A marchinha de todos os santos

No maior baile de máscaras em Brasília, teve gente que começou a sambar mais cedo

Postado dia 05/02/2016 às 00:00 por Sociedade Pública

marchinha

Vem chegando mais um carnaval no país em que a folia é um placebo para os corações angustiados. Em Brasília, o maior baile de máscaras costumava acontecer sem pudores, onde nobres homens e mulheres, representantes da população brasileira fantasiados de si mesmos, brincavam de jogar confetes na democracia. Após burlarem as leis e distorcerem a moral nacional de modo descuidado e irresponsável, parece agora estar chegando ao fim um grande carnaval.

Embora seja difícil acreditar que grandes medidas judiciais serão tomadas em curto prazo para punir os muitos responsáveis pelos crimes que lesaram a pátria, a justiça nacional tem colocado bastante gente para prestar contas. Ainda desequilibrado, o Brasil mostra um avanço tímido para a ascensão, embora devamos ser cautelosos, pois todo cuidado é pouco quando se fala de política e seus jogos de interesses. As brigas ideológicas continuam como brigas de torcidas de futebol, mas deve-se observar as manchetes que indicam que chegou o tempo do bom senso, pois atualmente, qualquer um que defenda um partido, principalmente envolvido em escândalos, além de ingênuo, está sujeito a ser cumplice moral.

Nessas horas é incrível como mesmo os políticos mais poderosos do país mostram-se temerosos com a situação, pressionados, sabem que quanto maior a altura, mais desastrosa é a queda, e tão alto ninguém vai sozinho, quando um cair, e se cair, pode provocar um terremoto. A honestidade não precisa ser colocada à prova com palavras de arrogância e desmerecimento alheio.

Felizes são os advogados mais caros do Brasil.

Nesse carnaval, que dance o povo ao som da marchinha de todos os “santos”, em passos lentos rumo ao banco dos réus, por falarem com elegância os absurdos que escreveram em linhas tortas a história do Brasil nos últimos anos, levando o país a ser marcado pela desconfiança, deixando uma pátria gigante, tão pequena como o mês de fevereiro.

Quarta feira de cinzas depois do meio dia, qualquer garoa incomoda, tudo deixa de ser folia e voltar a ser chacota. Mas que as pessoas possam ter dentro do peito uma razão de vida consciente

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