A vida não para. Mas é preciso correr tanto?

A vida não para. Quando vemos, estamos embaraçados em nossa própria rotina, passamos mais tempo na empresa do que com a família. Mas dá para ser diferente?

Postado dia 23/08/2015 às 19:18 por Sociedade Pública

multitask

É certo que a gente não devia se preocupar. É certo que sempre devíamos nos alimentar bem. É certo que devíamos passar mais tempo ao lado de quem amamos. É certo que devíamos trabalhar bem perto de casa para podermos tomar mais café ao lado de quem gostamos… Mas nem sempre é assim. A vida se torna rápida, a gente nem sabe como esta corrida começou, mas quando vemos, estamos correndo atrás do nosso próprio dia-a-dia. Embaraçados em nossa rotina. Passamos a comer depressa, a olhar depressa a viver “des com pen sa da men te”. Por quê?

Difícil responder, mas a cidade grande vai nos cobrando mais coisas em menos tempo. Sem nos darmos conta começamos a valorizar mais um dia no trabalho do que um dia num parque. Por outro lado, quando ao invés de sermos funcionários, somos patrões, acabamos esquecendo que lidamos com pessoas e todos os dias, exigimos mais e mais. Ignoramos as necessidades humanas e, de forma deliberada, alteramos a rotina das pessoas para nosso contento, para sustento da empresa.

Mas o que deveria valer mais: uma vida ou uma empresa?

Vamos pegar como exemplo um funcionário qualquer. Inserido no contexto de uma indústria, sua rotina é acordar pela manhã, rodar quilômetros e encontrar um escritório cheio de pessoas. Voltar para a casa, comer uma coisa aqui ou acolá, olhar para um programa de TV, trocar meia dúzia de palavras com a família e dormir. Na manhã seguinte, está de volta à sua rotina. Ele trabalha todos os dias, todo o dia, e assim consegue um bom salário, mas para isso ou por isso, abre mão da vida que gostaria de ter.

Abre mão de viajar rotineiramente, abre mão de passar mais tempo ao lado dos filhos, de jogar conversa fora com uns amigos, de olhar com paixão à sua esposa. Contudo, ele tem uma boa casa, almoça em bons restaurantes, possui bons relógios, calçados e roupas, tem TV a cabo e celular de última geração. Assim ele leva a vida. Não se dá conta de que vive mais na empresa do que na sua própria casa. Seu convívio diário passa a ser com colegas, ao invés dos amigos e da família. Mas esta foi sua escolha: ele precisa do dinheiro para viver e assim sobrevive.

A empresa não reconhece que se trata de um esforço, por isso nem sempre o valoriza. Aquele funcionário passa a ser mais um número. Os gestores não percebem a cobrança que fazem; afinal, verdade seja dita: a vida deles também é exageradamente apreensiva e corrida. Empresários se negam a entender o problema, e lá está o funcionário, o chefe de família, tentando convencer a si próprio como sobreviver sem as coisas que mais ama na vida. Ele se pergunta: como acho a felicidade na correria do dia a dia? As preocupações nunca vão embora… O sono sim. O coração vai ficando deprimido, bate mais forte…

O corpo vai padecendo… Ninguém percebe. Todos, sendo mutilados pelas próprias rotinas, se esquecem do outro. E aquele coração, lutando entre a aceleração dos problemas e os medos diários, deixa de dar conta do recado. Desacelera por conta e… para. Acaba com o sofrimento, mas ele também se esquece que acabou com a própria vida. Vida que era para ser vivida, não substituída por necessidades pífias de gestores e suas empresas, ou de si próprio.

Mas o planeta não pode parar. O ciclo vicioso insiste em continuar. Hoje foi um funcionário, amanhã será outro, ou um mecânico, um lojista, um professor… E as pessoas vão se esquecendo de si mesmas e dos outros. Jogadas à própria sorte, se esquecem que, para ser feliz, é preciso levar em consideração o respeito a si e ao próximo. Ao olhar e valorizar o outro, os corações deixam de viver deprimidos e acelerados, e batem na rotina feliz. Não param e não encerram a vida de ninguém. Numa rotina constante e simplesmente… simplesmente… feliz.

Hoje não foi assim. A vida pode estar em luto. Mas dá para ser diferente e esta diferença pode vir de você. Que tal tentar?

 

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