A arte de encontrar a felicidade

No início de nosso século, Cyril Scott, músico e escritor inglês, publicou uma obra baseada em romance com três volumes sobre esses grandes instrutores misteriosos.

Postado dia 15/03/2016 às 07:30 por Antonio Carlos

jhm

Foto: Divulgação/Internet

 

Ninguém tem a felicidade garantida!

A vida simplesmente dá a cada pessoa

tempo e espaço!

Depende de você enchê-los de alegria

(S. Brown)

 

Nos momentos atuais em que vivemos, não é difícil perceber o imenso sofrimento físico, emocional e mental da humanidade. Basta um pouco da história do século XX, ou conversar com as pessoas; ler os jornais, ou mesmo olhar para nossas próprias vidas!

Precisamos estar atentos e refletir, com muita serenidade, os vários aspectos que envolvem nossas vidas e de nossos semelhantes.

A vida nos ensina que ser solidário com os infelizes não significa atirar-se ao poço em que estão, mas sim lançar uma corda para que possam subir.

É completamente inútil atrair a infelicidade para nós mesmos, por um sentimento de compaixão para com os outros!

Para sermos solidários de modo eficaz, é preciso primeiramente ter acesso a uma paz e um contentamento incondicional, que sejam interiores e não dependam da maré inconstante do nosso dia-a-dia.

Depois desse momento, poderemos colocar algo dessa paz ao alcance dos outros e irradiá-la, aos poucos, para todos os seres.

Essa felicidade, como diz Krishinamurti em seu livro “Reflexões sobre a Vida”- Ed. Pensamento, é feita de desapego, desprendimento e, principalmente, de renúncia, e conquistá-la não é a coisa mais simples do mundo.

Ao olharmos serenamente a dor humana, podemos ver que toda ela é parte da nossa caminhada coletiva em direção a novos níveis de aprendizado espiritual e de bem-estar.

Apesar de toda a nossa ignorância, acredito que a humanidade está destinada a alcançar um dia um esplendor sem limites, conforme nos ensina a história do sonho de Jacó.

Gênesis, 28, conta que Jacó, durante uma viagem, parou para passar a noite em certo lugar porque o Sol já se havia posto.

“Tomou uma das pedras próximas, colocou-a sob a sua cabeça, dormiu, e teve um sonho. Eis que uma escada se erguia sobre a Terra e o seu topo atingia o Céu, e os anjos de Deus subiam e desciam por ela!”.

Talvez, dormindo para o mundo das aparências, possamos perceber a Escada de Jacó que nos leva até o nível divino, e ao longo da qual trabalham os mensageiros da Sabedoria Eterna!

De fato, tudo nos indica que a humanidade não está só.

Falando em nome de uma espécie de espírito absoluto de Amor e Justiça, que parece reger o destino deste querido e amado planeta, o mestre Krishina diz ao discípulo Arjuna no livro Bhagavad Gita:

“Sempre que há uma decadência da honestidade e uma exaltação da desonestidade, eu mesmo reapareço.”

“Eu renasço a cada era para proteger os bons, destruir os maus e defender o que é correto…”, conforme livro “O Bhagavad Gita” – de Annie Besant – Cap. IV – Ed. Pensamento.

E Krishna ou o espírito da Lei renasce sempre com nomes diferentes e em situações variadas.

Buda, Zoroastro e Hermes Trimegisto eram mensageiros da compaixão universal.

Lao-Tsé, Pitágoras Moisés e Jesus Cristo trouxeram a mesma verdade eterna a diferentes povos e a transmitiram de diferentes maneiras…

Maomé, São Francisco de Assis e muitos místicos de destaque, também trabalharam (e trabalham ainda hoje) na Escada de Jacó que liga o plano Divino ao mundo Físico.

Mas como já disse alguém, ninguém pode percorrer o caminho por nós, pois nunca saberíamos discernir o bem do mal, o positivo do negativo, que só a nossa vida diária permite distinguir essas diferenças sutis, mas importantes para o nosso aprendizado espiritual.

Todos os grandes mestres podem apenas apontar o rumo para quem tem olhos para ver!

Segundo a tradição taoísta dos Imortais, nas crenças presentes na maior parte das religiões existem seres que já completaram a evolução humana e estão livres da morte pessoal, mas ainda permanecem com a nossa humanidade como se fossem irmãos mais velhos e como auxiliares do espírito absoluto da justiça e da bondade que governa tudo o que há.

No início de nosso século, Cyril Scott, músico e escritor inglês, publicou uma obra baseada em romance com três volumes sobre esses grandes instrutores misteriosos. Ele próprio não assumiu inicialmente a autoria desses livros, atribuída apenas “Um Discípulo”.

Só depois de sua morte, em 1970, o nome de Scott veio a ser identificado como autor dessa trilogia, conforme relatou certa vez a “Folha de São Paulo”, sobre um artigo em que falava sobre ele!

O Mestre aparece na obra, sob o nome fictício de Justin Moreward Haig, ou simplesmente JMH, e tem algumas características extraordinárias.

Ele nunca perde a calma e o bom humor, raramente come para alimentar-se e tem, há várias décadas, a aparência de um homem com menos de 40 anos de idade.

Capaz de comunicar-se com as pessoas a distância e sem uso de palavras, o mestre inspira inúmeros indivíduos, discípulos ou não, sem que estes saibam!

