, relaxando os nervos, e o stress acumulado no dia-a-dia, fazendo com que se dissipem as preocupações  “profanas”, para que possamos nos realimentar, carregando nossas “baterias” psicoemocionais, na reunião a ser realizada.

    Toda escola iniciática estabelece um ritual, uma liturgia, a ser seguida e praticada de maneira irrepreensível. Não se trata apenas de uma repetição de ações mecanicistas, mas muito mais que isso, trata-se principalmente, de gerar uma fonte de energia que alimente a egrégora, que, por sua vez, dará um sentido e uma força mágica ao ritual e ao cerimonial.

    Na Iniciação, esse cerimonial, se bem praticado e executado pelos seus participantes, permite para o iniciado perceber e refletir seu mais profundo significado, produzindo um impacto emocional e espiritual, necessário ao candidato, e marcando, indelevelmente em sua alma, por toda a eternidade.

    As Escolas Iniciáticas, herdeiras e depositárias de ritualísticas advindas de sociedades antigas, como a egípcia, por exemplo, objetiva transformar o indivíduo, atuando nele e no grupo como um todo, uma transmutação alquímica interior.

    Para isso, o ritual tem uma importância capital nesse processo, e, definitivamente, é um mau maçom, rosa-cruz ou outro integrante dessas escolas iniciáticas, aquele que faz pouco caso da ritualística, ou a realiza apenas, de maneira superficial e mecânica. Gestos, palavras, sons e posturas, são fontes geradoras e canalizadoras de energias, positivas ou negativas, ou melhor, de energias éticas e não éticas.

    A responsabilidade dos mandatários e oficiais de uma Loja é zelar para que todos os obreiros trabalhem conforme a maneira prevista na ritualística, corrigindo desvios e impondo disciplina, pontualidade e assiduidade, a dedicação aos estudos e conhecimento profundo de cada grau que o praticante venha a exercer.

    Sabe-se, por experiência, que em Lojas e/ou Reuniões onde o relaxamento da disciplina e do rigor da prática ritualística “abateram colunas” ou acabaram sendo extintas. Isso, motivado evidentemente pelo enfraquecimento da egrégora e desunião de seus participantes.

    Outra causa comum na dissolução de lojas é o desinteresse dos obreiros, pela falta de motivação. Invariavelmente, isso ocorre em virtude do responsável pela loja, leia-se Venerável, pelo despreparo e/ou desorganização na preparação da instrução, ou tema para ser debatido na sessão. Os obreiros se sentem frustrados por nada terem aprendido de novo naquela reunião, pensando na perda de tempo em frequentar as reuniões da loja.

    O bom preparo, no plano físico, emocional, e principalmente, espiritual, é mister e fundamental para que o Venerável seja um agregador de almas para o bom andamento das sessões que estão por vir!

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  • A Estrela de Cinco Pontas

    As cinco pontas da Estrela lembram os cinco sentidos que estabelecem a comunicação da alma com o mundo material

    Postado dia 18 de julho de 2016 às 08h em Ciências e Espiritualidade

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    Foto: Reprodução/Internet

    Quem olha para fora sonha;

    Quem olha para dentro desperta!

    (Anônimo)

      

    CONTEMPLAÇÃO DA ESTRELA FLAMÍGERA

    Através dos séculos, sempre existiu a preferência por uma estrela de cinco pontas como figura dos astros de aparência menor do que a do sol e a lua.

    O planeta Vênus tem sido representado assim. Era considerado uma estrela matinal e vespertina, ensejou lendas sem conta.

    A Vênus amorosa e leviana teve vários nomes, como Afrodite (feita da espuma do mar), a Calipígia (de nádegas bonitas), Cipres, Páfia, Citeréia, Anadómene (surgindo das águas) e Dionéia, nome de sua mãe. Esposa adúltera de Vulcano, amante de Marte, a quem dedicou galanterias comentadas jocosamente pelos Deuses do Olimpo, apaixonou-se pelo mortal Adônis, a quem perseguia e cortejava desesperadamente desde que o viu caçar nas florestas do Líbano – não parou nem mesmo quando ele, no inferno, tornou-se amante de Prosérpina. Conformou-se com a sentença de Júpiter, que autorizou Adônis a passar quatro meses com ela e os meses restantes do ano com Prosérpina. Além disso, na simbologia greco-romana, Vênus ou Afrodite era a Deusa do amor, mãe de Eros ou de Cupido.

    gAdônis representava a natureza, a fecundidade capaz de persistir em todas as estações do ano, ou de renovar-se na primavera. Há certas analogias místicas e, mesmo, derivações entre Ishtar, da Mesopotâmia, Astarte, dos Fenícios, a grande mãe Cretense e outras Deusas protetoras do amor, da fecundidade e da geração, e Vênus, a incorrigível adúltera.

