A humanização da violência contra a mulher

Longe de encararmos como um "controle populacional internacional" pela pratica do aborto, a PL 5069 ignora a dura realidade de mulheres que são submetidas à violência do estupro.

Postado dia 10/11/2015 às 07:54 por Wilson ADM

 

Vivenciar a privação de informação e atendimento adequado significa constranger novamente a mulher.

A PL 5069 está entrando em méritos equivocados, pois o aborto já é garantia legislativa em casos de estupro, a lei apenas dificulta o atendimento de mulheres que sofreram violência, e prejudica o atendimento médico, pois as informações e profilaxias trazem risco de imputar penas a médicos que anunciam o processo.

Ainda a PL 5069 mantem o ponto de vista retrógado, da desqualificação da vitima, cabendo à mesma, comprovação burocrática dos danos físicos e psicológicos, minimizando a situação de violência ocorrida, obrigando a vitima a fazer valer seus direitos… E o sistema prefere manter a burocratização a humanizar o atendimento à vitima, que recebeu uma violência no seu direito e dignidade… Segue o Estado dificultando e mantendo a ferida.

A mulher submetida a uma agressão deveria encontrar humanização e amparo, ser cercada de informações, independentemente da crença idealizada pelos setores sociais, ser socorrida, e sim, capacitada e informada sobre os procedimentos pós traumáticos que possa optar.

Métodos contraceptivos emergenciais são importantes ao seu tempo. Quem deve decidir as outras medidas que devem ser tomadas em seu corpo é a mulher, o Estado não pode querer continuar a violação.

Esta mulher (agredida sexualmente) pode não querer ser tocada, fotografada, exposta. Pode não querer participar de estruturas que continuam a humilhar sua dignidade expondo-a, e pode por diversas questões não querer submeter-se as vias legais, ainda assim, deve ser respeitado seu direito de pronto atendimento, recebendo informações relevantes ao fato mesmo sem a comprovação, pois antes de ser um fator burocrático, o estupro é um fator real, existindo, não ha necessidade de comprovação do fato para se falar em direito ao aborto em caso de estupro. E isso não é indução, é direito da mulher.

Cinco espancamentos a cada dois minuto ocorrem segundo a.Fundação Perseu Abramo/2010 e um estupro a cada 11 minutos segundo o 9º Anuário da Segurança Pública/2015

Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher em caso de ser vítima de violência.

 

398313_312361068868568_878893905_nAutor: Millena Souza Santos
Profissão: Editora audiovisual
Cidade: Mogi das Cruzes
Formada em direito pela Universidade Braz Cubas com licenciatura em filosofia pela Metropolitana de Santos.

Entre em contato com Millena S. Santos pelo Facebook!

Compartilhar:

Leia também

Assine a nossa newsletter