Aumento de Salário Mínimo, ilusão ou correção?

Muito se fala em relação ao governo argentino que manipula seus índices de inflação para maquiar uma política econômica pífia e sem nenhum direcionamento sério que possa favorecer o país em longo prazo. Não estamos em um patamar tão diferente

Postado dia 06/01/2016 às 11:17 por Wndenberg Marques

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No Brasil não é diferente, o aumento do salário mínimo foi de 11,6 % de R$ 788,00 para R$ 880,00 enquanto o índice que mede o quanto os preços dos principais itens da cesta de consumo dos brasileiros subiram que é o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) subiu nos últimos 12 meses 10,48%.  Será mesmo que se fizermos uma pesquisa nos produtos que consumimos vamos chegar apenas próximo aos 11% de aumento médio nos últimos 12 meses?

Temos muitos preços controlados pelo governo como gasolina e energia elétrica. Além disso temos exemplos de produtos que sofrem influência direta da variação cambial pelo processo industrial sofrido até o produto final, esse é um dos motivos da inflação não se controlar mesmo com a economia em recesso com produção bem abaixo dos anos anteriores. Outro motivo é a política creditícia agressiva adotada desde o governo Lula, quando o mundo inteiro estava em crise e no Brasil o governo incentivando o crédito e dando incentivos fiscais para aumento do consumo. São medidas de curto prazo visando apenas força eleitoral iludindo a população com um falso heroísmo praticado principalmente por líderes políticos de países comunistas e ditatoriais.

A questão dos subsídios em linhas de crédito repassados pelo BNDES a empresas do setor privado principalmente é um dos maiores problemas. As linhas de crédito têm taxas que não chegam nem a metade da SELIC (taxa básica de juros do Brasil) que serve de referência para o pagamento da dívida pública. Muito simples o governo paga a dívida pública a aproximadamente 14,25% ao ano em média e subsidia linhas em média a 5% ao ano. Isso causa indiretamente um inchaço nas contas públicas, pois as linhas de crédito não foram direcionadas de forma fidedigna para crescimento econômico e melhorias na estrutura do país. A ideia passada seria esta, porém escândalos estão mostrando onde realmente os recursos foram investidos.

Nosso setor industrial produz grande parte dos seus produtos dependendo de importação para recursos técnicos para produção, tornando assim a variação cambial nosso calcanhar de Aquiles e aumentando o preço dos produtos, mesmo com mercado parado assim elevando os índices de preço. Estamos batendo na mesma tecla a anos em relação a investimentos de longo prazo no setor industrial, que esta arrasado e sucateado, investimentos diretos em educação para qualificar melhor a nossa mão-de-obra, melhorias no sistema de transporte facilitando a logística entre outras medidas de longo prazo que não necessariamente garantirá reeleição de partido algum.

O aumento do salário mínimo causa um rombo ainda maior nas contas públicas que já estão completamente descontroladas e deficitárias, porém é necessário, pois não podemos ter apenas o nosso dinheiro sendo corroído e desvalorizado pela inflação sem nenhuma correção. O custo da previdência esta afetando diretamente o aumento dos gastos públicos, a estimativa é de que com o aumento do mínimo os gastos públicos com a previdência social cresça 52,5 bilhões de reais, esse número representa 7% do PIB do país. Esta correção é necessária, porém é apenas uma medida emergencial para amenizar o impacto e o fantasma da inflação que esta assustando o povo novamente.

A grande ilusão é que um aumento do salário mínimo pouco acima da inflação possa encobrir erros na gestão pública por parte do PT como falta de controle das contas públicas, uso de dinheiro público em finalidades duvidosas e inchaço da máquina pública com cabides de emprego.

O governo tem mais que obrigação de aumentar o salário mínimo, mas aumentar de verdade, pois o aumento real (acima da inflação) foi pouco mais de 1% no ano. Convenhamos, os preços não subiram apenas 10,5% no ano, temos produtos com aumento de 20%. A questão não é aumentar acima da inflação, é se a inflação medida está realmente condizendo com a realidade dos brasileiros.

O que realmente tem que acontecer é uma mudança na mentalidade do nosso povo e cobrar medidas menos populistas e mais de longo prazo dos governantes, não podemos nos contentar com medidas emergenciais como o aumento do salário mínimo, bolsa família, crédito subsidiado ou alguma isenção fiscal. Temos que buscar a evolução e o desenvolvimento sustentável do país.

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Sobre o Autor

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Wndenberg Marques

Administrador, especializado em finanças corporativas e bancos de investimentos pela FIA (Fundação Instituto de Administração), certificado pelo IBCPF

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