A crise cansa

Desde 1854, a economia americana passou por 32 recessões, com duração média de dezessete meses. Já que a queda do PIB do Brasil começou em janeiro de 2014, é hora de retomar o crescimento

Postado dia 06/09/2016 às 10:09 por Luiz Edmundo

PIB

Foto: Reprodução/Internet

Todos se perguntam: quando voltaremos a crescer novamente? A crise cansa! Ela não é o normal, o natural, o correto! Dela decorre o desemprego, resultante da contração da atividade produtiva. A destruição das riquezas, resultante da desvalorização de ativos, como imóveis e ações. E, acima de tudo, a deterioração das expectativas, capaz de afetar o comportamento dos empresários, que deixam de investir, e das famílias, que reduzem seus gastos em consumo, agravando ainda mais as decisões de investir dos empresários

A crise econômica é a anomalia, a doença, o que deu errado. Por outro lado, tão evidente quanto seus efeitos nocivos é o fato de que ela é passageira.

Segundo o National Bureau of Economic Research, desde 1854, a economia americana passou por 32 recessões, com duração média de dezessete meses. Já que a queda do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil começou em janeiro de 2014, é hora de retomar o crescimento

Alguns analistas já vislumbram o fim do ciclo de “vacas magras” logo no início de 2017. Otimismo a parte, os indicadores econômicos apresentam algumas melhoras. A queda do dólar, por exemplo, que em janeiro valia em torno de R$ 4,10 e passou para R$ 3,20 em agosto.

Além disso, a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) era de 10,54% em dezembro de 2015 e está hoje em torno de 8,96%. O Ibovespa (Índice da Bolsa de Valores de São Paulo) subiu de 37,50 pontos em janeiro desse ano para 57,50 pontos em agosto. Todos sinais que acendem o otimismo sobre a possiblidade de retomada do crescimento econômico.

De assim se confirmar, se o crescimento econômico de fato for retomado. é estratégico revermos os nossos projetos e possibilidades de investimento e de consumo. Pois, nesse caso, os preços dos bens e serviços deverão subir com o aumento da renda, dos salários e do lucro. Os ganhos serão coletivos. As receitas tributárias deverão aumentar sem que haja aumento dos impostos, mas sim pelo aumento da massa de produtos comercializados e tributados.

Experimentamos períodos como esses no início dos anos 70, durante o regime militar, quando o PIB chegou a 14% em 1973. Foi o período do chamado “milagre brasileiro”. Em 2010, impulsionado pela valorização da commodities, a taxa de crescimento do PIB foi de 7,5% no ano. Para depois, em 2015, regredir à taxa de -3,80%.

Como diz a sabedoria popular: “Não há mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe”. Em economia, tudo é probabilístico. Assim, a despeito do otimismo de alguns analistas, certo mesmo é que a economia funciona como o espelho retrovisor de um automóvel: só temos certeza daquilo que já passou e nunca do que virá!

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Sobre o Autor

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Luiz Edmundo

Economista e doutor em engenharia da produção, dedicam-se ao ensino superior como professor.

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