Acumuladores de animais

Muitas pessoas se perdem dentro da própria vontade de ajudar, e acabam, sem perceber, prejudicando a si e aos próprios animais.

Postado dia 23/01/2017 às 08:30 por Lisandro Frederico

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Foto: Reprodução

Os acumuladores de animais estão perdidos em um mundo de boas intenções. Este poderia ser um resumo simplista da principal razão que faz com que alguém acumule dezenas ou até centenas de animais em casa.

Muitas pessoas se perdem dentro da própria vontade de ajudar, e acabam, sem perceber, prejudicando a si e aos próprios animais. Muitos deles sofrem de uma doença conhecida como “Síndrome de Noé”. Tal síndrome, ainda pouco estudada, possibilita a criação de uma realidade paralela.

Como qualquer acumulador, seja ele de objetos antigos, lixo, caixas, sapatos, enfim, não percebem que ultrapassaram os limites.

No caso específico de cães e gatos, eles são movidos por um conceito equivocado de proteção e acabam por entrar em um círculo vicioso. Passam a receber mais e mais bichos e não reconhecem que não conseguem cuidar de todos eles e o pior, cuidar de si mesmo.

O raciocínio dos acumuladores demonstra certas distorções do ato de cuidar e proteger. Eles sentem que têm a missão de evitar a morte dos animais, porém, acreditam que um animal doente ou tratado inadequadamente é melhor do que ele longe.

A acumulação é um tipo de transtorno que não é determinado pelo número em si, mas pelas condições gerais sob as quais vivem os bichos e os donos. Ou seja: só porque seu vizinho tem muitos animais, isso não quer dizer que ele seja um acumulador.

A verdade é que há uma linha muito tênue. Muitas vezes, a pessoa começa se valendo do amor e da necessidade de salvá-los, porém, perde o senso da própria capacidade de cuidar. É um impulso sem freios. Como em outros tipos de acumuladores, há uma grande dificuldade de dar aquilo que é acumulado, no caso, encaminhar para adoção. Eles, normalmente, criam dificuldades subjetivas. Acreditam, piamente, que estar ao lado deles é sempre a melhor alternativa.

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É comum que os acumuladores dediquem um tempo de resgate muito superior ao período em que se dedica à adoção.

O acumulador, quando atinge um nível extremo da síndrome, é incapaz de prover condições mínimas de nutrição, saneamento, abrigo, espaços e cuidados veterinários. Não priorizam os cuidados básicos preventivos, como castração e vacina. O transtorno leva a um estado de condições higiênicas precárias e provoca impactos no ambiente.

Não é raro a casa de um acumulador contar uma grande quantidade de fezes e de urina e níveis de amônia muito altos. Passa a ser um problema de saúde pública, que, às vezes, extrapola a casa e afeta a vizinhança

Ainda não há dados nacionais sobre a acumulação de animais. O perfil padrão, segundo estudos americanos, aponta para mulheres com mais de 60 anos que moram sozinhas. Gatos são os mais acumulados, seguidos de cães e pássaros. Outro traço comum — que dificulta o combate à situação — é que, geralmente, os acumuladores negam o problema e a ajuda profissional.

A síndrome também é consequência da falta de políticas públicas voltadas aos animais abandonados. A ineficácia do Poder Público em resgatar e acolher os animais faz com que cidadãos tomem para si o problema.

O acúmulo de animais em casa, mais que um gesto de compaixão com os cães e os gatos abandonados, é um transtorno mental e precisa de apoio e orientações de especialistas.

Enfim, para cuidar de um, dez ou cem animais é fundamental amá-los, porém, o amor não é suficiente. Ele ou eles precisam sim de atenção e amor, mas necessitam também, em uma mesma proporção, de cuidados com a saúde (tanto física quanto emocional), espaço adequado, alimentação saudável e acompanhamento veterinário.

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Sobre o Autor

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Lisandro Frederico

É formado em Marketing, é atual vereador da cidade de Suzano e atualmente preside o Projeto Adote Suzano, ONG que atua na proteção dos animais

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