Aterros sanitários: um bem necessário

Os aterros sanitários ainda são e devem permanecer sendo a destinação mais adequada e financeiramente viável para o resíduo domiciliar das cidades brasileiras por um bom tempo

Postado dia 25/01/2016 às 00:00 por Pedro Muniz

Foto: Divulgação/Internet

Não precisa ser da área ambiental para já ter reparado na quantidade de lixo gerada nos dias de hoje. Seja em casa, no apartamento, no trabalho, no parque e por aí vai… A geração é alta e não para! Em meados de março do ano passado, a greve dos coletores de lixo deixou isso bem claro quando em apenas alguns dias sem realizar a coleta, bairros de São Caetano do Sul, por exemplo, ficaram literalmente intransitáveis, devido aos incontáveis sacos e sacolas que tomavam os passeios, calçadas e até mesmo parte das ruas.

Sem entrar muito no tocante à coleta e transporte de resíduos (conversaremos numa próxima!) essa montanha criada por nós deve (ou deveria) ter um destino adequado. Hoje no Brasil menos de 40% dos municípios possuem o compromisso com a destinação adequada dos seus resíduos. Em 2010 foi instituída a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) o qual determinou a extinção dos lixões em um prazo máximo de quatro anos, além de defender o reuso de potenciais materiais, a implantação de reciclagem, compostagem e coleta seletiva. Infelizmente em 2014 uma parcela muito pequena das comarcas deste país se enquadrou na regularização e para não sofrerem as penalidades previamente estabelecidas, o Senado aprovou a prorrogação do prazo para 2019, podendo chegar a 2021 no caso de municípios pequenos. Dessa forma, temos mais uns belos anos pra despejar toneladas e toneladas de lixo em grandes terrenos sem qualquer tipo de proteção ambiental, acarretando inclusive em problemas de saúde pública. Um país com estrutura para sediar uma Copa do Mundo e em seguida as Olimpíadas ainda engatinha nos assuntos ambientais.

Países europeus com elevados índices de IDH, economia estável e investimentos racionais, combinam hoje o “zero aterro com altos valores de reciclagem”. A União Europeia destina algo em torno de 38% dos resíduos gerados a aterros sanitários. Não muito diferente do Brasil, como apresentado no início deste texto. Porém os 60% restantes aqui vão para os lixões a céu aberto, enquanto na UE são destinados a reciclagem, incineradores e compostagem. Lixão deixou de ser realidade no Velho Mundo, talvez quando Dom Pedro ainda estivesse por lá!

Essa imensa diferença é gerada por uma infinidade de fatores e variáveis. Uma das grandes responsáveis é a educação. Para tecnologias como reciclagem e compostagem atingirem totalmente o êxito, a segregação deve-se iniciar desde a geração doméstica. E isso hoje é fato um imenso problema dos lares brasileiros. A dificuldade de engajamento da maioria sepulta sem dar chances de abrir os olhos projetos de grande escala como, por exemplo, reciclagem na cidade de São Paulo.

Os aterros sanitários ainda são e devem permanecer sendo a destinação mais adequada e financeiramente viável para o resíduo domiciliar das cidades brasileiras. Antes de dar um passo maior que a perna e se fantasiar com tecnologias modernas, limpas e caras, utilizadas em países como a Alemanha, devemos primeiro fazer a lição de casa. Os aterros ainda existirão e servirão por muito tempo! Mesmo após um futuro otimista, com reciclagem, compostagem e incineradores implantados em grandes centros urbanos, teremos o rejeito (parcela do resíduo onde todas as possibilidades de reaproveitamento já foram esgotadas) ainda sendo gerado. Obviamente que no âmbito acadêmico e com incentivos da indústria, alternativas devem a todo vapor serem avaliadas, testadas, patrocinadas. Mas o lixo não para! E enquanto avaliamos a possibilidade do estado da arte se concretizar, precisamos de uma solução não impactante agora! Assim esperamos que as prefeituras utilizem desta segunda chance e busquem empresas e consultorias especializadas para se enquadrarem no que podemos chamar de “cenário mínimo necessário” de regularização ambiental, pois os aterros sanitários ainda serão por um bom tempo um bem necessário.

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Sobre o Autor

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Pedro Muniz

Engenheiro Ambiental formada pela UNESP, pós graduado em Gestão de Projetos, especializado em gestão e gerenciamento de resíduos sólidos.

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