A ausência de cobertura televisiva para as paralimpíadas é sinal de medo

Acreditamos que, se tivermos deficiências, não teremos felicidade. Ledo engano

Postado dia 14/09/2016 às 09:00 por Priscilla Brandeker

paralimpíadas

Foto: Reprodução Internet – Matt Stutzman, atleta paraolímpico de arco e flecha

A ausência de transmissão televisiva da festa de abertura e dos jogos Paralímpicos te surpreendeu? A mim sim, especialmente numa época em que falamos tanto de igualdade e luta contra pré-conceitos. Foi impactante, principalmente pelo fato de as próprias emissoras terem transmitido as Olimpíadas 24h por dia.

Mas o que aconteceu? Há quem diga que a paralimpíada não gera lucro. Há quem diga da necessidade de retomada da programação usual, pois as pessoas que não gostam de esportes já estavam cansadas e cobrando sua programação de volta. E há os que digam que quem gosta pode assistir pela internet ou pelos canais fechados.

O que vou dizer aqui não vai responder a essas questões, mas vai fazer com que reflitamos um pouco sobre os nossos próprios medos, em especial sobre o medo das deficiências. Não estou aqui falando apenas de deficiências físicas ou mentais, mas de toda e qualquer deficiência nossa. O ser humano tem aversão às deficiências e foge delas como o diabo foge da cruz, sabe por que? Porque reconhecer as próprias falhas, as próprias fraquezas, é entrar em contato com um lado obscuro e triste, um lado frágil e algumas vezes desconhecido por nós mesmos. Queremos estar bem o tempo todo, sorrindo, desfrutando, felizes, inteiros, lúcidos, inteligentes, espertos e acreditamos que, se tivermos deficiências, não teremos nada disso. Ledo engano.

Foto: Reprodução/Internet - Atleta brasileiro Alan Fonteles

Foto: Reprodução/Internet – Atleta brasileiro Alan Fonteles

Entrar em contato com pessoas com deficiência (coloco aqui os atletas em específico, porém lembrando que todos nós temos deficiências), mostra que não estamos imunes e que, a qualquer momento de nossas vidas, podemos ser levados a algum acidente que nos tire movimentos, a alguma doença que nos tire habilidades, a algum incidente que nos tire a independência física ou intelectual ou a termos um filho, um amigo ou parente nessa situação. Queremos fugir disso tudo e, se possível, nem pensar sobre isso.

Evitar o contato é uma simples ilusão em evitar que pensamentos como esse tomem conta de nossa cabeça e, por consequência, atrair algo para nossas vidas. Mas que vacilo grande, caro leitor! Pois evitar entrar em contato com pessoas deficientes, doentes, carentes, seja lá o que for, não vai evitar nem garantir nada em nossas vidas além do simples fato de torná-la insensível e alheia ao que cada pessoa pode oferecer de melhor em sua própria essência, que é o primordial nesse mundo gigante em que vivemos.

Viva a história de superação de cada atleta! Coisa linda de ver! Se você não teve a possibilidade, a curiosidade ou uma pequena dose de amor e empatia, ainda há tempo!

Foto: Reprodução/Internet - Daniel de Faria Dias é o principal atleta paraolímpico da natação brasileira

Foto: Reprodução/Internet – Daniel de Faria Dias é o principal atleta paraolímpico da natação brasileira

Um abraço grande,

Priscilla T. Brandeker

Psicóloga

CRP 06/123945

 

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Sobre o Autor

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Priscilla Brandeker

Priscila Brandeker é psicóloga especializada. Atende crianças, adolescentes, adultos e também pessoas da terceira idade. Priscilla T. Brandeker Psicóloga (CRP 06/123945)

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