Acabando com a festa

A anulação da nomeação de Lula pelo Juiz Itagiba Catta Preta Neto surpreendeu o Brasil essa manhã

Postado dia 17/03/2016 às 17:56 por Wilson ADM

Itagiba

Foto: Divulgação/Internet

O Brasil está imprevisível. Desde ontem não se fala em outra coisa senão a nomeação de Lula para ministro da Casa Civil, desarticulando uma séria investigação feita até então pelo juiz Sérgio Moro, que o estava pressionando, como também sua família, pela posse de imóveis ilegalmente adquiridos por meio de grandes empreiteiras investigadas na operação Lava Jato, e pela ligação do instituto Lula e de sua empresa de palestras, mantidas com doações milionárias recebidas por empresas também investigadas, onde supostamente parte desse dinheiro ilegal era repassado para as empresas do filho de Lula.

Por aceitar o ministério, supõe-se que Lula é realmente culpado pelas acusações sofridas e que teme a prisão, embora tenha negado se dizendo um perseguido político. Afinal, ele teve tempo para tornar-se ministro no governo antes das investigações, e a crise nacional não começou agora. Ser julgado pelo supremo em foro privilegiado é cômodo, pois dos 11 ministros do STF, 8 foram indicados por Lula e Dilma, essa manobra feita pela presidente certamente não incomodou somente a população. O PT está perdendo aliados. O PRB já pulou fora do barco, e o PMDB está indeciso. É um dos piores momentos que o Brasil já viveu.

Mas o Juiz Itagiba Catta Preta Neto resolveu estragar a festa do PT, e aumentar um pouco mais o clima de tensão no Brasil, mas dessa vez, agindo de acordo com a lei, evitando que uma séria investigação seja atrapalhada por uma manobra evasiva do governo.

Lula volta a cair nas mãos sedentas por justiça de Sérgio Moro, que conta com o apoio de grande parte da população para dar continuidade nas investigações, e que agora deve correr contra o tempo para articular um movimento que possa impedir que Lula tente fugir novamente, pois os advogados do PT já estão recorrendo a decisão do juiz nesse exato momento.

Desde a delação premiada feita por Delcídio do Amaral, homologada essa semana pelo Supremo Tribunal Federal, a possibilidade de Dilma sofrer um impeachment e passar a ser investigada pela operação Lava Jato só aumenta.  Ela está pisando forte em uma camada de gelo fino.

Sérgio Moro vendo sua investigação ser atrapalhada não deixou barato e jogou a bomba no colo da presidente. A gravação dela com o Lula falando sobre o tal do “Bessias” que o levaria um suspeito “Termo de Posse” para ser usado em caso de necessidade está mudando os planos e causando dor de cabeça na Dilma. Esse termo de posse parece mais um extintor de incêndios do que um papel a ser assinado.

Xeque na presidente! Qualquer movimento mal pensado poderia ser nocivo ao governo. Dilma continuou com seu plano e pode ter sido o maior tiro no pé da sua vida. A tentativa de fortalecer seu mandato trazendo Lula ao governo foi interceptada pela justiça, e com isso, demonstra que perdeu sua autoridade, enfraquecida, a presidente sabe que deve encarar logo um pedido de impeachment. Sua popularidade atualmente é baixíssima, superando a baixa popularidade de Fernando Collor. E mesmo com a popularidade baixa, a resposta do governo em relação ao imenso protesto de 13 de março foi inesperada.

A imprensa mundial, a oposição, e muitos brasileiros acusam o ex-presidente de ter sido oportunista e ter fugido das investigações, usando de meios legais para mascarar uma grande ilegalidade moral, em aceitar esse convite de Dilma.

Sobre a cerimônia de nomeação ocorrida hoje, dia 17 de março as 10:35

Interessante observar que Michel Temer negou participar da cerimônia. Ato simbólico importantíssimo que reflete que não há garantias de que o PMDB ainda continue dando apoio para Dilma, já que não concorda que Lula seja ministro, o que pode contribuir ainda mais para a saída da presidente.

Durante a cerimônia de nomeação de Lula para ministro, as pessoas presentes no salão em apoio ao governo gritavam “não vai ter golpe”. Dilma chamou Lula de “o maior líder político desse país”.

Ontem durante a coletiva de imprensa dada no período da tarde em Brasília, ela chamava várias vezes Lula de presidente. A impressão que Dilma passa é que ela não se considera uma autoridade política quando Lula está perto, essa imagem de “grande autoridade” que ela faz do ex-presidente é comum em países comunistas, como a de que Hugo Chavez construiu na Venezuela, um país “socialista” totalmente quebrado e largado nas mãos de Maduro, que junto com Evo Morales emanam palavras de apoio para o PT na “causa”.

A presidente disse durante o discurso que ela e Lula possuem a consciência de um projeto “extremamente generoso para o Brasil” olhando para a grande maioria da população pobre. As prateleiras dos supermercados não estão tão generosas assim, e nem os serviços públicos, além das obras paradas que já gastaram milhões, como a transposição do Rio São Francisco e o Pronatec que praticamente está parado e só serviu para alavancar votos na campanha de 2014. Sem contar Pasadena que pode levar Dilma ao banco dos réus por ter em consciência dado um prejuízo bilionário para a Petrobrás.

Com Lula novamente fora do governo, cabe à justiça promover o progresso da ordem e da transparência dos fatos, para que o Brasil seja um gigante que respeite seus cidadãos em igualdade, e não crie mais manobras políticas para evitar as punições que sejam cabíveis a qualquer um que tenha usado de má fé seus privilégios para se favorecer as custas da população.

 

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