Adeus ano velho – retrospectiva econômica

Talvez o futuro possa redimir o que foi esse ano de 2016 e reconhecer nele o ano da mudança, em que se iniciou um processo continuado de crescimento econômico

Postado dia 05/01/2017 às 09:00 por Luiz Edmundo

econômica

Foto: Reprodução

“Não esperar senão duas coisas do Estado: liberdade e segurança, e ter bem claro que não se poderia pedir mais uma terceira coisa, sob o risco de perder as outras duas.”
Frédéric Bastiat

2016 será lembrando como o ano que a economia brasileira encolheu. Estima-se uma diminuição de 4% do PIB. Objetivamente, isso significa que todo o esforço produtivo das pessoas e organizações empresariais resultou em um valor inferior ao ano anterior. O resultado é recessão, desemprego, queda nas vendas do comércio, redução da arrecadação tributária e precarização dos serviços públicos.

Durante esse ano, a inflação atingiu a casa dos dois dígitos, uma redução significativa do poder de compra da moeda brasileira e da poupança das pessoas. Enfim, foi um ano difícil, de resultados decepcionantes!

A sociedade brasileira tem lutado pela sua prosperidade, com um pesado fardo sobre suas costas. Esse fardo tem sido o Estado brasileiro.

Grande parte da riqueza criada pelo trabalho das pessoas é drenado para o Estado na forma de imposto, que se apropria de 40% da renda nacional.

Além de voraz, incompetente. Pois a inflação é decorrente do descontrole do governo sobre a emissão de moeda e crédito. Incompetente no controle das contas pública, elevando a dívida do Estado a 70% do PIB.

O custo do Estado na vida das pessoas pode ser medido pelo tempo necessário de contribuição que o trabalhador tem que despender para receber sua aposentadoria. Quanto mais caro o Estado, maior será o tempo de contribuição necessário para receber o direito a aposentadoria. E, isso é mais um legado nefasto do ano de 2016, o aumento do tempo de contribuição, ou redução do tempo de direito à aposentadoria.

Em 2016, a economia brasileira sofre com as crises da política. Sem dúvida, a crise na política nacional, com o impeachment da presidente, é o principal responsável pela desconfiança do investidor nas possibilidades dos mercados brasileiros. Sem investimento, o resultado é o pior possível: recessão.

As crises econômicas são mais graves quando o Estado é grande. E o Estado brasileiro é gigante. Um Estado que se agigantou com a justificativa de melhor servir a sociedade. Porém, o que se evidencia é exatamente o contrário, é o Estado se servindo da sociedade, que contrasta a acintosa prosperidade dos agentes público mesmo em períodos de crise. Ressalvas à grande maioria do funcionalismo público, a professores, policiais, agentes que estão em contato direto com a população que, também são vitimados pela ganância e incompetência dos dirigentes dos poderes do Estado.

Um estado que por ser gigante é uma fonte enorme de poder, gerando disputas partidárias, corrupção dos agentes e, como consequência, o empobrecimento geral da população.

Em 2016 esgotou-se a capacidade contributiva da sociedade. Com menos recursos, os serviços públicos deixam de ser prestados. E não é somente as festividades como carnaval e Natal que deixam de ser realizados. Mas também, atrasos nos pagamentos do funcionalismo, dos fornecedores. Enfim, a crise causada pelo excesso dos gastos e pela má gestão dos dirigentes dos poderes públicos arrasta toda a sociedade para o empobrecimento.

No cenário internacional, uma mudança das tendências políticas aponta também para uma mudança na gestão das economias. A vitória dos conservadores na Grã-Bretanha determinando sua saída da União Europeia, a vitória republicana nas eleições presidenciais dos   EUA, a eleição de Maurício Macri na Argentina apontam para um fortalecimento dos mercados, das relações comerciais livres do intervencionismo estatal com o meio para estimular os investimentos e a retomada do crescimento.

Talvez o futuro possa redimir o que foi esse ano de 2016 e reconhecer nele o ano da mudança, em que se iniciou um processo continuado de crescimento econômico. Diferente daqueles “voos de galinha”, ou seja, crescimento como um espasmo, logo seguido de uma recessão como é característico dos planos governamentais.

Se isso se confirmar, então poderemos dizer que, apesar dos pesares, 2016 foi um bom ano para a economia!

 

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Sobre o Autor

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Luiz Edmundo

Economista e doutor em engenharia da produção, dedicam-se ao ensino superior como professor.

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