Alimentar é elementar

Há um ditado que cita: "Não coma nada que sua tataravó não reconhecesse como alimento."

Postado dia 22/03/2017 às 08:00 por Karla Hack

alimentação

Foto: Reprodução/Internet

Que vivemos na correria já é algo estabelecido. Por mais que algumas funções pareçam simplistas em comparação a dos outros – como a vida de uma dona de casa versus a de um neurocirurgião -, o dia-a-dia faz questão de consumir nossos momentos em velocidade luz. E dentre as mazelas que esta loucura vigiada pode nos trazer, a má alimentação é uma das protagonistas. Optamos por resolver problemas maiores, responsabilidades mais pesadas, que a escolha de um bom combustível para nosso corpo. Afinal, porque nos preocuparmos com este organismo, se “apenas” somos ele? Quando foi que deixamos de ser prioridade em nossas vidas?

A significação do vocábulo alimentar vai muito além do simples conceito de comer. A alimentação não é apenas mastigar um tanto de calorias aleatórias, está conectada ao ato de prover para si e/ou para outrem algo que auxilie no sustento pessoal, seja este físico, mental ou espiritual. Assim, trata-se de uma troca, uma doação, um fornecimento de nutrientes para a satisfação das nossas necessidades elementares. Alimentar é sim uma das formas mais primitivas de expressão do amor. Duvida? Basta tirarmos um tempinho para viajar em nossos arquivos mentais na busca de recordações boas, quantas delas envolvem o sabor de alguma comida que apenas aquela pessoa sabia fazer ou mesmo uma reunião de amigos ao redor da mesa farta?

O bem alimentar-se soa contraditório ao comer bem; Parece que o sabor não anda junto com o que é considerado saudável. Com tantas opções de alimentos industrializados, promessas práticas de gostosuras, cairmos na tentação do “pronto em 3 minutos” é fácil. Todavia, a falsa satisfação passa tão rápida quanto o cozimento, e o que era um prazer estonteante vira mera fugacidade.

Não importa quanto aromatizante se coloque naquela comida, ela nunca terá o cheiro de limão colhido do pé, nem o sabor de morangos maduros, nem a textura de um tempero fresco, nem mesmo o colorido natural dos tomates comprados em feira livre. A experiência de uma boa alimentação parte desde de a escolha dos componentes para a composição desta; Sabores que atiçam o paladar em separado, vão aguçando os sentidos, querendo unir-se com outras delícias e texturas esquecidas. Aos poucos vamos aprendendo que um carinho destes merece ser vivido e compartilhado. Vivemos dizendo que precisamos de um tempo para nós, porque não utilizar estes instantes no que é essencial para que nossas forças e energias alcancem o seu patamar radiante?

Há um ditado que cita: “Não coma nada que sua tataravó não reconhecesse como alimento.” Imaginemos nossa tataravó e a forma como ela provia sua família, cuidando do que colocava na panela, cozinhando com seus truques e encantos, pensando no que agradaria e sustentaria seus entes amados… Não bate uma vontade de entrar naquela cozinha correndo, só para provar daquela experiência de zelo? Pois então, que tal se a gente repensasse as prioridades, os carinhos antigos e entrássemos na onda de amarmos mais a nós mesmos, começando pela comida. De passo em passo vamos descobrindo como alimentar bem não só o físico, mas a alma. Trazendo para junto de nós aquilo e aqueles que são muito além da fugacidade de 3 minutos.

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Karla Hack

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