A origem do Uber e do Netflix

Não ocorreram apenas mudanças no modo de transportar pessoas ou alugar filmes. O que ocorreu foi a quebra do paradigma dessas atividades

Postado dia 16/12/2015 às 00:01 por Heródoto Barbeiro

Family using electronic gadgets in a living room

Uma visão sistêmica da história da humanidade mostra que os problemas que surgiram ao longo dessa caminhada não podem ser compreendidos isoladamente. São acontecimentos sistêmicos, ou seja, estão sempre interconectados e são interdependentes. Se desfiados como os fios que formam um tecido, este não existiria mais. O tecido só existe porque os fios formam um sistema. Isto mostra que todas as coisas são mutuamente dependentes umas das outras e nada existe sozinho.  Desde os tempos primitivos os fatos sociais se articulam dessa forma, agora com o advento da tecnologia da comunicação, isto ocorre com muito mais velocidade. É isto que caracteriza o mundo atual super conectado. Os pesquisadores  lançam mão de métodos científicos, para adquirir conhecimento a respeito dos fenômenos naturais e sociais.  O primeiro passo é a observação sistêmica de experimentos controlados, em outros como na astronomia, lançam mão dos cálculos matemáticos. Os cientistas buscam interligar os dados de maneira coerente e lógica, livre de contradições internas, ou melhor, desenvolvem um método científico.

Assim, é evidente que experimentos no campo das ciências exatas, como física, química, biologia, podem ser repetidos à exaustão nos laboratórios científicos. E dadas as mesmas circunstâncias o resultado é sempre o mesmo. A não ser que se descobriu uma novidade. A postura sistêmica derrubou paradigmas científicos e sociais que predominaram  durante a primeira metade do Século 20 no Ocidente. O conceito de visão sistêmica do mundo vem das civilizações antigas da Ásia, especialmente da Índia, e está ligado às religiões hinduísta e budista. Assim não assusta o filósofo oriental os períodos chamados de ciência revolucionária, onde os paradigmas utilizados pela ciência tradicional desabam. Um não exclui o outro, mas são qualitativamente diferentes. Assim, mudanças de paradigmas ocorrem em quebras de continuidade, em rupturas realmente revolucionárias e produzem as chamadas mudanças paradigmáticas. Pela tradição nunca houve um conflito entre a ciência e a religião no Oriente, pelo contrário, as duas atividades humanas sempre conviveram harmoniosamente. O mesmo não se pode falar no Ocidente.

Exemplos mais simples são o advento do aplicativo Uber, que virou de pernas para o ar o mercado de táxis no mundo e a tevê via internet, que proporcionou o advento do Netflix e congêneres, que destruiu as locadoras de filmes. Não ocorreram apenas mudanças no modo de transportar pessoas ou alugar filmes. O que ocorreu foi a quebra do paradigma dessas atividades. Outras, talvez tão polêmicas virão, como por exemplo a automação da venda de gasolina nos postos de combustível. Estes exemplos mostram que aquela visão da sociedade contemporânea, como uma máquina permanentemente aperfeiçoada,  foi substituída pelo conceito de uma rede. Uma concepção sistêmica. Ou seja, uma visão ecológica no seu sentido mais amplo, mais profundo, que reconhece a interdependência fundamental de todos os fenômenos e o fato de que eles estão encaixados em processos cíclicos  da natureza em que vivem. Quer se queira, quer não, não há volta. A extinção de determinados processos, profissões, atividades vão ser substituídas por outras atividades. A questão é se as pessoas estão dispostas a sair da zona de conforto e enfrentar as mudanças, ou vão tentar impedir que elas ocorram.

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Sobre o Autor

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Heródoto Barbeiro

Heródoto Barbeiro, escritor e jornalista, âncora do Jornal da Record News e editor do Blog do Barbeiro. Foi âncora do Roda Viva da TV Cultura e do Jornal da CBN. Tem livros nas áreas de jornalismo, história, mundo corporativo e budismo.

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