As delações da Odebrecht

Quando chove muito, você sai de baixo, ora!

Postado dia 14/12/2016 às 09:00 por José Iwabe

odebrecht

Foto: Reprodução

Ao desabar um temporal no mar, faz bem o capitão em procurar uma baía para se abrigar. Em terra você sai da chuva e busca um teto. Nem por isso o temporal amaina ou a chuvarada cessa. Mas ao menos pode, por ora, escapar de seus efeitos.

Uma verdadeira borrasca se abate sobre o mundo politico e só na primeira delação da Odebrecht, 51 políticos de 11  partidos já foram citados, com especial ênfase aos integrantes do governo Temer e de sua base aliada. Apesar da denúncia ainda não produzir nenhum efeito legal, pois depende de homologação pelo STF para dar origem a uma investigação, contribui para abastecer de estrume o ventilador  – para usar uma expressão menos grosseira.

Todos os citados, como era perfeitamente previsível, negam veementemente as acusações – a nau governamental em busca da baía e os outros um telhado.

A população brasileira, malgrado a insistência e amplificação com que a imprensa divulga, é pouco reativa, quase impassível perante a demolição iminente, como quem diz “eu já sabia”, “não há nenhuma surpresa”, “é tudo farinha do mesmo saco”.

Realmente o saco é um só, a farinha do mesmo tipo, mas não podemos esquecer que, se havia, como sempre houve, a corrupção, ela foi exacerbada e transformada num sistema, isto é, o contágio se tornou irrefreável a partir de uma ação premeditada e orquestrada por Lula e pelo PT.

O povo não se espanta mais com o adensamento no número de acusados e considera que a corrupção entre políticos é um fato consumado. O que ele quer é que a economia volte a um nível tolerável, que as empresas possam produzir, que retorne o emprego, que o poder de compra lhe seja devolvido para degustar ao menos uma sensação de normalidade (apesar da anormalidade que toma conta das instituições).

Discordo de alguns (ou algumas) comentaristas que afirmam que o governo deve se defender, esclarecer, prestar contas, pois nada ganhará consumindo o seu já escasso tempo em defender o indefensável e melhor fará se apressar as reformas necessárias, baixar a taxa de juros, incentivar o consumo, logo aumentar a produção e, com isso, reduzir o desemprego. Essas medidas irão reacender a esperança e as denúncias serão vistas como coisas corriqueiras, uma rotina a atazanar o nosso dia-a-dia e que é melhor esperar sentado pelo seu desenvolvimento, já que é bem provável que tudo acabe em pizza.

Desde que o mundo é mundo sempre se disse que “o que o povo quer é pão e circo”. Tendo para a subsistência e para a diversão acreditam que está tudo bem. Popularidade depende disso. O certo ou o errado são apenas detalhes. Infelizmente…

 

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José Iwabe

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