A microfísica do crescimento econômico

Se houver otimismo em relação ao futuro, haverá investimentos e, consequentemente, crescimento econômico

Postado dia 22/02/2016 às 02:00 por Luiz Edmundo

 

econômico

Foto: Divulgação/Internet

A ciência econômica nos ensina que o crescimento econômico decorre da ação do investidor, do empresariado que ao decidir produzir mais, compra máquinas, equipamentos, contrata funcionários, estimulando os mercados e assim, retomando o crescimento.

É ao ânimo do investidor, portanto que se atribui a razão ou causa do crescimento econômico. Mas esse ânimo ou falta dele depende da percepção que esses têm em relação ao futuro. Se houver otimismo em relação ao futuro, haverá investimentos e, consequentemente, crescimento econômico (exceto na ocorrência de externalidades, como catástrofes naturais, terremotos, etc.). Porém, caso predomine o pessimismo decorrente de crises políticas internas ou de problemas no comércio exterior, o investimento não ocorrera gerando recessão, desemprego, inflação, enfim todos os sintomas da crise econômica.

Mas, o que orienta o investidor em suas decisões de investimento é o comportamento do consumidor, são as decisões de compra das donas de casa, dos pais de família, do consumidor final que irão criar as condições fundamentais na orientação dos investimentos. Quando em um período de recessão o consumo das famílias demonstra certa resistência, ou seja, quando o consumo declina, porém a uma taxa menor que o declínio da renda, significa que consumidor está tentando preservar seu nível de consumo, sinalizando as empresas que preservem suas ofertas de bens e serviços e assim estimule o crescimento da economia.

É, portanto, na esfera do consumidor final que são formadas as tendências cíclicas da economia. Ou seja, a adaptação do consumidor a redução da renda, para preservar seu nível de consumo, recorre a medidas criativas que aumenta o poder de compra de seu dinheiro e por outro lado busca novas alternativas de renda, o conhecido “bico”.

A chamada economia doméstica é recheada de sabedoria popular. Comprar no fim da feira, na chamada “hora da xepa”, é uma demonstração desse conhecimento popular sobre o funcionamento dos mercados pois, com o fim das atividades haverá menos compradores e a eminência de retornar para casa com produtos perecíveis leva os vendedores a reduzir seus preços. Como tantas outras lições: Não ir ao mercado com fome, não levar crianças as compras, privilegiar os produtos da época, pesquisar preços que na atualidade dispõem de instrumentos da mídia eletrônica altamente eficiente.

Ao mudar suas escolhas, o consumidor orienta aos ofertantes sobre o que é importante, o que é necessário, o que deve ser produzido. Ao perceber a tendência da demanda, os vendedores devem aumentar as quantidades produzidas, levando mais bens aos mercados, reduzindo seus preços e estimulando o crescimento da economia.

Os indivíduos constituem a microfísica das decisões de investimento, seu comportamento suas escolhas, seu juízo de valor determina se haverá crescimento ou recessão, quais produtos deverão ser produzidos ou excluídos do mercado. O indivíduo representa a essência do oikos (casa), o vocábulo grego da palavra economia; eco (oikos) nomia (estudo), ou seja, a ciência da casa, a ciência dos gastos cotidianos. Isso muito antes da economia tornar-se uma ciência política, uma ciência de ministros e assessores dos governantes

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Sobre o Autor

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Luiz Edmundo

Economista e doutor em engenharia da produção, dedicam-se ao ensino superior como professor.

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