As lágrimas de Eduardo Cunha

Dois meses após ser afastado da presidência da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha renunciou.

Postado dia 08/07/2016 às 09:30 por Wilson ADM

cunha

Foto: Reprodução/Internet

Eduardo Cunha pediu para sair. Diante da imprensa, revelou os motivos que o levaram a renunciar à presidência da Câmara dos Deputados.

Afastado pelo STF de seu cargo a dois meses, em seu discurso afirmou que “a casa está acéfala, fruto de uma interinidade bizarra”, referindo-se ao seu sucessor Waldir Maranhão, e que somente sua renúncia poderá finalizar essa instabilidade sem prazo que a Câmara, segundo ele, sofre atualmente.

Conhecido por ser um político frio e calculista, surpreendeu a todos ao declarar com a voz chorosa e olhos mareados durante seu discurso de renúncia, que sua família estava sofrendo ataques covardes para que desse modo, ele fosse atingido.

Mesmo Eduardo Cunha tendo negado diversas vezes a intenção de renunciar, parece que a pressão está cada vez maior. O deputado foi um dos maiores responsáveis pela mobilização na Câmara e no Senado para que fosse levado adiante o processo de Impeachment de Dilma Rousseff, o que é ainda considerado por muitos brasileiros, um golpe motivado pela intenção de permanência do PMDB do governo do país, aliado com outros grupos oportunistas que pretendem defender interesses partidários, como por exemplo, é diversas vezes citado o PSDB.

Sendo atualmente um dos principais investigados pela Lava Jato, Cunha corre o risco de ser preso e as denúncias que sofre são graves. Tendo nas costas duas sérias acusações que envolvem contas secretas na Suíça e recebimento de propina com o esquema de corrupção dentro da Petrobrás.

O PMDB que se cuide, pois se o Cunha abrir a boca em uma delação premiada, muita gente pode ir para a cadeia.

Embora tenha dito que sua renúncia é uma solução para salvar o Brasil, é bem provável que esteja tentando salvar a si mesmo. Perante todos os fatos e acusações que o perseguem, seu discurso aparentemente causou na população um maior sentimento de justiça sendo feita do que qualquer comoção perante sua demonstração sentimental de honra e patriotismo.

Com a Lava Jato em andamento, os políticos estão manobrando como podem, mas as investigações estão estreitando as alternativas para todos que possuem o nome ligado aos esquemas de corrupção. Para quem é a ainda é contra Michel Temer como o presidente interino do Brasil, a saída de Cunha é vista como uma vitória para a atual oposição, mas é preciso ampliar a visão sobre o que acontece no Brasil, pois a verdadeira justiça deve atingir a todos, caso contrário não é justiça, é politicagem.

Em tempos atuais onde a corrupção é quase generalizada, acusar políticos de golpistas por fazerem politicagem, é como acusar um peixe de saber nadar e respirar debaixo d’agua.

Infelizmente o Brasil ficou de braços cruzados durante muito tempo, alimentando o monstro da corrupção, que tornou-se gigante pela própria errante natureza, de repente, pessoas acreditam que possuem o poder de julgar dentro desse âmbito político corrompido quem é justo ou não, segmentando a dignidade e a honestidade por partidos e ideologias vendidas e compradas, onde na verdade, o povo seria mais útil se envolvendo com política sem se envolver com políticos. Aceitando que para resolver os problemas atuais, é preciso buscar a causa, e doa a quem doer, quem teve o nome citado em qualquer atividade ilícita, é um ser prejudicial à pátria e deve responder legalmente sobre suas ações.

A saída de Cunha não é mérito de quem apoia a Dilma, e sim de quem apoia um Brasil melhor, mais claro e mais correto, ao mesmo tempo, a saída de Dilma, também mostra que ela não foi digna de conseguir pela sua gestão, harmonizar o país e desenvolver o que era necessário.

Houve falhas terríveis no governo brasileiro, é hora da caça às bruxas.

Que esse exemplo possa servir para que os futuros gestores pensem duas vezes antes de entrarem em enrascadas com empresários para garantirem aumento de patrimônio pessoal, pois a justiça não tem obrigação de ser agradável a todos, e não há ninguém acima de qualquer suspeita. Os nomes dos bois foram dados, e agora é cada um por si.

 

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