A resiliência do turismo

Há muitos recursos a serem aproveitados para a atividade turística. O poder público e a iniciativa privada precisam observar os espaços com olhar de empreendedor

Postado dia 09/10/2015 às 23:53 por Fabio Barbosa

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Temos acompanhado que a situação da economia não tem sido favorável para diversos setores da economia. São muitos os números negativos na produção industrial e no comércio, com demissões em massa em diversos setores. Ainda com pouco crescimento, o setor de serviços tem parecido ser um dos setores a dar certo fôlego à economia. Um dos segmentos deste setor que tem procurado fazer a diferença é o turismo, que tem esta capacidade de se reinventar em momentos de crise.

Com aumento do dólar, houve uma queda nas viagens internacionais. No entanto, a procura por roteiros nacionais tem aumentado, o que favorece o turismo nacional e maiores investimentos dos polos receptores, gerando oportunidades de renda e trabalho para muitas pessoas.

Diversos países que tem o turismo desenvolvido, como França, Espanha e Estados Unidos, procuram aproveitar o máximo de seus recursos existentes e prepará-los para a atividade turística. Os americanos são conhecidos pela criatividade de inventarem atividades que geram grandes deslocamentos de pessoas, o que contribui com a cadeia produtiva do turismo, como bares, restaurantes, meios de hospedagem, atrativos turísticos, entre outros.

Com experiência de 25 anos na atividade turística, como professor, consultor, e muitas viagens pelo Brasil e exterior, tenho observado muitos exemplos de desenvolvimento turístico em diversas locais, inclusive no Brasil.

Há muitos recursos a serem aproveitados para atividade turística e que o poder público e a iniciativa privada precisam observar com olhar de empreendedor, estruturando esses espaços. Posso citar aqui exemplos que vivenciei e que tem saído do papel. Exemplos como da Estância Turística de São Roque, Botucatu, Estância Turística de Presidente Epitácio, Guararema e União da Vitória, que têm acreditado no desenvolvimento turístico através das linhas férreas, na maioria dos casos estão subutilizadas, e trabalhado na implantação de trens turísticos em trechos que variam de cinco a trinta quilômetros. Os estudos mostram que as comunidades lindeiras serão diretamente beneficiadas, pois será necessários criar receptivos que envolvem gastronomia, artesanato, hospedagem, entre outros serviços que gerarão mão de obra. A matemática não é difícil, basta começar a investir.

Em Mogi das Cruzes, a Associação Nacional de Preservação Ferroviária vem realizando um projeto de desenvolvimento turístico ferroviário no Distrito de Sabaúna e, com apoio da Prefeitura de Mogi, tem trabalhado para o projeto sair do papel. Mesmo não funcionando de forma regular, o trem turístico anualmente transporta turistas no trem até o Distrito, como forma de sensibilizar a iniciativa privada e o poder publico para o potencial existente. A tematização de trens foi uma inovação para a região como forma de estimular a atividade turística. Este ano terá o Trem da Cerveja Belga, em 14 de novembro, e o Trem de Natal, em 12 de dezembro.

A resiliência é isto, criar, se readaptar e aproveitar oportunidades em momentos difíceis. E o turismo tem essa capacidade de se reinventar.

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Sobre o Autor

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Fabio Barbosa

Consultor em Turismo pela THG Consultoria e Turismo. Turismólogo pela UNIP . Mestre em turismo pela Iberoamericana.

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