Assunto de mulher: quando compreendi o que é amor

Se me perguntarem qual o filme que eu considero mais romântico, com certeza seria Antes do Amanhecer

Postado dia 10/02/2017 às 08:00 por Karla Hack

amor

Foto: Divulgação: – Cena do filme: “Antes do amanhecer”

O título pode até soar pretensioso, como compreender o amor (falo aqui do romântico)? Não há como delimitar o sentimento em uma definição específica, ou mesmo uma manifestação tal que impeça a dúvida. Sei disto. Mas, a percepção pessoal do que seria esta vastidão ilusória que mistura tesão e carinho, esta sim pode ser revelada. O meu instante ocorreu frente ao filme Antes do Amanhecer, ainda nos idos da boa época da Sessão da Tarde.

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Tradução – Sempre vi o mundo como este lugar onde eu realmente não pertencia.

Celine e Jesse se conhecem no caminho de suas viagens. Cruzaram e arriscaram, mudando o trajeto para que algumas horas fossem vividas juntas. Há uma ousadia nesta ação, nem falo por serem desconhecidos, quando os dois optaram por saltar do trem, não temeram baixar a guarda e revelar-se. O trivial costuma dominar as relações de hoje… Eles tinham um dia, fizeram mais do que muitos fazem em uma vida.

Numa das cenas mais bonitas da película – que é repleta de momentos preciosos – o casal discute sobre o que seria mais importante na vida. Neste diálogo Celine definiu o amor como algo divino, residindo no espaço entre duas pessoas. Em suas palavras: “Se há algo de mágico neste mundo, deve estar na tentativa de compreender alguém, compartilhar algo. Sei que é quase impossível ter sucesso… Mas, quem se importa? A resposta deve estar na tentativa.”:

Em que pese hoje viva um momento mais Jesse, querendo alguma coisa além, as pouquíssimas vezes em que me apaixonei – não sou daquelas que faz juras de amor tão facilmente – vi-me como Celine: buscando  perceber o espaço entre nós dois.

Tradução: Você não pode substituir ninguém... porque todos somos feitos de belos e específicos detalhes.

Tradução: Você não pode substituir ninguém… porque todos somos feitos de belos e específicos detalhes.

Para mim não é possível falar de amor sem o conforto de “ser eu mesma” e vice-versa. O silêncio é um outro bom indicativo disto, as vezes palavras não valem tanto quanto o estar junto, ao som de Kath Bloom.

Celine e Jesse se perderam durante anos, até se reencontram no Antes do Pôr-do-Sol, terminando a sequência iniciada em Antes da Meia-Noite. Rever os dois e notar que aquela noite sobre as estrelas foi o referencial de amor deles só me fez acreditar mais e mais de que compreender o sentir assim não era errado. Quem sabe um dia eu tenha a sorte e encontre o que não temo procurar.

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Karla Hack

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