A alquimia do templo interior

A reconstrução de “Templos” danificados na Maçonaria tem um profundo cunho filosófico e espiritual.

Postado dia 25/03/2016 às 02:37 por Antonio Carlos

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Foto: Reprodução/Internet

As maiores coisas do mundo, e as mais belas, não podem ser vistas nem sequer tocadas.

Devem ser sentidas com o coração!

Hellen Keller

 

A reconstrução de “Templos” danificados na Maçonaria tem um profundo cunho filosófico e espiritual.

O fato é que na reconstrução (por já agregarmos paixões e emoções no decorrer de nossas vidas), os atributos de esforço e a autodisciplina necessitam de mais uma mudança de valores que estão enraizados, seja em nossa cultura intelectual e/ou antropológica, para a transformação na “construção de um novo Templo Interior” (uma nova vida…).

Essa reconstrução a que me refiro, necessita de uma firme revisão de nossos valores (éticos, morais, sociais, espirituais…), e são extremamente poucos, muito poucos, os que conseguem redefini-los, pois a maioria sucumbe aos primeiros esforços de reconstrução. Esses valores que me refiro; firmeza na decisão, perseverança no objetivo de concluir a reconstrução, bem como as ações heroicas para enfrentar os obstáculos e as “ondas de pessimismo” que invadem o nosso Eu Interior, são como néctar de ondas de vitórias que estão por vir no amanhã de uma Nova Era.

A Maçonaria nos ensina em suas inúmeras, belas e reveladoras Instruções, a metodologia para reformarmos nosso “VITRIOL” individual, pois provoca e nos instiga a usar as metáforas tão belamente ensinadas para a reconstrução do nosso “Templo Interior”, ou seja, oxalá um dia possamos alcançar a plenitude do nosso objetivo maior, que é o Homem Adâmico, o Bom Pastor…

A Nova Era, o Novo Amanhã já começou!

Nosso planeta está num ritmo alucinado de transformações e repleto de indicações palpáveis que as evidências já nos indicam!

Já começam a aparecer há algum tempo, é verdade, crianças com as características índigo, cristal, arco-íris, da Nova Era!

A reconstrução desse tipo de ”Templo” ocorre a cada Iniciação!

Cada um de nós trabalha com a “ferramenta” que dispõe, em si mesmo, e como resultado de seu desenvolvimento físico, intelectual, metafísico e emocional.

Já disse alguém, que o sábio percebe a finalidade do desafio de modificar-se para o bem, pois o propósito principal e sublime é levar o homem a conhecer-se a si mesmo, parafraseando Platão, de poder enxergar intimamente as imperfeições que possui, e paulatinamente, modificar-se, reconstruir-se, de amalgamar-se com a argamassa mística espiritual, para ser internamente um “Templo Vivo” que todos nós, ainda imperfeitos, temos como objetivo de um dia ser!

Nos inúmeros diálogos escritos por Platão (428 – 347), existe um que narra de forma filosófica profunda; trata-se de “O Banquete” que afirma que, enquanto na juventude prevalece a admiração pela beleza, no adulto amadurecido descobre-se a verdadeira beleza na espiritualidade. É na maturidade que o homem desperta e se considera parte de um templo maior, que consiste na unicidade com o grande “Templo do Universo”. Conscientiza-se que ocorre para a realização de todo o esplendor do milagre da vida estabelecido em leis naturais espantosas, só compreendidas no amadurecimento espiritual adulto, provocando e lembrando em nós o que já conhecemos, que somos a representação do Microcosmo no (Macrocosmo) G.’.A.’.D.’.U.’.

Entretanto muito de nós, embora “adultos”, não consegue modificar-se interiormente, continuando na idade “infantil”, totalmente dependente da orientação de terceiros, já que este está completamente envolvido pela falta de coragem e/ou preguiça em trabalhar no seu “Templo Interior”, preso, na maioria das vezes, por paixões e vícios desenfreados durante os anos de sua vida física.

Para Platão, o adulto que venceu a minoridade reconhece que a beleza humana de sua característica espiritual depende de si mesmo (vencer as paixões e emoções), e em si mesmo. E isso constitui a liberdade absoluta do homem, pois quando consegue ir adiante desses obstáculos, construindo esse pequeno “Templo Interior”, torna-se o homem adulto, que é soberano de si mesmo, e passa a ser o senhor absoluto!

Como sabemos, um templo maçônico é a representação simbólica de um Universo maior, composta de matéria animada e inanimada. É tão incrível a matéria desse “grande” Universo que, se “olhada” de perto, veremos ao nível atômico e subatômico, que toda essência material foi feita de “nada de massa”, de quase nada, quase que exclusivamente de “espaço vazio”, que os cientistas desconhecem e, sabiamente, o chamam de “matéria escura”. As partículas, átomos e demais composições químicas são tão afastadas uma das outras em espaços relativos tão grandes que, em essência, resultam apenas de “espaço vazio”. E se recordarmos dos conceitos aprendidos na química orgânica e inorgânica, é tão somente pela velocidade com que os elétrons giram é que se manifesta a solidez da matéria.

Lembram-se da Tabela Periódica de Mendeleiev, dos pesos e massas atômicas de cada elemento químico?

O que quero chamar a atenção, na essência, a matéria do Universo é feito do “nada”, desse maravilhoso espetáculo da matéria inanimada que passa a ser animada pelo “sopro” da vida, parafraseando nosso querido Antonio Carvalho, do seu programa na madrugada “Conversinha ao Pé no Ouvido”, da Rádio Bandeirante, que dá o importante significado para a existência da vida no homem.

Por isso, e somente por isso, é uma honra sem tamanho ser uma individualidade diante da matéria inanimada que existe! Nós somos feito de matéria inanimada do Universo, a qual recebeu vida de uma forma, ainda incompreensível para o ser humano.

As galáxias, estrelas e planetas exercem influências gravitacionais entre si, (Macrocosmos), portanto o Homem (microcosmos) exerce o mesmo mecanismo em sua matéria física, astral e mental da mesma maneira e da mesma forma.

É esse raciocínio que nos dá o grande significado para a vida do homem, seu “Templo Interior” faz parte indissolúvel do Universo, e isso nos faz refletir a grande responsabilidade de liberdade que temos, mas ao mesmo tempo, com responsabilidade.

Por isso, a responsabilidade que temos sapientes dos sábios ensinamentos obtidos em nossas Instruções, é que necessitamos reverenciar e cuidar para que nosso “Templo Interior” possa ser reconstruído, bastando para isso, a ação de nossa vontade e perseverança em transformá-lo alquimicamente, que a força espiritual se manifeste, e obedeça sempre, para um “Templo Interior” mais perfeito, mais justo e aprumado em todas as suas dimensões.

Por isso, todo maçom se reúne em um templo maçônico (representação do Universo), para que cada indivíduo de per si, faça seu próprio “exame de consciência”, e reconstrua as imperfeições que necessite executar no seu “Templo Interior”, para fazer parte da Grande Obra, que Ele, nosso G.’. A.’. D.’. U.’, espera de cada um de nós!

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Sobre o Autor

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Antonio Carlos

Antonio Carlos é mestre em economia e palestrante. Além de ser autor de vários livros voltados para ciências e espiritualidade.

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