Acolhendo e orientando nossos adolescentes

Informação sem orientação é como passar na escola colando: os jovens precisam ser instruídos para evitar infecções e gravidez indesejada

Postado dia 15/09/2016 às 09:00 por Luanda Nogueira

jovens

Foto: Reprodução/Internet

Na adolescência a sexualidade é marcada intensamente pelas transformações biopsicossociais. Inúmeros conflitos e descobertas podem indicar riscos e vulnerabilidades. As possibilidades de riscos são inúmeras. Por exemplo, no início da atividade sexual, a gravidez não planejada e os casos de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos.

Aliás importante ressaltar que a terminologia Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) passa a ser adotada em substituição à expressão Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), porque destaca a possibilidade de uma pessoa ter e transmitir uma infecção, mesmo sem sinais e sintomas.

O discurso é quase sempre o mesmo: os jovens sempre tiveram muitas informações sobre sexo e não se justifica uma gravidez, muito menos uma infecção sexualmente transmitida. Mas do que adianta informações sem as devidas orientações?  É o mesmo que entrar colando na escola e receber o diploma no final.

Atuo na clínica com adultos e adolescentes. Percebo na maioria das vezes o quanto falta de orientação para os nossos jovens. Eles têm, sim, muitas informações, via internet, televisão e revistas, além das próprias escolas. Mesmo assim, eles se arriscam muito no descuido do seu corpo, pois a orientação é muito falha neste sentido.

Afirmações como: “na primeira relação sexual é difícil engrevidar”, “a camisinha é desnecessária porque incomoda e tira a sensibilidade, “está na cara do menino ou da menina se a pessoa tem alguma doença”. Acreditem, eu escuto isso de tempo em tempo em grupos de adolescentes. Não é para se assustar?

A necessidade é cada vez maior de se criarem espaços de diálogos entre os adolescentes, profissionais da saúde e professores, considerando e respeitando esses jovens em seus aspectos subjetivos, suas singularidades, as questões relativas às identidades, práticas afetivas e sexuais no contexto das relações humanas, da cultura e dos direitos humanos.

É primordial oferecer orientação sobre as IST, seja no contexto escolar, nos serviços de saúde ou nas famílias. Mesmo existindo o trabalho da orientação, muitos jovens não conseguem absorver o conhecimento de forma satisfatória.

É preciso rever a maneira como as estratégias educativas vêm sendo empregadas com essa população de jovens. E considerar também o fato de adolescentes de baixa renda e baixo nível de escolaridade terem dificuldades na apreensão e assimilação de novas informações pertinentes à sexualidade e aos cuidados com a saúde do próprio corpo.

O bom e o essencial diálogo, a escuta sem julgamentos com os nossos jovens, e a devida acolhida para orientá-los permite que o adolescente construa competências e habilidades para cuidar da sua própria saúde, seu corpo, sua vida.

 

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Sobre o Autor

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Luanda Nogueira

Psicóloga com Enfoque em Sexualidade Humana, Educação e Saúde Sexual.

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