As tradições estão com os dias contados?

Estive em algumas quermesses este ano e presenciei a tradição se extinguindo. As comidas típicas estão sendo substituídas

Postado dia 07/07/2016 às 08:00 por Jardel Moura

tradição

Foto: Reprodução/Internet

Meio de ano, tempo de festas juninas e julinas – aliás, já começam aqui as contradições e distorções, pois o mês correto para essas festividades típicas é o mês de junho. Mas, com tantas escolas, órgãos públicos, igrejas, clubes e até empresas promovendo suas quermesses, a concorrência se acirrou e, se não estendessem as festas para mais um mês, não haveria público pra dividir em tantas festas ao mesmo tempo. Até aí tudo bem, mas e quanto à tradição? Está tudo sendo tão modificado, tão adaptado, até quando fará sentido?

Estive em algumas quermesses este ano e presenciei a tradição se extinguindo. As comidas típicas estão sendo substituídas: não encontrei o pé de moleque nem o doce de batata, mas era possível comer uma tigela de assai ou um belo yakissoba. Vinho quente e quentão eu encontrei, entre muitas outras bebidas que não eram servidas ou sequer existiam quando essas festividades foram criadas.

No palco, não vi zabumba, sanfona ou triângulo, mas pude ouvir rock, samba, sertanejo universitário e pude assistir também a apresentações de Street Dance, zumba e funk.

Não que eu seja contra a modernidade, mas onde está a tradição? Onde faz sentido uma secretária de cultura ou educação de um município promover uma festa junina com decoração típica e tudo mais e ter essas atrações se apresentando no palco – e, para coroar a festa, a tradicional dança da quadrilha comandada por educadores e executada por alunos trajando roupas nada típicas e com trilha sonora passando por sertanejo, arrocha, forro, pop internacional e o tradicionalíssimo ¨funk¨. Não vi fogueira nem pau de sebo. Não tinha correio elegante, cadeia ou barraca do beijo.

São novos tempos. Devemos acompanhar a modernidade e suas mudanças, mas a que preço? Deixando pra trás nossa cultura e costumes? Importando cultura de outros povos, como o Halloween? Falando nisso, por onde anda o Saci Pererê, o Curupira e a Mula sem Cabeça? Alguém viu algum deles por ai?

Em meio a tudo isso, acredito que ainda existam as festas realmente tradicionais, que ainda mantêm a nossa cultura viva, com adaptações claro, mas com sua essência preservada. Não encontrei, mas deve existir.

Tenho essa esperança, pois gostaria de mostrar a meus filhos e netos uma festa junina. Da forma que está sendo feita, em breve se tornará mais uma festa sem sentido algum, apenas pra comer, beber, e descer até o chão ao som dos sucessos do momento.

Pelo jeito, pé de moleque agora só o da padaria. E viva São João!!!!!

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Jardel Moura

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