Amarone: um vinho para beber no inverno

Acho interessante quando me perguntam se eu tenho alguma sugestão de vinho para se beber no inverno

Postado dia 24/05/2016 às 07:30 por Edgard Reymann

amarone

Foto: Reprodução/Internet

Primeiro porque é impossível definir um tipo de vinho para o país todo, o que torna a questão muito relativa. No Norte, o “inverno” é chuvoso e quente, assim como em boa parte do Nordeste. No Centro-Oeste e no Sudeste, o clima é ameno, com poucas exceções. Só no Sul é que o inverno é mais rigoroso. Pensando mais nestas últimas regiões, decidi sugerir um vinho pouco conhecida da maioria para combater o friozinho: o amarone. Um tinto bastante encorpado, alcoólico e muito intenso no olfato e no paladar e com um modo de produção incomum.

Há poucas semanas, aconteceu, em São Paulo, a World Wine Experience, evento promovido pela importadora World Wine/La Pastina, exclusivo de vinhos italianos e que contou com uma masterclass sobre amarones da Zenato Azienda Vitivinicola, conduzida por Villorio Marianicci, embaixador da marca. Sua produção é muito interessante, bem diferenciada dos outros vinhos tranquilos. Típico da região do Vêneto, o amarone é feito de uvas corvina, molinara e rondinella, basicamente, e com a inclusão ocasional de oseleta e croatina. A principal característica de sua produção está no fato de as uvas passarem por um processo de “apassimento”: colhem-se as uvas, que são colocadas em mesas – ou caixas – apropriadas, dentro de ambientes com temperatura controlada, onde ficarão até quatro meses em repouso, para que percam, naturalmente, boa parte de sua água. Ou seja, elas praticamente se tornam uvas passas antes de ir para a vinificação, processo este que pode durar até dois meses. Após esse período, o amarone é guardado em barricas de carvalho francês ou esloveno, por no mínimo três anos. Importante ressaltar que, nesse processo de apassimento das uvas, perde-se praticamente 40% do volume.amarone

Este processo torna o amarone um vinho relativamente caro. Ele exige do vinicultor dedicação entre cinco e seis anos antes que ele possa colocar o produto à venda. Para dificultar um pouco mais, temos um vinho geralmente de pequena produção e alta demanda, o que turbina ainda mais o seu preço.

A degustação defrontou quatro amarones da Zenato, dois classicos e dois riserva. Nenhuma das safras, para comprovar o escrito acima, está disponível no Brasil. O Amarone della Valpolicella Classico DOC 2010, o mais novo da rodada, exala frutas secas, frutos escuros e especiarias. O Amarone della Valpolicella Classico DOC 2006 possui as mesmas características, porém com um toque mais oxidado do tempo maior em garrafa o deixa com notas terciarias, como chocolate e couro, um tanto mais evidentes. A World Wine tem à venda a safra 2009 deste vinho a R$ 521,00. Gostei muito do Amarone della Valpolicella Classico Riserva Sergio Zenato DOC 2009 e ainda mais do da safra 2006. Os que havia na importadora já foram vendidos por mais de mil reais a garrafa. Embora o primeiro estivesse até mais vivaz nas notas de nariz especialmente, com muita especiaria e frutas de bosque muito maduras, outra vez, a safra mais antiga me conquistou com sua complexidade ainda mais aprofundada: chocolate e frutas secas mais ressaltados, redondeza e untuosidade no palato. O final de boca muito persistente faz do amarone um vinho que pode ser apreciado sem acompanhamento culinário algum. Mas, se quiser, eu acho que um queijo azul, gorgonzola, roquefort ou saint agur já basta. Como são muito alcoólicos (os Zenato tinham 16,5%), esquentam – e sobem. Seja só ou muito bem acompanhado, quer coisa melhor para um tempinho frio?

Saiba mais
Zenato Azienda Vitivinicola – www.zenato.it

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Edgard Reymann

Jornalista que está atualmente dedicando suas atenções para o vinho e para a gastronomia

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