Ele simplesmente imprime na aura das pessoas ideias que sejam úteis para seu desenvolvimento interior e que tem efeito prático de bênçãos.

“Há maneiras de escrever sem colocar palavras no papel”, explicou JMH um dia.

“Pode-se escrever através dos outros, colocando idéias em suas cabeças e deixando que eles a elaborem e as coloquem em uma estrutura escolhida por eles mesmos”.

O personagem central da trilogia pergunta ao Mestre por que a “comunhão dos santos” ou a “fraternidade de adeptos” que guarda a sabedoria eterna não revela a todos, diretamente, os segredos da evolução humana.

“A humanidade não está suficientemente desenvolvida do ponto de vista espiritual para usar esse conhecimento corretamente”, respondeu JMH. “Se esse conhecimento fosse dado a pessoas que não têm as qualificações necessárias, haveria um desastre de grandes proporções”.

“E quais são essas qualificações”, perguntou o discípulo.

“Total ausência de egoísmo, perfeita tolerância, completa ausência de vaidade, absoluto autocontrole e todas as outras qualidades espirituais”.

“Em uma palavra, perfeição”, disse o discípulo.

“Falando praticamente, sim; perfeição”.

“Então eu estou completamente fora de cogitação”, disse o discípulo, e o mestre riu.

“Você está esquecendo que tem a eternidade pela frente, e, portanto, terá tanto tempo quanto necessário”, respondeu JMH.

Para o Mestre, “há apenas dois tipos de virtudes no mundo: as verdadeiras e as falsas. As virtudes falsas surgem da vaidade, e as verdadeiras surgem do altruísmo. No entanto, no terreno das aparências externas é difícil separar umas das outras, porque são muito semelhantes para quem não tem o hábito de pensar profundamente”.

Em outro momento, é abordada a questão da renúncia no caminho espiritual.

O aprendiz deve renunciar a tudo o que é supérfluo para poder elevar-se interiormente.

Mas renunciar ao prazer e à segurança pessoal é muito difícil para as pessoas comuns.

“Só a falsa renúncia é dolorosa”, afirma JMH.

A verdadeira renúncia não causa nenhum sofrimento. E por quê?

Porque a renúncia dolorosa é a renúncia à ação, mas não ao desejo, enquanto que a renúncia sem dor implica renunciar também ao desejo, o que perde, então, toda atração.

Assim, como o amor é mais atraente que o ódio, também a felicidade é mais atrativa que a dor, e a espiritualidade que o vício.

“Quando o homem experimenta o verdadeiro bem, ele perde todo o interesse pelo mal”.

Além disso, “todos os pecados são apenas uma busca da felicidade na direção errada, e todos os pecadores são crianças que um dia, amadurecerão. A virtude da tolerância consiste em reconhecer esse fato”.

É possível, então, alcançar uma espécie incondicional de felicidade, que nasça do nosso interior e não dependa dos outros?

“Uma pessoa adulta não fica abalada pelas coisas que incomodam uma criança, porque um homem está um pouco mais perto da felicidade incondicional que uma criança pequena. Se alguém se identificar com a felicidade que está em seu interior, nada no mundo poderá incomodá-lo, nem lhe causar dor”.

“A mente estreita, fechada, tem todas as probabilidades de sentir-se infeliz, porque em um espaço pequeno pode haver grande número de preocupações humanas concentradas; mas saia em direção ao infinito e eterno, e todos os problemas humanos desaparecerão”.

O que JMH ensina é que, paradoxalmente, a mente aberta não tem espaço para o sofrimento, porque não se preocupa com coisas pessoais e pequenas.

A mente estreita e fechada é a única capaz de abrigar sofrimento. Quem busca “o tesouro que está nos céus” esquece-se de si mesmo e, portanto, não tem problemas pessoais, diz JMH.

Para ele, “o amor altruísta é simplesmente o princípio da atração universal que mantém unido todo o universo”. Buscar a verdade eterna é focar nossa consciência nessa energia, deixando de lado todo sentido de isolamento. Assim se encontra a felicidade.

“A alma do homem é o sol do contentamento infinito, e a mente pura, livre das ilusões materiais, é aquela que reflete essa luz”, ensina JHM. A Ciência da Alma é unificar a mente humana com o contentamento incondicional da realidade eterna.

No futuro, como escreveu um mestre, C. Jinarajadasa, “Cartas dos Mestres de Sabedoria” Ed. Teosófica – 1.996, pág. 19, “as doutrinas fundamentais de todas as religiões se comprovarão idênticas em seu significado esotérico, uma vez que sejam libertadas das interpretações dogmáticas, dos nomes pessoais e dos sacerdotes assalariados. Osíris, Krishna, Buda e Cristo serão apresentados como nomes diferentes de um mesmo caminho para a bem-aventurança final, o Nirvana”.

Na verdade, o surgimento desse futuro depende do esforço de cada um de nós, em cada instante de nossas vidas, em cada segundo dos nossos pensamentos, em cada momento de nossas ações…

Que o G\ A\ D\ U\ derrame suas bênçãos nos nossos espíritos, e que a todos ilumine e guarde.

 

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Sobre o Autor

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Antonio Carlos

Antonio Carlos é mestre em economia e palestrante. Além de ser autor de vários livros voltados para ciências e espiritualidade.

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