Acaba logo 2015

Reflexões sobre a cultura no ano que termina e o que pode ser diferente, ou não, em 2016

Postado dia 28/12/2015 às 00:00 por Cidão Fernandes

final do ano

Geralmente, em um ano antes de eleições municipais há certo marasmo – além do convencional – nas ações públicas para a cultura na região do Alto Tietê. Fica tudo engatilhado para o ano de eleição, onde ainda se lida com o pouco ou nenhum interesse da população por política (imagina política cultural) e aí vai-se fazendo tudo meio atropelado, dando a sensação de que “essa administração se preocupa com o povo”. Na média, o povo fingindo que acredita, gosta de se enganar com as mentiras sinceras que os marqueteiros estudam a vida inteira para provar o contrário e aí tudo segue na mesma.

Pois bem. Nesse ano foi igualzinho por aqui. Até aí nenhuma novidade. Pra você ter uma ideia do tamanho do descalabro que anda a gestão pública de cultura no Alto Tietê, já se viu secretário municipal inaugurando estúdio de música sem nenhum equipamento dentro, outro secretário municipal aí não captando nenhum recurso para sua pasta, mas enviando projeto pessoal de captação via Proac ICMS no valor de 300 mil reais, outro secretário envolvido com crime organizado, outro que cita descaradamente que o teatro de 11 milhões construídos com dinheiro público deve ser administrado por um banco. Enfim, esse é o nível da conversa meus queridões.

Enquanto isso, espaços independentes apareceram e abriram suas portas de forma contundente. Se relacionaram com um público que procura alternativas para os famosos barzinhos, cineminhas de grande estrutura, mas pouco conceito e casa de shows que simplesmente não existem apesar de existir músicos incríveis caçando espaços para tocar o seu som. Esses espaços construíram sua jornada em 2015 colaborando para que seja percebido que há sim iniciativas com respaldo popular.

Mas como já sabemos, mais uma vez foi opção das administrações públicas culturais usar todo o seu dinheiro “que nunca tem” para o mais do mesmo. Sem criatividade e com nenhum diálogo verdadeiro sobre os rumos da “sua” secretaria de cultura, os seus respectivos secretários veem com maus olhos qualquer iniciativa que vise a aproximar os objetivos que um órgão público deva ter com as aspirações e criações que seus cidadãos promovam em seus pequenos espaços de criações. No fundo não querem ter trabalho apesar de ganharem muito bem pra isso.

Com 2015 acabando é importante imaginarmos que ano que vem a jogo será bem complexo. Cada vez mais os políticos precisam de nós e cada vez mais precisaremos nos colocar para não sermos usados ideologicamente para agrupar votos em torno de uma ideia e depois sermos colocados no canto e nos entregue um pires para nos humilharmos por migalhas do mais do mesmo.

Faz tempo que nos usam. Uma hora precisamos dar uma virada. E tô pensando aqui que a independência, que é diferente do silêncio conveniente, é uma chave importante para abrirmos as portas que sempre desejamos e que a população sempre pede.

Acaba logo 2015.

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Sobre o Autor

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Cidão Fernandes

Ator, diretor teatral e produtor artístico. Diretor Geral do Teatro da Neura, grupo com 11 anos de trabalhos sediado em Suzano. Militante cultural e curioso.

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