A relatividade da queda

Na bandeira consta ordem e progresso, deve ser por isso que no Brasil estão dando tanta bandeira.

Postado dia 21/01/2016 às 01:04 por Wilson ADM

protesto

O Brasil é um paradoxo perfeito e complexo, completamente imerso na teoria da relatividade. Isso não é só uma frase inspirada sobre uma jocosa citação da finada banda “Mamonas Assassinas” na tentativa de confundir os fãs, é também um exemplo que é possível apresentar com palavras o nosso país para quem não o conhece.

São tantas desventuras em série na antiga Terra de Vera Cruz, que o excesso de informações tende confundir, evitando que a sociedade como um todo possa obter um direcionamento seguro, seja ele econômico ou político ou ideológico. Quando alguém mistura tudo fica pior ainda.

Veja por exemplo que especulações recentes de economistas advertem a população brasileira que o dólar pode chegar até R$ 4,70. É visível que o preço de tudo aumentou, e que as prateleiras dos diversos mercados não estão de bom humor. Então os mais entendidos buscam formas alternativas para sobreviverem na crise, que muitos arriscam dizer que “não existe”, e outros, menos esclarecidos, fazem protestos exigindo o passe livre e revoltam-se com o aumento da tarifa do ônibus. O aumento das tarifas não é bem vindo, nem da gasolina ou da conta de luz, água e serviços privados, entre muitos outros que têm sido reajustados frequentemente.

Ora, querem repetir junho de 2013, com black blocs tão patriotas que arrebentam patrimônios públicos e privados, exigindo um monte de coisas novas gritando sempre as mesmas coisas de sempre, e acusando sempre  um único lado da moeda como responsável de todos os problemas, em uma tentativa infantil de democratizar algo, sendo que, já foi mais que provado que não se conquista mérito ou direito algum colocando uma juventude repleta de ideologias libertárias nas ruas como marionetes de pensadores mortos.

Estranho é um enorme grupo de pessoas protestando contra o aumento da tarifa de ônibus, mas continuarem comprando outros diversos produtos a preços altíssimos e com uma tendência ao aumento constante sem reclamarem. São no dia a dia, longe das bombas de gás lacrimogêneo, placas e faixas no meio de uma multidão, consumidores calados e quietos, como aquela pessoa pacata e mansa que  vai ao mercado porque sabe que precisa de pão e leite, conformada que sempre irá pagar o preço que for.

Voltando a falar sobre o Brasil estar imerso completamente na teoria da relatividade, onde os fins justificam os meios, é que aqui não se vê o fim de revolução alguma, o que mais se observa, são os fins das tentativas de revolucionarem algo. Tudo volta a ser como sempre foi, infelizmente. Como novos vilões e mocinhos para as mesmas questões, em uma guerra que continua sempre para quem achar conveniente ir ao campo de batalha, que seja por um dia, gritar seu patriotismo para exaltar a sua própria consciência, seja como for, pois existem muitas maneiras.

Aumentou muito o dólar e a inflação, como também aumentou o preço de tudo, então, aumentaram o salário mínimo em um país endividado com grande parte da população circulando com baixa renda, vivendo de crédito e sem dinheiro para pagar. E as notícias sobre corrupção só aumentam, onde políticos e empresários vão aos tribunais prestar contas sobre ações ilícitas, assim, aumenta o número de corruptos livres com as brechas que a justiça proporciona. Também aumentou o número de empresas estrangeiras que não querem mais investir no Brasil, desse modo, só aumenta a desvalorização das grandes empresas nacionais. Logo, aumenta a revolta das pessoas, consequentemente o número de protestos e o número de policiais nas ruas que resultam em pancadaria e notícias na mídia de todos os tipos. Então aumenta a desordem, a desconfiança, as intrigas, discussões e a infelicidade dos brasileiros quase que em um âmbito geral, pois só enxergam aquilo que querem. A esperança aumenta na mesma proporção que diminui. Cada um, com sua própria lente de aumento vivência isso todos os dias..

Só estão aumentando os problemas. Assim temos um paradoxo, pois os atuais crescimentos políticos, econômicos e sociais vistos com clareza, só levam à queda.

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