    Por outro lado, a Estrela de Cinco Pontas sempre foi, desde tempos remotos e até hoje, o distintivo de comandantes militares.

    Como Símbolo Maçônico, A Estrela Flamígera, Flamejante ou Flamante é rigorosamente de origem Pitagórica, pelo menos quanto ao seu formato e significado, este muito mais antigo do que aqueles que lhe deram alquimia, a magia e o ocultismo, durante a Idade Média.

    O seu sentido mágico alquímico e cabalístico e o seu aspecto flamejante foram imaginados ou copiados por Cornélio Agrippa de Nettesheim (1486-1533), jurista, médico e teólogo, professor em diversas cidades europeias.

    A magia, dizia ele, permite a comunicação com o superior para dominar o plano inferior. Para conquistá-la, seria necessário morrer para o mundo (Iniciação). Símbolo e distintivo dos Pitagóricos, a Estrela de Cinco Pontas ou Estrela Homonial é também denominada com impropriedade etimológica, Pentáculo (cinco cavidades), Penta Grama (cinco letras ou sinais gráficos, cinco princípios) ou Pentalfa.

    Importa saber que os pitagóricos a usam para representar a sabedoria (sophia) e o conhecimento (gnose).

    Por desconhecimento do Grego Clássico, alguns autores de livros chegaram a afirmar que no interior da Estrela Pitagórica estava escrita a letra H, de higiene. Ora o H, no grego, é a letra “ETA”; devidamente acentuada, é artigo definido. Nada tem a ver com a palavra “ingueia” ou “ugueia”, começada com ipsilon, radical do qual derivou “higiene”, a maneira latina, dado que os romanos cometiam o erro de ligar o artigo com o substantivo.

    Mais provável é afirmar que os pitagóricos empregavam no interior do pentáculo a letra gama, de gnoses: não há como esquecer a comprovada ligação dos pitagóricos com os mistérios órfilos.

    O dualismo corpo e alma (soma e anemos), sustentado pelos órficos, integrava a doutrina da escola itálica.

    Pitágoras nada escreveu. O que se pode saber dele está nas alusões constantes dos diálogos ou dialética escritas por diversos autores gregos e romanos.

    Entre os pitagóricos a alma tinha o significado de animação e fator de movimento. Alguns deles falavam de um pó sutil que se movimentava como os astros. Outros entendiam por alma a força que movimentava esse pé, ou o próprio movimento cíclico dessa consistência etérea, capaz de introduzir-se no recém-nascido racional ou irracional quando este seria atingido pela trajetória circular do elemento sutil.

    A Estrela Flamígera era um símbolo desconhecido pelos pedreiros livres medievais. Seu aparecimento na Maçonaria, a partir de 1737, não encontrou guarida em todos os Ritos. O certo é que os construtores medievais conheciam a figura estelar apenas como desenho geométrico, e não com interpretações ocultas que se introduziram na Maçonaria especulativa.

    A Estrela Flamejante corresponde ao Pentagramaton, ou Tríplice Triângulo cruzado dos pitagóricos. Distingue-se do Delta ou Triângulo do Oriente – embora, entre os antigos egípcios, representasse também Horus, que em lugar do pai, Osíris passou a governar as estações do ano e o movimento. O verdadeiro sentido da Estrela Flamígera é Homonial. Eis que o símbolo designa o homem espiritual, o indivíduo dotado de alma (anemos), ou de fator de movimento e trabalho. Ou seja, o indivíduo como espírito ou fagulha interna que lhe concedeu o Grande Arquiteto do Universo.

    A ponta superior da Estrela é a cabeça humana, a mente.

    As demais pontas são os braços e as pernas. Na Maçonaria essa ideia serve para lembrar ao Maçom que o homem deve criar e trabalhar, isto é, inventar, planejar, executar e realizar, com sabedoria e conhecimento. Pode ocorrer que o ser humano falhe nos seus desígnios. O Maçom também pode falhar como ser humano, mas seu dever é imitar, dentro de seus ínfimos poderes, o Grande Arquiteto do Universo, o ser dos seres.

    Aí está o principal segredo do Grau de Companheiro.

    Outra interpretação é a que se refere a 3+2=5, soma em que três é a divindade cuja fagulha é encarnada e dois é o material, o ser que se reproduz por dois sexos opostos e não consegue perpetuar-se de outro modo.

    pentagrama 2

    As cinco pontas da Estrela ainda lembram os cinco sentidos que estabelecem a comunicação da alma com o mundo material. Tato, audição, visão, olfato e paladar, dos quais para os Maçons três servem a comunicação fraternal, pois é pelo tato que se conhecem os toques. Pela audição se percebem as palavras e as baterias, e pela visão se notam os sinais.

