Anacleto Rosas Junior – O poeta do sertão

O mogiano Anacleto Rosas Júnior possui uma obra cheia de riqueza de imagem e simbologia sertaneja. Vale a pena conhecê-la e resgatá-la

Postado dia 15/12/2015 às 00:00 por João Anatalino

 

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Quem já ouviu falar de Anacleto Rosas Júnior? Creio que pelo umas dez pessoas, em Mogi das Cruzes, levantarão a mão para dizer que sim. Alguns dirão que ele foi um compositor de músicas sertanejas de raiz e tinha um programa de rádio que tocava esse tipo de música. Mas se perguntarmos se alguém sabe que ele nasceu em Mogi das Cruzes e se criou em Poá é bem provável que nenhum braço se levante para dizer que sabia.

Nem eu. O Brasil tem raízes e estas, como as raízes das árvores mais nobres, às vezes estão tão ocultas que ninguém as vê até que tropecemos nelas. Anacleto Rosas Júnior é uma delas. Nasceu no dia 18 de julho de 1911, em Mogi das Cruzes. Não conseguimos descobrir a rua e o bairro, mas isso não importa. Ele é mogiano e isso já nos enche de orgulho. Faleceu em Taubaté em 04/02/1978. Tudo que sabemos é que seu pai era espanhol e se chamava Anacleto Rosas e sua mãe, italiana, se chamava Maria Bourbon. Seu pai era comerciante, e trabalhou com açougue, armazém e padaria.  Consta que passou a maior parte da infância e juventude em Poá e notabilizou-se como seresteiro e tocador de violão dos bons. Fazendo seresta, conheceu sua amada Clementina, com quem se casou em 1932.

Poeta desde menino, escrevia versos de madrugada, que mais tarde musicava. Por volta de 1930, sua fama como compositor já era bem conhecida. Embora nunca tenha estudado música, suas melodias eram reconhecidamente perfeitas e admiradas por grandes artistas da época, tais como Tonico e Tinoco, Mario Zan, Raul Torres, Arlindo Pinto, João Pacífico e outros.

Grandes sucessos de sua lavra, como “Os Três Boiadeiros”, gravada pela dupla Pedro Bento e Zé da Estrada, e “Fogo no Rancho”, foram tema do antológico filme “Jeca Tatu”, de Mazzaropi.

Uma das mais conhecidas canções de Anacleto Rosas é “Aparecida do Norte”, gravada pela dupla Tonico e Tinoco. Tornou-se um verdadeiro hino em homenagem à Padroeira do Brasil, cantada por todos os romeiros que vão à cidade santuário prestar homenagem à santa.

Outras canções que ficaram famosas são “Baldrana Macia”, gravada pelo grande Luiz Gonzaga, e “Cortando Estradão”, regravada pela dupla Sérgio Reis e Almir Sater, para fazer parte da trilha sonora da novela “O Rei do Gado”. Outras canções, como “Confissão”, “Cruz de Ferro”, “Filho de Mato Grosso”, “Flor Matogrossense”, “Zé Tartuiano”, “Zé Valente”, “Boi de Carro”, “Burro Picaço”, “Vaca Mestiça” se tornaram clássicos da música sertaneja raiz. Só para Tonico e Tinoco, a mais famosa dupla caipira de todos os tempos, ele compôs 60 canções.

Seu trabalho envolvia também atividades culturais. Como diretor da Copacabana Discos produziu o antológico LP “Cantos do Brasil”, com o grande engenheiro e pesquisador Dalgas Frisch, no qual gravou para a posteridade o canto da maioria dos pássaros nativos do Brasil. Como radialista Anacleto trabalhou na Rádio Difusora do Paraná, Rádio clube de São José dos Campos e por vários anos, na Rádio Difusora de Taubaté. Seu programa “Manhãs Sertanejas” ainda hoje está no ar, dirigido pelo filho Luiz Rosas. Na linha dos saudosos Capitão Barduino, Nho-Zé, o Comendador Biguá e outros famosos radialistas sertanejos, ele fez escola e ainda hoje é muito lembrado no Vale do Paraíba e sul de Minas.

A obra de Anacleto Rosas Júnior, por sua riqueza de imagem e simbologia sertaneja é comparável á de Catulo da Paixão Cearense. Vale a pena conhecê-la e resgatá-la.

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Sobre o Autor

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João Anatalino

João Anatalino Rodrigues é bacharel em Direito e Economia e Mestre em Direito Tributário e escritor com 10 publicações autorais.

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