As distorções do mercado ilegal

Viver na ilegalidade para burlar obrigações e tributação é um mau negócio. Por mais que existam falhas na fiscalização, o risco e a instabilidade são permanentes e mais cedo ou mais tarde a punição chega

Postado dia 26/10/2016 às 09:15 por Bruno Caetano

ilegal

foto: Reprodução/Internet

Ética e honestidade são sempre bem-vindas em qualquer atividade profissional. Mas deparamos diariamente com exemplos que passam longe do fair play, para usar a expressão do esporte sobre jogo limpo. No mundo dos negócios, uma das mais marcantes manifestações de deslealdade está no comércio ilegal de produtos. Esse tipo de prática movimentou R$ 13,2 bilhões no Estado de São Paulo em 2015, evidenciando uma trajetória ascendente, já que em 2010 o valor foi de R$ 6,71 bilhões. Os números são do “Anuário 2016: Mercados Ilícitos Transnacionais em São Paulo”, produzido pela Fiesp.

O levantamento abrange nove setores: alimentos, automóveis, brinquedos, eletrônicos, higiene e perfumaria, medicamentos, químicos, tabaco e vestuário. Está incluído no estudo o comércio de produtos roubados, furtados, fruto de contrabando e pirataria.

A concorrência desleal distorce o mercado e causa prejuízos a todos: de acordo com o Anuário, em 2015 deixaram de ser criados 111,6 mil empregos com carteira assinada que levariam a uma geração de renda, entre salários e lucro, de R$ 3,02 bilhões. O governo federal perdeu R$ 2,81 bilhões em arrecadação, o bastante para arcar com 1.522 escolas de ensino básico ou 1.232 hospitais, por exemplo. O comércio ilícito também afasta investimentos e acarreta custos extras para quem empreende, além de trazer prejuízos sociais por ter relação direta com a criminalidade.

Tal mercado marginal deve ser combatido sem trégua. A legislação prevê multa, apreensão da mercadoria e até prisão dos envolvidos. Apesar disso, o aumento dos valores movimentados nesse “ramo” mostra que não faltam interessados em participar. É a mentalidade condenável dos adeptos da famigerada lei de Gérson, de “levar vantagem em tudo”; eles optam por um suposto caminho mais fácil ou mais barato e apostam na impunidade.

Viver na ilegalidade para burlar obrigações e tributação é um mau negócio. Por mais que existam falhas na fiscalização, o risco e a instabilidade são permanentes e mais cedo ou mais tarde a punição chega.

Jogar dentro das regras é indiscutivelmente a coisa certa. Só para se ter uma ideia, pesquisa do Sebrae-SP mostra que 55% dos que se regularizaram como Microempreendedor Individual (MEI) tiveram aumento no faturamento; 52% registraram melhora no controle financeiro e 54% disseram que houve ampliação de investimentos.

Claro que a burocracia e a alta carga de impostos no Brasil desestimulam e dificultam o empreendedorismo, mas não se justifica querer compensar com a ilegalidade. O Sebrae-SP trabalha por um ambiente melhor para os pequenos negócios e condena qualquer tipo de conduta ilegal.

Compartilhar:

Sobre o Autor

avatar

Bruno Caetano

Formado em Ciências Sociais pela USP, é mestre e doutorando em Ciência Política pela mesma universidade. Atualmente é superintendente do Sebrae-SP

Obs: As postagens do autor são de plena responsabilidade do mesmo, o portal se isenta de qualquer conteúdo que possa ser ofensivo.

Veja mais posts deste autor

Leia também

Assine a nossa newsletter