    Mas não se pode esquecer o paladar, pelo qual se conhecem as bebidas amargas e doces, bem como o sal, o pão e o vinho. Finalmente, pelo olfato se percebem as fragrâncias das flores e os aromas do Altar de Perfumes.

    A letra “G”, interior com o significado de gnose ou conhecimento, lembra a quinta essência, quanto ao transcendental.

    Quanto ao Homonial, lembra ao Maçom o dever de conhecer-se a si mesmo.

    No Grau de Companheiro recomenda-se ao Maçom o dever de analisar as próprias faculdades e bem empregar os poderes pessoais em benefício da humanidade.

    POSIÇÃO DA ESTRELA FLAMÍGERA NO TEMPLO

    Os Rituais do mundo e os diversos Ritos Maçônicos não se entendem também quanto à colocação da Estrela Flamígera no alto do recinto do Templo. Uns a colocam no Oriente à frente do trono, outros a configuram no interior do Delta, o que parece mais sugestivo, principalmente quando o Obreiro, na elevação de Grau, é chamado a contemplar o Triângulo Radiante.

    Outros, entendendo que ela é de brilho intermediário, isto é, de luminosidade simbolicamente situada entre a luz ativa do sol e a luz próxima ou reflexa da lua, mandam situá-la no meio do teto do Templo, dependurada, ou pelo menos no meio-dia, onde, à maneira inglesa, está o 2º Vigilante.

    Outros a consideram uma Estrela do Ocidente. Lojas do Rito Moderno as têm colocado no Ocidente ao lado o 2º Vigilante (norte).

    Entende-se que a melhor forma é se colocar a Estrela Homonial no meio do teto do Templo, ou de maneira que o Iniciado possa contemplar o Símbolo quando é chamado a fazê-lo.

     

    SIGNIFICADOS MAÇÔNICOS DA LETRA G NO INTERIOR DO PENTAGRAMA

    Ficou demonstrado então que a melhor significação do G central do pentagrama é gnose=conhecimento.

    O caráter Homonial da Estrela Flamejante é indiscutível, a luz das fontes pitagóricas e das referências gregas e romanas.

    Ninguém negaria ao Símbolo o seu sentido mágico, sendo que Pitágoras se dedicava à magia.

    Não vemos, portanto, qualquer possibilidade de se confundir o pentagrama com o Delta. Este é divino e aquele é Homonial e referente ao homem espiritual.
    g3No pentagrama a letra G quer dizer principalmente gnose. Porém, para satisfazer gregos e troianos, é necessário se acrescentar os significados GERAÇÃO, GÊNIO, GEOMETRIA e GRAVITAÇÃO, e também GLÓRIA PARA DEUS, GRANDEZA PARA O VENERÁVEL DA LOJA, ou para A LOJA, e tem sido registrado em muitos Rituais Maçônicos na tentativa de se encontrar ligação entre estes hipotéticos significados da letra “G”.

    Diz-se que GERAÇÃO estaria ligada ao princípio (gênesis da Bíblia) ou a Arquem, dos gregos. Gênio seria o correspondente a “DJINN” dos árabes e a “GINES” dos persas, que no ocultismo tange aos chamados “ELEMENTAIS” ou “SEMI-INTELIGENTES ESPÍRITOS DA NATUREZA” e em outras interpretações quer dizer o espírito criador ou inventor, ou a chama realizadora.

    GEOMETRIA, ciência da medida das extensões, que lembra as regras do grande geômetra para realizar a Arquitetura do Universo. Na sabedoria ela provocou os diálogos sobre ORDEM, EQUILÍBRIO e HARMONIA. A GRAVITAÇÃO lembra Newton e sua lei: A matéria atrai a matéria na razão direta das massas e na razão inversa do quadrado das distâncias.

    ARQUEU, O PRINCÍPIO, O FOGO REALIZADOR

    A palavra Arqueu deriva do grego e queria dizer princípio, principal, primeiro, príncipe, reino, domínio. Para os gregos, a palavra tinha o sentido de poder formador da natureza. Seria a essência vital que exprime as propriedades e as características das coisas.

    Por comparação, corresponderia ao sopro divino que deu vida a Adão na Bíblia.

    Ensinam certas instruções maçônicas o motivo simbólico das chamas que envolvem a Estrela Pentacular, relembrando Arqueu, o Fogo Realizador, ou ensinando que a letra G significa o gênio ou a ÁSCUA SAGRADA que anima o Companheiro Maçom à realização.

    Tem-se afirmado que a Estrela Flamígera traduz a luz interna do Companheiro Maçom ou que representa o próprio homem Maçom dotado da luz divina que lhe foi transmitida.

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